
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse a interlocutores que recebeu valores da empresa Maridt, que integrou o quadro de proprietários do Tayayá Resort, por ser sócio do negócio ao lado de familiares. A explicação surgiu após a Polícia Federal (PF) passar a investigar repasses financeiros ligadas ao caso.
Segundo Toffoli, a Maridt é uma empresa familiar da qual ele participa há anos. O nome dele não aparece em registros públicos porque a companhia é uma sociedade anônima em um modelo no qual a lista de acionistas não é divulgada. Apenas dois irmãos do ministro figuram formalmente como administradores.
A empresa possuía 33% do Tayayá Resort e vendeu sua participação em 2021 ao fundo Arleen, ligado à estrutura financeira associada ao Banco Master. De acordo com o magistrado, os valores recebidos decorrem dessa operação e foram lícitos, declarados à Receita Federal e com origem e destino rastreáveis.
Toffoli também afirmou que, posteriormente, o próprio fundo teria revendido as ações do resort a terceiros, obtendo lucro. O ministro ressaltou ainda que, no exercício de sua função no Supremo, deferiu pedidos da Polícia Federal em investigações relacionadas ao Banco Master, incluindo medidas como buscas e apreensões.
SOBRE OS REPASSES
Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mencionam supostos pagamentos ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação, que consta em perícia concluída nesta quarta-feira (11), foi divulgada pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil.
De acordo com apuração da CNN Brasil, autoridades públicas aparecem citadas em conversas extraídas dos aparelhos do banqueiro. Em alguns trechos, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que também é investigado, faz referência a transferências de valores que estariam relacionadas ao magistrado.
Investigadores relataram à CNN que o próprio Toffoli também teria feito menções a pagamentos, mas de forma cifrada. A linha de apuração da PF busca esclarecer se eventuais repasses teriam origem em uma empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master no resort Tayayá, empreendimento frequentado pelo ministro e que pertenceu a seus irmãos.
O gabinete de Dias Toffoli se manifestou e afirmou que o pedido de suspeição do ministro, formulado no contexto das investigações sobre o banco, se baseia em “ilações” e não possui respaldo jurídico. Segundo a nota, a Polícia Federal não teria legitimidade para requerer a medida por não ser parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil.
A defesa de Daniel Vorcaro também se pronunciou e demonstrou preocupação com o que classificou como vazamentos seletivos de informações. Em nota, os advogados afirmam que a divulgação de trechos das investigações gera “constrangimentos indevidos”, favorece “a construção de narrativas equivocadas” e prejudica o direito de defesa.
– A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no regular funcionamento da Justiça, destacando que o esclarecimento completo das questões em análise depende de apuração técnica, equilibrada e conduzida com respeito às garantias fundamentais – dizem os advogados de Vorcaro.
Confira, na íntegra, a nota emitida pelo ministro sobre o caso na manhã desta quinta-feira (12):
A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.
O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.
A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.
Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.
A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro.
Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.
*Pleno.News
Fotos: Nelson Jr./SCO/STF // Divulgação/Tayayá (site)
