Se você está abarrotado de coisas da faculdade para fazer, cheio de preocupações do trabalho, super estressado com problemas familiares ou pessoais, não sabendo mais como lidar com algumas situações de sua vida, é o momento de parar de pensar em tudo isso e simplesmente desligar sua mente. Sim, não se deixe surtar, porque nada se resolve se você não está com a cabeça boa. Tire um tempinho para descansar, tome um bom banho demorado, peça uma comida ou cozinhe aquilo que está com vontade de comer e se jogue no sofá para assistir esses romances novos e belos que estão disponíveis na Netflix e que vão aquecer seu coração e te fazer lembrar que não existe nada mais importante na vida que o amor. Destaques para “A Caminho do Verão”, de 2022, de Sofia Alvarez; “Ainda Estou Aqui”, de 2022, de Arie Posin; e “Combinação Perfeita”, de 2022, de Stuart McDonald. Os títulos disponíveis na Netflix estão organizados de acordo com o ano de lançamento e não seguem critérios classificatórios.
Auden West é uma estudante exemplar e filha de acadêmicos. Ela se formou no ensino médio e quer passar um verão despreocupado em Colby, antes de partir para a faculdade. Apesar das objeções de sua mãe, ela deseja passar um tempo próxima do pai ausente, sempre trancado em seu escritório trabalhando. Ele tem um outro filho de seu novo casamento e mora em Colby. Ao chegar lá, Auden não se dá bem com as funcionárias adolescentes de sua madrasta e se sente uma pária. Quando conhece o tímido Eli, de cabelos encaracolados, os dois se aproximam e começam a tirar um ao outro de dentro de suas conchas.
Ainda Estou Aqui (2022), Arie Posin
Tessa é uma adolescente que, durante sua infância, pulou por lares adotivos e não acredita mais que merece amor. Após se encontrar com Skylar, um jovem de uma cidade vizinha, seu coração começa a se abrir. No entanto, o casal sofre um acidente de carro. Skylar morre e Tessa sobrevive. Após procurar respostas para o que aconteceu, Tessa passa a acreditar que Skylar está tentando se comunicar com ela. Com ajuda de sua melhor amiga, Tessa tenta se reconectar com Skylar uma última vez.
Combinação Perfeita (2022), Stuart McDonald
Lola Alvarez é uma executiva bem-sucedida de Los Angeles, que atende uma renomada vinícola na Austrália e está à procura de um novo importador. Quando seu colega de trabalho rouba uma de suas ideias e apresenta como sua, Lola sai do emprego e vai atrás de sua conta australiana de forma independente. Ela viaja para a área rural do vinhedo e aceita uma proposta de trabalho temporário na fazenda para provar sua competência. Ela está constantemente supervisionada pelo chefe, Max, e atormentada por um grupo de trabalhadores divertidos e esforçados. Enquanto isso, Lola e Max estão cada vez mais atraídos um pelo outro. No entanto, Max, esconde um segredo de todos.
Toscana (2022), Mehdi Avaz
Theo é um chef de cozinha dinamarquês com negócios para resolver na Toscana. Ele deve viajar até o interior da Itália para vender algumas propriedades herdadas de seu pai. Quando ele conhece Sophia, ela o apresenta uma diversidade de sabores locais e o inspira na cozinha. Enquanto isso, um amor floresce entre eles, fazendo Theo repensar sua vida.
Uma Segunda Chance para Amar (2019), Paul Feig
Diagnosticada com uma grave doença, Kate, de 20 e poucos anos, decide tomar uma série de decisões irresponsáveis, como beber exageradamente e sair com caras aleatórios. Trabalhando como elfa do Papai Noel em uma loja, um dia ela conhece Tom, um rapaz excêntrico. Eles passam a se encontrar e trocam conversas profundas, fazendo Kate repensar sua forma de encarar a vida e lidar com o medo da morte.
Ninguém disse que a vida adulta seria fácil. Aliás, quando a gente era criança e mentia a idade por querer ser mais velho, nossos pais nos alertavam sobre como era bom ser menino. Era independência ou morte! O sucesso estaria logo após a formação acadêmica e todas as portas se abririam ao virar a esquina. Agora a gente vê que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades e tudo que queríamos era simplesmente voltar nos tempos em que nada era tão complicado ou importante assim. Para tirar as preocupações da vida adulta da sua cabeça, a Revista Bula fez uma lista de filmes levinhos e engraçados. Destaques para “Metal Lords”, de 2022, de Peter Sollett; “Os Piratas: Em Busca do Tesouro Perdido”, de 2022, de Jeong-hoom Kim; e “Vamos Consertar o Mundo”, de 2022, de Ariel Winograd. Os títulos disponíveis na Netflix estão organizados de acordo com o ano de lançamento e não seguem critérios classificatórios.
Miguel Flores é um meteorologista famoso por suas previsões do tempo. Miguel nunca erra quando se trata de clima. Rico e famoso, ele está prestes a estrelar o principal programa do tempo no país. No entanto, a previsão inaugural feita por Miguel no seu primeiro episódio dá completamente errado, colocando as pessoas contra ele. Ele não consegue prever uma chuva de granizo destruidora, que coloca em risco toda Buenos Aires. Cancelado de todas as formas possíveis, ele tem de fugir para Córdoba, sua cidade natal, onde reencontra familiares e sua filha. A partir de então, acompanhamos sua relação familiar e a redescoberta de sua vida.
Metal Lords (2022), Peter Sollett
Hunter e Kevin são dois adolescentes de ensino médio que querem formar uma banda de heavy metal. Eles estão à procura de um baixista, mas só conseguem encontrar Emily, que toca violoncelo e tem alguns sérios transtornos emocionais. O grupo se inscreve no Battle of Bands, mas precisam conciliar as diferenças musicais para conseguirem vencer.
