O ministro André Mendonça, novo relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a Polícia Federal (PF) terá “carta branca” para trabalhar nas investigações. A declaração, feita pelo magistrado a interlocutores, foi confirmada à CNN Brasil pelo gabinete de Mendonça.
Segundo relatos, o ministro também tem dito que considera o inquérito o mais relevante de sua trajetória e que o desfecho deverá marcar sua biografia. Por isso, ele teria apontado que pretende conduzir o processo com extrema correção.
As declarações do magistrado, com o gesto de reforço à autonomia da PF, surgem como contraponto em comparação ao relator anterior do caso, o ministro Dias Toffoli. Na ocasião, decisões de Toffoli limitaram o acesso da corporação a materiais apreendidos, determinando que documentos permanecessem sob guarda do gabinete e que a análise fosse feita apenas por peritos designados pelo Supremo.
O posicionamento de Mendonça também foi visto como contraste em relação a críticas feitas por outros integrantes da Corte. Durante a reunião reservada no STF que tratou da relatoria do caso Master, o ministro Alexandre de Moraes teria afirmado que alertou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, de que a investigação não poderia continuar se houvesse alguma descoberta sobre autoridades.
Decisão cita ausência de nexo causal em acusações que iam de ‘rachadinhas’ a genocídio
Foto: Clauber Cleber Caetano/PR
O Ministério Público Federal (MPF) decidiu arquivar a representação que solicitava a abertura de investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus familiares por supostos crimes cometidos durante a pandemia de Covid-19 e por uso indevido da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Segundo o órgão, não há elementos mínimos nem comprovação documental que justifiquem a apuração.
De acordo com a decisão, a notícia de fato foi fundamentada em informações genéricas e inespecíficas, sem a apresentação de provas ou de fatos concretos. O despacho foi assinado pela procuradora da República Luciana Furtado de Moraes, do Núcleo Criminal da Procuradoria da República em Minas Gerais.
A representação atribuía a Bolsonaro e a familiares crimes como genocídio durante a pandemia de Covid-19, envolvimento com milícias, tráfico de drogas, corrupção, prática de “rachadinhas”, envenenamento de autoridades, perseguição política, uso indevido da Abin e atentados à ordem democrática.
Na decisão, o MPF afirmou que os conteúdos citados no pedido têm natureza jornalística ou opinativa e não possuem valor probatório, além de não especificarem fatos concretos a serem investigados. O órgão também destacou que as informações apresentadas são genéricas e baseadas em relatos pessoais e avaliações subjetivas.
“Tais passagens, contudo, não estabelecem nexo causal identificável com condutas atribuídas a agentes públicos federais, tampouco apresentam elementos que indiquem verossimilhança ou que permitam qualquer providência investigativa por parte do MPF”, afirmou a procuradora.
O MPF informou ainda que o autor da representação tem prazo de dez dias para recorrer da decisão. O processo tramita sob sigilo, a pedido do denunciante.
A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco) divulgou nota em que afirmou ver com “preocupação” as medidas adotadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra servidores suspeitos de vazamento de dados fiscais de parentes de integrantes da Corte.
Segundo a Unafisco, as investigações ainda são “preliminares” pela própria Receita Federal e, por isso, é preciso respeitar o devido processo legal e da presunção da inocência.
– A Unafisco Nacional manifesta preocupação com a adoção de medidas cautelares gravosas contra Auditor-Fiscal em contexto ainda classificado como análise preliminar pela própria Receita Federal – diz a nota.
A entidade diz ainda que “defende que eventuais irregularidades sejam rigorosamente apuradas, mas sempre com observância do devido processo legal, da presunção de inocência e da proporcionalidade das medidas adotadas” e que a “aplicação de sanções cautelares extremas exige fundamentação robusta e lastro probatório consistente”.
O órgão lembra que já houve caso anterior em que houve punições a servidores que depois se mostraram inocentes das acusações.
– Em 2019, também utilizando o Inquérito das Fake News, o ministro Alexandre de Moraes afastou dois auditores fiscais acusados de vazamento de informações fiscais de parentes de ministros do STF. Posteriormente a acusação mostrou-se sem nenhum lastro probatório, tendo sido os dois auditores fiscais reintegrados – disseram.
