Como a coroa de uma rainha, cheia de pedras preciosas, o Amazon Prime Video vem ao público com um catálogo que vale ouro! Aliás, vale a jazida inteira. São centenas de produções que elevam o nível do seu cinema em casa e enriquecem seu aconchego com material cultural de primeira qualidade. Algumas dessas obras estão disponíveis para assistir livremente na plataforma. Outras, podem ser adquiridas por R$ 6,90. Também há aquelas que podem ser vistas gratuitamente, fazendo o teste de sete dias da Paramount+. Entre eles, “Meu Pai”, de 2021, de Florian Zeller; “Coringa”, de 2019, de Todd Phillips; e “Spotlight: Segredos Revelados”, de 2015, de Andy McCarthy. Os títulos estão organizados de acordo com o ano de lançamento e não seguem critérios classificatórios.
Antony é um idoso de 81 anos que mora em um luxuoso apartamento em Londres e sofre de demência. Sob os cuidados da filha, Anne, ele se sente constantemente perdido. Em seu cérebro, sua história não se encaixa mais cronologicamente. Ele já não reconhece os rostos das pessoas com quem convive e não se lembra onde guardou seu relógio, o que o deixa paranoico e irritado. Enquanto tenta encaixar as peças do quebra-cabeça de sua vida, Antony se perde no labirinto que se torna seu próprio apartamento, em constante transformação da mobília e cor das paredes.
Coringa (2019), Todd Phillips
Arthur Fleck mora com sua mãe doente e trabalha como palhaço em festas, nos anos 1980, em Gotham City. Com uma grave doença mental e prestes a ter um ataque de nervos, os tiques de Arthur são gargalhadas sinistras, que só saem nos momentos mais inapropriados. Após ser atacado na rua, um colega lhe dá uma arma, mas Arthur acaba demitido. Não demora para que seu fio de sanidade se rompa e ele comece a usar a pistola em pessoas no metrô. Seu espetáculo final e macabro como palhaço está planejado para ocorrer no palco do apresentador de um talk-show de comédia, seu ídolo Murray Franklin.
Spotlight: Segredos Revelados (2015), Andy McCarthy
Em 2002, o jornal Boston Globe contrata um novo editor-chefe, Marty Baron, que reúne um grupo interno de jornalistas, chamado Spotlight. Formado pelos repórteres investigativos Michael Rezendes, Sacha Pfeiffer e Matty Carroll, eles irão apurar alegações de abusos praticados contra crianças por membros da Igreja Católica. Em uma cidade como Boston, onde a igreja é uma instituição poderosa, a missão não será nada fácil.
O Jogo da Imitação (2014), Morten Tyldum
Alan Turing é um gênio matemático, lógico, criptologista e cientista da computação britânico que consegue desvendar o código alemão que ajuda os Aliados a vencerem a Segunda Guerra Mundial. Turing passa a colaborar no desenvolvimento de computadores na Universidade de Manchester após a guerra. Apesar do heroísmo e competência, alguns anos mais tarde Turing acaba processado pelo governo do Reino Unido por atos homossexuais, considerados ilegais no país à época.
Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014), Damien Chazelle
Andrew Neiman é um baterista talentoso o suficiente para entrar no prestigiado conservatório de música de Manhattan, Schaffer Academy. Dentro da instituição, há uma banda de jazz de elite, dirigida pelo rigoroso professor Terence Fletcher. Se tornar um dos integrantes é o mais alto padrão que os estudantes podem almejar. No entanto, agradar Fletcher é um campo minado. Entre seus métodos, assédio moral, humilhação completa e absoluta e muita pressão. Quando Andrew consegue uma vaga na banda, realiza um de seus maiores sonhos, mas, também, passa a viver um grande pesadelo.
Ela (2013), Spike Jonze
Theodore está no meio do divórcio de seu casamento com Catherine. Entre as crises e angústias desta mudança radical em sua vida, encontra nas respostas de Samantha, uma inteligência artificial de um sistema operacional, conforto. Ela foi projetada para se adaptar e evoluir com o tempo e acaba se tornando uma companhia improvável para este homem solitário.
O Segredo dos Seus Olhos (2009), Juan José Campanella
Benjamin é um investigador criminal recém-aposentado que decide escrever um romance baseado em um caso de estupro e assassinato não resolvido de 25 anos, que ainda o atormenta. Ele revela o plano de escrever o livro à Irene, uma bela juíza e ex-colega por quem ele secretamente é apaixonado há anos. O envolvimento de Benjamin com o caso há 25 anos é mostrado por meio de flashbacks. À medida que escreve seu livro, o mistério do crime hediondo volta a se desdobrar no presente.
Na Natureza Selvagem (2007), Sean Penn
Christopher McCandless é um jovem de classe média recém-formado na universidade como um dos alunos de maior destaque. Para a decepção de seus pais, que vislumbram um futuro de sucesso, Christopher decide deixar sua vida de privilégios, se desfazer de seus bens e embarcar em uma vida simples pelo Alasca selvagem.
Lawrence da Arábia (1962), David Lean
Durante a Primeira Guerra Mundial, Lawrence articula, por meio do Gabinete de Assuntos Árabes, para que seja enviado para Cairo. O jovem tenente é designado para uma missão especial, em que precisa auxiliar nas negociações entre o exército britânico e os rebeldes árabes. Em sua função, Lawrence tem de contactar o príncipe Faiçal e avaliar como está a revolta árabe. No deserto, conhece o xerife Ali, que se torna um forte aliado na tentativa de unir aquele povo.
Casablanca (1942), Michael Curtiz
Rick Blaine é um americano sarcástico, dono de um bar em Casablanca, no Marrocos. O local é constantemente usado para esconder alguns refugiados que tentam escapar do nazismo. Entre eles, Victor Laszlo, líder da resistência tcheca e procurado pelo major da SS, Strasser, que está fazendo pressão sobre Rick. Victor chega a Casablanca acompanhado de sua esposa, Ilsa, que coincidentemente tem uma história com o americano. Eles tiveram um caso de amor no passado, no qual Rick jamais superou. Ele terá de escolher entre salvar o marido do amor de sua vida ou entregá-lo aos alemães
É lógico que você não quer perder horas do seu dia procurando alguma coisa para ver na televisão. Antigamente era comum ficar trocando de canal até aparecer algo que realmente valesse a pena. Agora, não precisa mais disso! A Revista Bula é seu guru pessoal, seu guia do que ver na Netflix. Nesta lista, selecionamos filmes maravilhosos, aclamados e premiados que vão te garantir uma boa sessão de cinema em casa. Então, acompanhe essa seleção e tenha na palma da sua mão a escolha perfeita para seu entretenimento e cultura. Entre as produções, “Você Nem Imagina”, de 2021, de Alice Wu; “A Incrível História da Ilha das Rosas”, de 2020, de Sydney Sibilia; e “Um Banho de Vida”, de 2019, de Giles Lellouche. Os títulos estão organizados de acordo com o ano de lançamento e não seguem critérios classificatórios.
Ellie Chu é estudiosa e tímida, mas elabora um negócio próspero escrevendo trabalhos para outros alunos por dinheiro. O bico permite que ela ajude a sustentar o pequeno apartamento que divide com seu pai viúvo. Um dia, Paul Munsky, do time de futebol da escola, pede a Ellie para ajudá-lo a escrever uma carta de amor para Aster Flores. Ellie também se sente atraída por Aster e sabe exatamente o que dizer para ela. Por outro lado, o rapaz que gosta de Aster por sua beleza, passa a enxergar em Ellie algo muito mais substantivo.
