Apurações atingem instituições de quatro Estados e têm como foco falhas no internato e possível impacto no Fies

O Ministério Público Federal (MPF) abriu 10 novas investigações contra faculdades de Medicina que tiveram desempenho insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
As apurações envolvem instituições localizadas em São Paulo, Mato Grosso, Rondônia e Piauí. Oito são privadas e duas municipais. Todas receberam notas 1 ou 2 na última edição do exame, patamar classificado pelo Ministério da Educação (MEC) como não proficiente. A pontuação máxima é 5.
Segundo o levantamento, quatro faculdades investigadas ficam em São Paulo, três em Rondônia, duas em Mato Grosso e uma no Piauí. Entre elas estão o Centro Universitário de Adamantina e o Centro Universitário de Santa Fé do Sul, ambos no interior paulista.
Ministério Público mira qualidade de internato em investigações
O foco das investigações está na etapa do internato médico, período correspondente aos dois últimos anos da graduação, quando os estudantes passam a atuar diretamente em hospitais sob supervisão. Especialistas ouvidos pelo Estadão apontam fragilidades nessa fase prática da formação, considerada decisiva para o preparo profissional.
Na esfera administrativa, as instituições com baixo desempenho podem sofrer sanções do MEC, como suspensão de vagas e restrições ao Fundo de Financiamento Estudantil.
Dados do governo federal indicam que 89 mil estudantes, matriculados em 351 cursos de Medicina, participaram do Enamed. Apenas 13,6% das faculdades alcançaram nota 5. Um terço dos cursos obteve notas 1 ou 2.
Um levantamento anterior mostrou que cursos com notas mais baixas concentram aproximadamente R$ 3,7 bilhões em contratos ativos do Fies. Ao todo, cerca de 14 mil estudantes estão matriculados nessas instituições com financiamento público.
O avanço das investigações ocorre em meio ao debate sobre a expansão acelerada de cursos de Medicina no país nos últimos anos. Especialistas em educação médica defendem maior rigor na autorização e fiscalização dessas graduações, sobretudo na oferta de campos de estágio e estrutura hospitalar adequada.
Informações Revista Oeste
