
O vereador e presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais da Bahia (SINPRF-BA), Silvio Dias, se manifestou sobre o caso da inspetora, presa em flagrante no domingo (5) sob suspeita de injúria racial contra um capitão da Polícia Militar durante uma partida de futebol infantil, em Feira de Santana.
Silvio classificou o episódio como “um fato lamentável” e afirmou que o sindicato está acompanhando de perto o caso, oferecendo assistência jurídica à servidora.
“O que ocorreu foi uma confusão generalizada durante um jogo infantil. Nossa colega PRF Michele, que é daqui de Feira de Santana, acabou sendo surpreendida ao ser autuada por injúria racial quando, na verdade, há vídeos que mostram ela tentando apartar a briga”, relatou.
O dirigente sindical destacou que, na audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (6), o Ministério Público manifestou-se pelo relaxamento da prisão, o que foi acolhido pela juíza do caso.
“Agora, Michele está em liberdade e vai responder o processo em conformidade com o devido processo legal. Ela é uma profissional exemplar, mãe de família e cidadã de conduta ilibada. Não há nada que desabone sua carreira ou seu comportamento”, defendeu.
Silvio reforçou que o sindicato repudia qualquer ato de racismo, mas pede que as investigações ocorram com equilíbrio.
“Somos uma entidade que atua sempre dentro da legalidade. Não aceitamos nenhuma ação discriminatória, mas precisamos garantir o direito à ampla defesa e à presunção de inocência. Ao final, acreditamos que a verdade prevalecerá”, afirmou.
Ele também relatou ter conversado diretamente com a inspetora após a audiência. “Ela está muito abalada, com sua imagem exposta e o psicológico fragilizado. Segundo o que me relatou, passou de vítima a acusada, o que é algo extremamente doloroso”, completou.
O caso
A confusão ocorreu por volta das 10h de domingo (5), na quadra do Sesi, no bairro Jardim Cruzeiro, durante a final de um torneio de futebol promovido por uma escola particular.
De acordo com o capitão da PM, ele assistia ao jogo do filho quando a inspetora reclamou de que ele estaria atrapalhando sua visão. As reclamações teriam se repetido, até que, segundo o oficial, ela o teria ofendido com a expressão “isso é coisa de preto” e, em seguida, o filho dela desferiu um soco em suas costas, iniciando uma luta corporal.
A inspetora Michele Alencar, por sua vez, nega ter feito qualquer ofensa de cunho racial. Ela afirma que apenas pediu ao capitão que se sentasse para conseguir assistir à partida, admitindo que se exaltou durante a discussão. A PRF diz ainda que, após a troca de palavras, o capitão teria se aproximado de forma ameaçadora e o filho da servidora tentou intervir, o que acabou gerando a briga.
Em nota, a Polícia Rodoviária Federal declarou que acompanha a investigação das autoridades competentes e que adotará as medidas cabíveis para esclarecer o caso.
“A PRF acompanha a situação, bem como a investigação das autoridades competentes, e adotará as medidas cabíveis para apurar os fatos”, diz o comunicado oficial.
*De Olho na Cidade