A Incrível História da Ilha das Rosas (2020), Sydney Sibilia
Com ajuda de um amigo, um homem idealista constrói uma ilha fora do território marítimo italiano. Após declarar que o local é uma nação independente, chama atenção de turistas, inclusive pessoas que chegam para pedir cidadania. Conforme o local se torna cada vez mais popular e ele solicita reconhecimento da ONU, outros países se sentem desconfortáveis, especialmente a Itália, que passa a considerá-lo inimigo.
Um Banho de Vida (2019), Gilles Lellouche
Bertrand, um pai de família desempregado, sofre de depressão. Depois de um tratamento ineficaz, ele começa a frequentar a piscina de seu bairro e se junta à equipe masculina de nado sincronizado. Durante os treinos, os atletas amadores compartilham suas frustrações e alegrias, tornando-se grandes amigos. Sob o comando da ex-atleta olímpica Delphine, eles decidem participar de um campeonato mundial.
O Casamento de Ali (2017), Jeffrey Walker
Em Melbourne, Ali é filho do líder de uma mesquita que é reverenciado por seus seguidores. Todos os membros da comunidade o admiram e, por isso, também existe uma certa pressão sobre Ali, cuja família espera que se torne médico. Quando Ali é reprovado no vestibular para medicina, ele não consegue dar a notícia devastadora para sua família. Então, se vê forçado a mentir que foi aprovado e que entrará para a faculdade. As coisas fogem de controle quando os pais de Ali arranjam a “noiva adequada” para seu filho. Ele, no entanto, está apaixonado por outra garota, que ironicamente se tornará médica.
Barakah com Barakah (2016), Mahmoud Sabbagh
Neste filme, um funcionário de aeroporto, que também trabalha como ator de teatro, se apaixona por uma jovem influencer na internet e que também atende na loja de sua mãe. Ele, de origem humilde, enquanto ela, foi adotada por um casal de classe alta. Eles terão de lutar contra as convenções sociais de seu país, a Arábia Saudita, para poderem ficar juntos.
PK (2014), Rajkumar Hirani
Um alienígena fica preso na terra sem nenhum pertence, exceto um medalhão que serve para chamar sua nave espacial para resgatá-lo. Quando tem o amuleto roubado, o alienígena se informa de que os bandidos devem tentar vendê-lo em Delhi. Ao pedir informação sobre o item roubado na cidade, alguém diz a ele que “somente Deus poderia ajudá-lo”. Então ele inicia suas buscas por Deus e se envolve em uma série de confusões.
O Lado Bom da Vida (2012), David O. Russell
Pat Solitano é um ex-professor do ensino médio que tem um surto de violência ao flagrar sua esposa com outro homem no chuveiro. Depois de ser liberado de uma ala psiquiátrica de Baltimore, onde passou oito meses, ele retorna para a casa de seus pais, banido de sua vida anterior. Na vizinhança, ele desenvolve uma amizade improvável com Tiffany, uma viúva que luta contra a depressão e que está obcecada em vencer o concurso de dança local. Os dois se tornam parceiros na competição, enquanto se ajudam mutuamente a superar seus traumas e reconstruir suas vidas.
Love in a Puff (2010), Ho-Cheung Pang
Em Hong Kong é proibido fumar em ambientes fechados. Nas empresas, profissionais saem para o chamado “hotpot”, sessões de cigarro ao lado de alguma lata de lixo na rua. Enquanto fumam, as pessoas se conhecem, fofocam, trocam farpas e compartilham histórias pessoais. Um dia, Jimmy e Cherie se conhecem em um desses intervalos para fumar. A química entre eles acontece quase que instantaneamente. Ao longo de uma semana de fofocas no “hotpot”, Jimmy e Cherie se apaixonam.
Amigas com Dinheiro (2006), Nicole Holofcener
Amigas de longa data alcançaram uma vida confortável e agora suas rotinas giram em torno de roupas de grife, eventos de caridade e seus relacionamentos amorosos. Exceto Olivia que, após uma crise pessoal, largou o emprego de professora e agora ganha a vida limpando casas. Enquanto suas amigas atravessam diversos estágios de seus casamentos, Olivia ainda procura por alguém significativo diante das poucas opções disponíveis.
Closer: Perto Demais (2004), Mike Nichols
Dan é um romancista frustrado que se apaixona pela stripper Alice após um encontro inusitado em uma rua de Londres. Larry é um dermatologista grosseiro que se apaixona pela fotógrafa Anna, depois de se conhecerem em um aquário. Por forças do acaso, essas quatro pessoas conseguem intercalar romances complicados umas com as outras e sem a certeza se estão realmente sendo felizes nesses relacionamentos.
De acordo com o Flix Patrol, Invencível, baseado em uma inacreditável história real, alcançou o Top 10 global da Netflix, fazendo sucesso no serviço de streaming.
Invencível conta a história de Louis Zamperini, que competiu nas Olimpíadas de 1936 e estabeleceu um novo recorde como corredor olímpico.
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Ele serviu durante a Segunda Guerra Mundial, antes de seu avião cair no oceano durante uma missão de busca e resgate, onde ele e outros dois passaram 47 dias presos no mar.
Por fim, eles foram parar nas Ilhas Marshall, onde ele foi torturado e espancado como prisioneiro de guerra, período durante o qual foi declarado desaparecido no mar e morto em combate nos Estados Unidos.
Louis Zamperini morreu em 2014, com 97 anos de idade, e nunca teve a chance de assistir Invencível. No entanto, a sua história continua marcada como uma das mais impressionantes da Segunda Guerra Mundial.
Filme dirigido por Angelina Jolie
Invencível teve direção de Angelina Jolie. A estrela é bastante conhecida por seus trabalhos de atuação em Hollywood.
Invencível era aguardado com grandes expectativas antes do seu lançamento, sendo considerado uma aposta segura na temporada de premiações de Hollywood, até mesmo por conta do envolvimento de Angelina Jolie como diretora.
No entanto, o longa-metragem teve uma recepção decepcionante e nunca alcançou a aclamação que se esperava, embora tenha sido um relativo sucesso de bilheteria.
Agora, Invencível ganhou uma nova chance com o público na Netflix. E parece que realmente vem tendo um bom desempenho.
No Brasil, Invencível está agora disponível na Netflix.
O filósofo e crítico de arte Roger Scruton (1944-2020) era capaz de reconhecer, por óbvio, a importância das máquinas para o desenvolvimento do homem, mas Scruton também alegava que com elas o mundo perdera muito de sua ingenuidade, sua ternura e sua beleza, daí a arte não poder nunca prescindir da estrita observação de todos os paradigmas canônicos no que concerne ao requinte estético. Nem tudo é arte, mas a arte está em tudo; em todas as coisas, vivas e inanimadas, perenes e transitórias, há um quê de beleza oculto, esperando a astúcia de um gênio sensível para ser descoberto.
Por mais difícil que seja de se acreditar, existe uma beleza infinita no gênero humano. O homem, esse bicho estranho, que se comporta como fera predadora boa parte do tempo, mas completamente só no mundo, se perde em devaneios e sonhos que não pode alcançar, guarda para si o seu melhor, até por instinto, cabendo à arte, à boa arte, mergulhar fundo e resgatar esse tesouro, que mesmo depois de restaurado devido às avarias que o tempo traz, não perde as marcas de um passado melancólico, de dúvidas e aflições.
