Apuração envolve empresário ex-sócio de Lulinha e ex-mulher de outro filho do presidente

A Polícia Federal (PF) decidiu dividir em 25 inquéritos uma investigação que apura suspeitas de irregularidades no uso de recursos do Ministério da Educação (MEC). Entre os investigados estão um empresário que já foi sócio de um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ex-mulher de outro filho do petista.
As apurações têm origem na Operação Coffee Break, que envolve empresários e agentes públicos suspeitos de crimes como tráfico de influência, fraude em licitação, superfaturamento e corrupção ativa e passiva. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Entre os investigados ligados à família do presidente estão o empresário Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Carla Ariane Trindade, ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva.

A quarta fase da operação foi deflagrada nesta quinta-feira, 12, com foco em suspeitas de fraudes em licitações no município de Sumaré, no interior de São Paulo. Nessa etapa, foi decretada a prisão preventiva de um ex-secretário municipal de Educação, além da realização de buscas e apreensões.
Segundo os investigadores, a divisão do caso em 25 inquéritos busca dar maior foco às diferentes frentes de apuração. Kalil Bittar e Carla Ariane já haviam sido alvo de buscas em novembro do ano passado, em uma das fases da operação. As defesas de ambos negam irregularidades.
O Ministério Público Federal (MPF) já apresentou a primeira denúncia relacionada ao caso, que trata de suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa que envolvem empresários que mantinham contratos com a Prefeitura de Sumaré. Kalil e Carla, contudo, não foram denunciados nessa ação.
De acordo com o MPF, os novos inquéritos instaurados pela PF “provavelmente embasarão o ajuizamento de novas denúncias”, embora o órgão afirme que não pode antecipar detalhes das investigações em curso.

Ex-sócio de Lulinha é irmão de dono do sítio de Atibaia
Kalil Bittar é irmão de Fernando Bittar, um dos proprietários do sítio em Atibaia, no interior paulista, imóvel que levou Lula a ser condenado em um dos processos da Operação Lava Jato. Na ocasião, Bittar e Lulinha também chegaram a ser investigados.
Nas últimas semanas, transferências feitas por Lulinha a Bittar vieram a público depois da quebra de sigilo bancário do filho do presidente pela CPMIdo INSS. A defesa de Lulinha afirma que os valores se referem à compra das cotas que Bittar possuía na empresa G4 Entretenimento e Tecnologia, da qual o filho de Lula já não é mais sócio.
Na investigação da Coffee Break, PF e MPF apontam suspeitas sobre pagamentos recebidos por Bittar da Life Tecnologia Educacional, empresa que, segundo os investigadores, estaria envolvida em um esquema de desvios e superfaturamento em prefeituras do interior paulista.

De acordo com os investigadores, Bittar teria atuado na prospecção de negócios do dono da empresa e teria tido papel relevante no crescimento da companhia junto de autoridades públicas. Além de transferências financeiras, o inquérito menciona que ele teria utilizado uma BMW registrada em nome do proprietário da empresa.
O advogado de Bittar, Roberto Bertholdo, nega qualquer irregularidade. Segundo ele, a relação entre seu cliente e o dono da Life limitou-se à prestação de consultoria técnica para o desenvolvimento de aplicativos na área de tecnologia da informação.
“O senhor Kalil atuou apenas em atividades profissionais e absolutamente legais”, afirmou o advogado, acrescentando que os valores recebidos foram pagamento pelos serviços prestados.

No caso de Carla Ariane Trindade, os investigadores suspeitam que ela tenha atuado como lobista e praticado tráfico de influência em favor da Life. Nas apurações, ela aparece como intermediadora política e “viabilizadora de acordos” para a liberação de verbas federais.
Apesar das suspeitas, Carla não foi impedida de ocupar um cargo em uma prefeitura do interior paulista nem de manter contato com agentes públicos. O MPF avaliou que não havia indícios de que ela tenha usado o cargo para cometer irregularidades, diferentemente de outros investigados.
A defesa de Carla também nega qualquer ilegalidade e afirma que não há fundamentos para medidas contra ela. Segundo os advogados, o próprio Ministério Público reconheceu que ela não participou das licitações investigadas. Ainda assim, nas apurações da PF, Carla é descrita como uma “pessoa com alegada influência no governo federal”.
Informações Revista Oeste
