Edneide Melo ao lado da filha Natália, do marido Thiago e do cachorrinho Conan Imagem: Arquivo pessoal
A gerente de RH Edneide Melo, 44, acordou de uma cirurgia sem se lembrar de onde estava nem do próprio marido, com quem era casada há anos. O ano era 2017 e ela tinha sofrido um AVC. Para ela, porém, o mundo ainda estava em 2003.
Com apoio da família e de uma psicóloga, Edneide começou a se readaptar à vida que havia construído na última década —e até hoje não sabe se um dia vai retomar os 14 anos de memória que se apagaram.
A VivaBem, ela, que já havia falado ao podcast Histórias de terapia, disse que resolveu contar sua história para apoiar outras pessoas que enfrentam problemas semelhantes.
“Em 2017, fiz uma cirurgia para tirar pólipos no nariz. Quando acordei no pós-operatório, sentia muita dor de cabeça. Parece que reclamei com a médica, mas não lembro. Tudo o que sei é o que me contaram.
A dor de cabeça persistiu até eu ir para o quarto. Meu marido, Thiago, chamou o suporte diversas vezes. Me medicaram até aparecer um neurologista, mudaram a medicação e apaguei.
Quando acordei [no mesmo dia], não lembrava mais de nada. Estranhei o ambiente e não reconhecia meu marido. Ele era uma pessoa de quem eu tinha vaga lembrança de um processo seletivo de que a gente participou.
Minha primeira reação foi perguntar: ‘Bati o carro?’. Ele disse que não e explicou o que estava acontecendo.
Tive um surto, gritei, coloquei ele para fora do quarto. Dizia para ele não colocar a mão em mim, que ele era louco. Foi uma situação de terror. Olhava sem ter referência nenhuma sobre ele.none
Eu tinha voltado para 2003. Estranhei o ambiente em que estava. Morava antes em São Paulo e, depois do meu casamento, vim para Santo André. Não reconhecia o hospital.
Pedi meu celular, que na época [em 2003] era um Nokia azul, com aquele jogo de cobrinha. Então me deram um telefone fino, em que conversava com a pessoa por imagem. Não sabia o que era aquilo. Fiquei assustada e disse que não era meu, mas acabei ligando para meus pais.
Quando eles entraram no quarto, estavam grisalhos e diferentes do que 14 anos atrás. Questionei por que estavam assim e eles sem saber o que estava acontecendo.
Um médico me fez algumas perguntas. Disseram que eu estava com uma alergia da anestesia geral, uma disfunção cognitiva pós-operatória, que meu organismo ia expelir e tudo ficaria bem.
Só que o Thiago não aceitou esse resultado e pediu para vir um neurologista. Fizeram uma angiorressonância, que estuda o sistema vascular, e veio o diagnóstico de que eu tinha sofrido um AVC isquêmico. E, em decorrência disso, teria fragmentado a memória.
Quando tive alta, a esperança era retomar a memória em 30 dias, mas já são 6 anos. Era uma mulher de 38 anos que voltou a ter 25. Tinha atitude de 25, estava casada com uma pessoa que não sabia quem era, com uma filha de 12 anos sem nenhuma memória da maternidade.none
Exercia uma profissão que nem sabia por onde começar porque não era da minha área. Tive de conviver com pessoas que faziam parte do meu círculo social e eu não sabia quem eram.
‘Queria ir para casa’
Tive várias crises de ansiedade. Me culpava porque as pessoas diziam: ‘não é possível que ela não se lembra’. Mas eu não me lembrava de nada mesmo.
E, durante essa fase, ainda tive um segundo AVC, que atingiu a parte motora. Fiquei quase dois anos na reabilitação, mas os movimentos voltaram.
Não queria morar com o Thiago, e a casa onde eu morava, com meus pais, já não era mais deles. O médico disse que eu deveria ficar na minha casa, entender que essa era minha vida. Meus pais, então, foram para minha casa ficar comigo.
Quando entrei no apartamento, meu pai falou: ‘Filha, essa é a sua casa’. Me desesperei tanto que ajoelhei no pé do meu pai, dizendo que não reconhecia nada.
Me doía ver as pessoas chegando e eu sem saber quem eram. As pessoas choravam e eu entrava em desespero.none
Entrei em depressão e comecei a fazer terapia. Tinha de aprender a conviver com meu marido. Durante dois anos, ele acordava na esperança de eu me lembrar dele — o que não acontecia.
Muitos amigos o aconselharam a me largar. Eu ainda tinha surtos dizendo que não gostava dele, que não queria estar casada com ele. Mas ele sempre dizia que ficaria até o fim comigo.
E 99% da minha recuperação eu devo a ele e à Natália, minha filha.
A Natália tinha 12 anos quando tudo aconteceu. Ela viveu a adolescência com uma mãe que não se lembrava dela.
Uma coisa que me dói muito é que a primeira vez que a vi, virei o rosto. Disse que ela não tinha nada a ver comigo e que as pessoas estavam loucas de dizer que era minha filha.