A ameaça do fim, sempre à espreita, é uma das questões que mais angustiam o homem. Por sabermos que a morte está sempre à ronda, mas sem nunca termos a certeza sobre em que esquina nossa jornada há de cruzar com a da indesejada das gentes, tentamos fazer da vida um tempo glorioso, como se cada segundo fizesse toda a diferença entre ser só mais um ou tornar-se parte do espírito de um tempo, uma figura a partir da qual boa parte dos outros mortais passa a se orientar. Viver como se cada dia fosse mesmo o último, empenhando-se por escapar da subjugação de um destino que não colabora e nos quer todos iguais, todos medíocres, eis a sina da humanidade.
A relação entre a natureza humana e sua extinção, depois de um cenário de catástrofe ou pestes para as quais a ciência ainda não descobriu medicamentos eficazes — cura, então, nem pensar — é matéria-prima de grandes histórias, que o cinema materializa com precisão e apuro estético que poucas manifestações artísticas alcançam. Em 2022 a Bula mantém a tradição de elencar os filmes para os quais você vai ter de dedicar um quinhão do seu tempo, como Um Lugar Silencioso(2018), em que o diretor John Krasinski dá vida a um homem que tenta manter sua família a salvo de monstros inclementes quando tudo o mais resta perdido. Outra sorte de desordem, por seu turno, é o mote de “Neymar: O Caos Perfeito” (2021), série documental em três episódios dirigida por David Charles Rodrigues que esmiúça a carreira e a vida pessoal de um dos maiores jogadores que o futebol já viu, uma trajetória de feitos excepcionais, pontuada também por fracassos, dores e uma boa medida de polêmica. “Um Lugar Silencioso”, “Neymar: O Caos Perfeito” e mais três longas são os destaques da Netflix para 2022, que decerto nos vai exigir o respiro que o cinema proporciona. As produções estão organizadas de acordo com o ano em que foram lançadas pela indústria, sendo que “Neymar: O Caos Perfeito” e mais uma são inéditas.
Georgia, a protagonista vivida por Chloe Grace Moretz, é uma universitária de 19 anos que descobre que está grávida na mesma noite em que uma horda de robôs se conflagra e dá início a uma revolta. Responsáveis pelos trabalhos mecânicos de que o homem foi capaz de se livrar depois de séculos de evolução, os autômatos absorveram o espírito de corpo de que o gênero humano às vezes se reveste e não querem mais fazer essas tarefas, deixando-o claro da pior maneira: matando seus patrões de carne e osso e obrigando quem consegue sobreviver a fugir para o deserto. Georgia mantém com o namorado, Sam, de Algee Smith, um relacionamento fugaz em que o amor importa pouco, ainda mais estremecido por causa do bebê que não tarda, mas agora esses dois inconsequentes terão de se suportar se quiserem continuar vivos, enquanto a futura mãe pensa em como será ter um filho nas circunstâncias em que se encontra.
Neymar: O Caos Perfeito (2021), de David Charles Rodrigues
Disposto ao longo de três episódios, com duração entre 50 a 60 minutos, a série documental dirigida por David Charles Rodrigues canta as glórias de um dos maiores jogadores da história do futebol, sem se esquecer, claro, de seu lado menos nobre. “Neymar: O Caos Perfeito” relembra a trajetória de Neymar da Silva Santos Júnior, desde sua ascensão, no Santos, passando pelo auge da fama no Barcelona e desembocando em polêmicas ainda hoje atravessadas na goela do torcedor, como sua atuação na Copa de 2014, quando a Seleção Brasileira perdeu para a Alemanha por 7 a 1, e seu ocaso eminente, no Paris Saint Germain. A produção acompanha a campanha de marketing por trás da carreira de Neymar, verdadeira operação de guerra comandada por Neymar da Silva Santos, o Neymar Pai, e conta com depoimentos de personalidades do futebol a exemplo de David Beckham, Lionel Messi, Kylian Mbappé, Daniel Alves e Thiago Silva, além do surfista Gabriel Medina e do levantador Bruninho, da Seleção Brasileira Masculina de Vôlei, que fazem suas análises sobre a importância de Neymar no esporte bretão mais brasileiro do planeta.
A Origem do Mundo (2020), de Laurent Lafitte
Em sua estreia como diretor, Laurent Lafitte tece loas ao teatro com a adaptação de “L’Origine du Monde”, peça de Sébastien Thiéry. Lafitte também integra o elenco de “A Origem do Mundo”, juntando-se a outras celebridades francesas, como Karine Viard, Vincent Macaigne, Hélène Vincent e Nicole Garcia, explorando as origens sociais e os segredos de família de seus personagens em um drama que sabe dosar muito bem comicidade e reflexão. O filme narra a história de Jean-Louis Bordier, que sente que seu coração não bate mais — e isso não é nenhuma figura de linguagem. Não há sinal de morte na esquina, mas isso é só uma questão de tempo: o protagonista, interpretado por Lafitte, se esforça por resolver um problema do qual nem se lembrava mais, sozinho, mas seu melhor amigo, o veterinário Michel, e sua mulher, Valérie, se compadecem de sua agonia e tentam achar uma justificativa para o fenômeno. Valérie supõe que seja o caso de recorrer a outras dimensões a fim de encontrar uma saída, e é aí que entra Margaux. A guru espiritual, chegada a lidar com o que não se deixa ver, vislumbra uma solução, ainda que de tão inusitada, a ideia possa morrer no ovo. Jean-Louis preservaria a honra, mas perderia a vida.
Um Lugar Silencioso (2018), de John Krasinski
O roteiro de “Um Lugar Silencioso”, escrito pelo próprio diretor, John Krasinski, em parceria com Bryan Woods e Scott Beck, se baseia numa família, em que Krasinski dá vida a Lee Abbott, o pai, uma figura marginal na trama. Junto com a mulher, Evelyn, interpretada por Emily Blunt, e os três filhos, Marcus, personagem de Noah Jupe, Regan, vivida por Millicent Simmonds, e o mais novo, de Cade Woodward, Lee tenta sobreviver no que restou do mundo depois da invasão de criaturas extremamente violentas que deram cabo de boa parte da população da Terra, tendo de também adotar um hábito essencial para tanto: fazer o máximo de silêncio de que forem capazes, uma vez que esses predadores vorazes são dotados de uma audição muito superior à humana, o que lhes permite chegar ao local exato em que se escondem suas presas ao menor ruído que façam. Regan é a única que passa pela experiência sem maiores dificuldades, por ser surda — e sempre que a personagem surge em cena, o enredo adquire as cores de realidade fantástica de que uma produção dessa natureza tanto necessita, graças ao desempenho irretocável de Simmonds, surda na vida real.
A Epidemia (2010), de Breck Eisner
Ao contrário de outras produções que se estendem sobre cenários apocalípticos, em “A Epidemia” ninguém quer acompanhar o fim do mundo pelos meios de comunicação. O diretor Breck Eisner só faz menção à imprensa depois que já subiram os créditos. A pequena Ogden Marsh, perdida em algum lugar no estado americano de Iowa, permanece encerrada em seu atraso, isolada do mundo, e talvez estivesse até congelada no tempo, não fossem elementos pontuais que surgem ao longo da narrativa, como uma criança jogando um videogame moderno. Apesar de ter resistido a ser aprisionada pelo passado, os habitantes da cidadezinha aferram-se a seus velhos costumes, ainda que, subitamente, se vejam forçados a encarar uma realidade para a qual não estavam preparados, viver sob a perspectiva do fim próximo, sem saber se haverá alguma possibilidade de redenção.
