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Dr. Renato Chaves explica como o álcool afeta o cérebro e detalha os riscos das bebidas adulteradas

Foto: divulgação

Por Manu Pilger

O consumo de bebidas alcoólicas, hábito comum em diferentes contextos sociais, pode trazer sérias consequências para a saúde do cérebro. Em entrevista ao Programa Rotativo News, o neurocirurgião Dr. Renato Chaves destacou os efeitos tóxicos do álcool nos neurônios e fez um alerta ainda mais grave: o risco de adulterações com substâncias como o metanol, que podem levar à cegueira e até à morte.

Como o álcool age no cérebro

Segundo o especialista, o álcool atinge diretamente as células neuronais, comprometendo o equilíbrio, a coordenação motora e podendo provocar sintomas semelhantes à labirintite, já que o cerebelo é uma das áreas mais afetadas.

“Agudamente, esses efeitos podem ser reversíveis. No entanto, o uso crônico leva à diminuição de vitaminas essenciais, como a B12, à atrofia cerebral e até a lesões na medula, comprometendo movimentos e funções neurológicas”, explicou.

Com o passar do tempo, o consumo frequente também resulta na morte irreversível de neurônios, gerando alterações de memória, dificuldades cognitivas e dependência química, já que o cérebro passa a exigir doses cada vez maiores para liberar dopamina.

O perigo do metanol

O risco aumenta de forma significativa quando há adulteração das bebidas com metanol. De acordo com Dr. Renato, o metabólito dessa substância é o ácido fórmico, altamente tóxico e capaz de causar grande acidez no organismo, afetando principalmente células sensíveis como as da visão e do cerebelo.

“É por isso que os casos de intoxicação por metanol podem levar à cegueira e até à morte”, alertou.

Os sintomas também se diferenciam dos efeitos comuns do álcool.

“Na intoxicação por álcool, os sintomas tendem a desaparecer após 10 ou 12 horas. Já quando persiste a embriaguez, acompanhada de dor de cabeça intensa, alteração da visão, redução do nível de consciência e até arritmias, é preciso suspeitar da presença de metanol”, destacou o médico. Casos graves podem evoluir para cegueira irreversível.

Diagnóstico e tratamento

O especialista explicou que é possível identificar a intoxicação através de exames laboratoriais, mas nem sempre os serviços estão preparados para realizar a dosagem do metanol no sangue.

“Na suspeita clínica, é possível solicitar o exame. Mas, mesmo antes do resultado, o importante é corrigir a acidose metabólica, proteger os rins e o sistema neurológico, além de notificar o caso às agências competentes, já que se trata de notificação compulsória”, reforçou.Efeitos irreversíveis

Dr. Renato também chamou a atenção para os danos permanentes causados pelo metanol:

“O uso crônico de álcool já causa morte irreversível de neurônios, levando à atrofia cerebral. Com o metanol, os danos são ainda mais severos, porque seu metabólito gera grande acidez no organismo. Isso atinge especialmente células mais sensíveis, como as da visão e do cerebelo, resultando em sequelas que podem se prolongar no tempo. ”

Atenção redobrada

Por fim, o neurocirurgião deixou uma recomendação clara: “É fundamental que a população esteja atenta aos riscos do consumo excessivo de álcool e, sobretudo, ao perigo das bebidas adulteradas, que podem causar sequelas irreversíveis.”

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