Campanha de Multivacinação foi iniciada na última sexta-feira, 1º, e segue até o dia 21 em Feira de Santana, com aplicação das vacinas contra hepatite, sarampo, coqueluche, meningite, febre amarela, difteria e tétano para menores de 15 anos (14 anos 11 meses e 29 dias). A imunização pode ser feita nas unidades municipais de saúde de segunda a sexta-feira.
Para ser vacinado é necessário apresentar o documento de identidade, cartão do SUS e a caderneta de vacinação – a ausência desses documentos não impede a vacinação. Vale destacar que as crianças e adolescentes devem estar acompanhadas de um adulto responsável.
Manter a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes em dia é uma responsabilidade dos pais ou responsáveis. Como estratégia para promover o acesso à vacinação daqueles que não puderem levar os menores durante a semana, a Secretaria Municipal de Saúde vai realizar o dia D de mobilização no próximo dia 16. Serão 103 unidades de saúde funcionando no sábado, das 8h às 17h, tanto na zona urbana quanto rural.
Essa ação visa oportunizar o acesso às vacinas, atualizar a situação vacinal, aumentar as coberturas vacinais, diminuir a incidência das doenças imunopreveníveis.
“Isso contribui para o controle, eliminação e erradicação dessas doenças”, destaca a diretora do Departamento de Gestão da Rede Própria, Joana Queiroz.
O Ministério da Saúde (MS) destaca a necessidade de vacinar o maior número possível de crianças e adolescentes, adotando-se todas as medidas de proteção amplamente divulgadas contra a Covid-19, para diminuir o risco de contágio da doença tanto entre os trabalhadores da saúde e a população.
A Prevent Senior vai encaminhar ao Conselho Regional de Medicina de SP (Cremesp) documentos que provam que médicos que hoje a denunciam receitaram hidroxicloroquina para eles próprios e para seus familiares.
A operadora quer demonstrar, com isso, que é falsa a afirmação de que eles eram pressionados a receitar o kit covid, um pacote de remédios ineficazes contra a Covid-19.
Além de hidroxicloroquina, o kit continha ivermectina, azitromicina e vitaminas.
Pelo menos dois médicos que já se expuseram para fazer as denúncias estão no dossiê da Prevent Senior: George Joppert e Walter Correa.
Questionados pela Folha, os dois se negaram a esclarecer, num primeiro momento, se tinham ou não receitado o medicamento para eles mesmos e para seus familiares.
“Isso é uma arapuca”, respondeu Walter Correa à coluna. Ele afirmou, no entanto, que teve Covid-19, mas nunca tomou hidroxicloroquina. “Vou tomar isso?”, disse.
Já a advogada dos médicos, Bruna Morato, confirmou a informação de que os médicos receitaram o medicamento para eles mesmos e para seus parentes. “É verdade”, afirmou ela.
Bruna Morato afirma que a informação “só comprova” que a Prevent Senior pressionava os profissionais a indicarem o kit covid aos pacientes. “A Prevent está me fazendo um favor gigante”, afirma.
Segundo a advogada, todos os médicos da operadora e seus familiares eram segurados da Prevent Senior.
Sempre que algum deles tinha algum sintoma que poderia indicar infecção pelo novo coronavírus, tinham que retirar medicamentos do kit covid.
“Eles eram obrigados a prescrever não apenas para os pacientes gerais da operadora, mas também para eles mesmos e para os familiares”, diz ela.
Bruna Morato afirma que isso ocorria “quando eles apresentavam qualquer sintoma, mesmo que fosse apenas dor de cabeça, uma febre ou qualquer outro sintoma gripal”.
A advogada diz que isso era admissível no começo da epidemia, quando não havia ainda comprovação de que o kit covid não funcionava. Mas que a ineficácia foi comprovada, e mesmo assim a Prevent seguiu pressionando para que o kit fosse entregue aos pacientes.
No domingo (3), os médicos George Joppert, Walter Correa e Andressa Joppert mostraram o rosto pela primeira vez, numa entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo.
