A vacina contra o HPV ajuda na prevenção de seis tipos de câncer que podem acometer os órgãos sexuais e a região da boca. Em Feira de Santana, o imunizante está disponível em todas as unidades de saúde, de segunda a sexta-feira, para crianças e adolescentes entre nove e 14 anos.Segundo Vanessa Sampaio, coordenadora do Centro Municipal de Referência em Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), o imunizante é a forma mais segura e eficaz para prevenir essas doenças. 

“Apesar da relação sexual ser a principal maneira de transmissão do vírus HPV, ela não é a única. As pessoas que estão numa relação com parceiro fixo não estão livres de uma possível contaminação porque ela pode ocorrer através do contato direto com qualquer parte da pele infectada ou com objetos e materiais de pessoas infectadas”, explicou.

Além das crianças e adolescentes, a vacina também é ofertada a pessoas imunossuprimidas de nove a 45 anos que vivem com HIV/AIDS, vítimas de violência sexual, transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea e pacientes oncológicos.

Para receber a dose, é necessário apresentar documento de identidade, cartão SUS e caderneta de vacinação. Entretanto, a aplicação em menores de 18 anos é feita somente na presença dos pais ou responsável legal.

À noite, a imunização também pode ser realizada nas Unidades de Saúde da Família (USFs) vinculadas ao Programa Saúde na Hora, com funcionamento ampliado das 8h às 20h30. São elas: Campo Limpo I, V e VI, Liberdade I, II e III, Queimadinha I, II e III, Parque Ipê I, II e III, Videiras I, II e III e Rua Nova II, III e Barroquinha.


Cientistas descobrem um novo sabor do paladar humano, e total vai para 6; veja a lista

A última vez que um sabor do paladar humano foi descoberto ocorreu ainda nos anos 1900, quando um cientista japonês propôs que o umami fosse acrescentado numa lista que contava apenas com doce, salgado, azedo e amargo. Cerca de oito décadas depois, pesquisadores comprovaram a existência de receptores na língua específicos ao umami e o incluíram oficialmente, tornando cinco os sabores básicos do paladar humano. 

Agora, em um novo estudo publicado na revista científica Nature Communications, cientistas da universidade americana USC Dornslife, descobriram a existência de um sexto paladar e pedem que a lista seja atualizada. A neurocientista Emily Liman e sua equipe descobriram que a língua responde ao cloreto de amônio através do mesmo receptor de proteína que sinaliza o sabor amargo. Esse gosto específico é associado a doces comuns em alguns países da Europa. 

“Se você mora em um país escandinavo, conhecerá e poderá gostar desse sabor”, diz Liman, que é professora de Ciências Biológicas da universidade, em comunicado. Isso porque, em alguns lugares no Norte da Europa, o alcaçuz salgado é um doce popular pelo menos desde o início do século XX. Entre seus ingredientes, está o sal salmiak, ou cloreto de amônio. 

Durante décadas, pesquisadores já haviam reconhecido que a língua é altamente sensível ao cloreto de amônio, mas havia incertezas sobre quais receptores estavam por trás desse fenômeno. Liman e sua equipe de pesquisa, em colaboração com cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade do Colorado, também nos EUA, propuseram uma solução para esse enigma. 

Recentemente, identificaram uma proteína chamada OTOP1, que é responsável pela detecção do sabor amargo. Surgiu a hipótese de que essa mesma proteína poderia estar envolvida na resposta ao cloreto de amônio, devido ao seu impacto nos níveis de acidez nas células. 

Para testar essa teoria, eles introduziram o OTOP1 em células humanas cultivadas em laboratório e posteriormente as expuseram tanto a ácido quanto a cloreto de amônio. Os resultados demonstraram que o cloreto de amônio ativava o receptor OTOP1 com a mesma eficácia que o ácido. 

Estudos realizados com camundongos confirmaram que aqueles com o gene que expressava a proteína OTOP1 evitavam o cloreto de amônio, logo o reconheciam. Enquanto isso, os que não possuíam esse gene não demonstravam preocupação com o sabor. 