Os Piratas: Em Busca do Tesouro Perdido (2022), Jeong-hoom Kim
No século 14, durante a dinastia Joseon, a capitã de navio Hae-Rang encontra um mapa de um tesouro que havia sido transportado do palácio real e que se perdeu no mar. A bordo também está um grupo de bandidos liderados por Wu-Mu-Chi, autoproclamado o maior espadachim de Goryeo. Eles possuem uma aliança pouco confiável para encontrarem o tesouro perdido e os criminosos planejam tomar o controle do navio de Hae-Rang. A jornada é recheada de trapaças, contratempos e motins.
Vamos Consertar o Mundo (2022), Ariel Winograd
David Samaras, conhecido como “o Grego”, é produtor de um famoso talk-show, chamado “Vamos Consertar o Mundo”, no qual as pessoas supostamente solucionam conflitos com quem se relacionam. O Grego é solteiro e nunca teve um romance duradouro. Seu vínculo mais longo é com seu filho Benito, de 9 anos, fruto de uma aventura amorosa. Ele cuida do garoto com a sensação de que a criança é um fardo em sua vida. Até que no meio de uma discussão, a mãe do menino dispara que ele não é realmente filho de Grego. Pouco depois da revelação, ela morre. Então, o Grego decide revelar a verdade para Benito, que pede que ele faça uma última coisa por ele: ajudar a encontrar seu verdadeiro pai.
Amor com Data Marcada (2020), John Whitesell
Sloane e Jackson se conhecem em uma festa de Natal e descobrem que compartilham de um infortúnio em comum: eles são os solteirões de suas famílias e sempre são relegados às piores mesas por não terem acompanhantes. Então, fazem um acordo de serem o par um do outro nos eventos sociais durante o ano seguinte, mas tudo sem nenhum romance envolvido. Após um ano de encontros recorrentes em eventos, Sloane e Jackson passam a enxergar um no outro mais que parceiros de festas.
De Repente Uma Família (2018), Sean Anders
Pete e Ellie decidem presunçosamente se tornar pais. Após pesquisar na internet sobre como adotar uma criança, o casal decide ir a uma feira de adoção, onde conhecem a adolescente Lizzy. O casal sente imediatamente que ela é a criança ideal, até que descobrem que a menina tem dois irmãos que devem ser adotados juntos. Agora em casa, Lizzy bate as portas quando fica mal-humorada, o irmão Juan constantemente acerta a cabeça acidentalmente em algum lugar e a pequena Lita é incontrolável. Como lidar com três crianças indisciplinadas?
Sementes Podres (2018), Kheiron
Wael foi menino de rua quando criança e ganha a vida praticando pequenas fraudes com sua mãe adotiva e melhor amiga, Monique. Em um de seus golpes, conhecem Victor, que tem uma instituição de apoio para adolescentes problemáticos. Ele os convence de realizar um trabalho voluntário neste centro direcionado a jovens excluídos do sistema escolar. Monique será a secretária e Wael um educador. O encontro entre o ex-menino de rua e os adolescentes promoverá a conexão ideal para ajudar esses adolescentes a refletirem sobre suas próprias vidas.
O imóvel, datado de 1736, é palco onde aconteceram os eventos sobrenaturais retratados no filme
Foto: Divulgação/Warner Bros
A casa que inspirou o filme de terror Invocação do Mal foi vendida esta semana por US$ 1,525 milhão (cerca de R$ 7,2 milhões na cotação atual. As informações são do The Wall Street Journal.
O imóvel, datado de 1736, é palco onde aconteceram os eventos sobrenaturais retratados no filme. Segundo Andrea Perron, que morou na casa entre 1971 a 1980, durante uma sessão espírita em 1974, viu sua mãe levitar de uma cadeira e depois ser jogada a 6 metros.
Os episódios paranormais retratados pela família atraíram o investigador Keith Johnson e o seu irmão gêmeo, Carl, para a residência. Depois, a dupla Ed e Lorraine Warren se ofereceram para ajudar na investigação e esse trabalho serviu de inspiração para o filme.
A nova dona do imóvel é Jacqueline Nuñez, uma incorporadora imobiliária que mora em Boston e adquiriu do casal Jenn e Cory Heinzen, que comprou a casa em 2019 por 459 mil dólares (mais de R$ 2,1 milhões).
Dentro dos pré-requisitos para compra da casa, eles exigiram entrevistar o comprador para garantir que a pessoa cumprisse algumas normas, como manter as visitas de investigadores e não morar na casa.
O imóvel fica na cidade de Harsiville, a 40 minutos de Providence, capital do estado norte-americano Rhode Island, em um espaço isolado em uma fazenda, sem outras casas em volta.
A nova dona do local, pretende transformar a casa em um centro de aprendizado, onde os visitantes podem se conectar com espíritos. Ao longo do ano, ela irá estudar com sua equipe formas de ampliar o negócio.
“Não tenho medo da casa”, garante a nova dona, mas, em tom de brincadeira, acrescenta: “Pergunte-me novamente em um ano.”
De acordo com críticos, longa de Tom Cuise “faz ode à testosterona”
Tom Cruise estrela sequência de Top Gun 36 anos depois foto: Divulgação/Paramount
Com estreia oficial marcada para o próximo dia 26 de maio, Top Gun: Maverick já é alvo de críticas da ala progressista. De acordo com alguns críticos, a continuação do longa que lançou Tom Cruise há 36 anos é “másculo” demais, com “excesso de testosterona”.
No Omelete, um site de cinema e cultura pop, o crítico Marcelo Hessel aponta que o longa é voltado essencialmente para o público masculino na faixa dos 40 anos e que não tem interesse em atingir o público mais jovem de hoje.
– [O filme] Chega pronto para atender essa demografia emasculada, que perdeu suas convicções para o discurso identitário no novo milênio – disse Hessel.
