Presidente do Sindicato do Comércio destaca desafios econômicos, expectativas moderadas e oportunidades de emprego temporário

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Feira de Santana já se mobiliza para o período mais aguardado do varejo. A combinação entre a Black Friday e as vendas de Natal deve movimentar o comércio local nas próximas semanas. Segundo o presidente do Sindicato do Comércio de Feira de Santana (Sincomfs), Marco Silva, os lojistas estão otimistas, ainda que com os “pés no chão”, e projetam um crescimento de cerca de 5% nas vendas em relação ao ano passado.
“Novembro e dezembro são meses decisivos. A Black Friday, que no início gerou desconfiança por ser uma tradição importada, hoje é uma data consolidada no varejo brasileiro. O consumidor está mais atento, pesquisa preços e sabe identificar promoções verdadeiras”, explica Marco Silva.
Ele lembra que a data, antes restrita a segmentos como eletrônicos e eletrodomésticos, hoje movimenta praticamente todo o comércio. “Os empresários aprenderam a trabalhar com o período, entendendo que não existe mais espaço para enganar o cliente. O consumidor tem um smartphone na mão e monitora o produto que quer comprar com antecedência”, reforça.
Após a Black Friday, o foco se volta para o Natal, que continua sendo o período de maior faturamento para o setor. O presidente do sindicato destaca que o desempenho das vendas natalinas costuma definir o início do próximo ano para muitas empresas.
“O Natal é o grande divisor de águas. É o momento em que o empresário percebe se vai começar o ano bem ou com dificuldades. O 13º salário injeta recursos na economia e estimula o consumo, mas o cenário econômico exige cautela”, observa.
Desafios econômicos e endividamento
Apesar da expectativa positiva, Marco Silva alerta que o varejo sente os reflexos da queda no setor industrial e do aumento da carga tributária e das taxas de juros, fatores que impactam tanto os empresários quanto os consumidores.
“Estamos enfrentando juros em torno de 15%, o que inviabiliza o planejamento das empresas e das famílias. O endividamento é alto, e essa sobrecarga tem sido insuportável. Ainda assim, a gente trabalha com otimismo e com projeção de crescimento em torno de 5%”, afirma.
De acordo com o dirigente, a Fecomércio Bahia, por meio do seu departamento de estatística, estima a manutenção dos resultados de 2024, mas Feira de Santana tende a superar a média estadual, como já aconteceu no Dia das Crianças, quando o comércio local registrou resultados acima das previsões.
Contratações temporárias e valorização dos comerciários
Com o aumento nas vendas, também crescem as oportunidades de trabalho temporário. Marco Silva destaca, porém, que o número de contratações vem diminuindo nos últimos anos, já que as empresas têm buscado reter seus melhores profissionais diante da escassez de mão de obra.
“Hoje, muita gente não quer mais trabalhar de carteira assinada, e isso se tornou um desafio. Ainda assim, para quem busca emprego, o fim de ano é uma excelente oportunidade”, orienta.
O presidente também destacou ações do sindicato voltadas à valorização dos trabalhadores, como o plano de saúde via telemedicina e serviços odontológicos com valores acessíveis.
“O comércio de Feira de Santana está valorizado. Temos benefícios importantes e estamos trabalhando para fechar a convenção coletiva antes do Natal, garantindo melhores condições para comerciários e segurança para o planejamento das empresas”, afirmou.
Perspectiva positiva
Com o otimismo cauteloso característico do setor, Marco Silva finaliza ressaltando o potencial da cidade.
“A expectativa é de crescimento moderado, mas Feira de Santana sempre surpreende positivamente. É uma cidade onde vale a pena investir e trabalhar”, conclui.
Da Redação do Rotativo News