Eu ainda nem sabia me comportar como mãe. Assistia a vídeos meus como mãe, mas não sentia nenhuma emoção.
Entendi que ela era minha filha na sua festa de 15 anos. O fato de vê-la ensaiar, conviver com amigos, dançar a valsa… entendi que minha família estava ali, embora eu não conhecesse nada deles.
Em uma das consultas médicas, me orientaram a ter um animal de apoio emocional. Então, veio o Conan [cachorro], em 2018. Ele é o meu equilíbrio.
Também tive problemas no trabalho. Em 2003, trabalhava com suporte técnico e informática. Quando me casei com o Thiago, fui para a área contábil. Tiveram paciência de me ensinar, explicar. Gente que eu ensinei e que, agora, estava me ensinando.
‘Não encontrava a Hebe’
Edneide ao lado do cachorro ConanImagem: Arquivo pessoal
Tinha perdido as referências. Uma vez, estávamos na mesa de jantar, falando sobre política, e disse brincado: ‘Agora, o negócio é votar no Enéas [Carneiro, que foi deputado federal]’. Então descobri que ele já estava morto… há mais de dez anos.
Isso foi acontecendo várias vezes. Adorava assistir a Hebe Camargo. Fui procurá-la, mas não a encontrava na televisão. Então o Thiago disse que ela também tinha morrido.
E entrou outro problema — a dos familiares que já tinham morrido. Sofri o luto de novo, e de uma vez. Um amigo muito querido, por exemplo, teve um câncer e morreu. Quando o Thiago me deu a notícia, enlouqueci. Me contaram que fiquei ao lado dele, mas não me lembrava de nada.
Não nos atentamos, mas de 2003 para cá muita coisa mudou. A tecnologia avançou. Não sabia o que era WhatsApp, via as casas com design diferente. Para mim, era uma coisa meio futurista.
Comecei a ter medo de conversar com as pessoas e acabar soltando ‘pérolas’. Isso ainda é algo que acontece, ainda me deparo com surpresas.
E a coisa que mais me incomoda é a desconfiança das pessoas. Cheguei a questionar minha psicóloga se posso estar fingindo que estou esquecida e ela me falou que ninguém poderia sustentar uma mentira por tanto tempo. Realmente não lembro das coisas.
‘Me apaixonei’
Edneide conta que se apaixonou pelo marido durante o processoImagem: Arquivo pessoal
Já tentei fazer terapia de regressão, cirurgia espiritual, até ritual de ayahuasca — e minha memória não voltou. É uma sequela.
Tenho esperança de ter a memória de volta, especialmente pela maternidade, que é algo que me dói muito.
Me faz falta o sentimento de carregar aquele ser dentro de mim. Choro pela tristeza de não lembrar.
Ouvi dizer que era extremamente apaixonada pelo Thiago antes. Aprendi a amá-lo. Especialmente por ter tanto cuidado comigo. Existe maior prova de amor que essa? Ele foi resiliente por todos esses anos e me apaixonei de verdade. Ele diz que se casou por amor e que não vai abrir mão disso, mesmo que eu não lembre dele.
Foram 6 anos construindo um amor mais maduro — e em cima de sofrimento. Hoje, amo o Thiago de maneira mais concreta e madura. Não me reapaixonei por ele porque não lembro do outro amor. O que aconteceu é que eu me apaixonei por esse homem de coração tão bom.none
Para o futuro, quero manter minha família, para seguirmos juntos. Minha família está unida na ausência, passando pelo luto de uma pessoa viva e é isso que não quero mais.
Quero cuidar deles também e ser uma referência para pessoas que tenham passado pela mesma coisa.
Espero que, quando leiam minha história, as pessoas tenham um momento de empatia. Não que tenham dó de mim. Isso aconteceu, infelizmente. Por muito tempo achei que era castigo divino, mas hoje entendo que só foi um acontecimento. Perdi várias referências, mas estou aqui e tenho oportunidade de viver muitas coisas ainda.”
AVC e memória
De forma geral, o AVC (acidente vascular cerebral) é a interrupção do fluxo sanguíneo no cérebro, que provoca a morte de células na região atingida. Entre as sequelas, o paciente pode perder a memória a curto e longo prazo.
A memória envolve várias áreas cerebrais, mas as principais estão no sistema límbico, no qual os hipocampos são muito relevantes. Um AVC pode interromper a conexão entre as áreas e, assim, impedir o acesso às memórias ali registradas. Se uma memória não é acessível (como um arquivo que não é possível de se abrir no computador), é como se ela não existisse. Paulo Bertolucci, médico e professor em neurologia pela Unifespnone
Muitas vezes, há possibilidade de recuperação de parte da memória por meio de reabilitação.
O AVC ocorre de forma súbita. Aos primeiros sintomas é necessário procurar atendimento, para diagnóstico e tratamento rápido. Alterações motoras súbitas, como fraqueza muscular, incapacidade de movimentar parte do corpo e dormência na face, braço ou perna estão entre os sinais mais marcantes do AVC.