Apesar disso, o crítico atribuiu uma nota relativamente alta ao longa, pelo fator nostálgico. Já Guilherme Genestretti, crítico da Folha, foi mais criterioso em sua análise. Para ele, o filme “faz ode à testosterona”. O crítico chega a mencionar o formato “fálico” das extensões da aeronaves dos pilotos.
– Não há a menor preocupação em disfarçar a sua ode à testosterona para acenar ao feminismo. Tudo bem, agora temos uma pilota no time, mas no fundo, quem prevalece mesmo são aqueles rapazes pilotando aviões como se fossem suas extensões fálicas e disputando quem é o melhor.
Ao falar sobre a sequência da história que o catapultou ao estrelato na década de 80, Tom Cruise afirmou que a essência de Maverick não seria alterada.
– Se vamos fazer isso, eu quero o mesmo espírito do filme original. Qual é a história de Maverick 30 anos depois? Porque ele não muda. Ele é aquele mesmo cara e ponto final – comentou o ator.
O Youtuber Luiz, do canal Oi Luiz TV, ironizou:
– Como assim o personagem do Tom Cruise não mudou de gênero, gente? Como assim ele não virou bissexual, assexual. Por que é Tom Cruise que interpreta o personagem e não uma mulher negra, gorda e empoderada? – disparou em um vídeo recente do seu canal.
O sociólogo e jornalista Thiago Cortês também se opôs às críticas:
– Hoje os homens pedem desculpas por serem homens. O feminismo criminalizou tudo, da cantada ao cavalheirismo […] Talvez muitos esperassem uma trama na qual um piloto não-binário se apaixona pela primeira mulher trans de Top Gun – declarou em sua página nas redes sociais.
Top Gun foi a maior bilheteria de 1986. Logo no ano seguinte, o alistamento na Marinha americana aumentar em 500%. Na exibição de Top Gun: Maverick na última quarta-feira (18), no festival de Cannes, na França, as Forças Armadas prestigiaram Tom Cruise. Logo após sua exibição no festival, o filme, assim como seu protagonista, foram aplaudidos de pé.
Na Bíblia diz que se conhecermos a verdade, ela nos libertará. Se conhecermos as verdades dos outros, é muito possível e provável que nos sentiremos muito mais livres. Quantas vezes não interpretamos um comportamento de outra pessoa por meio da nossa própria vivência e erramos. Somente estando na pele do outro, somos capazes de entender suas reações e motivações. A beleza do cinema é poder nos transportar exatamente para a vida de pessoas. Sejam eles fictícios ou reais, os protagonistas nos convidam a olhar o mundo sob seu ângulo, a sentir as emoções do seu coração, a experimentar a vida de seu corpo. Se você acredita que precisa abrir os olhos para novos universos, a Revista Bula te convida a enxergar a vida pelos olhos dos personagens dessas produções disponíveis no streaming. Destaques para “Gatora Estranha”, de 2021, de Umesh Bist; “Milagre Azul”, de 2021, de Julio Quintana; e “Era Uma Vez Um Sonho”, de 2021, de Ron Howard. Os títulos da Netflix estão organizados de acordo com o ano de lançamento e não seguem critérios classificatórios.
Sandhya é uma jovem viúva que perdeu o marido apenas cinco meses após o casamento. Incapaz de sentir a dor do luto por um homem praticamente estranho, já que o casamento fora arranjado e os dois haviam se conhecido apenas no dia da cerimônia, Sandhya passa a ser malvista pelos parentes do marido. Quando a família do falecido descobre uma herança inesperada destinada à Sandhya, eles irão disputar o dinheiro.
Milagre Azul (2021), Julio Quintana
Baseado em uma história real, “Milagre Azul” conta a história da Casa Hogar, um orfanato que está à beira da falência. O dono do abrigo, Omar, se inscreve em um campeonato de pesca para tentar impedir que o governo feche o local. Na companhia do capitão do barco, Wade, e três crianças, o tutor sai em uma aventura em alto mar, com poucas chances de sucesso, para salvar o futuro da Casa Hogar.
Era uma Vez um Sonho (2020), de Ron Howard
Inspirado na autobiografia de J. D. Vance, o enredo conta a história de J.D., um promissor estudante de Direito em Yale. Após a mãe sofrer overdose por drogas, ele retorna para sua cidade natal para tentar ajudar a família. De volta em casa, tem de confrontar as memórias do passado de pobreza e ausência de estrutura emocional familiar, além de perdoar a mãe narcisista, que parece desdenhar suas conquistas.
Se algo acontecer… Te amo (2020), Michael Govier e Will McCormack
Curta-metragem de 13 minutos, que narra o drama de um casal após a perda da filha. Um mergulho em um abismo de emoções, que traz à tona lembranças alegres e, ao mesmo tempo, dolorosas demais para serem encaradas. Como superar uma tragédia tão grande? Como reconstruir as pontes que se desfizeram? Como colar os cacos de um relacionamento quebrado pela partida de um filho?
Dois Papas (2019), Fernando Meirelles
O desiludido cardeal Bergoglio, anos após a eleição de Bento XVI como papa, decide entregar sua renúncia. Ele se encontra com o papa em Roma e é levado para sua casa de verão, onde Bento XVI evita falar da renúncia de Bergoglio. Em vez disso, eles caminham pelos jardins discutindo os pensamentos de Bergoglio sobre questões como casamento entre pessoas do mesmo sexo, celibato para o clero, punições para padres culpados de abuso sexual, dentre outros. Seus posicionamentos divergem, exceto por um terreno comum: a forma como se comunicam com Deus e recebem seu chamado.
Viver Duas Vezes (2019), Maria Ripoll
Diagnosticado com Alzheimer, o ex-professor de matemática, Emilio, se muda para a casa da filha, Julia, para que esteja sob os cuidados da família. Após um episódio de esquecimento durante um jantar, ele e a neta decidem embarcar em uma aventura para procurar por Margarita, seu primeiro amor. Ao serem interceptados pela filha e o genro no meio do caminho, Emilio esclarece que deseja ver Margarita uma última vez antes de esquecê-la completamente. Toda a família decide pegar a estrada para realizar o desejo de Emilio.
