Quase 90 pessoas tiveram de ser atendidas pelo Corpo de Bombeiros

Dezenas de publicações nas redes sociais ironizaram o raio que atingiu manifestantes durante a Caminhada pela Liberdade, em Brasília, na tarde deste domingo, 25. As mensagens circularam principalmente no X e associaram o episódio a interpretações religiosas, simbólicas ou políticas, com uso recorrente de ironia, sarcasmo, memes e linguagem pejorativa direcionada aos participantes do ato organizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Entre os padrões observados nas postagens está a atribuição de intencionalidade divina ao raio. Em uma das mensagens, um usuário escreveu: “Registro do momento que Deus lançou o raio pra acabar com a palhaçada”. Em outra, a ironia apareceu em forma de pedido: “Manda mais chuva e raio, Senhor”. Também houve quem afirmasse: “Impossível continuar ateu sabendo que Deus enviou um raio no meio de um ato bolsonarista”.
Outro conjunto de publicações tratou o episódio como uma espécie de correção simbólica ou moral. Um perfil escreveu: “Essa galera pede tanto sinal de Deus que, quando Ele manda um bem claro, nítido, eles não percebem”. Em tom semelhante, outro usuário afirmou: “Ai, um show de heresias desse terminar com um raio”. Também circularam mensagens que sugeriam repetição do fenômeno, como: “Sei que é impossível um raio cair duas vezes no mesmo lugar, mas estou esperançoso”.
Há ainda postagens que utilizaram termos pejorativos para se referir aos manifestantes ou que banalizaram o risco físico enfrentado pelas vítimas. Um usuário escreveu: “Caiu um raio no gado que caminhava atrás do bandidinho”. Em outra publicação, a ironia apareceu em forma de meme: “Expectativa: tirar o Bolsonaro da cadeia / Realidade: tomar raio na cabeça”. Também houve mensagens curtas que expressaram alinhamento simbólico com o ocorrido, como: “Estamos com o raio”.

Parte das reações combinou ironia religiosa com linguagem ofensiva ou generalizações. Um perfil escreveu: “Deus ficou pistola com a heresia e mandou um raio nos gados que acompanhavam”. Outro afirmou: “Nem Deus aguenta mais essa raça maldita”. Também circularam montagens com imagens religiosas acompanhadas de frases como: “Raio acabou com a passeata” e “Nem Deus tem paciência com bolsonarista”.
Além disso, algumas postagens adotaram tom retórico para questionar a coerência dos participantes do ato. Um usuário escreveu: “Quem espiritualiza tudo, usa o nome de Deus, manipula a fé como instrumento político, vai dizer o que agora?”. Em outra mensagem, a ironia foi construída por contraste: “Simplesmente caiu um raio no ato de Nikolas em Brasília. Fala-se em dez feridos, seis hospitalizados. Quem espiritualiza tudo vai dizer o quê agora?”
Raio deixou dezenas de feridos durante ato em Brasília
A descarga elétrica ocorreu enquanto manifestantes aguardavam o encerramento da Caminhada pela Liberdade, sob forte chuva, nas proximidades da Praça do Cruzeiro, perto do Memorial JK. O impacto provocou correria entre os presentes e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, que já acompanhavam o ato.
Segundo nota oficial da corporação, 89 pessoas foram atendidas na tarde do incidente. Desse total, 42 vítimas não necessitaram de encaminhamento à rede hospitalar, enquanto outras 47 pessoas foram transportadas para unidades de saúde do Distrito Federal. Entre os encaminhados, 11 vítimas demandaram maiores cuidados médicos em decorrência da descarga atmosférica. Ao todo, foram empregadas 32 viaturas e 150 militares para prestar assistência às vítimas.
A Polícia Militar do Distrito Federal informou que não havia determinação para cancelar o evento. A chuva intensa, no entanto, impediu a chegada do deputado e de seus apoiadores ao ponto final da caminhada, que teve início em Paracatu (MG) na segunda-feira, 19, e previa encerramento ao meio-dia deste domingo. Mesmo sem concluir o trajeto, Nikolas afirmou que a mobilização cumpriu seu objetivo. “O objetivo foi alcançado antes mesmo do ato final, que é despertar as pessoas, abrir seus olhos para o que está acontecendo”, declarou.
Informações Revista Oeste