A Santa Casa de Feira de Santana, realizou três transplantes renais em menos de 60 horas.
A Santa Casa, chegou ao número 373 cirurgias deste serviço que representa muito para toda a macrorregião centro-leste da Bahia.
A coordenadora de Nefrologia Fernanda Albuquerque, falou sobre a importância de ser doador de órgãos: “O transplante renal tem um trabalho social muito importante, reabilitando pacientes que sofrem tanto com a doença renal, para votar a ter uma vida normal”, destacou a coordenadora.
A estreia do filme ‘Barbie’ fez o comércio de alimentos entrar na “onda” da boneca mais famosa e desejada do mundo, e o corante rosa passou a fazer parte de algumas receitas, entre elas, do nosso tradicional acarajé. A brincadeira tomou conta de diversos estabelecimentos alimentícios, mas ao consumidor, vale o alerta: o uso excessivo do corante pode trazer malefícios à saúde.
O professor e pesquisador de Nutrição da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp Maurício Rostagno, falou ao Portal G1, e destacou que é preciso ficar atento à forma de usar o corante. “O problema dessa onda do rosa é o excesso, não só o excesso pontual, uma exposição aguda a esses corantes artificiais, que podem causar uma reação também aguda, mas uma exposição frequente e acima desses níveis seguros que pode provocar doenças sérias”, disse.
O professor alertou, ainda, que existem estudos que apontam a substância como cancerígena e que ligam o uso do produto com possíveis alergias e hiperatividade, quando utilizado acima das quantidades recomendadas. A substância que mais tem sido utilizada para dar o tom da “Barbie” aos alimentos é a eritrosina – um corante rosa-cereja produzido a partir de uma reação química, derivado de um sal sódico.
De acordo com o pesquisador, a melhor alternativa para dar cor aos alimentos são os corantes naturais, que podem ser obtidos de diversas formas e, além de serem mais saudáveis, não afetam ou poluem o meio ambiente, como é o caso dos sintéticos.
“Corantes naturais, como o carmim cochonilha, feito a partir de um inseto e utilizado por várias indústrias grandes e até em maquiagens, é uma boa opção. Existem pesquisas para desenvolver outros corantes naturais, a partir de casca de uva e jabuticaba, para substituir esses corantes sintéticos que são muito preocupantes, a fim de reduzir o consumo dos mesmos”, pontuou.
Foto: Reprodução/The New England Journal of Medicine
Pesquisa mostrou que medicamento consegue manter os níveis de pressão controlados por 24 semanas e pode revolucionar vida de hipertensos
Para facilitar o tratamento depacientes com hipertensão, um novo medicamento que seria usado apenas uma vez por semestre está sendo testado. Cerca de 25% dos adultos brasileiros têm pressão alta, presente em 60% dos maiores de 65 anos. Todos eles devem tomar um remédio diariamente para manter a pressão controlada.
O Zilebesiran é um medicamento injetável experimental que pode manter, segundo os estudos iniciais,a pressão altacontrolada por até 24 semanas. A pesquisa, porém, ainda está na primeira fase, ou seja, faltam outras duas para que os responsáveis possam pedir autorização de comercialização. Por isso, o remédio pode demorar a chegar às prateleiras.
A maior dose, porém, após seis meses da aplicação, conseguiu diminuir em cerca de 10 pontos a pressão sistólica e em 5 pontos a diastólica dos voluntários. Isso quer dizer que uma pessoa compressão altadescontrolada de 22 por 14, por exemplo, chegaria a até 12 por 9 com o uso do medicamento.
A inovação criada por médicos de universidades do Reino Unido e dos Estados Unidos foi anunciada em um artigo publicado nessa quinta-feira (20/7) no The New England Journal of Medicine. A primeira fase do estudo foi dividida em três etapas.
Somando todos os pacientes que completaram as três partes do estudo, foram analisados os resultados de 107 indivíduos. Entre eles, 72% dos usuários do Zilebesiran tiveram algum efeito adverso, enquanto 88% daqueles que tomaram placebo relataram ter tido algum problema. Cinco pacientes relataram dores leves e inflamação no local da injeção do remédio.
Na fase 1, se mostraram eficientes apenas as doses acima dos 200 mg. Na fase 2, os médicos descobriram que dietas com muito sal são capazes de atenuar ou até anular os efeitos do remédio. Por fim, ao ser combinado com outro remédio de controle de pressão alta, o Zilebesiran melhorou o desempenho do medicamento tradicional.
O estudo ainda teve algumas fases descartadas: uma etapa que dava doses múltiplas do remédio, por exemplo, foi cancelada pelos efeitos adversos observados, que apareceram muito rapidamente. Já o uso do remédio em pacientes obesos seguia sendo realizado até a publicação preliminar do estudo.
