
A investigação sobre o feminicídio de Talita Lobo Santana, 35 anos, avançou após o depoimento do principal suspeito, preso na madrugada desta segunda-feira (15), em Feira de Santana. O delegado Gustavo Coutinho, responsável pelo caso, informou que o homem foi interrogado por mais de duas horas e acabou confessando o crime.
“No início, ele negou os fatos e apresentou versões diferentes. Mas, diante das provas reunidas, acabou confessando tudo em detalhes”, relatou o delegado.
Segundo Coutinho, o suspeito declarou ter mantido um relacionamento esporádico com Talita por cerca de dois anos e disse que uma discussão motivada por ciúmes culminou no crime. Ele afirmou que, no sábado (13), foi à casa da vítima a convite dela para entregar dinheiro e que, após ela mostrar mensagens de outros relacionamentos dele, iniciou-se a briga.
“Ele contou que ela tentou se defender com um objeto e, para contê-la, aplicou um ‘mata-leão’, acreditando que ela apenas havia desmaiado”, explicou o delegado.
Ainda conforme o depoimento, o homem fugiu levando objetos da residência e tentou despistar a polícia. Ele também é acusado de agredir uma criança que presenciou a cena.
“Ele vai responder por feminicídio, tentativa de homicídio contra a criança e furto”, completou Coutinho.
Família contesta versão do suspeito
Um familiar de Talita, que preferiu não se identificar, rebateu a narrativa apresentada pelo suspeito, negando qualquer relacionamento amoroso entre ele e a vítima.
“Ela era uma pessoa ingênua, boa para todo mundo. Conheceu esse homem pelas redes sociais. Ele insistia para ir à casa dela, mas nunca teve nada com ela. Armou tudo para roubar”, declarou.
A parente contou ainda que Talita resistiu aos convites do suspeito e que, no dia anterior ao crime, ele teria pedido a localização da residência.
“Ele não frequentava a casa, foi a primeira vez. Minha prima nunca teve envolvimento com um homem desses. Foi oportunismo”, reforçou.
A criança que presenciou o crime está recebendo acompanhamento psicológico. O suspeito foi encaminhado ao presídio e permanece à disposição da Justiça.