Perfeita Pra Você (2018), Stephanie Laing
Abby e Sam se conhecem desde crianças e estão juntos há muitos anos. Após ser diagnosticada com um câncer terminal, Abby inicia a missão de encontrar uma companheira para substituí-la à altura. Com ajuda de seus amigos do grupo de apoio aos pacientes com câncer, Abby ainda irá traçar o caminho de aceitação para o que o destino lhe reserva.
O Mínimo para Viver (2017), Marti Noxon
Ellen é uma artista de 20 anos que já passou por diversas instituições para tentar tratar sua anorexia nervosa. Apesar de problemática e disfuncional, a família luta para tentar impedir que a garota, que virou pele e ossos, desista de si mesma. Ellen é aceita em uma casa para jovens administrada por um médico peculiar, onde vivencia uma jornada incrível de autodescoberta junto a um grupo de jovens tão perdidos quanto ela.
Crianças podem fazer o que elas quiserem — e fazem mesmo. Ainda que não raro extrapolem em seus caprichos e sobrevalorizem experiências e situações que existem apenas para consigo, não deixamos de as amar, e em muitos casos, são justamente essas histórias uma imaginação fértil até o devaneio ou quiçá o inconsciente o que torna a criança um ser tão especial. Como poderíamos reagir, sem ferir a suscetibilidade ainda mais frágil de uma criança, se ela nos dissesse que voa? Seria possível que acreditássemos, tamanha a ênfase que imprimem em seus relatos. Em “O Homem Sem Gravidade” (2019), Oscar é um menino que pode voar, ou melhor, apenas flutuar, sempre pôde, desde o momento em que viu a luz do mundo. A grande questão é que essa sua habilidade exclusivíssima seria capaz de lhe acarretar dificuldades sociais intransponíveis, como sabem a mãe e a avó, que o preservam da curiosidade e da malícia alheias como se ele fosse um tesouro. E é mesmo: toda criança o é; o que acontece é que nem todos os adultos se lembram disso.
O argumento do diretor italiano Marco Bonfanti, autor do roteiro com Giulio Carrieri, levanta-se a partir dessa premissa rumo a construções narrativas mais ambiciosas. Os dois sustentam uma parábola original sobre o que de fato importa na vida, o que faz de cada pessoa um indivíduo e de cada indivíduo um ente pleno de direitos e deveres, necessidades, aspirações, sonhos, só por isso tão extraordinário que poderia fazer o que quisesse, mas só se o quisesse de todo o coração, com um coração de criança, como só uma criança é capaz de querer, inclusive voar, e não apenas pairar alguns metros acima da pedestre humanidade como Oscar. Espécie de Übermensch, o super-homem de que falara Nietzsche, o personagem de Elio Germano passa por cima dos tantos obstáculos da vida, mira-os de longe, do alto, até que os veja como na realidade são, ínfimos se comparados com a magnitude e a magnanimidade da vida ela mesma. Não por acaso, o enredo é pontuado por falas que citam o Super-homem, a representação máxima da força sobre-humana encarnada num corpo de carne e ossos, e malgrado imune às inúmeras vulnerabilidades das pessoas comuns, tem também sua fraqueza própria. No caso de Oscar, vivido na primeira fase do longa por Pietro Pescara, seu super-herói predileto é o Batman, e não sem motivo. Muito mais que o alter ego de Clark Kent, o Homem Morcego é um incompreendido, um pária muitas vezes, a figura indesejável que se vale das trevas para sair da toca e vigiar a cidade, fazendo o bem de um jeito bastante torto. Cientes de que todo esse idealismo fará com que as pessoas o repilam — mormente numa comunidade hermética, simplória, ignorante — é que a mãe, Natalia, interpretada por Michela Cescon, e a avó Alina, de Elena Cotta, o resguardam da vizinhança e do resto da humanidade o quanto podem no momento em que percebem que o menino pode passar maus bocados por ser tão abençoadamente distinto dos outros. A única que o entende fora das paredes e, principalmente, do teto da casa da família é Agata, uma criança como ele, com desejos parecidos e iguais hesitações diante da vida. A personagem, dividida entre Jennifer Brokshi e Silvia D’Amico, é a única a furar aquela bolha de superproteção, a ponte instável que liga Oscar e o mundo, o que, por evidente, redunda naquele primeiro amor de infância que coloriu a vida de todo adulto algum dia. E, também por isso, acaba.
Como já se esperava, uma vez que cresce e é forçado a manter vínculos com outros adultos, Oscar sofre por não ser igual aos outros, e mesmo por ser melhor. A mochila rosa que o acompanhava em menino, responsável por contrabalançar o peso e conservá-lo no chão, sofrendo a ação da gravidade como um mortal qualquer, continua a acompanhá-lo, e gera e um misto de estranheza e piedade, que por seu turno esconde a suspeita de que o personagem de Germano tenha alguma deficiência intelectual. A inteligência privilegiada de Oscar, moldada desde tenra idade, muito por causa de sua condição particular, lhe permite enxergar que seu dom mais o atrapalha do que lhe serve de algum proveito, e o pior, poder se elevar acima do chão sem qualquer mecanismo especial não implica ser capaz de fazer a diferença na vida de ninguém. Como isso é a única coisa que o distingue, sendo rigorosamente igual em todas as outras, Oscar aceita o emprego num programa de tevê, sendo exposto como uma aberração à moda dos circos de antanho.