Liman sugere que a capacidade de perceber o sabor do cloreto de amônio pode ser uma evolução para auxiliar os organismos na prevenção de substâncias prejudiciais. “O amônio é um tanto tóxico”, explicou ela, “então faz sentido que desenvolvamos mecanismos de sabor para detectá-lo”. 

O time de pesquisadores também descobriu que essa sensibilidade à substância varia entre as espécies, o que pode ocorrer devido aos diferentes ambientes de cada uma. Agora, eles planejam avançar nos estudos com o receptor OTOP1 para compreender melhor seu significado evolutivo. 

O Globo


O médico feirense Jackson Brandão, chefe da equipe de Cardiologia do Hospital Ana Nery em Salvador esteve à frente do transplante de coração realizado na madrugada desta sexta-feira (5) na unidade hospitalar.

Filho da primeira contabilista de Feira de Santana, a contadora Luiza Brandão e sobrinho da renomada médica ginecologista e obstetra Iracema Brandão, Jackson além de comandar a equipe cardíaca do Hospital Ana Nery, é também titular de cirurgia cardíaca do Hospital das Clínicas em Salvador.

O transplante durou cerca de cinco horas e o coração transplantado foi transportado do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) para Salvador com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Um paciente com apenas 29 anos, havia sido diagnosticado com morte encefálica, e seus órgãos estavam destinados a salvar vidas. O coração dela foi doado para um paciente de 53 anos e que passa bem após a cirurgia.

Com informações da jornalista Iasmim Santos do Acorda Cidade


Foto: Reprodução/Imagem ilustrativa/Secom Pará

Outubro começou no último domingo e com ele o reforço nos serviços de prevenção ao câncer de mama também já iniciaram com a Campanha Outubro Rosa. Em Feira de Santana, o Centro de Pesquisa e Assistência em Reprodução Humana (Ceparh) já iniciou a oferta de mamografias gratuitas pelo Serviço Único de Saúde (Sus) neste mês. O exame de raio-x das mamas é essencial para detectar sinais da doença, sejam eles em estágio inicial ou avançado.”

O serviço é destinado para mulheres a partir dos 50 até os 69 anos. Elas não devem ter realizado o procedimento há pelo menos um ano.

Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

Durante a campanha o Ceparh vai ofertar 50 vagas por dia para a realização de mamografias. O atendimento começa por volta das 7h da manhã, por isso, é necessário chegar cedo para pegar uma senha. As interessadas já podem se encaminhar para o órgão, levando RG, CPF e Cartão do SUS.

Natália Oliveira, gerente do Ceparh, disse ao Acorda Cidade que o serviço também será estendido.

“Em função da campanha Outubro Rosa, estaremos abrindo exceção, atendendo também 50 pacientes aos sábados, somente para mamografia”, afirmou.

Além da opção de ir diretamente ao Ceparh, de segunda a sábado, o serviço também pode ser agendado através da Unidade Básica de Saúde do bairro, basta ir até o posto solicitar a marcação.

O mutirão tem o apoio da Secretaria de Saúde de Feira, em parceria com Centro Municipal de Diagnóstico Por Imagem (CMDI). A gerente explicou que há muitos anos o Ceparh trabalha em conjunto com outros órgãos sendo referência na campanha.

As mamografias no centro seguem até 31 de outubro.

Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade


Foto: Leonardo Rattes/Divulgação

A Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) aderiu, neste domingo (1°), a Campanha do Outubro Rosa, que busca conscientizar e combater o câncer de mama. 

Até o momento, 5.775 mamografias e 989 consultas foram marcadas marcadas. No entanto, a meta divulgada pelo governo da Bahia é oferecer mais de 20 mil mamografias e 2,7 mil consultas com ginecologistas e mastologistas.

O atendimento à população está sendo realizado em unidades móveis estacionadas no Largo de Roma, em Salvador. Mesmo assim, é preciso agendar os procedimentos previamente pelo site da Sesab, onde é feito a escolha do dia, local e o turno.

Para participar, as interessadas tambem deve atender as seguintes exigências: não ter feito mamografia a menos de seis meses, não ter feito cirurgia na mama e ter entre 40 e 69 anos. Além disso, no dia do exame deve levar o RG, CPF, Cartão do SUS e comprovante de residência. 