The Tragedy of Macbeth, novo drama histórico com elenco estrelado, está sendo aclamado pela crítica especializada e alcançou 100% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Baseado na peça trágica de William Shakespeare, The Tragedy of Macbeth segue a história do lorde Macbeth ao voltar de uma guerra. No meio do caminho, três bruxas o abordam e fala sobre sua visão que ele será o próximo rei da Escócia.
Ao contar a notícia para sua esposa, eles planejam o assassinato do rei atual do país e assim garantir o reinado de Macbeth. Porém, como o prórpio nome diz, Macbeth é uma tragédia.
O longa dirigido por Joel Coen, traz Denzel Washington e Frances McDormand como protagonistas. Corey Hawkins, Alex Hassell, Ralph Ineson, Moses Ingram, Bertie Carvel, Kathryn Hunter, Brendan Gleeson e Harry Melling completam o elenco.
Leah Greenblatt, do Entertainment Weekly, comentou positivamente sobre o filme:
“Há um poder real, ressonante, em todo aquele som e fúria, uma tragédia desconstruída e recriada, mas como a verdade essencial por trás dela não se reduz.”
Confira:
The Tragedy of Macbeth estreia dia 25 de dezembro de 2021 nos cinemas.
Não Olhe para Cima, da Netflix, foi produzido com apoio governamental; no Brasil, faltam políticas Imagem: Reprodução
O próximo ano deverá registrar o maior investimento da história em produções para serviços de streaming no mundo. Lideradas pela Netflix, as empresas do setor devem investir juntas mais de R$ 1,3 trilhão em conteúdo, um aumento de 14% em relação a 2021, de acordo com a Ampere Analysis.
“Em 2022, esperamos que o investimento em conteúdo ultrapasse US$ 230 bilhões (R$ 1,3 trilhão), principalmente impulsionado por serviços de streaming por assinatura, à medida que a batalha na arena de conteúdo original se intensifica – tanto nos Estados Unidos, mas também nos mercados globais, que são cada vez mais importantes para o crescimento”, diz Hannah Walsh, gerente de pesquisa da Ampere Analysis, em um comunicado.
Com gastos de US$ 14 bilhões em conteúdo em 2021, a Netflix lidera os investimentos em streaming, representando 30% do total gasto em conteúdo de assinatura de vídeo on demand (SVOD), mas apenas 6% do investimento total em conteúdo global em 2021, de acordo com a Ampere
A Netflix é o terceiro maior investidor em conteúdo do mundo em gastos totais, atrás da Comcast e suas subsidiárias (US$ 22,7 bilhões) e da Disney (US$ 18,6 bilhões).
“A Comcast e a Disney investem pesadamente em direitos esportivos, que – junto com seus pesados investimentos em conteúdo original – contribuíram para suas posições de liderança na mesa. Os direitos esportivos representaram mais de um terço dos gastos da Comcast e da Disney em 2021 “, afirmou Hannah.
Mas esses números devem aumentar. A Disney revelou no início deste ano que pretende expandir seu orçamento de conteúdo em US$ 8 bilhões em 2022. A Netflix afirmou que pode até triplicar o investimento nos próximos anos e em 2022 deve gastar US$ 17 bilhões.
A WarnerMedia, dona da HBO Max, anunciou que iria se fundir com a Discovery para conseguir aumentar os investimentos em conteúdo. O plano é investir até US$ 20 bilhões em novas produções.
Brasil na contramão do streaming
As produções realizadas fora dos Estados Unidos nunca estiveram tão em alta. A série Round 6 se tornou o maior fenômeno de entretenimento do ano.
A produção coreana foi vista por 142 milhões de assinantes em 90 países (e finalizada por 87 milhões deles) nos primeiros 23 dias; mais de 1,5 bilhão de horas foram visualizadas nos primeiros 28 dias. A Netflix comprou a produção por US$ 22 milhões e gerou US$ 900 milhões em valor, de acordo com documentos internos que foram revelados em outubro pela Bloomberg.
Round 6 intensificou a corrida por “surpresas” internacionais. Segundo o colunista Matthew Beloni, “enormes investimentos em programação em idioma local levam a sucessos populares que podem ser promovidos por algoritmos para um público global treinado para aceitar legendas e atores estrangeiros; isso, por sua vez, criará um crescimento quase instantâneo e exponencial no consumo desse conteúdo. Em outras palavras: hits massivos. E os acessos se traduzem em assinantes, perpetuando o círculo virtuoso”.
Dos 214 milhões de assinantes da Netflix, menos de um terço está nos Estados Unidos.
O Brasil já seria o segundo maior mercado do mundo em streaming. As plataformas internacionais de streaming nos últimos meses inclusive anunciaram o aumento de produções no Brasil, mas o volume é pequeno em comparação a outros mercados até menos relevantes em comparação ao Brasil.
Ou seja, o Brasil parece estar ficando de fora dessa “enxurrada” de recursos para a produção de conteúdo.
Barreiras para o crescimento das produções
A Globo investiu pesadamente no aumento de produções para o Globoplay. Em seu balanço divulgado em março, a emissora disse planejar investir R$ 4,5 bilhões em conteúdo e mais R$ 1 bilhão em tecnologia. Mas no volume geral, considerando os concorrentes internacionais, os números brasileiros para produção de conteúdo são tímidos.
A Netflix, líder do setor no Brasil e no mundo, anunciou semanas atrás uma série de novidades produzidas no país. Mas uma comparação com mercados semelhantes como a Índia evidencia como estamos em desvantagem.
No Brasil a Netflix tem cerca de 19 milhões de assinantes, conforme dados vazados do site do Cade. Na Índia, a Netflix tem pouco mais de 5 milhões de assinantes, segundo a consultoria Media Partners Ásia. Na Índia, a Netflix lançou mais de 70 filmes, documentários, programas e especiais de comédia, e já avisou que aumentará este número em 2022. A Netflix planeja desenvolver 40 ideias no Brasil em 2022.
Vale notar ainda que a Netflix na Índia é bem mais barata que no Brasil. Este mês a empresa cortou o preço dos seus planos no país em até 60%. O plano mais barato da Netflix na Índia custa cerca de R$ 11. No Brasil, o plano básico custa R$ 25,90.
A Netflix deve gastar US$ 1 bilhão apenas em programas coreanos, incluindo US$ 500 milhões este ano em filmes e séries lá. Isso além de US$ 1 bilhão no Reino Unido e US$ 400 milhões na Índia em 2019 e 2020, aponta Beloni. A América Latina é semelhante, mas o Brasil é um de vários países na região.
Falta de políticas para o setor
“Essa questão está ligada com a falta da regulamentação”, diz Marina Rodrigues, cineasta e produtora. “Como não existe nenhuma legislação que determine investimentos mínimos, a Netflix acaba gastando bem abaixo do que poderia”.
Marina com frequência destaca em seu perfil no Twitter produções de sucesso que recebem benefícios governamentais. O recente sucesso Não Olhe para Cima é um exemplo.
A Coreia, berço de Round 6 e um crescente número de produções de sucesso, é um dos países mais hostis do mundo às empresas internacionais de streaming. O governo criou políticas para proteger o mercado local e usa a influência para estimular segmentos de entretenimento como o K-Pop, cinema e TV.
A reação à chegada da Netflix ao país em 2016 é um exemplo. “Primeiro, os conglomerados de mídia local se uniram para formar a Wavve, uma plataforma de streaming nacional, que tem o objetivo de enfrentar o ‘perigo estrangeiro’ que a Netflix representa para o mercado”, como afirma artigo de Daniela Mazur, Melina Meimarides e Daniel Rios.