Marco Bonfanti preserva um pouco da magia da farsa de seu filme, lançando mão do recurso fácil de retroceder a história para a infância de seu protagonista, onde de fato reside a essência da trama. A mensagem que fica, contudo, não tem o condão de fazer Oscar ser compreendido como um homem verdadeiramente extraordinário. É como se houvesse mesmo qualquer coisa de monstruoso em ser diverso, ou apenas em não ser como os outros, o que torna “O Homem Sem Gravidade” uma bela história, com um final melancólico.
Filme: O Homem Sem Gravidade Direção: Marco Bonfanti Ano: 2019 Gêneros: Fantasia/Drama Nota: 9/10
Os muitos problemas do homem, suas várias doenças, suas infinitas dores — e sua monumental incapacidade de lidar com todas essas questões, imperfeito que é frente ao mundo que o hostiliza cada vez mais —, fomentam dramas existenciais os mais intocáveis. A filosofia salvaria a pátria, mas quem disse que ela foi feita para isso? A alma do homem é cheia de meandros, reentrâncias, lugares tão escondidos e tão pouco iluminados que ninguém é capaz de acessar. Há quem encare problemas de qualquer natureza como uma forma de se autoconhecer, se testar, se superar, saindo, em correndo o ouro sobre azul, muito mais resistente para a próxima dificuldade ao final do processo. Por outro lado, existem os que simplesmente bloqueiam a mínima possibilidade de que passe um feixe de luz sequer por entre esses monólitos: quanto mais encalacrado está, mais fica e, pior, mais gosta. O romancista francês Gustave Flaubert (1821-1880) discorreu sobre a incontornável fragilidade do espírito humano frente às armadilhas que a sorte lhe prepara em muitos de seus textos, como em “Madame Bovary”, por exemplo. No livro, publicado em 1856, Flaubert fala de uma mulher que abandona o mundo, abandona a si mesma e embarca rumo a outra realidade, em que as circunstâncias mais absurdas são o que pode haver de mais corriqueiro, só por estar apaixonada. Paixão, em tintas um pouco mais fortes, misturada a muito suspense, é o que se vê em “Jogo Perigoso” (2017), dirigido por Mike Flanagan, em que um casal se entrega a experiências sexuais as mais apimentadas, mas acaba se deparando com um imprevisto decisivo para os dois. Já em “Fratura” (2019), de Brad Anderson, a força da relação entre pessoas que se amam continua em jogo, mas no horizonte muito mais complexo de uma denúncia. Os cinco títulos da lista, todos na Netflix, se sucedem do mais novo para o lançado há mais tempo, sem critérios quanto à preferência.
Todos ou, pelo menos, 90% da humanidade, tivemos problemas com nossos pais, em especial naquele inferno interior chamado adolescência. Tudo nessa fase da vida nos fede a conspiração universal contra nossos sonhos e a orientação de pais atentos é fundamental a fim de se manter a sanidade. Mas, e quando se tem uma mãe completamente descompensada, que devota sentimentos muito além de mero amor e zelo? “Fuja” expõe sem nenhum pejo a relação de uma mãe superprotetora e sua filha deficiente física Chloé, a surpreendente Kiera Allen, portadora de necessidades especiais na vida real. Chloé quer provar para a mãe que pode ser independente e levar uma vida normal, mas não tem a mais pálida ideia de como sua vida seguiu tal curso, que tudo poderia ter sido muito diferente e, o principal (sem spoilers, fique tranquilo): em que medida sua mãe é responsável pelo que lhe aconteceu.
Fratura (2019), Brad Anderson
Meio a contragosto, Ray Monroe leva a mulher, Joanne, e a filha, Peri, para os três passarem o feriado de Ação de Graças na casa dos sogros. Ray faz uma parada num posto de gasolina a fim de comprar um refrigerante, conhaque e pilhas para o brinquedo com que Peri se distrai ao longo da viagem, mas o que seria algo completamente banal, logo se converte num pesadelo. A loja de conveniência não aceita cartões de crédito e Ray compra apenas o essencial, o que não inclui as pilhas. Volta para o carro, abre a porta traseira, derrama o refrigerante no banco, e entre uma e outra imprecação, Peri salta. Num crescendo da atmosfera de total imprevisibilidade da trama, um cachorro aparece, o que apavora a menina, que vai arredando, até que Ray, tentando afastar o cão, atira uma pedra contra o animal, mas assusta ainda mais Peri, que cai de uma altura considerável e baixa ao hospital. Depois de muita burocracia, Peri é atendida, mas ela e Joanne desaparecem sem deixar rastro. Ray começa a investigar por sua conta o que poderia ter acontecido com a família, mas é acossado por circunstâncias misteriosas, até se desvendar o que existe de macabro por trás da fachada do hospital.
The Perfection (2019), Richard Shepard
Charlotte já foi uma virtuose do violoncelo, mas hoje a audiência só se interessa por Elizabeth. Tomada de inveja — e de fúria —, Charlotte vai conquistando a simpatia de Elizabeth, e elas logo se tornam amigas. O propósito da vingança de Charlotte é explorado de maneira sutil pelo diretor Richard Shepard, que manipula as emoções do espectador como bem quer, de modo que o público ora se indigna com as maquinações da preterida, ora se compadece de seu ostracismo, ainda que Charlotte se livre mais e mais de qualquer pejo e verdadeiramente se entregue à falta de moral imbricada nas atitudes que toma contra a nova adversária. O diretor Richard Shepard propõe uma brincadeira sinistra quanto a saber no final se Charlotte estaria de alguma maneira autorizada a se valer dos expedientes que usou a fim de suavizar seu opróbrio. Preciso, quase calculado, “The Perfection” é música para os ouvidos de quem aprecia narrativas com tempo próprio, mas nem por isso menos vigorosas.