Entre as limitações anunciadas pelos investigadores, está que a quantidade de pessoas pesquisadas é pequena. O número de participantes é condizente com a fase 1 de estudos, mas é incapaz de garantir a segurança do tratamento.
Em Feira de Santana, a vacina contra a gripe influenza continua disponível para a população acima dos seis meses de vida. Até o momento, 95.104 pessoas já foram imunizadas contra a doença. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde.
Para receber a dose, o interessado deve apresentar documento de identidade, cartão SUS e caderneta de vacinação. O imunizante é aplicado de segunda a sexta-feira, em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e de Saúde da Família (USF). É válido destacar que crianças e adolescentes serão atendidos somente na presença dos pais ou responsável.
Quem trabalha durante o dia ou não tem disponibilidade para ir no horário comercial, pode ser vacinado à noite nas seis USFs vinculadas ao Programa Saúde na Hora, com funcionamento ampliado das 8h às 20h30. São elas: Campo Limpo I, V e VI, Liberdade I, II e III, Queimadinha I, II e III, Parque Ipê I, II e III, Videiras I, II e III e Rua Nova II, III e Barroquinha.Confira o endereço das unidades que funcionam até 20h30:USF Campo Limpo I, V e VI: Rua Hosita Serafim, S/N, bairro Campo Limpo.USF Liberdade I, II e III: Rua El Salvador, S/N, bairro Feira VII.USF Queimadinha I, II e III: Rua Pernambuco, S/N, bairro Queimadinha.USF Parque Ipê I, II e III: Rua Ilha do Retiro, S/N, bairro Parque Ipê.USF Videiras I, II e III: Rua Iguatemi, S/N, bairro Mangabeira.USF Rua Nova II, III e Barroquinha: Rua Juvêncio Erudilho, 35, bairro Rua Nova.
A obesidade é uma doença crônica que causa grande preocupação no mundo todo. No Brasil, a projeção para os próximos 12 anos é alarmante: de acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2023, 41% da população adulta terá a doença.
Especialistas explicam que um tratamento individualizado para cada paciente seria o ideal —mesmo ainda não sendo a realidade de muitos, principalmente devido ao preço de alguns medicamentos e à não disponibilidade na rede pública.
Os 4 tipos de obesidade
A classificação dos fenótipos (conjunto de características de uma pessoa) não é algo ainda utilizado formalmente na prática. A definição foi feita baseada em um estudo da Mayo Clinic(EUA), em 2021, com 450 pessoas dos Estados Unidos.
Em entrevista a VivaBem, Andres Acosta, autor principal do estudo e médico gastroenterologista, explica que os pesquisadores resolveram estudar “tudo sobre os pacientes com obesidade” para chegar à seguinte conclusão:
O que acontece, geralmente, é que, para perder peso, as pessoas tentam dietas, medicações, cirurgias. Algumas têm bons resultados com isso e, outras, não. Ao mesmo tempo, há uma tendência em pensar que todo mundo tem o mesmo tipo de obesidade. Na realidade, há vários tipos de obesidade. Andres Acosta, gastroenterologista da Mayo Clinic e autor do estudonone
Com uso de machine learning, tecnologia que permite que algoritmos aprendam padrões e façam previsões, os autores encontraram 4 tipos de obesidade:
1. Cérebro faminto (32%): pessoas que não têm saciedade, que fazem mais refeições —geralmente mais calóricas— e demoram para ficar satisfeitas.
2. Intestino faminto (32%): não necessariamente fazem muitas refeições, mas sentem fome rapidamente após comer algo (dentro de 1 h e 2 h).
3. Fome emocional (21%): pacientes que comem de acordo com as emoções, ou seja, se estão tristes, felizes ou estressados, a pessoa procura sempre a comida como um “refúgio”.
4. Metabolismo lento/combustão lenta (21%):o metabolismo não funciona da forma que deveria; o grupo não consegue queimar as calorias correspondentes ao seu peso, altura, idade e gênero.
Os pesquisadores não conseguiram identificar um fenótipo em 15% dos participantes; 25% dos pacientes foram classificados em dois ou mais fenótipos.
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Como seria esse tratamento mais individualizado
Depois da definição dos tipos de obesidade, os pacientes foram acompanhados por um ano em um centro de controle de peso.
Os participantes passavam por um plano de dieta específico para o “tipo de obesidade” no qual foram classificados, assim como uma medicação que mais se encaixava no perfil e outras intervenções no estilo de vida.
Na fome emocional, por exemplo, o foco é controlar a alimentação vista como recompensa para o paciente, então a medicação mais indicada é o Contrave —e não um remédio que reduza o apetite.
O plano de dietas é fruto de outro de estudo realizado também pela Mayo Clinic e publicado no Lancet este ano.
Quando os pacientes tinham dois ou mais fenótipos, os pesquisadores selecionaram a medicação com base no tipo mais predominante.
Cérebro faminto
Medicação sugerida: fentermina com topiramato, que não está disponível no Brasil. Aqui, uma substituição seria a sibutramina.