SOBRE O CASO Na manhã desta terça, a Receita Federal informou que detectou violação de informações de autoridades protegidas por sigilo no curso da investigação.
A Receita não especificou oficialmente se os dados vazados pertencem a ministros do Supremo e seus parentes. Contudo, diversos veículos de imprensa apuraram que houve quebra de sigilo fiscal da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, além do filho de um outro ministro da Corte.
O Supremo informou que “foram constatados diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil, seguindo-se de posterior vazamento das informações sigilosas”.
A Corte divulgou os nomes de quatro servidores públicos, da “própria Receita ou cedidos por outros órgãos”, suspeitos de acessarem ilegalmente as informações: Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes.
Os investigados foram afastados das funções e tiveram os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados. Eles estão proibidos de saírem das cidades onde residem e obrigados ao recolhimento domiciliar no período noturno e aos finais de semana. Os suspeitos tiveram os passaportes retidos e estão proibidos de deixar o país e de ingressar nas dependências do Serpro – empresa pública de tecnologia – e da Receita.
Para a Unafisco, os servidores não podem ser transformados em “bodes expiatórios” para conflitos institucionais.
– Os auditores fiscais da Receita Federal não podem, mais uma vez, ser transformados em bodes expiatórios em meio a crises institucionais ou disputas que não lhes dizem respeito. A Receita Federal é órgão de Estado e seus servidores não podem ser submetidos a exposição pública ou constrangimentos institucionais antes da conclusão das apurações – completa.
*AE Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
A Corte negou liminar para barrar homenagem a Lula, mas mantém processo aberto e vai avaliar ‘possíveis excessos’
Lula com dirigentes da escola de samba Acadêmicos de Niterói | Foto: Divulgação/Acadêmicos de Niterói
O desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí, realizado na madrugada deste domingo, 15, vai ser analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O processo em tramitação apura eventual prática de propaganda eleitoral antecipada durante a apresentação.
Na semana passada, a Corte negou pedido de liminar para impedir a realização do desfile. A ação foi apresentada pelo Partido Novo, que apontou possível propaganda irregular e uso de recursos públicos no evento.
Para os ministros, a proibição prévia poderia configurar censura, já que a Justiça Eleitoral não pode impedir manifestações artísticas nem punir ilícitos ainda não consumados. Apesar disso, os magistrados alertaram para o risco de ilegalidades e decidiram manter o processo aberto para examinar eventuais irregularidades depois do evento.
A relatoria está com a ministra Estela Aranha, indicada por Lula em 2025. Com o desfile já realizado, os autores da ação podem requerer a juntada de novas provas contra o presidente, o PT e a Acadêmicos de Niterói.
Em seguida, será aberta a fase de manifestação das partes acusadas, e o Ministério Público Eleitoral deve emitir um parecer. O julgamento depende da inclusão do caso na pauta do tribunal, definida atualmente pela presidente, ministra Cármen Lúcia.
Em junho, o comando da Corte será assumido por Kássio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro.
O TSE é responsável por garantir a lisura e a legalidade das eleições no Brasil | Foto: Agência Brasil/Divulgação.
Ministros citaram preocupação com “possíveis excessos” antes do desfile
Na sessão da última quinta-feira, 12, quando foi analisado o pedido de liminar, os ministros demonstraram preocupação com possíveis excessos. Nunes Marques afirmou que a Justiça Eleitoral acompanhará atentamente o caso e ressaltou que a negativa da liminar não representa um salvo-conduto.
Cármen Lúcia classificou o desfile como um “ambiente muito propício a excessos, abusos e ilícitos”, comparando-o a uma “areia movediça”. Já o ministro André Mendonça ponderou que, embora a homenagem possa ser entendida como manifestação artística, o uso intensivo de elementos que remetam à disputa eleitoral pode comprometer a paridade de armas e confundir expressão cultural com propaganda vedada.
Pela legislação, a propaganda eleitoral só é permitida a partir de 5 de julho do ano da eleição. Antes disso, qualquer ato que busque influenciar o eleitorado e angariar votos pode ser enquadrado como propaganda antecipada.