Eles repetiram ao programa que eram pressionados a receitar o kit covid. Segundo Correa, a intenção deles é “expor a fraude do tratamento precoce, a fraude do suposto sucesso de gestão” da Prevent na crise.
A Fundação Hospitalar de Feira de Santana abrirá nesta segunda-feira, 4, no Centro Municipal de Prevenção ao Câncer Romilda Maltez (CMPC), das 8h às 13h, a programação alusiva ao Outubro Rosa, mês de prevenção ao câncer de mama. Neste dia, as mulheres serão orientadas sobre os serviços ofertados no período e como poderão agendá-los.
Até o dia 15, elas vão participar de palestras, dinâmicas e oficinas sobre o autocuidado. Também poderão marcar exames, como o preventivo, ultrassom mamária, mamografia e ultrassom transvaginal, através do número (75) 3602- 7340 ou no email: outubrorosa@fhfs.ba.gob.br.
O Centro Municipal de Diagnóstico por Imagem (CMDI) também estará com ações voltadas à prevenção do câncer de mama, entre os dias 4 e 29 de outubro. Durante esse período vai disponibilizar a mamografia digital [previamente agendada] às mulheres com recomendação médica.
A presidente da Fundação Hospitalar, Gilberte Lucas, informa ainda que o Hospital Inácia Pinto dos Santos, o Hospital Mulher, estará implantando o contraceptivo intrauterino – DIU – em pessoas pré-selecionadas pela Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia da UEFS em parceria com a FHFS, nos dias 2 e 9.
“Esse é um mês para chamar a atenção das mulheres sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama, bem como alertá-las da necessidade de promover a sua saúde, combatendo outras doenças”, afirma a presidente da FHFS ressaltando que as ações do Outubro Rosa serão ampliadas às mulheres que residem na zona rural.
O Ministério da Saúde informou que recebeu mais 2 milhões de doses da vacina da Pfizer contra a Covid-19. O carregamento desembarcou neste domingo no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Segundo a pasta, das mais de 287 milhões de doses distribuídas aos estados, 75,9 milhões são da Pfizer.
De acordo com o vacinômetro do ministério, 229 milhões de doses foram aplicadas em todo o país, sendo que 143,9 milhões foram destinadas para aplicação da primeira dose e 85,2 milhões são de segunda dose ou única.
Na sexta-feira (24), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), entregou mais de 2 milhões de doses da vacina contra a covid-19 ao Ministério da Saúde, somando o total de 4,5 milhões de doses entregues na semana.
Com o novo lote, a fundação alcança aproximadamente 101 milhões de vacinas disponibilizadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). O número foi alcançado em apenas oito meses.
Os recursos investidos na aquisição de doses de vacinas já somam R$ 188 bilhões, segundo o ministério.
Os idosos acima de 70 anos, cuja aplicação da segunda dose contra Covid tenha completado seis meses, poderão ser vacinados com a terceira dose até as 17h, na UniFTC. O horário foi estendido pela Prefeitura de Feira, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, para facilitar o acesso à vacina. No local, o movimento é tranquilo e sem filas.
Para receber o imunizante é necessário apresentar a caderneta de vacinação confirmando o recebimento das duas doses da vacina, RG, CPF e comprovante de residência
Nesta quinta-feira, 23, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) começa a aplicação da dose de reforço da vacina contra a Covid-19 em idosos acima de 70 anos, cuja segunda dose tenha completado seis meses. A imunização acontece na UniFTC, das 8h às 12h.
Para receber o imunizante é necessário apresentar a caderneta de vacinação confirmando o recebimento das duas doses da vacina, RG, CPF e comprovante de residência.
ADOLESCENTES
Também haverá aplicação da primeira dose da vacina para adolescentes de 14 anos (nascidos em 2007), com ou sem comorbidade, na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), das 9h às 16h. É obrigatório que o jovem esteja acompanhado de um adulto responsável, apresente cartão de vacinação (caso possua), RG, cartão do SUS e comprovante de residência.