Dieta pouco calórica e rica em fibras, com 1 a 2 refeições por dia.
Não há necessidade de fazer atividade física. É possível atingir 10 mil passos, pelo menos, por dia.
Intestino faminto
Medicação sugerida: liraglutida (Saxenda) ou semaglutida (Wegovy).
Dieta com pouco carboidrato (low carb) com shakes de proteína antes das refeições e snakes saudáveis com proteína. De 3 a 5 refeições por dia.
Não há necessidade de fazer atividade física. É possível atingir 10 mil passos, pelo menos, por dia.
Dieta low carb, com escolhas alimentares de acordo com a preferência do paciente. Sugestão de 3 refeições ao dia.
Terapia comportamental com sessões semanais.
Metabolismo lento/combustão lenta
Medicação sugerida: os pesquisadores pensaram na fentermina, que não está disponível no Brasil, mas como só pode ser utilizada por três meses nos EUA, eles não consideraram seu uso —já que a obesidade é uma doença crônica.
Dieta low carb, com shake de proteína após o treino, com 3 refeições ao dia.
Plano de exercícios intensos (HIIT + treino de resistência + 10 mil passos por dia).
Sobre a questão da atividade física não estar presente em todas os tipos, Acosta explica que pode ser difícil incluir a prática logo de cara.
É fácil dizer: ‘Faça dieta, exercícios e terapia’. Na realidade, às vezes, é difícil os pacientes fazerem tudo. A maioria das pessoas que pratica atividade física, no dia seguinte, sente muita fome. Se você segue dieta e faz exercícios, as duas coisas fazem você sentir fome. Com isso, pode ser difícil se manter nela. Por isso, talvez, a pessoa possa não fazer exercícios no começo do tratamento. Andres Acosta, gastroenterologista da Mayo Clinic e autor do estudonone
Importante ressaltar que todo tratamento de obesidade exige acompanhamento de um profissional.
Principais resultados
A abordagem guiada pelo fenótipo foi associada a uma perda de peso 1,75 vez maior após 1 ano.
A perda de peso média no grupo dos fenótipos foi 15,9% em comparação ao grupo que seguiu as orientações “padrões”, que teve 9%.
A proporção de pacientes que perderam mais que 10% em 12 meses foi de 79% em comparação com 34% no grupo de tratamento não guiado por fenótipo.
A obesidade é um problema mundial. Todos nós devemos estar juntos nessa. Precisamos de educação em obesidade e, principalmente, fazer com que os pacientes recebam o tratamento adequado para que eles não percam tempo. Andres Acosta, gastroenterologista da Mayo Clinic e autor do estudonone
O que dizem os especialistas
Apesar de ter limitações, os médicos consultados explicam que a individualização no tratamento dos pacientes, com definições de fenótipos, é um caminho que realmente pode trazer melhores resultados.
Não é algo fácil de replicar, mas já estamos em treinamento. Desta forma, é possível delinear os tratamentos —e já dá para perceber que é o que mais funciona no consultório. Andressa Heimbecher, endocrinologista e metabologista, membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia)none
O grande achado do estudo foi a questão de tentar medicamentos mais assertivos, com mais chance de dar certo com o paciente. Até um tempo atrás —e no SUS ainda é assim—, a gente sugeria o que o paciente poderia comprar. Respeitando as contraindicações, o estudo mostrou que terapias mais direcionadas aumentam a chance de o paciente perder peso. Fábio Moura, diretor da SBEM e endocrinologista do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, da Universidade de Pernambuconone
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Isso poderia ser aplicado na prática em outros países?
Sim, de acordo com Acosta. “O jeito que nós classificamos nossos pacientes com fenótipos é bem complicado, mas temos uma companhia dentro da Mayo Clinic, que possui testes genéticos que qualquer pessoa pode fazer [para descobrir o tipo de obesidade que tem]. Com base nisso, podemos replicar isso em outros lugares e oferecer esse tratamento específico para o fenótipo do paciente”, explica.
Para além de questões estéticas, no geral, o tratamento da obesidade envolve:
Mudanças do estilo de vida: adoção de dieta variada, saudável e hipocalórica, exercícios físicos.
Medidas de higiene do sono.
Tratamento de condições psiquiátricas (depressão, ansiedade) e terapia cognitivo comportamental.
Medicamentos quando necessário e apenas com orientação médica.
Em algumas situações, a cirurgia bariátrica e outros procedimentos podem ser uma opção.
Você sabia que o sexo oral, sem proteção, pode aumentar os riscos de câncer de garganta? Os tumores não surgem pela prática em si, mas pelo eventual contato com o vírus HPV, que costuma infectar a mucosa genital, oral e anal de homens e mulheres. Quase ninguém pensa nisso na hora do prazer, mas a estimativa é que metade dos casos de tumores de orofaringe, entre 2030 e 2040, vai ser causada pelo HPV – os outros 50% estão relacionados ao tabagismo. E quem tem muitos parceiros precisa ter cuidado redobrado. Estudos indicam que o sexo com mais de seis pessoas durante a vida aumenta em 8,5 vezes o risco de desenvolver a neoplasia de orofaringe em relação às pessoas que não praticam sexo oral.