A caracterização da irregularidade não é objetiva e depende da análise do caso concreto, com base na interpretação dos juízes e na jurisprudência da Justiça Eleitoral. Um dos entendimentos consolidados é que não pode haver pedido explícito de voto. Também podem indicar irregularidade referências ao processo eleitoral, exaltação de qualidades de eventual candidato, menção a número de urna e ataques a adversários.
No desfile da Sapucaí, um trecho do samba-enredo menciona “13 dias e 13 noites”, o que pode ser interpretado como alusão ao número do PT. A penalidade prevista é multa entre R$ 5 mil e R$ 25 mil, ou valor equivalente ao custo da propaganda, se superior. A sanção pode atingir tanto quem promoveu o ato quanto o beneficiário.
Para evitar questionamentos, o diretório do PT no Rio divulgou orientações à militância, recomendando que não houvesse pedido de voto, uso de número de urna ou slogan eleitoral, nem impulsionamento com conteúdo de caráter eleitoral. Também orientou a não utilização de roupas, bandeiras ou símbolos associados ao número 13 ou às eleições de 2026, além de evitar expressões como “Lula 2026” e ofensas a adversários.
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse a interlocutores que recebeu valores da empresa Maridt, que integrou o quadro de proprietários do Tayayá Resort, por ser sócio do negócio ao lado de familiares. A explicação surgiu após a Polícia Federal (PF) passar a investigar repasses financeiros ligadas ao caso.
Segundo Toffoli, a Maridt é uma empresa familiar da qual ele participa há anos. O nome dele não aparece em registros públicos porque a companhia é uma sociedade anônima em um modelo no qual a lista de acionistas não é divulgada. Apenas dois irmãos do ministro figuram formalmente como administradores.
A empresa possuía 33% do Tayayá Resort e vendeu sua participação em 2021 ao fundo Arleen, ligado à estrutura financeira associada ao Banco Master. De acordo com o magistrado, os valores recebidos decorrem dessa operação e foram lícitos, declarados à Receita Federal e com origem e destino rastreáveis.
Toffoli também afirmou que, posteriormente, o próprio fundo teria revendido as ações do resort a terceiros, obtendo lucro. O ministro ressaltou ainda que, no exercício de sua função no Supremo, deferiu pedidos da Polícia Federal em investigações relacionadas ao Banco Master, incluindo medidas como buscas e apreensões.
SOBRE OS REPASSES Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mencionam supostos pagamentos ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação, que consta em perícia concluída nesta quarta-feira (11), foi divulgada pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil.
De acordo com apuração da CNN Brasil, autoridades públicas aparecem citadas em conversas extraídas dos aparelhos do banqueiro. Em alguns trechos, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que também é investigado, faz referência a transferências de valores que estariam relacionadas ao magistrado.
Investigadores relataram à CNN que o próprio Toffoli também teria feito menções a pagamentos, mas de forma cifrada. A linha de apuração da PF busca esclarecer se eventuais repasses teriam origem em uma empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master no resort Tayayá, empreendimento frequentado pelo ministro e que pertenceu a seus irmãos.
O gabinete de Dias Toffoli se manifestou e afirmou que o pedido de suspeição do ministro, formulado no contexto das investigações sobre o banco, se baseia em “ilações” e não possui respaldo jurídico. Segundo a nota, a Polícia Federal não teria legitimidade para requerer a medida por não ser parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil.
A defesa de Daniel Vorcaro também se pronunciou e demonstrou preocupação com o que classificou como vazamentos seletivos de informações. Em nota, os advogados afirmam que a divulgação de trechos das investigações gera “constrangimentos indevidos”, favorece “a construção de narrativas equivocadas” e prejudica o direito de defesa.
– A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no regular funcionamento da Justiça, destacando que o esclarecimento completo das questões em análise depende de apuração técnica, equilibrada e conduzida com respeito às garantias fundamentais – dizem os advogados de Vorcaro.
Confira, na íntegra, a nota emitida pelo ministro sobre o caso na manhã desta quinta-feira (12):
A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.
O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.
A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.
Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.
A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro.
Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.