Calibre (2018), Matt Palmer
Fins de semana entre amigos são um tiro no escuro: na segunda-feira, pode-se voltar com as baterias recarregadas, pronto para mais sete dias de trabalho duro, ou, devido à frustração de se conhecer verdadeiramente a pessoa a quem tomamos como um irmão, sofrer um desapontamento forte o bastante para marcar de modo nefasto a lembrança. Nas horas vagas, Marcus se dedica à caça como hobby, prazer que quer de que Vaugh também desfrute. O pequeno vilarejo no interior da Escócia em que passam momentos de descanso é o cenário ideal para que Marcus dê a Vaugh suas lições elementares de tiro. Tudo corre bem e a caçada tem início. O primeiro alvo é dos bons, um animal de porte avantajado. Um tiro é disparado, mas o bicho escapa. Mesmo assim, estão certos de que a bala teve algum outro destino e agora o que resta aos dois é se livrar de problemas com a lei.
Jogo Perigoso (2017), Mike Flanagan
A adaptação do livro homônimo de Stephen King, publicado em 1992, entrega o que promete: um suspense na temperatura adequada, temperado por atuações dignas de nota. Em “Jogo Perigoso”, percebe-se a influência de obras anteriores de King, a exemplo de “Louca Obsessão”, também já levado às telonas, mesmo caso de “Fuja”, os três lapidares ao amalgamar os conceitos de amor e ódio num mesmo sentimento, o que dá à narrativa ritmo e profundidade muito característicos. Este thriller conta a história de um casal nada normal dado a brincadeirinhas sexuais um tanto heterodoxas. O que era para acabar só em diversão e prazer torna-se um episódio que foge inteiramente do controle.
Nada como um lançamento de filme para te arrancar do tédio e da monotonia. O cinema é gostosinho. Tem um quê de romantismo, um som envolvente e uma imagem gigantesca que te faz mergulhar na história. Mas, convenhamos, assistir no conforto de casa também tem suas qualidades. Você não precisa se arrumar todo e nem gastar dinheiro. Se não está em um dia sociável, melhor ainda. Você poderá se jogar no seu sofá macio, com um cobertor e um monte de guloseimas tóxicas para seu organismo, mas altamente deliciosas para seu prazer. Então, se a sua vibe está mais para caseira, acompanhe essa lista de estreias do catálogo da Netflix para ver no seu cafofo. Destaques para “Sem Respirar: Um Mergulho sob o Gelo”, de 2022, de Ian Derry; “O Fotógrafo e o Carteiro: O Crime que Parou a Argentina”, de 2022, de Alejandro Hartmann; e “Os Opostos Sempre se Atraem”, de 2022, de Louis Leterrier. Os títulos da Netflix estão organizados de acordo com o ano de lançamento e não seguem critérios classificatórios.
Sem Respirar: Um Mergulho sob o Gelo (2022), Ian Derry
O documentário em curta-metragem acompanha a mergulhadora finlandesa Johanna Nordblad durante uma tentativa de estabelecer um recorde mundial de distância percorrida sob o gelo. Em 2010, Nordblad havia sofrido um acidente de bicicleta que fraturou sua perna. Um médico a aconselhou a realizar tratamento com água fria. Em 2015, ela quebrou o recorde mundial feminino de natação de 50 metros sob o gelo. Em 2021, Nordblad nadou 103 metros, sem barbatanas ou roupa de mergulho, sob um gelo de 60 centímetros de espessura, no Lago Ollori, na Finlândia.
O Fotógrafo e o Carteiro: O Crime que Parou a Argentina (2022), Alejandro Hartmann
No verão de 1997, o assassinato do fotojornalista José Luis Cabezas chocou a Argentina e expôs uma rede de crime organizado que envolvia as elites política e financeira do país. As consequências foram tão graves quanto o crime em si, não só para quem o cometeu, mas para toda a nação. O documentário, que tem produção de Vanessa Ragone, filha da vítima, tenta reconstituir as circunstâncias que levaram ao assassinato de seu pai.
Os Opostos Sempre se Atraem (2022), Louis Leterrier
Os policiais Ousmane Diakité e François Monge são quase opostos polares em suas vidas pessoais e profissionais. Após trabalharem um tempo juntos, acabam separados pelas circunstâncias. Anos depois, a dupla é emparelhada à força para investigar um assassinato nos Alpes Franceses. O caso, que parecia uma simples ocorrência de tráfico de drogas, os levará para uma conspiração criminosa muito mais perigosa do que imaginavam.
Pai Nosso (2022), Lucie Jourdan
Jacoba Ballard era filho único, concebido por meio de sêmen de um doador. Ele sempre sonhou em ter irmão ou irmã. Até que um teste de DNA revelou não apenas um, mas sete meios-irmãos. A descoberta o levou a outra revelação ainda mais assustadora: o médico de fertilidade de seus pais estava inseminando seus pacientes com seu próprio esperma. Esta história perturbadora sobre uma quebra de confiança inimaginável gira em torno da busca dos irmãos por justiça.
Toscana (2022), Mehdi Avaz
Theo é um chef de cozinha dinamarquês com negócios para resolver na Toscana. Ele deve viajar até o interior da Itália para vender algumas propriedades herdadas de seu pai. Quando ele conhece Sophia, ela o apresenta uma diversidade de sabores locais e o inspira na cozinha. Enquanto isso, um amor floresce entre eles, fazendo Theo repensar sua vida.
O Soldado que não Existiu (2021), John Madden
Em meio à Segunda Guerra Mundial, as forças aliadas preparam uma tomada da Sicília pela costa sul. No entanto, os nazistas descobrem os planos. Os oficiais da inteligência, Ewe Montagu e Charles Cholmondelcy são convocados para elaborar uma estratégia para embaraçar os soldados de Hitler e fazê-los acreditar que o alvo das forças aliadas é, na realidade, a Grécia. Inspirado em uma história real.
