Presidente destacou que não vai mais interferir em assuntos sobre o estreito

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu, na manhã desta terça-feira (31), aos países que se recusaram a aderir à sua ofensiva militar contra o Irã que ajam com “coragem” e “tomem” o Estreito de Ormuz.
– A todos esses países que não conseguem combustível de aviação devido ao (fechamento do) Estreito de Ormuz, como o Reino Unido, que se recusou a se envolver na decapitação do Irã, tenho uma sugestão: primeiro, comprem (petróleo) dos Estados Unidos, temos de sobra; e número dois, encontrem um pouco de coragem tardia, vão ao estreito e tomem-no – escreveu Trump em sua rede, a Truth Social.
Trump sugeriu que, após iniciar em 28 de fevereiro a ofensiva militar contra o Irã junto com Israel e sem consultar seus aliados, os EUA não têm interesse em abrir o Estreito de Ormuz, que Teerã fechou ao importante tráfego marítimo a partir do Golfo Pérsico, porque o país está menos exposto ao óleo bruto que vem dessa região.
– O Irã já foi essencialmente aniquilado. O mais difícil já foi feito. Vão buscar o seu petróleo – recomendou Trump, em uma mensagem que pode ser lida como uma advertência também aos seus aliados da Otan ou na Ásia, cada vez mais afetados pela interrupção do fluxo de petróleo, gás liquefeito e outras matérias-primas essenciais do Oriente Médio.
– Vocês têm que aprender a lutar por si mesmos. Os Estados Unidos da América não estarão lá para ajudá-los mais, da mesma forma que não estiveram disponíveis quando nós precisamos – lamentou Trump.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, lembrou nesta segunda (30) que a reabertura do Estreito de Ormuz não faz parte dos objetivos principais da ofensiva militar de mais de um mês contra o Irã, que Washington realiza conjuntamente com Israel, já que a prioridade é acabar com a capacidade naval, de mísseis e de desenvolvimento nuclear do regime de Teerã.
Trump reiterou diversas vezes que os EUA não satisfazem a maior parte de suas necessidades energéticas com recursos do Golfo Pérsico e, apesar de ter sido ele quem decidiu, junto ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, iniciar esta guerra contra o Irã, entende que cabe agora aos demais países a complexa e arriscada tarefa de forçar militarmente a reabertura do estreito.
O Irã fechou o Estreito de Ormuz com ataques a petroleiros e permitiu apenas a passagem de alguns navios-tanque próximos às suas costas como tática para exercer pressão econômica mundial durante o conflito, o que levou o barril de petróleo a superar os 100 milhões de dólares e colocar o mundo à beira de uma crise econômica e energética sem precedentes.
*EFE
