A ex-diretora da TV Globo Cininha de Paula, 63, é testemunha na investigação do caso em que Marcius Melhem foi denunciado por assédio sexuale falou com exclusividade com Camila Brandalise, editora de Universa e apresentadora do Sem Filtro —o assunto foi tema do programa desta terça-feira (28).
Durante a conversa, Cininha afirmou que situações de assédio aconteceram diariamente em sua carreira e revelou algumas situações em que foi vítima. Quando tinha 25 anos, diz, ouviu de um chefe que só teria o contrato renovado se transasse com ele. “Não me dava conta que era assédio sexual”, disse. Em outra situação, foi cobrar um colega diretor sobre um projeto que faziam juntos. “Ele segurou meu braço com tanta força que eu disse: ‘Ou você solta meu braço ou vou na delegacia da mulher'”, diz.
Durante a conversa, a ex-diretora também fez questão de ressaltar em diversos momentos que esse assédio não acontecia apenas na Globo ou na televisão, mas em vários lugares e diversas profissões. A Globo foi procurada pela reportagem para comentar as declarações de Cininha, mas não houve resposta até a publicação deste texto.
“Vi diretores assediarem moças e rapazes como moeda de troca”
Cininha diz que, durante sua carreira na Globo, não só viveu como também presenciou diversas situações de assédio. “Vi muitos diretores assediarem rapazes e moças como moeda de troca, oferecendo oportunidades de trabalho”, conta. “Não falava, não denunciava, era a minha palavra contra a desses homens. Falaria o quê e para quem?”, diz.
A diretora conta que falar sobre o que viveu, hoje, é um alívio. “E gostaria de fazer um apelo: todas as pessoas que foram assediadas, falem. Agora temos respaldo para isso. Não importa se foi há muito tempo, conte para alguém, denuncie. Não precisamos mais ter medo.”
Informações Universa UOL