SEGUNDA DOSE PFIZER
Ainda na UEFS será aplicada a segunda dose da vacina Pfizer, das 8h às 12h, para pessoas com aprazamento até o dia 23 de setembro. Vale salientar que não será possível o adiantamento da vacinação para além dessa data. Somente aqueles que estão no período recomendado, de acordo com a data na caderneta de vacinação, poderão receber a segunda dose.
18 ANOS OU MAIS, GESTANTES E PUÉRPERAS
A primeira para pessoas a partir de 18 anos (nascidos até 23 setembro de 2003); gestantes e puérperas (até 45 dias pós parto) maiores de 18 anos, em 21 Unidades de Saúde da Família (confira no final da matéria) e nos distritos, das 8h às 16h.
É obrigatório apresentar RG, CPF e comprovante de residência no nome da pessoa a ser vacinada, de pai, mãe ou com alguma comprovação de vínculo. Se for aluguel, um documento que comprove a locação.
Nos casos em que a residência está no nome do cônjuge ou ex-cônjuge, é necessário apresentar a certidão de casamento ou divórcio. É exigido para as puérperas e gestantes uma prescrição médica após avaliação individualizada de risco e benefícios.
SEGUNDA DOSE CORONAVAC E OXFORD/ASTRAZENECA
A aplicação da segunda dose das vacinas CoronaVac e AstraZeneca/Oxford, para pessoas que estão no período recomendado, será nas 21 Unidades de Saúde da Família, nos distritos e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), das 8h às 16h.
Para receber a segunda dose é obrigatório levar o cartão de vacina com a comprovação da primeira dose, RG, CPF, cartão do SUS e comprovante de residência.
Confira a lista das Unidades Básicas de Saúde (UBSs):
Exercícios físicos e mentais auxiliam na prevenção do Alzheimer – transtorno neurodegenerativo que destrói a memória e outras funções mentais importantes. A mudança de hábitos, incrementando atitudes saudáveis reduz as chances de desenvolver a doença. É o que recomenda a Secretaria Municipal de Saúde no Dia Mundial do Alzheimer, celebrado nesta terça-feira, 21.
“É muito importante manter uma vida ativa. Estudar, ler, pensar, fazer exercícios de aritmética, jogos inteligência e atividades em grupo são formas que auxiliam na prevenção”, orienta a enfermeira referência técnica em Saúde da Pessoa Idosa, Isabela Machado. Em Feira de Santana, 113 pessoas são acompanhadas pelas unidades municipais de saúde.
“São três geriatras que realizam atendimentos para o tratamento das pessoas com esse diagnóstico, na perspectiva de ofertar orientações e prescrições de medicamentos que podem ajudar a retardar a evolução dos sintomas”, explica Isabela Machado, enfermeira referência técnica em Saúde da Pessoa Idosa.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) selecionou hoje (21) o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) como centro para desenvolvimento e produção de vacinas com tecnologia de RNA mensageiro na América Latina.
As vacinas de RNA mensageiro são um novo tipo de imunizante em estudo para proteger pessoas de doenças infecciosas. Segundo informou a Fiocruz, a escolha de Bio-Manguinhos ocorreu em função dos “promissores avanços no desenvolvimento tecnológico de uma vacina de mRNA contra a covid-19, atualmente em estágio pré-clínico”. A iniciativa contou com recursos do Ministério da Saúde e de emendas parlamentares.
A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, avaliou que essa tecnologia vem se somar à plataforma de adenovírus, utilizada na vacina Fiocruz/AstraZeneca para a covid-19. Para ela, o desenvolvimento de uma vacina da Fiocruz de mRNA é um passo fundamental para que o Brasil detenha o domínio tecnológico de duas plataformas essenciais para o avanço no desenvolvimento de imunobiológicos.