“Segundo, a indústria sul-coreana está transformando o alcance das plataformas estrangeiras em um instrumento para expandir a Hallyu (onda coreana) globalmente. Portanto, é uma estratégia de mão dupla, na qual a indústria nacional se utiliza da Netflix para atingir públicos estrangeiros, mas localmente é hostil à empresa”, acrescenta a publicação.
Um executivo ouvido pela coluna também aponta a dificuldade de encontrar profissionais qualificados e até estúdios no país capazes de atender aos altos níveis de qualidade de plataformas como a Netflix. “A série 3% da Netflix era uma boa ideia e tinha grande potencial, mas a produção foi inconsistente e sofreu problemas de execução”, afirma.
Resposta da Netflix
“Entretemos o Brasil há uma década e muita coisa mudou de 2011, com títulos licenciados e stand-ups, até 2021, com uma produção variada de conteúdos globais e locais. Esse ano marca os 5 anos da Netflix produzindo conteúdo local original e levando histórias brasileiras para o mundo todo, como 7 Prisioneiros e Cidade Invisível.
Em 2022, a Netflix investirá no desenvolvimento de 40 novas ideias, fomentando a produção de mais histórias brasileiras no audiovisual para audiências ao redor do Brasil, reforçando o compromisso em colocar Mais Brasil Na Tela. Continuaremos a trazer, todos os meses, conteúdo brasileiro inédito e exclusivo da Netflix, com a maior variedade de gêneros e formatos que ofertamos até hoje.
“Estamos dobrando nossos esforços no Brasil com um time local com os melhores executivos de criação, produção e pós-produção do mercado para apoiar o extraordinário ecossistema audiovisual brasileiro com o propósito de trazer mais histórias brasileiras para suas telas. Queremos oferecer uma plataforma para histórias contadas por diversos talentos, tanto atrás como na frente das câmeras”, disse Francisco Ramos, Vice-Presidente de Conteúdo da Netflix para a América Latina.
Em novembro, no evento Mais Brasil na Tela, anunciamos:
A renovação de Sintonia, Casamento às Cegas Brasil e Brincando com Fogo Brasil
As animações O Menino Maluquinho e Acorda, Carlo!, que inauguram a oferta de conteúdo original brasileiro para toda a família
Biônicos, filme de ação e ficção científica de Afonso Poyart e um novo filme de Natal brasileiro, estrelando GKAY, Sérgio Malheiros e Vera Fischer. Também Carga Máxima, novo filme de ação.
Nova minissérie dramática Todo dia a mesma noite, inspirada no livro homônimo que conta a história real do incêndio na Boate Kiss, e novos projetos de comédia de Leandro Hassum, Whindersson Nunes e Rodrigo Sant’Anna.
Estamos confiantes que nossos lançamentos nos próximos anos vão seguir mostrando o nosso comprometimento em colocar Mais Brasil na Tela.
Todos nós temos nossos mistérios, indecifráveis, por mais que pensemos o contrário. Entretanto, quando a aura de segredo torna-se nossa maior qualidade, é óbvio que há alguma coisa de muito errado. Esse é o mal de Leda Caruso, a professora de literatura comparada vivida por Olivia Colman, perdida, ou melhor, assolada por suas lembranças. Talvez houvesse solução para um de seus muitos sofrimentos, mas ela não parece tão interessada. Escrava da vida que teve e que já não tem há muito, sem nunca se decidir entre se deixar envolver pelos braços frios do passado ou encarar a realidade, por mais dura que seja, mas sempre melhor, por trazer consigo uma esperança de transformação, a protagonista de “A Filha Perdida” é uma mulher tomada pelo desespero. Um desespero que a paralisa.
A adaptação de Maggie Gyllenhaal, de 2021, para o romance homônimo da escritora Elena Ferrante é um debute respeitável da atriz na direção. Publicado em 2006, “A Filha Perdida” narra as desventuras de uma mulher fragmentada, incapaz de lidar com a verdade e suas consequências, ou pelo contrário, tão acostumada a ter de encarar verdades tão contundentes que tem de aumentar a dose um pouco mais a cada dia, a fim de provar a si mesma que está viva. E foi por aí mesmo que Gyllenhaal se embrenhou, sem pejo, como Ferrante, de apontar as contradições de Leda, empenhando-se por tentar encontrar o X do problema da personagem.
Logo no início de “A Filha Perdida”, Ferrante expõe o caráter autodestrutivo de Leda da forma mais pungente que poderia. A personagem de Colman é obstinada em suas obsessões, aferrada a suas guerras interiores e, ao mesmo tempo, vulnerável, instável, fraca. Leda age por impulso, como um animal, só para meio minuto depois estar completamente arrependida, vexada, imitar um sentimento de empatia qualquer do jeito que pode e tornar a meter os pés pelas mãos. A meta de Gyllenhaal no filme é, no mínimo, manter a narrativa nesse fio tênue que aparta a tensão da psicopatia; os indícios pelos quais se orienta, contudo, são meio duvidosos, uma vez que Leda seja levemente inclinada a preferir esta àquela.
Alter ego da própria autora, de quem se sabe pouquíssimo — Elena Ferrante é o pseudônimo hispânico de uma autora napolitana, e pelo visto vai continuar a sê-lo por muito tempo —, Leda tenta usufruir de um breve período de descanso numa cidade litorânea da Grécia, e tudo segue em razoável normalidade: ela dispõe de todo o sossego do mundo para ler seus livros, preparar suas aulas, fazer apontamentos, sem descuidar de também aproveitar a exuberância que a rodeia, tomando banhos de mar e se estirando ao sol. O apartamento que Lyle, o zelador atencioso interpretado pelo veterano Ed Harris, consegue para ela é iluminado, amplo, arejado. Leda consegue suportar as investidas cavalheirescas de Lyle sem maiores sobressaltos, e, o principal, sem escândalos — afinal, ela é uma dama, uma acadêmica, uma alma sensível acima de tudo — e parece que vai viver mesmo dias felizes, ou menos melancólicos. Mas seus planos de tempos de paz fazem água.
A chegada de uma família numerosa (e barulhenta) põe seus nervos à prova, com gente mal-educada, mal-acostumada, espaçosa, grosseira, a atrapalhar sua leitura. Dona de uma capacidade incomum de se adaptar às adversidades de um meio estranho que vai se tornando hostil consoante a trama se desenrola, muito graças a seu temperamento emocional, Leda acaba por elaborar um jogo mental em que se dedica a traçar o perfil de um daqueles tipos exóticos, o que mais a toca, por uma razão especial. Trata-se de Nina, personagem de Dakota Johnson, que brinca com Elena, de Athena Martin, sua filha. Mesmo essa sua diversão aparentemente pouco convidativa lhe é negada: Leda tem um entrevero gratuito com Callie, cunhada de Nina, a matrona ainda fresca de Dagmara Dominczyk, grávida aos 42 anos, uma antítese perfeita de tudo o que se tornara. Como tudo em “A Filha Perdida” é oblíquo, a rusga entre as duas se presta a aproximá-las, malgrado não se tenha muita convicção acerca das reais intenções de uma e outra.