*Pleno.News Fotos: Nelson Jr./SCO/STF // Divulgação/Tayayá (site)
Alfredo Gaspar disse que ‘o Brasil não aguenta mais esse tráfico de influência’
Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ministros com relação direta com o Master | Foto: Reprodução/X
O deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS, comentou as recentes revelações sobre troca de mensagens entre o ministro Dias Toffoli, relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, dono da instituição bancária.
Além disso, o celular do banqueiro, periciado pela Polícia Federal, mostra pagamentos do Master a Toffoli — admitidos pelo ministro. Ele disse que se referem à venda do Tayayá Resort, de sua família, a fundo ligado a Master.
Para Alfredo Gaspar, “essa relação não institucional está devidamente explicada no pedido de suspeição” feito pelo PF ao presidente do STF, Edson Fachin. O pedido foi formulado depois que os agentes encontraram as mensagens que comprometem Toffoli.
Até agora, Dias Toffoli tem se recusado a deixar a relatoria do caso. Ele tem sido criticado por medidas adotadas no caso, como a decretação de sigilo absoluto. Gaspar lembrou que o ministro impediu a CPMI do INSS de acessar as provas do caso. “É um absurdo que o ministro Dias Toffoli não tenha permitido o acesso da CPI aos dados telemáticos do senhor Vorcaro, o presidente do Banco Master”, declarou.
Toffoli até mesmo impediu que as provas recolhidas na segunda fase da operação sobre o Master — quando o celular de Vorcaro foi apreendido — fossem levadas para a PF. Mandou a Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Paulo Gonet, ficar com o material e escolheu os peritos da PF que participariam da análise do material.
Gonet, mesmo com os fortes indícios, revelados pela imprensa, de que Toffoli tinha relação com Vorcaro por meio do Tayayá, não pediu a suspeição do ministro. Ele arquivou pedidos com esse teor.
“Mais ministro envolvido”, diz Gaspar
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar | Foto: Carlos Moura/Agência Senado
No vídeo no qual comentou a relação de Toffoli com o Master, Alfredo Gaspar também disse que “tem mais ministro envolvido”. “O Brasil não aguenta mais esse tráfico de influência e tem mais ministro envolvido”, declarou, sem citar nomes. “Nós precisamos esclarecer os fatos e passar os poderes constituídos a limpo.”
Outro nome de ministro relacionado ao Master é o de Alexandre de Moraes, cuja mulher, Viviane Barci de Moraes, tem um contrato de prestação de serviços com o banco de Vorcaro no valor de R$ 129 milhões, valor considerado inexistente na advocacia brasileira. Além disso, há apenas duas ações judiciais nas quais Viviane atuou para o Master.
Paralelamente a isso, Moraes teria se reunido com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar sobre a liquidação do banco cliente de sua mulher. O portal Metrópoles afirmou que o ministro visitou a mansão de Vorcaro em Brasília ao menos duas vezes. A suspeita é de que Moraes atuou como lobista, e os pagamentos foram feitos ao escritório de advocacia da família.
O pré-candidato à presidência pelo PL disse, em conferência, que não acredita na possibilidade de o PSD chegar ao segundo turno
Flávio Bolsonaro participou de evento do BTG | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou, nesta quarta-feira, 11, que a próxima eleição presidencial vai representar a escolha entre o “caminho da prosperidade” e o “caminho das trevas”, referindo-se ao governo do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo ele, sua eventual vitória poderia encerrar a polarização política por falta de novas lideranças no campo petista. Flávio comparou Lula a um “Opala velhão”, afirmando que o presidente representaria um modelo “atrasado e ultrapassado”.
Flávio deu as declarações durante o encerramento da CEO Conference 2026, organizada pelo banco BTG Pactual, da qual participou por teleconferência. Ele também apresentou diretrizes de seu plano de governo. Em sua explanação, para a jornalista Amanda Klein, o senador conciliou os conceitos da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai, com a promessa de um diálogo entre as instituições.