Isso não quer dizer que é preciso dar adeus a essa prática sexual. A oncologista Letícia Martins, da Oncoclínicas Rio de Janeiro e do Hospital Marcos Moraes, diz que é possível combater a infecção por HPV com duas medidas simples: o uso de preservativos e a imunização.
— Outras medidas úteis são evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool — comenta a médica, que lembra ainda que a vacinação contra o HPV, para maiores de 14 anos, apesar de não estar disponível no SUS, é aconselhável.
Para cada ano do triênio 2023-2025, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 15.100 casos de câncer da cavidade oral e orofaringe, sendo um risco estimado de 6,99 por 100 mil habitantes. Essa incidência vem aumentando no país, assim como ocorre em outros países desenvolvidos.
É estimado que 85% da população entre em contato com o vírus HPV em algum momento da vida. Contudo, isso não significa que o câncer irá de fato se desenvolver. Após o contato com o vírus, a maior parte das pessoas consegue eliminá-lo através do seu sistema imune. No entanto, eventualmente, o vírus não é eliminado e uma infecção crônica se desenvolve. Essa infecção pode persistir por muitos anos e não causar nenhum tipo de sintoma, o que não impede que o vírus seja transmitido para outra pessoa. Além do sexo oral, a transmissão do vírus também pode ocorrer por meio de relações sexuais vaginais ou anais, causando outras neoplasias, como câncer de colo do útero, vagina, vulva, pênis e anus.
Uma pesquisa divulgada pela Universidade de São Paulo (USP), em que foram analisados dados de 15.391 pacientes do Registro de Câncer de Base Populacional do município de São Paulo (RCBP-SP), contabilizados no período de 1997 a 2013, mostrou que o risco de câncer de boca e orofaringe (principalmente) associados ao Papilomavírus Humano (HPV) aumentou entre homens e mulheres jovens com idade até 39 anos. As estruturas que compõem a orofaringe são a base da língua, o palato mole, as amígdalas e paredes laterais e posterior da faringe. Principalmente a base da língua e as amígdalas são os locais mais acometidos pela doença HPV relacionada.
Sintomas podem ser confundidos com problemas de saúde
Sabe aquela infecção de faringe e amígdalas que, apesar de tratada, não passa? Elas merecem atenção e investigação. Outros sintomas, bastante inespecíficos nas fases iniciais da doença, são dor ao engolir, aumento de ínguas no pescoço ou alguma ferida na região da orofaringe, que pode levar a um sangramento. “Se você tiver uma infeção que, mesmo que tratada, não passa ou sentir outros sintomas como os exemplificados por mais de duas semanas, deve procurar um especialista para iniciar uma investigação”, indica Letícia.
Diagnóstico precoce
“O câncer de orofaringe não tem formas de rastreio. Por isso, é fundamental que se procure um especialista caso persistam sintomas na região da garganta. O diagnóstico precoce é fundamental”, ressalta a oncologista.
Caso o tumor seja confirmado através de uma biópsia, o próximo passo é entender se ele se espalhou. Isso pode ser feito através de exames como tomografia computadorizada ou ressonância nuclear magnética do pescoço e do tórax.
Existe tratamento?
Existe tratamento tanto para lesões iniciais quanto para aquelas mais avançadas. Vários fatores são levados em consideração além do estadiamento da doença para se definir a melhor estratégia terapêutica, e, idealmente, essa definição deve ser feita por uma equipe multidisciplinar, em conjunto com o paciente.
O tratamento pode incluir:
Radioterapia IMRT: é um tipo de radioterapia que tem maior precisão na hora de tratar o tumor. Com isso, o paciente apresenta menos efeitos colaterais e os resultados são expressivos; Quimioterapia: são medicamentos utilizados na maioria das vezes por via endovenosa que atrapalha a replicação das células, inclusive as células tumorais, levando-as à morte; Terapia-alvo: são drogas que atuam de forma diferente da quimioterapia padrão, apresentando também efeitos colaterais distintos. Em linhas gerais elas impedem que a célula tumoral se multiplique; Imunoterapia: este tratamento auxilia a atividade das células de defesa do paciente no combate à doença. Pode ser utilizada em combinação ou não com químio, a depender de características clínicas do paciente e da expressão do PDL1, uma proteína presente na superfície do tumor.