A questão da maternidade, realizada plenamente no caso de Callie, com todas as renúncias que isso implica, e frustrada em maior ou menor proporção quanto a Nina e, por evidente, Leda, vem à tona com um evento que as coloca ainda mais próximas. O pouco que se sabe a respeito emerge graças às caudalosas sequências em analepse, momento em que Olivia Colman cede lugar a igualmente talentosa Jessie Buckley que, justiça se lhe faça, se expõe muito mais que a ganhadora do Oscar de Melhor Atriz pela performance como a rainha Ana da Grã-Bretanha (1665-1714) em “A Favorita” (2018), de Yorgos Lanthimos. Nesses flashbacks, a jovem Leda é mostrada como uma histérica, mas seu drama é real. Vítima da armadilha que preparou para si mesma, a da maternidade precoce e idealizada, Leda tenta se equilibrar entre a carreira como tradutora e ensaísta, que desponta celeremente, e a educação das filhas, Martha e Bianca. Ao perceber que o interesse do professor Hardy, o acadêmico badalado de Peter Sarsgaard, vai muito além de seus rematados conhecimentos na obra do poeta irlandês William Butler Yeats (1865-1939), Leda joga para o alto o casamento já meio arrefecido com Joe, de Jack Farthing, e toma a decisão que impacta sua vida para sempre.
Gyllenhaal se arrisca ao tentar captar todo o estado de completa balbúrdia de uma personagem que não tem todo o interesse que seria necessário para, ao menos, botar o nariz para fora desse pântano — e a Academia tem verdadeira fixação por diretores com esse grau de arrojo, tanto melhor se estreantes. A despeito de levar ou não o homenzinho dourado para casa — e ela merece —, Maggie Gyllenhaal compõe um dos melhores filmes sobre os conflitos da existência, inerentes a qualquer ser humano. Como se vê, 2022 será um ano de insurreições também no cinema.
“Tribes of Europa” é uma série sci-fi lançada em 2021, na Netflix, produzida pela W&B Television, mesma produtora de “Dark”. Com uma história repleta de aventura, fantasia e ação, o show emplacou no Top 10 brasileiro da plataforma durante o ano. Na trama, em um mundo distópico que se passa em 2074, a humanidade entrou em colapso por conta da tecnologia e, para sobreviver, os povos se dividiram em tribos. No centro da nossa história, temos os Orígenes, um grupo de pessoas que decidiu se isolar nas florestas para viverem em conexão com a natureza e sem uso de equipamentos ultramodernos.
É consenso que há algo de bastante similar com “Game of Thrones”. Os três protagonistas, os irmãos Liv, Kiano e Elja, acabam se separando e ganhando suas próprias subtramas, assim como ocorre com a família Stark. Em “Tribes of Europa”, a guinada acontece depois que uma nave atlantiana cai, dando início a uma série de eventos violentos. Quando a vila dos Orígenes é praticamente exterminada, Liv (Henriette Confurius) se une a um grupo de militares, os Escarlates; Kiano (Emilio Sacraya) é sequestrado por uma poderosa tribo inimiga, os Corvos; e Elja (David Ali Rashed), o caçula, encontra o piloto que caiu da nave atlantiana. Os dois se tornam amigos e fogem com o Cubo, um artefato misterioso de imenso poder, que contém uma mensagem para os atlantianos e poderá levar Elja para a Arca, uma espécie de porta de passagem para Atlântida.
Para ficar mais claro, os atlantianos seriam os norte-americanos, detentores das maiores e mais poderosas tecnologias e possivelmente os responsáveis pelo mundo como eles conhecem: destruído e em guerra. Não é de hoje que vemos filmes, séries e livros com histórias assustadoras sobre os efeitos colaterais da ciência e tecnologia sobre o planeta. Dominação dos robôs, destruição da Terra, escassez dos recursos naturais essenciais para a vida, epidemias globais destruidoras, dentre outras coisas. De “Blade Runner” a “Mad Max”, de “Interestelar” a “Eu, Robô”, do crente ao ateu, ninguém explica os mistérios, temores e dúvidas que rodeiam o futuro da humanidade.
Apesar de parecer um pouco adolescente, não se engane, a série não deixa de explicitar cenas de violência e sangue e, em menor quantidade, sexo. Então, tire as crianças da sala! Com seis episódios de aproximadamente 50 minutos, a série tem dificuldade em fazer a história decolar, o que só ocorre próximo do fim. Com cenas de ação e violência inebriantes, é na hora de entregar um contexto original, que se aprofunda na história dos protagonistas e explora mais suas personalidades que a série dá uma travada. Mas se você adora uma combinação de cenas cheias de movimento, aventuras, batalhas e umas pitadas de humor, pode se render para este programa que se mostrará ideal para você.
Embora o streaming ainda não tenha oficializado uma segunda temporada, o diretor Philip Koch já trabalha em uma possível continuação da história e já revelou até que vislumbra pelo menos oito temporadas da série. Para os fãs de relacionamentos longos, essa pode ser uma boa notícia também.
Ao longo de mais de um século, o cinema se tornou, sem margem para maiores questionamentos, a arte mais glamourosa da natureza humana. Filmes, a despeito de sua natureza já um tanto sofisticada, foram adquirindo uma aura de sublimidade, primando cada vez mais pela beleza, pelo requinte estético, pela harmonia da forma, sem prescindir, claro, da evolução de seus recursos. O cinema é também é o conjunto das manifestações artísticas que mais dependem da tecnologia. Aborde-se o assunto que se queira, filmes são dependentes de muita inteligência artificial, muitos computadores, muita afinação técnica, a fim de que o resultado do empenho de uma equipe com dimensões de verdadeira falange agrade o público, e, de preferência, igualmente a crítica. A competição quanto a um lugarzinho um pouco mais ensolarado entre diretores e atores de diferentes estúdios já daria um filme daqueles – tanto daria como deu. Excelentes profissionais estão sempre se digladiando à procura do tão ansiado reconhecimento que, como tudo na vida, não é para todos. Nunca há Oscar que chegue para todas as produções que o merecem, e isso também acaba virando matéria para muito bafafá. Restam filmes que continuarão soberbos, essenciais na formação da humanidade, a despeito de não contarem com seu homenzinho dourado. A história do escritor agraciado não com um Oscar, mas com um Nobel, o que não é nada ruim, malgrado desdenhe do prêmio — e da própria origem —, é o mote do argentino-espanhol “O Cidadão Ilustre” (2016), dirigido a quatro mãos por Gastón Duprat e Mariano Cohn. Representante do melhor da inventividade e do talento asiáticos, o sul-coreano “A Sun” (2019), de Chung Mong-hong, traz no enredo a saga de uma família em pedaços, devido à inconsequência do filho caçula. É justamente por “A Sun” que começamos a nossa lista, que dispõe de outros cinco títulos, além de “O Cidadão Ilustre”, todos na Netflix, do mais novo para o mais antigo, a fim de deixar a sua vida facinha, facinha. Eles não levaram o prêmio máximo da indústria cinematográfica de Hollywood, mas, se serve de consolo, são hors-concours aqui na Bula. E você, também acha?