Uma Voz Contra o Poder (2020), Clark Johnson
Nos anos 1990, em Saskatchewan, no Canadá, Percy Schmeiser é um agricultor que trabalha nas terras que são de sua família há gerações. De repente, ele se vê processado por uma empresa de sementes transgênicas por roubar sua propriedade intelectual. Percy não compra sementes, mas segue uma tradição familiar de guardar as melhores sementes de cada colheita. Surpreso e confuso pelas acusações, ele deve se defender nos tribunais, inclusive na Suprema Corte, contra a grande corporação.
O Farol (2019), Robert Eggers
Ephraim Winslow é contratado como assistente de um faroleiro, chamado Thomas Wake. O trabalho é árduo, o tempo é ruim e Wake se mostra um chefe desprezível e autoritário, que não permite a entrada de Winslow no farol superior. Quando uma gaivota aparece e começa a atormentar o recém-chegado, trazendo maus presságios, coisas sombrias e misteriosas começam a acontecer.
As Viúvas (2018), Steve McQueen
Em Chicago, Veronica perde seu marido, Harry, em um assalto que ele próprio planejou. Ele a deixa com uma dívida astronômica com um chefe do crime local, chamado Jamal. Veronica recruta as viúvas dos outros homens que morreram durante o crime. Elas devem realizar outro assalto para que possam pagar pela dívida dos esposos mortos.
Blade Runner 2049 (2017), Denis Villeneuve
K é um blade runner que descobre que replicantes podem se reproduzir biologicamente, quando encontra os restos mortais de uma fêmea grávida. O segredo poderia iniciar uma guerra entre as inteligências artificiais e humanos. Em sua investigação, K identifica a replicante como Rachel e descobre que ela tinha um relacionamento com Rick Deckard, outro blade runner. Para evitar que o segredo seja revelado, ele terá de encontrar o ex-agente e destruir todas as evidências do segredo. No meio de sua jornada, ele passa a indagar se ele próprio foi criado ou se nasceu de outra replicante.
Quando ‘Grace and Frankie’ chegou ao catálogo da Netflix, ninguém poderia imaginar o estrondoso sucesso que faria – nem sequer a durabilidade que teria. Afinal, o ciclo de estreia não teve uma recepção relativamente boa por parte dos especialistas internacionais, apesar de ter encantado o público. Felizmente, com o passar dos anos, os criadores Marta Kauffmane Howard J. Morris construíram uma belíssima história de amizade, aceitação, empatia e união que transformaria a comédia em um dos títulos mais adorados da gigante do streaming.
A produção não se tornou uma das queridinhas do público por qualquer motivo – e, no topo dessa mixórdia de sentimentos, temos a química inegável e apaixonante de Jane Fonda e Lily Tomlin como as personagens titulares, respectivamente. Outrora inimigas, Grace e Frankie foram arrastadas a um ponto de convergência quando seus maridos revelaram ser gays e as deixaram depois de décadas de casamento, impulsionando-as a deixar tudo para trás e recomeçar em plena terceira idade. Agora, chegando ao ciclo final, nossas adoradas protagonistas nos dão adeus ao longo de dezesseis episódios emocionantes e hilários que entregam exatamente o que esperaríamos de uma obra como esta.
A principal ideia da série sempre foi trazer ao mainstream temas que não são tratados com a naturalidade necessária – como os anseios e as preocupações dos idosos, a mudança repentina de vida, a compreensão de que nunca é tarde para seguir seus sonhos, os desejos sexuais dos mais velhos, os problemas enfrentados por idosos LGBTQIA+ (estes dois temas mostrando uma realidade que não é “bem-vinda” no cenário do entretenimento, em virtude de pensamentos tradicionalistas e retrógrados), a desconstrução da estrutura engessada da família e vários outros. E Kauffman e Morris, navegando entre enredos complexos e que quebram uma retórica estereotipada, permanecem fortes no jogo que constroem e gestam uma das melhores temporadas da série e ótimo final que deixará saudades e que, mesmo com os convencionalismos, é funcional, prática e bem envolvente.
Aqui, as duas amigas começam a se despedir e a enfrentar os últimos obstáculos de sua jornada: Grace parece desestabilizada com a chegada de Nick (Peter Gallagher) à casa de praia, ainda mais depois de ter sido preso por sonegação de impostos. Enquanto Grace se sente presa a um casamento de fachada que já acabou há muito tempo, Frankie também lida com um sentimento controverso que vem à tona todas as vezes que Nick aparece em sua frente, como um lembrete agridoce de que ele quase levou Grace embora para sempre e a arremessou em uma espiral de mentiras e conluios. Mas isso não é tudo: Nick tem um papel importante para que ambas recobrem a importância dos laços que detém entre si, entretanto, é logo deixado de lado para que outros eventos de magnitude exemplar dominem as telas.
Como é de se esperar, Fonda e Tomlin fazem um trabalho magnânimo ao revisitarem as personagens uma última vez, destilando personalidades conflitantes em diálogos frenéticos e extremamente engraçados e dramáticos que culminam em uma última dança de ressentimentos e nostalgia. Grace ainda tenta “recuperar o tempo perdido” e dar continuidade ao Rise-Up, mesmo sem a ajuda de Frankie – que lida com a iminência da morte depois que uma vidente prevê um trágico acontecimento em sua vida e a perda de habilidades motoras que a impedem de fazer o que mais ama (pintar). É nessa conflituosa e instigante linha narrativa que atravessamos um sagaz coming-of-age que se afasta dos costumeiros personagens adolescentes e jovens-adultos e mostra que, até na fase final da vida, lidamos com preocupações e crises existenciais.