Moradores do distrito de Humildes receberam a equipe do projeto “Voz da Gente” nesta segunda-feira, 20. A população teve acesso direto aos representantes de departamentos da Secretaria Municipal de Saúde, tirando dúvidas e levando sugestões de melhorias aos serviços municipais de saúde, em Feira de Santana.
Quem chegou cedo para participar da 2ª edição do projeto foi o aposentado José Raimundo Carvalho, 68 anos, que recebeu orientações sobre o fornecimento de medicamentos, junto à Assistência Farmacêutica.
Já a aposentada Geraldina Lacerda, 67 anos, participou do encontro para entender como funcionam os serviços de saúde e assim colaborar com a comunidade.
“Estou aqui para ver maneiras de ajudar a comunidade como um todo, não para resolver problemas meus, mas para entender como funciona, pois só assim podemos cobrar”, afirma. O projeto tem como objetivo ouvir demandas e necessidades relacionadas à área da saúde nos bairros, levando representantes dos departamentos que coordenam setores nas unidades de saúde, como: Assistência Farmacêutica, Central de Regulação, Odontologia e Atenção Básica.
“Todas as semanas estaremos visitando unidades, levando esses serviços para a população, dando retornos e verificando de que forma poderemos melhorar a qualidade da saúde ofertada pela Secretaria”, destaca o secretário de Saúde, Marcelo Britto. Também participaram da ação, o vereador Fabiano da Van e o secretário de Agricultura, Recursos Hídricos e Desenvolvimento Rural, Pablo Roberto.
Especialistas explicam relação entre overtraining e diminuição da produção do hormônio, abordando as consequências para a performance esportiva, além dos tratamentos e cuidados
Foto: iStock Getty Images
Determinados tipos de exercício físico, sobretudo os de alta intensidade e curta duração, podem promover aumento da secreção de testosterona. No entanto, o excesso de exercício pode ter um impacto negativo sobre a produção desse hormônio. Nos últimos anos, alguns estudos têm relatado que, parecido com o que ocorre na chamada Síndrome da Mulher Atleta, homens também são afetados pelo excesso de treino (overtraining). Tanto que atualmente já é reconhecido que o excesso de treinamento físico é uma das causas que prejudicam a produção de testosterona em homens, podendo levar inclusive a um quadro de deficiência do hormônio, chamado de hipogonadismo ligado ao exercício. Mas, afinal, como esse tipo de distúrbio pode levar à piora de performance esportiva e a uma série de alterações orgânicas prejudiciais?
Abaixo, os médicos endocrinologistas Ricardo Oliveira e Roberto Zagury explicam essa relação e o tratamento do problema e dão dicas de cuidados a serem tomados pelos atletas.
Exercício físico e testosterona
Diferentes tipos de treinamento podem exercer diferentes impactos sobre a produção de testosterona. Ricardo Oliveira explica que se por um lado exercícios de alta intensidade e curta duração promovem aumento da síntese de testosterona, por outro lado treinamentos longos e exaustivos podem promover o contrário: uma deficiência do hormônio. Alguns tipos de exercícios que geram uma produção maior de testosterona são os de alta intensidade, explosão e musculação, principalmente aqueles que envolvem grandes grupamentos musculares e uma intensidade considerável.
Para que não ocorra uma superprodução ou baixa produção do hormônio, o ideal é manter o equilíbrio entre treino e descanso, sendo necessária uma dosagem correta de ambos. Em relação ao overtrainging, quando abordamos esse tópico, há uma tendência natural de associar mais o excesso de treinamento ao universo feminino por conta da famosa Tríade da Mulher Atleta, atualmente chamada de Síndrome da Mulher Atleta, que pode gerar desordem alimentar, hormonal (amenorreia) e óssea (osteopenia/ osteoporose). No entanto, treinos em excesso também trazem malefícios ao universo masculino.