“A Sun” começa de maneira brusca e, assim, o espectador já fica esperto quanto ao que pode esperar do drama taiwanês do diretor Chung Mong-hong. Mas que ninguém se desestimule: o enredo é todo permeado por respiros cômicos — e eles são mesmo necessários. A pobreza, ainda que num país rico, é implacável, e ai daquele que pense que pode subverter o estabelecido. Contudo, seria tolo afirmar que o risco social é o responsável por fomentar a criminalidade; o fato é que a alma de todo homem tem sua face sombria — e cada um deve mantê-la sob controle. E controle — e, por extensão, autocontrole —, é uma ideia cara aos orientais. Um pai de família honrado não se prestaria a aturar os deslizes de caráter por parte de um filho, muito menos seus delitos. Ao tomar conhecimento da prisão de A-Ho, A-Wen exige que o caçula seja sentenciado com uma pena dura, o que revolta sua mulher, Qin, mãe do rapaz. A partir daí, o que se segue é a total desintegração do que até tão pouco tempo era um lar (e uma família). Ainda que haja uma ou outra tentativa pontual de contornar a questão, o casal, juntamente com o filho mais velho, pressentem que nada vai voltar ao ponto anterior à ruptura. A vergonha que todos sentem pelo destino de A-Ho, tornado ainda mais significativo numa sociedade que valoriza sobremaneira a austeridade da conduta social, o constrangimento, o remorso, tudo converge para que não consigam se encontrar outra vez. O sol pode ser o que há de mais justo no mundo, mas só pode iluminar e emprestar seu calor a ambientes que se abram para ele. Do contrário, fica eternamente preso em meio à nuvem de ignomínia e pequenez que flutua sobre a natureza do homem desde sempre.
Ya no Estoy Aquí (2019), Fernando Frías de la Parra
Ulises não é nenhum personagem de Homero, nem faz parte de “Odisseia” alguma, mas bem que poderia. O protagonista de “Ya no Estoy Aquí” tem sua jornada própria, uma trajetória em busca de autoconhecimento e descobrimento do mundo, honra, afirmação. O garoto de 17 anos, como qualquer um em Monterrey, nordeste do México, gosta de roupas largas, cabelo extravagante, penduricalhos, estética que, sob uma análise ligeira, remeteria aos rappers nova-iorquinos. No caso de Ulises, o moleque é um digno representante da cultura regional, hispânico-latina, mais precisamente. Ele sonha em se tornar um expoente da Kolombia, um subtipo da cúmbia, ritmo surgido no país sul-americano, com algumas variações de tempo. Ulises também, como um adolescente comum, anda em companhia dos amigos, e aí é que está o problema. Numa dessas, conhece criminosos de verdade, se mete em confusão com eles e sua única saída é imigrar, no bagageiro de uma van, para os Estados Unidos. Lá, se vira como pode, dançando no metrô a fim de defender um trocado e dorme de favor na água-furtada da garota sino-americana, também uma intrusa no mundinho abafado da América, interessada nele, mas não correspondida, porque Ulises não fala inglês, e tampouco a moça entende espanhol. O filme de Fernando Frías de la Parra é um portento de beleza, de originalidade, com seus planos ora disparados, ora lentos, quase se arrastando, tudo friamente pensado, enquadramentos quase sempre muito abertos, a fim de conferir à cena a sensação de distância, de exclusão. O resultado de tamanho esmero é um genuíno tratado antropológico sobre a juventude em países periféricos da América Latina, sobre a resistência cultural nesses rincões perdidos, mediante a ótica do oprimido, sem jamais se permitir concessões ao vitimismo. Ulises é digno até a raiz do cabelo descolorido, mesmo quando reconhece a derrota e se submete. Um herói, portanto.
O Autor (2017), Manuel Martín Cuenca
O que seria da natureza humana sem o sonho? É o devaneio, a capacidade de imaginar outras possibilidades o que faz o homem persistir na luta pela sobrevivência, prosperar, evoluir. Álvaro é um sonhador, mais até: Álvaro é um obstinado. Iria às últimas consequências quanto a se tornar um escritor de renome, de prestígio, não os caça-níqueis que Amanda, sua mulher, gosta de ler. Justamente Amanda é quem dá o impulso que faltava para que o protagonista de “O Autor” se dedique exclusivamente à sua promissora carreira literária: Álvaro flagra a mulher com outro e decide que é hora de mudar tudo em sua vida. Larga o emprego, determinado a viver da pena, mas nem bem começou a ser artista e já lhe falta inspiração, até que lhe ocorre a genial ideia de provocar conflitos em quem os cerca, a fim de observar suas reações e, enfim, escrever. O que ele não imaginava, limitado também como indivíduo, é que ele passaria como a principal vítima de suas armações.
Rastros de um Sequestro (2017), Jang Hang-jun
O suspense do diretor Jang Hang-jun vem confirmar a trajetória ascendente do cinema sul-coreano. A narrativa do ótimo “Rastros de um Sequestro” gira em torno de Jin-Seok, que acaba de se mudar com a família para uma casa nova. Certa noite, o rapaz presencia o sequestro do irmão mais velho, Yoo-seok, que volta 19 dias depois, sem se lembrar de nada. A reação de Yoo-seok poderia ser entendida como natural frente a tamanho choque, mas Jin-Seok começa a estranhar o comportamento dele e o fato do irmão sempre sair a altas horas. Convencido de que a pessoa que passou a conviver com a família não é Yoo-seok, o protagonista decide investigar o caso por conta própria.
O Cidadão Ilustre (2016), Gastón Duprat e Mariano Cohn
Em “O Mundo como Vontade e Representação”, publicado em 1818, o filósofo polonês Arthur Schopenhauer (1788-1860), defendia a ideia da vida sob a forma de uma vontade de vida, isto é, a vida seria uma mera prospecção do homem acerca de seus desejos mais obscuros. O homem não sabe querer, pois ao querer já espalha destruição por todo lado, e, portanto, há que se negar toda vontade, mesmo (ou em especial) as que, aparentemente, possam induzir a supostas boas intenções. Depois de um discurso o seu tanto ácido na cerimônia da entrega do Prêmio Nobel de Literatura, com o qual é agraciado, Daniel Mantovani, um bem-sucedido escritor que saíra de Salas, na Argentina, onde nascera e vivera até os 20 anos e fora viver em Barcelona, na Espanha, começa a sentir os efeitos autodestrutivos de sua sinceridade indomável. Os compromissos mais importantes são cancelados, sobra um ou outro simpósio ou palestra menos insignificante, e uma série de homenagens que o prefeito de Salas, justamente de Salas, houve por bem lhe dedicar. Daniel não está à beira da falência ou passando algum apuro de dinheiro, não se trata disso: o que o move é um misto de vaidade — porque, como ele mesmo reconhece, um escritor é feito de pena, papel e vaidade —; orgulho por, depois de haver desdenhado do Nobel, sua cidadezinha ter se lembrado dele; e, quem sabe, alguma condescendência. Por mais que tenha vivido os últimos 40 anos dizendo a si mesmo que seu passado o incomodava, de maneira consciente ou não embarca para a Argentina, sequioso por reencontrar esse passado. E o passado de fato permanece lá, mas diferente, como ele próprio. Como se Salas tivesse dedicado quatro décadas a fim de arquitetar uma vingança contra o filho ilustre, mas soberbo, uma sucessão de eventos começa a se abater sobre Daniel, primeiro apenas vexatórios. O constrangimento logo cede lugar a situações que exigem dele posições mais duras, como artista e como indivíduo. O escritor é impingido a tomar parte em diversas polêmicas, ainda que involuntariamente em algumas circunstâncias, e sua permanência na cidade natal se torna insustentável. O sermão (mais um) com que ataca as “autoridades” salenses, inclusive um autoproclamado artista plástico, presidente de uma associação de classe, que manipula o resultado de um certame de pintura que recusara seu quadro a fim de ser um dos vencedores, é, já faltando pouco mais de vinte minutos para o encerramento, o ápice do enredo. Sua forma de compreender a política, a arte, a cultura — palavra que lhe provoca asco —, são lições de vida para qualquer um, a despeito da época em que se esteja, num roteiro que não demanda nem o mínimo retoque. No surpreendente final, a pergunta que resta nas cabeças e nas bocas é: que diabos ele foi fazer lá? Mas a conclusão é óbvia e vem de imediato. Valeu a pena.