As quatro unidades móveis da Sesab vão funcionar até o dia 4 de novembro, com atendimento de segunda a sábado, das 7h às 18h, com exceção dos feriados de 12 de outubro e 2 de novembro. 

Metro1


O coração, com sua constante batida, é um tesouro que carregamos dentro do peito. Mas, assim como qualquer tesouro, ele precisa de cuidados e proteção. Em 29 de setembro, celebramos o Dia Mundial do Coração, uma data que nos lembra da importância vital desse órgão e da necessidade de preservá-lo.
Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Organização Mundial da Saúde (OMS) destacam que as doenças cardiovasculares são as principais causas de morte no Brasil e no mundo. A cada ano, mais de 20 milhões de vidas são perdidas globalmente devido a essas condições. No Brasil, aproximadamente 300 mil pessoas perdem suas vidas anualmente vítimas de infarto.
As doenças cardiovasculares englobam uma série de condições, sendo as mais comuns: a hipertensão arterial, a doença arterial coronariana, o acidente vascular cerebral (AVC), a insuficiência cardíaca e as arritmias cardíacas. Essas condições afetam pessoas de todas as idades, gêneros e origens étnicas, tornando-se uma ameaça silenciosa e indiscriminada.
Segundo o Dr. Luciano Bastos, cardiologista credenciado à Rede União Médica e presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia regional Feira de Santana: “A prevenção é a chave para cuidar bem do coração. Devemos enfatizar a importância de adotar um estilo de vida saudável desde cedo, com foco em hábitos alimentares equilibrados, atividade física regular e acompanhamento médico frequente.”
Ainda de acordo com o médico, a hipertensão arterial, por exemplo, é um fator de risco significativo para doenças cardíacas. Ela afeta cerca de 35% da população brasileira, muitas vezes sem sintomas evidentes. No entanto, quando não controlada, pode levar a complicações graves, como infarto e AVC.
A doença arterial coronariana, que inclui a angina e o infarto do miocárdio, é outra grande preocupação. A obstrução das artérias coronárias impede a chegada adequada de sangue e oxigênio ao músculo cardíaco, causando danos irreparáveis. A prevenção, através de hábitos saudáveis e exames regulares, é fundamental.
“No Dia do Coração, devemos refletir sobre nosso compromisso pessoal com a saúde cardiovascular. É um momento para agir, fazer escolhas conscientes e buscar informações sobre como proteger esse órgão vital que nos mantém vivos. O coração é o motor da vida, e seu cuidado deve ser uma prioridade. Vamos unir esforços para reduzir o impacto das doenças cardiovasculares, criando um mundo onde todos possam desfrutar de uma vida longa e saudável”, orientou Dr. Luciano.
*Fonte: ASCOM/UNIÃO MÉDICA*


Com o número de 386 transplantes renais desde a implantação do serviço em 2015, a Santa Casa de Feira de Santana realiza neste Setembro Verde uma série de atividades para marcar o mês de incentivo à doação de órgãos. O dia nacional pela conscientização é lembrado nesta quarta-feira, 27.

No último agosto, a entidade bateu recorde mensal de cirurgias transplantadoras, fechando o período com sete procedimentos. O número é significativo considerando o total de procedimentos a cada mês nos últimos dois anos. Um marco importante para o Hospital Dom Pedro de Alcântara, mantido pela Santa Casa de Feira e um dos maiores centros transplantadores da região Nordeste.

“O transplante no Brasil é transparente, robusto e de alta credibilidade, um avanço do nosso Sistema Único de Saúde, o SUS. Graças ao nosso serviço de transplante renal aqui em Feira de Santana conseguimos devolver qualidade de vida para centenas de pacientes da macrorregião centro-leste da Bahia”, defende o médico Rodrigo Matos, provedor da entidade que atende a pessoas de mais de 70 municípios do interior baiano.

O número de pacientes ativos na fila de espera por um novo rim é de 530. Por essa razão, a instituição filantrópica redobra os esforços para manter o serviço de transplante renal, que conta com total cobertura do SUS. O Hospital Dom Pedro também garante acompanhamento pós-transplante no ambulatório a 422 pacientes.