O parlamentar analisou as articulações partidárias para as próximas eleições. Ele não vê a terceira via, no caso o PSD, com força para se tornar uma opção à polarização entre o campo de aliados do ex-presidente Bolsonaro e o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Todo mundo está vendo que há uma clara opção, por parte da grande maioria do eleitorado, que coloca Flávio Bolsonaro e o candidato ‘das trevas’ com pisos muito altos”, declarou Flávio. “Mas, tenho certeza de que essa possível terceira via, não estando, não passando para o segundo turno, não vai caminhar com o Lula também.”
O senador considera que partidos do Centrão com os quais mantém interlocução não deverão se alinhar ao PT. Ele citou conversas com dirigentes como Ciro Nogueira (PP), Antônio Rueda (União Brasil), Gilberto Kassab (PSD), Renata Abreu (Podemos) e Marco Pereira (Republicanos). Segundo ele, as legendas ainda avaliam os impactos de eventuais alianças nacionais sobre suas estratégias regionais.
O pré-candidato destacou que o processo de definição de apoios segue o calendário político, lembrando do prazo de 5 de abril. Trata-se da data-limite para a desincompatibilização de chefes do Executivo, como momento decisivo para maior clareza sobre o quadro eleitoral.
Flávio disse que vai respeitar partidos que optarem por candidaturas próprias e trabalhar para ampliar sua base de apoio, descrevendo o movimento como uma “caminhada da vitória”. Ele considerou “acertada” a escolha de seu nome como candidato a presidente, defendida por seu pai, em lugar de Tarcísio. Baseou-se, para tanto, nos resultados das últimas pesquisas, que, segundo ele, indicaram um crescimento “consistente e irreversível” de sua candidatura.
Na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, por exemplo, ele é o candidato com menor diferença em relação a Lula no segundo turno, com 43% para o presidente e 38% para Flávio. A diferença, que era de sete pontos em janeiro e de dez pontos em dezembro, caiu para cinco. Flávio disse que espera pelo apoio de Tarcísio, a quem chamou de “genial.”
“Todo mundo estava apostando que o Tarcísio seria o candidato indicado pelo presidente Bolsonaro”, ressaltou. “Ele aparecia nas pesquisas com números melhores do que os do Flávio Bolsonaro. Só que se passaram esses dois meses e várias pesquisas já mostram isso com relação a mim.”
Sobre a possibilidade de Romeu Zema (Novo) ser candidato a vice-presidente em sua chapa, Flávio disse não ter conversado sobre isso com o atual governador de Minas Gerais. Ele admitiu que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) terá participação na definição do nome de um aliado de Bolsonaro ao governo daquele Estado, apesar de não ter confirmado que Nikolas será o candidato.
Flávio Bolsonaro e o plano de governo
Em relação ao seu plano de governo, Flávio combinou a defesa de uma agenda liberal com um discurso rigoroso na segurança pública. Ele falou em corte de gastos. “Nossa proposta é um tesouraço”, afirmou Flávio. “O Brasil precisa de previsibilidade. O atual arcabouço fiscal é baseado em mentiras que visam apenas aumentar a arrecadação para sustentar gastos populistas.”
Outra meta de Flávio é ampliar sua projeção para além do eleitorado tradicional dos aliados do ex-presidente Bolsonaro. Em sua apresentação, Flávio realçou ainda a importância do investimento em Educação básica, como solução para que jovens não sejam recrutados pelo crime e encontrem uma “rampa de saída” social.
O senador acrescentou que pretende introduzir uma diplomacia pragmática. Ele não se referiu a expectativas de apoio do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos (EUA). No entanto, destacou que busca dialogar com todas as potências (EUA, China, Israel e mundo árabe). Definiu, nesta estratégia, o Brasil como o “celeiro do mundo”, em função também do potencial de receber investimentos árabes em infraestrutura caso, segundo ele, a segurança jurídica seja restaurada.
A Câmara Municipal de Feira de Santana aprovou nesta quarta-feira (11), em primeira discussão, o Projeto de Lei nº 155/2025, que institui o Programa Municipal de Apoio às Mães e Cuidadoras de Pessoas com Neurodivergência. A proposta é de autoria do presidente da Casa, vereador Marcos Lima, e ainda passará por segunda votação nos próximos dias.
Segundo o parlamentar, o objetivo é ampliar a rede de apoio não apenas às pessoas com transtornos e comorbidades, mas principalmente a quem assume a responsabilidade diária pelo cuidado.