– Da mesma forma que as mulheres podem apresentar a chamada Síndrome da Mulher Atleta pelo excesso de treino e uma dieta inadequada (em geral mais restritiva), o mesmo pode ocorrer com os homens. Hoje, conhecemos a chamada REDS (Síndrome de Deficiência Energética Relativa), na qual o gasto energético pelo exercício acaba sendo bem superior ao consumo calórico da dieta. A deficiência de testosterona em homens é apenas uma das consequências da REDS. Prejuízo na imunidade, problemas de sono, fadiga crônica e irritabilidade são alguns outros exemplos da sinais da doença em homens – aponta Oliveira.
A baixa produção de testosterona está entre os malefícios do overtraining — Foto: Reprodução/Internet
De acordo com Roberto Zagury, muito mais do que produzir uma diminuição nos níveis de testosterona, o excesso de treinamento no homem traz malefícios também na esfera afetiva. No âmbito psicoafetivo, a pessoa pode ter mais irritabilidade e um sono prejudicado, por exemplo. No âmbito imunológico, há um desequilíbrio, desregulando-se com o exagero de treinamento e, dessa forma, a pessoa fica mais propensa a infecções principalmente de vias aéreas superiores.
– Além disso, pode haver um prejuízo na massa óssea, tanto na qualidade quanto na quantidade de tecido ósseo; e assim, acabam surgindo as famosíssimas fraturas por estresse. Portanto, entendemos hoje que o impacto do overtraining não é apenas hormonal, mas sim multimodal e multifatorial, envolvendo uma ampla gama de setores do organismo da saúde masculina – explica o médico.
Hipogonadismo ligado ao exercício
De acordo com Ricardo Oliveira, o hipogonadismo masculino caracteriza-se por uma deficiência da produção de testosterona e/ou espermatozoide em homens. O excesso de exercício, sobretudo em um contexto de ingestão calórica limitada, é uma das causas desta entidade recém-descrita como “hipogonadismo ligado ao exercício”.
Entre os sintomas estão:
Queda de libido
Sintomas depressivos
Irritabilidade
Piora da concentração
Perda de força e potência muscular
A maioria desses sintomas pode apresentar um impacto direto ou indireto sobre a performance do atleta, prejudicando o desempenho esportivo.
– Atualmente, cunhamos um termo, entendendo que era apropriado ter uma terminologia específica para apontar para essa condição: o hipogonadismo ligado ao exercício, que é uma forma funcional de hipogonadismo. Ou seja, não existe uma doença orgânica, um processo anatômico que seja identificável com exames de imagem, por exemplo, mas existe um processo funcional, uma desregulação do funcionamento do nosso organismo que começa lá em cima, no hipotálamo, que é uma região do nosso cérebro especializada capaz de controlar uma glândula muito importante que é a hipófise, que também fica no cérebro. Por sua vez, a hipófise controla várias glândulas do nosso organismo e, entre elas, os testículos, no caso do homem. Que são o sítio de produção da testosterona. No hipogonadismo ligado ao exercício, há uma diminuição na produção de testosterona por uma alteração funcional do hipotálamo e da hipófise – explica Roberto Zagury.
Piora da performance esportiva
Overtraining piora a performance esportiva em um curto prazo — Foto: Istock Getty Images
O quadro de hipogonadismo ligado ao exercício pode prejudicar a performance esportiva, pois provoca alterações como menores força e resistência muscular e uma piora da recuperação muscular nos indivíduos acometidos, além de uma série de mudanças orgânicas prejudiciais. Isso ocorre porque o praticante de atividade física, com o objetivo de melhorar o seu desempenho, acaba treinando cada vez mais, entrando em um ciclo vicioso de busca pela perfeição. Assim, aumenta mais o volume semanal e a intensidade dos treinos e diminui os períodos de repouso, que são fundamentais para que o organismo se recupere.
– Senão der tempo para o organismo, não adianta treinar em alta intensidade, a pessoa não vai se tornar mais capaz, pelo contrário. Quando o atleta só vai treinando cada vez mais e passa do ponto, esse hipogonadismo (diminuição de testosterona) dialoga com o excesso de treinamento clássico, passando também por um estágio antes do overtraining, que é o chamado overreaching, que consiste em um aumento do volume e\ou da intensidade do treino. Após essa fase, o indivíduo entra no overtraining e, em vez de melhorar sua performance esportiva, a piora em um curto prazo – aponta Zagury.