É o caso da jovem Marina Natália Santos, de apenas 16 anos. Moradora de Seabra, na Chapada Diamantina, ela vem se recuperando bem de uma grave doença renal após receber um novo rim no último mês de agosto. Natália é acompanhada pela equipe do HDPA.

“Tudo começou dia 1º de dezembro de 2022. Fui fazer uma consulta e minha pressão estava muito alta, fui encaminhada para um hospital e eles descobriram que eu tinha uma doença renal em estágio final. Agora que fiz o transplante na Santa Casa me sinto feliz e realizada”, relata. “Nasci de novo”, diz, emocionada.

A coordenadora do serviço de transplante, a nefrologista Fernanda Albuquerque, destaca a relevância da doação de órgãos. “Estamos notando um aumento no número de transplantes renais. Em agosto, conseguimos fazer um número excelente e isso é justamente graças à doação de órgãos. É importante que todos saibam que, se não houver doação, não haverá transplante. A doação é um ato de amor”, destaca a médica.

*SETEMBRO VERDE*

Durante a campanha do Setembro Verde, a Santa Casa de Feira de Santana promove atividades para sensibilizar pacientes, acompanhantes, colaboradores e também o público externo para a necessidade de conversar com os familiares sobre a doação de órgãos. “Não basta querer doar, é preciso informar à família que você deseja doar seus órgãos”, ressalta Rodrigo Matos.

Dentre as atividades, destaca-se a Feira de Saúde, realizada nesta terça-feira, 26, na área externa da unidade, que contou com informativos sobre o tema, além de serviços diversos como: massagem com ventosas, auriculoterapia, aferição de pressão, teste de glicemia e conversa sobre alimentação saudável. Durante todo o mês também ocorreram palestras, entrevistas e a divulgação de vídeos nas redes sociais da entidade – no Instagram o perfil é @santacasafsa.


A indústria farmacêutica está abandonando as pesquisas de novos antibióticos ao mesmo tempo em que salta de 700 mil para 1,2 milhão o número de mortes relacionadas às superbactérias resistentes aos medicamentos tradicionais, alerta a OMS (Organização Mundial de Saúde) em seu relatório “Incentivando o Desenvolvimento de Novos Tratamentos Antibacterianos 2023”.

O micro-organismo pode causar pneumonia, infecção urinária e da corrente sanguínea. Seus efeitos vão de taquicardia, febre e inchaço até a falência múltipla dos órgãos.

Farmacêuticas não investem

O número de pesquisas de novos antibióticos é “insuficente” diante “da crescente propagação da resistência antibacteriana”, diz a OMS. Hoje, porém, a maioria dos antibióticos no mercado são variações de medicamentos desenvolvidos ainda na década de 1980.

Apenas 77 novos tratamentos estão em desenvolvimento clínico [no mundo], a maioria é derivada das classes de antibióticos já existentes (…) e é improvável que cheguem ao mercado.
Relatório da OMS

Como as bactérias se tornam resistentes cada vez mais cedo, os medicamentos ficam obsoletos rapidamente e deixam de interessar à indústria farmacêutica.

“Não existe mercado viável para novos antibióticos. O retorno financeiro não cobre os custos do seu desenvolvimento, produção e distribuição”, diz o relatório. “Como resultado, as principais empresas farmacêuticas recuaram no desenvolvimento de antibióticos.”

Gigantes do setor —como Norvatis, AstraZeneca, Sanofi, Allergan e Medicines— encerraram suas pesquisas antibacterianas na última década.

Os pesquisadores afirmam que o setor privado prefere investir em “áreas mais lucrativas, como a oncologia”. Só nos Estados Unidos, essa diferença foi de 17 vezes na última década: US$ 1,6 bilhão contra US$ 26,5 bilhões.

Caberá ao setor público financiar novas pesquisas. Enquanto as empresas investem US$ 1,8 bilhão por ano em pesquisas do tipo, governos do G7 —grupo dos países mais ricos do mundo— passaram a gastar valor equivalente após compromisso assinado em 2022. A meta é colocar no mercado quatro novos antibióticos até 2030.