A cidade de Feira de Santana agora conta com uma clínica de referência no tratamento do autismo, TDAH e transtornos do neurodesenvolvimento, através de terapias integrativas e metodologias inovadoras. A Clínica INTEGRA, que nasceu com o propósito de trazer mais qualidade de vida para a região, será inaugurada nesta terça-feira, dia 18 de julho, às 18h, na Rua Domingos Barbosa de Araújo, 701. A clínica, liderada pelo pediatra Dr. Sandro Nunes e pela fisioterapeuta Erika Samile de Carvalho Costa, responsáveis técnicos, é especializada no atendimento infantil, até 12 anos, e atua de forma multidisciplinar nas áreas de neuropsicologia, nutrição, psicologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicopedagogia, musicoterapia, fisioterapia. Com uma equipe de profissionais especializados em diferentes áreas, a Clínica INTEGRA está preparada para receber os usuários de planos de saúde e particulares, oferecendo um atendimento completo e personalizado.
Segundo Dr. Sandro Nunes, pediatra e técnico responsável da Clínica INTEGRA, “o treinamento dos pais é um aspecto crucial no tratamento de crianças atípicas. O contexto familiar desempenha um papel fundamental no aprendizado das habilidades sociais e no progresso dessas crianças. Através do trabalho participativo com os pais, podemos fortalecer comportamentos adequados e promover um desenvolvimento saudável e significativo para nossos pacientes.” Dr. Nunes ressalta a importância do acolhimento humanizado destas famílias, que em sua maioria também precisa de orientações e cuidados.
“A Clínica INTEGRA é um centro de referência infantil que busca fornecer assistência integral à saúde e ao desenvolvimento de crianças atípicas. Nosso objetivo é acolher não apenas o paciente, mas toda a família, promovendo uma reabilitação e o desenvolvimento de habilidades e funções”, afirmou Erika Samile de Carvalho Costa, responsável técnica da INTEGRA. Ainda segundo Erika, entre os principais objetivos da clínica estão a estimulação cognitiva, o fortalecimento da musculatura e equilíbrio, a melhoria das habilidades funcionais e o enriquecimento de aspectos comportamentais em família e profissionais. Além disso, a Clínica INTEGRA busca promover o amadurecimento social e emocional das crianças atendidas. A infraestrutura da clínica conta com 20 salas, localizadas no centro da cidade, proporcionando fácil acesso e um ambiente climatizado e lúdico para as crianças. A acessibilidade é prioridade na Clínica INTEGRA, garantindo que todas as famílias se sintam acolhidas e confortáveis durante o tratamento. Um dos destaques da clínica é a terapia lúdica, que utiliza o brincar como base para a construção de vínculos, aprendizagem de regras sociais e amadurecimento emocional. Através de diferentes terapias, como a Análise Aplicada do Comportamento (ABA) e a Terapia Cognitivo-comportamental, a clínica visa o desenvolvimento das habilidades sociais, comunicativas, adaptativas e organizacionais das crianças.
Neste domingo, 16, o Hospital Dom Pedro de Alcântara (HDPA), mantido pela Santa Casa de Feira de Santana, começou a receber pacientes para tratamento clínico. A contratação emergencial é parte do plano de contingência do Estado para atender de forma imediata os pacientes do município de Feira e região que precisam de internamento.
Atualmente o Estado já mantém serviços contratados com a Santa Casa nas áreas de ortopedia, cirurgias eletivas, cardiologia e ainda leitos na Unidade de Terapia Intensiva, UTI, que a partir desta segunda-feira, 17, foram ampliados em 50% – saem de 10 para 15 leitos.
“Convocamos nosso time para apoiar o plano de contingência do Estado e colocamos mais uma vez a estrutura e equipe da nossa Santa Casa à disposição de Feira de Santana. Já estamos fazendo a nossa parte para auxiliar a população”, destaca Dr. Rodrigo Matos, provedor da entidade.
CREDENCIAMENTO AMPLIADO
A partir desta segunda-feira a Santa Casa de Feira de Santana passa a oferecer 30 leitos para atendimento clínico.
A ampliação, que garante assistência aos pacientes nos casos de internamento, é fruto da ampliação do contrato que Secretaria de Saúde do Estado mantém com a entidade filantrópica.
Nos últimos seis meses foram aproximadamente 2 mil cirurgias eletivas e mais de 400 cirurgias na área de ortopedia. “Nossa equipe não medirá esforços para cumprir mais esta missão, que é importante para a comunidade que depende do atendimento pelo Sistema Único de Saúde, SUS”, afirma Rodrigo Matos.
A contratação desses leitos de retaguarda no Hospital Dom Pedro é uma expressiva contribuição para a melhoria do fluxo dos pacientes em Feira de Santana e região, observa o provedor.
“Ontem, após a solicitação e autorização da secretária estadual de Saúde, Roberta Santana, conseguimos admitir vários pacientes que aguardavam um leito de internamento clínico, o que impactou positivamente no sistema de saúde de Feira”, aponta Dr. Rodrigo Matos.
O diretor técnico da Santa Casa, Dr. Edval Gomes, comemorou o novo credenciamento e ressaltou que a instituição irá assegurar assistência qualificada a um número ainda mais significativo de pacientes. Ele elogiou a iniciativa da Sesab de buscar uma resposta rápida às demandas da saúde em Feira de Santana.
