Com 33 anos de medicina e 27 anos dedicados à cirurgia plástica, o Dr. Milton Falcão compartilha orientações essenciais para quem busca procedimentos com responsabilidade e segurança

Foto: Rafael Marques
A busca por procedimentos estéticos cresce a cada ano no Brasil, impulsionada por padrões de beleza, redes sociais e a promessa de resultados rápidos. No entanto, por trás dessa decisão, existe um fator que não pode ser negligenciado: a segurança.
Com uma trajetória consolidada na medicina, o cirurgião plástico Dr. Milton Falcão, natural de Feira de Santana, faz um alerta direto: antes de pensar no resultado, é preciso pensar no profissional. “A primeira pergunta deve ser: estou diante de um cirurgião plástico de verdade ou de alguém que apenas se apresenta como tal?”, destaca.
Segundo o especialista, a qualificação é o principal critério. Para atuar na área, é necessário passar por anos de formação específica, além de possuir o Registro de Qualificação de Especialista (RQE), que comprova oficialmente a habilitação. “Sem o RQE, não há garantia de que aquele profissional tenha a formação adequada em cirurgia plástica”, explica.
Outro ponto que merece atenção é o apelo por procedimentos com preços muito baixos ou promessas de transformação imediata. Para o médico, esse tipo de oferta pode esconder riscos sérios. “Muitas pessoas buscam soluções rápidas e acabam caindo em armadilhas. A cirurgia plástica não é milagre e precisa ser tratada com responsabilidade”, afirma.
O tempo de duração da cirurgia também é um fator determinante para a segurança do paciente. Procedimentos longos aumentam o risco de complicações, como trombose e embolia. “Quanto maior o tempo cirúrgico, maior o risco. O ideal é que a cirurgia seja eficiente e segura, sem exposições desnecessárias”, ressalta.
Na prática clínica, o papel do cirurgião vai além de executar o procedimento: envolve, principalmente, orientar e, em muitos casos, dizer “não”. De acordo com Dr. Milton, nem todo desejo do paciente deve ser atendido. “É preciso alinhar expectativa e realidade. Há situações em que a melhor decisão é não operar, porque o resultado não será satisfatório ou pode trazer riscos”, pontua.
Entre os públicos que mais demandam atenção estão os adolescentes. O médico defende que cada caso deve ser avaliado com cautela. “Nem sempre a idade é o fator principal, mas sim a necessidade. Existem situações em que a cirurgia é indicada, especialmente quando há impacto físico e emocional. Em outros casos, o ideal é aguardar o desenvolvimento”, explica.
Outro tema que tem ganhado espaço é o aumento de pacientes que desejam retirar próteses de silicone. Para o especialista, esse movimento muitas vezes está ligado a modismos ou decisões mal orientadas no passado. “A prótese não é o problema. O problema está na indicação inadequada. Nem toda paciente precisa de prótese, e ela não resolve todos os casos”, esclarece.
Pacientes com doenças crônicas, como diabetes ou hipertensão, também podem se submeter a procedimentos, desde que estejam com a saúde controlada e acompanhados por outros especialistas. “O mais importante é o equilíbrio clínico. Um paciente bem acompanhado pode operar com segurança”, afirma.
O médico também faz um alerta importante sobre o uso de substâncias e materiais no corpo. “O paciente precisa saber exatamente o que está sendo utilizado. Existem produtos que não podem ser removidos e podem causar danos graves ao longo do tempo”, diz.
No fim, a cirurgia plástica deve ser encarada como uma decisão consciente, e não impulsiva. Mais do que atender padrões externos, o procedimento precisa fazer sentido para quem o realiza. “Se é algo que vai melhorar a autoestima e está sendo feito com segurança, tudo bem. Mas nunca deve ser uma escolha baseada em pressão ou ilusão”, conclui.
A mensagem é clara: informação, responsabilidade e escolha qualificada são os pilares para garantir não apenas um bom resultado estético, mas, acima de tudo, a preservação da saúde.
Da Redação do Rotativo News