“Nós estamos com esse projeto aqui na Câmara, o 155 de 2025, que nós apresentamos. Hoje foi votado em primeira discussão um projeto importante, já que trata das famílias que têm seu filho, por exemplo, mães que geralmente são solteiras e cuidam de pessoas que têm TDAH, Síndrome de Down, entre outras comorbidades”, explicou.
O vereador destacou que, apesar de já existirem legislações voltadas às pessoas com transtornos, há uma lacuna quando se trata do amparo aos cuidadores.
“Existe muitas leis que amparam essas pessoas que têm esses transtornos, mas não se cuida do pai, da mãe, do cuidador dessas pessoas. E muitas das vezes, essas mães são solteiras porque os pais largam quando veem que a criança nasceu com algum problema de saúde. Elas passam a cuidar sozinhas e acabam tendo também problemas psicológicos”, afirmou.
Marcos Lima relatou que, em conversas com mães atípicas, ouviu relatos de exaustão emocional.
“Tem mãe que a gente vai e conversa e ela diz: ‘eu não aguento mais, eu não suporto mais, estou passando por problemas também’. Essas pessoas não são assistidas. E cuidadores também, não só mães, mas quem cuida dessas pessoas”, pontuou.
O que prevê o projeto
O Projeto de Lei institui o Programa Municipal de Apoio às Mães e Cuidadoras de Pessoas com Neurodivergência, com a finalidade de assegurar atenção integral, apoio social e reconhecimento da função desempenhada por essas mulheres e profissionais.
Entre as medidas previstas estão:
Acompanhamento psicológico e psicossocial pelo SUS, com atenção prioritária às mães e cuidadoras; Prioridade em matrículas de creches e escolas públicas para filhos dessas mulheres; Transporte escolar especializado e apoio no deslocamento para terapias; Criação de grupos de escuta e apoio em parceria com associações locais, universidades e entidades da sociedade civil; Capacitação de profissionais da educação e da saúde para atendimento adequado. “Dentro desse projeto, nós estamos cobrando que fique instituído no município de Feira de Santana o programa municipal de apoio às mães e cuidadoras de pessoas com neurodivergência, com a finalidade de assegurar atenção integral, apoio social e reconhecimento da função desempenhada por elas”, reforçou o presidente da Câmara.
O projeto ainda precisa ser votado em segunda discussão antes de seguir para sanção do Executivo municipal.
O ex-ministro da Cidadania e presidente estadual do PL, João Roma, falou sobre especulações que circulam nos bastidores da política nacional envolvendo o nome de ACM Neto para as eleições de 2026.
Questionado sobre a possibilidade de o ex-prefeito de Salvador integrar uma chapa presidencial, Roma afirmou que essa hipótese já foi tratada publicamente e descartada pelo próprio ACM Neto.
“Ele mesmo já respondeu que a chance disso era zero”, disse.
Segundo João Roma, o foco de ACM Neto está em outro projeto político, considerado por ele mais estratégico neste momento.
“Ele acredita que consegue ajudar muito mais sendo candidato a governador, fazendo com que vários votos possam ser revertidos em benefício da Bahia e do Brasil”, concluiu.
Presidente da Câmara disse que pauta é demanda antiga da classe trabalhadora com impacto direto na economia brasileira
Considerada uma das pautas prioritárias para 2026, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
Nas redes sociais, o deputado afirmou que vai ouvir todos os setores e que o país não pode ficar para trás. “Vamos ouvir todos os setores com equilíbrio e responsabilidade para entregar a melhor lei para os brasileiros. O mundo avançou, principalmente na área tecnológica, e o Brasil não pode ficar para trás”, afirmou.
Em entrevista a uma rádio na Paraíba, Motta disse que a pauta é uma demanda antiga da classe trabalhadora com impacto direto na economia brasileira. Ele defendeu ainda a busca de uma proposta justa.
“É importante lembrar que, quando nossa carteira de trabalho foi criada, fizeram péssimas projeções. A escala 6×1 precisa ser diminuída. Vamos dar um passo firme na dignidade do trabalhador, mais qualidade de vida e respeito aos brasileiros”, defendeu.