É claro que a dinâmica da dupla rouba o centro dos holofotes; todavia, isso não impede que os outros personagens não mereçam conclusões tão dignas quanto. Robert (Martin Sheen) se vê obrigado a deixar a paixão pelo teatro de lado quando enfrenta problemas de memória e percebe que está à beira do abismo do Alzheimer; Sol (Sam Waterston) faz de tudo para ajudá-lo e, aceitando um destino inescapável, se lança em uma missão para criar novas memórias que ajudem ele e seu marido a passarem por uma situação muito difícil; Brianna (June Diane Raphael) perde a única coisa que sempre estimou, o controle, ao se ver numa situação com a irmã e com o noivo e se afundar em um processo de transformação radical; Mallory (Brooklyn Decker) percebe as falcatruas do mundo corporativo ao se tornar alvo de chacota de sua chefe, dando início a uma emblemática batalha consigo mesma; e por aí vamos.
Devo dizer que algumas inflexões promovidas pela iteração final não funcionam como deveriam, mas não têm força o suficiente para apagar a singela e humilde trama que se desenrola bem à frente dos nossos olhos. Há, inclusive, algumas pulsões do além-mundo e do brusco e certeiro fim da jornada humana no mundo terreno, bem como o entendimento da efemeridade da vida – apesar de não ir muito mais longe que a superfície; no final das contas, ‘Grace and Frankie’ é uma despedida digna que já nos faz querer voltar ao episódio piloto e esquecer de tudo que aconteceu para nos encantarmos mais uma vez com uma das histórias mais honestas da televisão contemporânea.
Lançar mão de construções narrativas exógenas ao que já se conhece sobre o enredo de uma série a fim de manter aceso o interesse do espectador fiel e tentar conquistar novos públicos é uma estratégia arriscada, que pode justamente desagradar quem já se acostumou à trama e não fica muito confortável ao se deparar com mudanças inesperadas e não atingir a segunda parte do plano, resultando em perda de energia, de tempo, de audiência e, pior, de receita desnecessárias. “Ashin of the North” superou o desafio com folga. Espécie de capítulo-surpresa da série sul-coreana “Kingdom”, desenvolvida pela diretora e roteirista Kim Eun-hee, o segmento, levado à tela em 2021, é visto pelos fãs sob duas óticas, mais ou menos complementares: como uma prequel, um prelúdio estendido com o propósito de elaborar melhor determinadas passagens, consideradas pouco eficazes por Eun-hee e sua equipe e, por conseguinte, as que logo caem no esquecimento, como uma sidequel, um texto adicional, explicativo, para o que já está sedimentado e não se pretende remover. A Ashin do título continua a ser a figura envolta em mistério surgida no encerramento da segunda temporada de “Kingdom”. O que muda é a maneira como os conflitos em torno da personagem de Jun Ji-hyun são trabalhados.
Kim Seong-hun opta por conduzir o roteiro de Eun-hee de modo a contextualizar os acontecimentos mais intrincados, o que ajuda a conservar o calor da história e situar quem começa nunca assistiu a nenhum episódio. “Ashin” remonta aos últimos anos do século 14, quando a dinastia Joseon teve início, em 1392, permanecendo à frente do governo da Coréia pelos cinco séculos que se seguiram, até 1897. Francamente desenvolvimentista, o reino de Joseon era composto por entusiastas da filosofia de Confúcio (551 a.C – 479 a.C), adaptava para a realidade de seu país a cultura chinesa, que considerava mais evoluída, e apoiava as artes e a ciência com o aporte financeiro necessário. Foi nessa esteira que a rivalidade com o Japão tomou corpo, materializada nos conflitos entre as comunidades tribais, representada pelos pajeowi, ou jurchen, e a gestão da monarquia Joseon. Esse início, propositalmente intrincado, serve para deixar a audiência a par dos muitos desdobramentos da trama axial, quase todos fundamentados na caudalosa história do Oriente, muito mais cheia de reviravoltas dramáticas e eventos bélicos do que supõe o público leigo.
Por muitas vezes, Seong-hun deixa esse pano de fundo político de lado e prefere concentrar-se mesmo no que “Ashin” pode ter de mais original. A protagonista, vivida por Kim Si-ah na primeira fase, é filha de Ta Hab, de Kim Roi-ha, um espião do Império coreano que monitora os pajeowi no território limítrofe ao japonês. A mãe da garota padece de uma enfermidade incurável e, como por encanto, Ashin descobre o ginseng, planta a que os asiáticos atribuem propriedades mágicas até hoje, numa região a que nem todos podem ter acesso. Inscrições antigas sobre a planta, encravadas em pedra, alertam que o ginseng pode, sim, ressuscitar os mortos, mas seu uso deve ser pontual, e o doente e seus familiares precisam estar dispostos a pagar o preço. A menção ao tal preço não é à toa. Pioneiros em muitos tratamentos de saúde, como o combate ao câncer e às hemopatias, os coreanos se valem do ginseng como um elixir para a vida longa e saudável, reforçando o aviso para que se evitem abusos, sob pena de efeitos colaterais como hipertensão, náusea e taquicardia grave, que pode degringolar em infarto. Como se constata, evitar a morte nem sempre é uma boa ideia.
A transição da personagem, que deixa de ser a menina ingênua e superprotegida e se torna uma das maiores guerreiras da Coreia, é acompanhada da inclusão de outro elemento caro aos asiáticos do século 21: os zumbis. Única sobrevivente da chacina à aldeia em que nasceu, motivada pela acusação ao pai, visto como um traidor por não concordar com a política imperialista da dinastia Joseon, Ashin, interpretada doravante por Jun Ji-hyun, tem boa parcela de sua força no desejo de vingança. À medida que a narrativa cresce, Ji-hyun imprime a Ashin a natureza predatória que as situações que encara exigem dela. Verdadeira máquina de matar, envolta numa conjuntura nebulosa que demanda toda a atenção do espectador, a anti-heroína deixa um gostinho de quero mais — e “Kingdom”, de uma próxima temporada. Cada vez mais centrada em sua enérgica protagonista, de preferência.
Kingdom: Ashin of the North Direção: Kim Seong-hun Ano: 2021 Gêneros: Fantasia/Suspense/Ação Nota: 9/10