Readequação de dieta e treinos é a principal forma de tratamento da baixa de testosterona — Foto: Istock Getty Images
Nos casos de deficiência de testosterona causada pelo excesso de exercício físico, Ricardo Oliveira aponta que a principal medida a ser adotada é uma adequação de dieta e treinos. Segundo o médico endocrinologista e do esporte, o indivíduo deve:
Fazer uma redução do volume de treinamento (em geral 20-30% do volume semanal), evitando os treinos mais longos, sobretudo aqueles que tem duração entre uma e duas horas;
Um controle dietético também é fundamental, requerendo-se um aumento da ingestão calórica, incluindo quantidade de carboidratos e gorduras, muitas vezes negligenciado e demonizados por atletas;
Nos casos que tais ajustes não forem suficientes para reverter todo o processo, a reposição hormonal com testosterona ou uso dos chamados moduladores seletivos do receptor de estrogênio (SERMs) pode ser necessário.
Roberto Zagury também reforça que a base do tratamento nesses casos é o destreinamento, ou seja, fazer o movimento no sentido contrário. Afinal, se o que produziu aquela deficiência funcional na produção de testosterona foi o excesso de treinamento, o tratamento é entregar para a pessoa uma agenda de repouso para que que ela possa desfazer o que que foi construído pelo overtraining.
– Outro ingrediente importante do tratamento é a paciência, embora seja muito difícil pedir para pessoa que está nessa situação dar tempo ao tempo. Às vezes a situação reverte rápido, mas nem sempre, pode ser preciso de três meses, seis meses ou até um ano para reverter o quadro. Então, a pessoa que se vê nessa situação acaba ficando insegura e ansiosa, mas na medicina às vezes o tempo faz parte do grande tratamento, como nesse caso – destaca o médico.
Além de tratar o quadro, é importante o atleta tomar alguns cuidados, sendo importante lembrar que os produtos derivados de testosterona são considerados doping, ou seja, pertencentes à lista de substância proibidas pela agência mundial anti-doping (WADA). Portanto, é fundamental que equipe médica esteja ciente e, caso esse tipo terapia seja de fato necessário, deve ser solicitada uma autorização para uso terapêutico (AUT) antes do início da competição. A agência regulatória de cada país avaliará o caso e decidirá pela autorização ou não. No Brasil, esta função é feita pela Agência Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD).
Outros cuidados incluem:
Construir um programa de treinamento de tal forma que o atleta encontre equilíbrio entre intensidade e volume de treinos e repouso. E isso quem vai fazer melhor do que ninguém é um profissional de educação física, que vai montar um treino periodizado, com momentos de maior intensidade, mas também com momentos de menor intensidade e outros de descanso. A monotonia de treinamento é um um problema importante que empurra o indivíduo para o hipogonadismo;
Ter atenção a questões de ordem pessoal: problemas financeiros, afetivos e familiares influenciam o desempenho esportivo. É importante não descuidar desses fatores extra-esporte, que muitas vezes exigem o apoio de um psicólogo, por exemplo.
– Por fim, é importante destacar que atletas de endurance, sobretudo de provas longas (maratonas, ultramaratonas, ciclismo), esportes aquáticos (nos quais se treina horas por dia), dentre outros, estejam atentos à possibilidade da deficiência de testosterona. Diante da suspeita, a recomendação é procurar a equipe médica. Em muitos casos, um médico endocrinologista deverá ser consultado para avaliação criteriosa do caso – conclui Ricardo Oliveira.
Fontes: Ricardo de Andrade Oliveira é médico endocrinologista e do esporte, ex-professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenador do Departamento de Doenças Associadas da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Roberto Zagury é médico endocrinologista e coordenador do Departamento de Diabetes, Exercício e Esporte da Sociedade Brasileira de Diabetes.