Efeito foi menor em pacientes mais velhos ou em estágio mais avançado da doença. Estudo foi publicado na revista científica Jama, o que significa que foi revisado por especialistas.
Droga experimental mostrou avanços contra Alzheimer — Foto: Reprodução/TV Globo
A droga experimental donanemab, da farmacêutica Eli Lilly, retardou a progressão do Alzheimer em 60% para pacientes nos estágios iniciais da doença, de acordo com dados de testes apresentados nesta segunda-feira (17).
Os resultados parciais do estudo já haviam sido divulgados em maio, mas foram publicados agora na íntegra na revista científica Jama (Journal of the American Medical Association), o que significa que passaram por revisão de especialistas.
As descobertas ressaltam que “a detecção e o diagnóstico precoces podem realmente mudar a trajetória dessa doença”, disse Anne White, presidente de neurociência da Lilly.
👉 O que é o donanemab? É um anticorpo projetado para eliminar uma substância chamada beta-amilóide. A amilóide se acumula nos espaços entre as células cerebrais, formando placas que são características da doença de Alzheimer.
🔬 O ensaio clínico incluiu 1.736 pacientes com Alzheimer leve, de 60 a 85 anos. A droga experimental retardou a progressão do Alzheimer em 60% nesses casos.
🧪 Os resultados foram menos robustos em pacientes mais velhos e pacientes com níveis mais avançados da doença.
🧠 O inchaço cerebral foi um efeito colateral comum em até um terço dos pacientes. Para a maioria, foi resolvido sem causar sintomas — mas três voluntários morreram devido ao inchaço.
🧫 Metade dos pacientes conseguiu interromper o tratamento após um ano, porque havia eliminado depósitos cerebrais suficientes.
📉 Os participantes tratados com donanemab também tiveram um risco 39% menor de progredir para o próximo estágio clínico da doença durante o estudo de 18 meses.
Abaixo, veja mais detalhes sobre o estudo:
– Inchaço cerebral: O estudo mostrou que o inchaço cerebral, um efeito colateral conhecido de drogas como donanemab, ocorreu em mais de 40% dos pacientes com predisposição genética para desenvolver a doença de Alzheimer.
A empresa havia relatado anteriormente que 24% do grupo geral de tratamento com donanemab apresentava inchaço cerebral.
– Hemorragia cerebral: ocorreu em 31% do grupo donanemab e cerca de 14% do grupo placebo.
👉 As mortes de três pacientes do estudo estavam ligadas ao tratamento, relataram os pesquisadores.
“Esses efeitos colaterais não devem ser menosprezados, mas a maioria dos casos foi controlada por monitoramento com ressonância magnética (MRI) ou interrupção do medicamento”, disse a investigadora do estudo, Dra. Liana Apostolova, professora de pesquisa da doença de Alzheimer na Escola de Medicina da Universidade de Indiana.
Os médicos provavelmente usarão “uma triagem de segurança de ressonância magnética muito rigorosa enquanto tratamos esses pacientes”, disse ela.
A farmacêutica disse que o efeito do tratamento com donanemab continuou a aumentar em relação ao placebo ao longo do teste de 18 meses, mesmo para os participantes que foram retirados do medicamento depois que seus níveis de depósitos amiloides caíram significativamente.
“No final do estudo, o paciente médio estava sem medicamento por sete meses e ainda assim continuou a se beneficiar”, disse White.
Ela disse que as descobertas apoiam a ideia de que o donanemab pode ser interrompido assim que o amiloide for eliminado do cérebro.
A empresa disse em maio que o estudo atingiu todos os seus objetivos, mostrando que o donanemab retardou o declínio cognitivo em 29% em comparação com um placebo em 1.182 pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência leve cujos cérebros tinham depósitos de duas proteínas-chave do Alzheimer, beta-amiloide e tau.
Para pacientes com tau alta, donanemab mostrou retardar a progressão da doença em cerca de 17%, enquanto o benefício foi de 35% para aqueles com níveis de tau baixos a intermediários.
Os resultados completos do estudo foram apresentados na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer em Amsterdã e publicados no JAMA nesta segunda-feira.
Lilly espera que a Food and Drug Administration dos EUA decida até o final deste ano se aprova o donanemab.
A farmacêutica disse que as submissões a outros reguladores globais estão em andamento e a maioria será concluída até o final do ano.
A FDA concedeu neste mês a aprovação padrão ao Leqembi, o primeiro tratamento modificador da doença de Alzheimer a atingir esse objetivo, abrindo caminho para uma cobertura de seguro mais ampla do medicamento.
Ambos os medicamentos também estão sendo estudados em grandes ensaios para ver se eles têm um impacto no atraso do início dos sintomas da doença de Alzheimer.
Procurado pelo g1,a farmacêutica informou que ainda não há previsão de submeter pedido de aprovação para a Anvisa.