A Livraria (2017), Isabel Coixet
Tentativas de mudar o estabelecido são sempre difíceis, quando não resultam infrutíferas, especialmente em se sendo mulher, de meia-idade e num lugar que não é o seu. Em plenos anos 1950, uma livreira chega a uma cidadezinha no litoral da Inglaterra disposta a deitar raízes e seguir com seu negócio. Para tanto, terá de se investir de uma boa camada de destemor, a fim de vencer o conservadorismo dos novos vizinhos, o que a fará se valer das mesmas armas que seus adversários.
A Voz do Silêncio (2016), Naoko Yamada
Contra um mundo que só fala veneno, a surdez. “A Voz do Silêncio”, de Naoko Yamada, ao abordar temas sensíveis como assédio moral entre crianças e adolescentes, deficiência física, autoaceitação, acerto de contas com a vida, presta um grande serviço ao público, não prescindindo de observar o requinte estético e a força da mensagem. Shōko Nishimiya, a protagonista, é uma garota surda. Shōko nunca tivera problemas quanto a sua condição, mas ao ser transferida para uma nova escola, acaba sendo hostilizada pelos colegas, liderados por Shouya Ishida, o valentão do pedaço. Shouya é acusado e a direção o expulsa. Passa a ser visto como um pária, os amigos se afastam e ele não sente mais vontade de planejar algum futuro, nem mesmo de continuar a viver. Planeja seu suicídio por anos, meticulosamente, ao ponto de conseguir juntar o dinheiro gasto pela mãe com o reparo dos aparelhos auditivos da ex-colega, que ele quebra numa de suas investidas contra a garota. Debruça-se junto ao parapeito de uma ponte e sobe para o lançamento, mas no instante derradeiro fica a par de que Shōko vai ser sua colega outra vez e, vislumbrando a oportunidade de se redimir, desiste, dando início a uma nova — e benfazeja —etapa em sua história. “A Voz do Silêncio” se trata justamente disso: a metáfora da existência como uma interminável chance de se recolher os cacos da dignidade e se recompor. O emprego da paleta de cores pendendo para tons pastéis e a preferência por planos mais abertos colaboram quanto a tornar o ambiente mais oxigenado e suscetível à conversão do antagonista, sem que haja mais vácuos. Nem silêncios.
2021 foi um ano de grandes lançamentos na Netflix. Entre séries e filmes, a plataforma dominou o mundo do entretenimento e mudou para sempre a maneira como consumimos conteúdo. O investimento bilionário em produções originais deu certo, e o streaming lançou alguns de seus longas mais elogiados nos últimos meses.
A Netflix também tem tudo para figurar na temporada de premiações com diversas indicações ao Oscar – mostrando assim que o streaming é, realmente, o futuro da indústria.
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Com lançamentos de terror, suspense, romance, drama, comédia, fantasia, aventura, ação e muito mais, a plataforma contou em 2021 com estreias para todos os gostos.
Listamos abaixo os 7 melhores filmes que a Netflix lançou em 2021, perfeitos para uma maratona de fim de ano; confira.
Ataque dos Cães
Ataque dos Cães é uma das grandes apostas da Netflix para o Oscar 2022. O filme já está praticamente garantido na premiação, especialmente nas categorias de atuação. Ambientado nos anos 20, o filme de Jane Campion faz um ótimo trabalho ao subverter alguns dos principais clichês dos faroestes. Ataque dos Cães acompanha a história de Phil Burbank, um fazendeiro durão que trava uma verdadeira guerra de ameaças contra a nova esposa do irmão e seu filho adolescente, até que antigos e surpreendentes segredos vêm à tona. O longa é protagonizado por Benedict Cumberbatch, e tem também Kirsten Dunst, Jesse Plemons e Kodi Smit-McPhee no elenco.
Ninguém Sai Vivo
Entre os filmes de terror lançados pela Netflix em 2021, Ninguém Sai Vivo é um dos melhores. O longa aborda como o sonho americano pode virar um pesadelo, tudo isso com uma assustadora temática sobrenatural. Em Ninguém Sai Vivo, uma imigrante ilegal mexicana foge para os Estados Unidos e aluga um quarto em uma pensão decadente. Na primeira noite no local, a protagonista Ambar começa a escutar estranhas vozes e sinistros lamentos. Não demora para a personagem descobrir que algo terrível acontece por trás das paredes, e que seu pior pesadelo está apenas começando.
Identidade
Identidade também tem tudo para representar a Netflix no Oscar, graças à sua trama sensível e sólido comentário social. Embora seja ambientado nos anos 20, em Nova York, o filme aborda um tema bastante controverso da sociedade atual: o colorismo. O filme representa também o primeiro trabalho de Rebecca Hall, de Homem de Ferro 3, como diretora. Em Identidade, uma mulher negra tem seu mundo virado de cabeça para baixo após reencontrar uma amiga de infância que “passa” por branca. Protagonizado por Tessa Thompson e Ruth Negga, o longa traz também importantes reflexões sobre racismo, intolerância e, é claro, identidade.
Tick, Tick… Boom!
Tick, Tick… Boom! tem Andrew Garfield – o eterno Espetacular Homem-Aranha – no papel principal. O musical semiautobiográfico conta a história do dramaturgo americano Jonathan Larson, criador da icônica peça Rent. Além de mostrar o processo criativo do escritor, o filme conquista fãs por sua ótima trilha sonora e trama inovadora, que mistura elementos de diversos gêneros. A produção tem tudo para dar a Andrew Garfield seu segundo Oscar, após Até o Último Homem. O longa também é o primeiro filme produzido e dirigido por Lin-Manuel Miranda, o criador do musical Hamilton.
Não Olhe Para Cima
Não Olhe Para Cima chegou ao catálogo da Netflix em 24 de dezembro, fechando o ano da plataforma com chave de ouro. O longa de Aaron Sorkin, diretor de A Rede Social e Os 7 de Chicago, acompanha a história de dois astrônomos que descobrem um enorme cometa em rota de colisão com a Terra. Para alertar o povo, a dupla embarca em uma turnê midiática marcada pelo descaso do governo, o sensacionalismo da mídia e a indiferença da população. O filme é uma bem-humorada alegoria à inação da sociedade perante às mudanças climáticas, firmada em ótimas atuações de Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Meryl Streep, Jonah Hill, Timothée Chalamet e Ariana Grande.
Ferida
Com Halle Berry no papel principal e na cadeira de diretora, Ferida é um emocionante drama ambientado no universo das lutas profissionais. O longa conta a história de Jackie Justice, uma lutadora em declínio que aceita enfrentar uma estrela do MMA em troca de um grande prêmio em dinheiro. Além de abordar o treinamento da protagonista, o filme mostra os esforços de Jackie para recuperar a confiança do filho, abandonado por ela na infância. Prepare os lencinhos, pois o final do filme deixa até os espectadores mais durões com lágrimas nos olhos.
Bad Trip
Se o seu desejo de final de ano na Netflix é simplesmente se divertir, Bad Trip é a melhor opção. A hilária comédia de Eric Andre, Lil Rel Howery e Tiffany Haddish é de morrer de rir, e fez muito sucesso com o público e com a crítica especializada. A premissa do filme é bastante simples: nessa comédia de câmeras escondidas, dois amigos embarcam em uma louca viagem para Nova York enquanto pregam peças em pessoas reais. Nojento, bizarro e extremamente divertido, o filme é um dos mais engraçados da plataforma.