E no Brasil? Procurado, o Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos) reforça a necessidade de investimento estatal para “frear o avanço das superbactérias”. Seu presidente executivo, Nelson Mussolini, celebrou o relançamento do Geceis, o Complexo Econômico e Industrial da Saúde que pretende produzir no Brasil 70% da matéria-prima de novos medicamentos. 

Um arranjo focado nos laboratórios públicos, em colaboração com organismos de fomento e iniciativa privada, pode abrir caminho para que o país se torne protagonista na solução dessa grande questão mundial.
Nelson Mussolini, da Sindusfarma

Superbactérias já matam 1 milhão

A OMS cita no relatório uma pesquisa publicada na revista científica “The Lancet”, em 2022, sobre o aumento de mortes atribuídas a bactérias resistentes. Com dados de 204 países, o estudo estimou em 1,27 milhão as mortes diretamente relacionadas às superbactérias em 2019, além de 4,95 milhões de óbitos indiretos.

Superbacterias analisadas em laboratório
Superbacterias analisadas em laboratório Imagem: iStock

O número representa um salto em relação à conta anterior. Em 2016, estudo do economista britânico Jim O’Neill estimou eme 700 mil os mortos anuais por infecções bacterianas.

Seu prognóstico era de que a resistência aos antibióticos mataria 10 milhões de pessoas por ano a partir de 2050. Se a previsão se confirmar, esses óbitos ultrapassarão a 8,2 milhões de pessoas que morrem anualmente por algum tipo de câncer. “Já estamos muito mais próximos desse número do que pensávamos”, lamenta Chris Murray, coautor do estudo na Lancet.

Muitos morreram após infecções que poderiam ser tratadas. Cerca de 400 mil pessoas, por exemplo, tiveram problema respiratório, como pneumonia. Além disso, uma em cada cinco vítimas das superbactérias tinha menos de cinco anos.

Como as bactérias ficam resistentes?

Os médicos precisam receitar a quantidade suficiente de antibiótico pelo tempo necessário para matar todas as bactérias de um organismo doente. Quando mal receitado, o remédio mata apenas as bactérias mais sensíveis, enquanto as que sobrevivem por seleção natural ganham mais resistência quando expostas novamente ao remédio.

Superbactérias também se proliferam em hospital; unidade do RN teve surto de superbactérias e mortes em 2012
Superbactérias também se proliferam em hospital; unidade do RN teve surto de superbactérias e mortes em 2012 Imagem: Carlos Madeiro/UOL

“Antibiótico salva vidas, mas precisa ser bem indicado”, afirma Thaís Di Gioia, médica microbiologista do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Só um exame pode dizer se determinada infecção é causada por bactéria (quando o antibiótico é indicado) ou vírus, mas nem sempre o exame está disponível ao médico, que pode receitar errado”, diz Gioia.

E tem muita automedicação. A pessoa tem rinite, pensa que é sinusite e já toma aquele antibiótico guardado em casa.
Thaís Di Gioia, médica microbiologista

Ela recomenda que o paciente não se medique nem descarte antibiótico no lixo comum. “Há bactérias resistentes nos esgotos que chegam ao solo e, depois, ao alimento que a gente ingere”, alerta.

Muitas bactérias também se tornam resistentes devido ao uso de antibióticos na cadeia alimentar: 70% do consumo da droga se dá no agronegócio. Apenas 20% do remédio servem para tratar doenças, enquanto 80% são usados para prevenção de doenças e engorda.

Além de o micro-organismo super-resistente chegar aos esgotos pelas fezes de animais como galinhas, bois e porcos, alimentos mal cozidos infectam o homem e se reproduzem no intestino.

Penicilina, o primeiro antibiótico

O primeiro antibiótico de que se tem registro é a penicilina, criada em 1928 pelo farmacologista britânico Alexander Fleming. Foi a solução para doenças que castigavam populações, como a peste negra, a tuberculose, a peste bubônica e a febre tifoide. 

Mas já no final da década de 1930 o próprio Fleming alertava sobre as mutações que as bactérias vinham sofrendo. Ao receber o Prêmio Nobel pela sua descoberta, em 1945, Fleming fez um discurso profético:

Existe o perigo de que um homem ignorante possa facilmente se aplicar uma dose insuficiente de antibiótico, e, ao expor os micróbios a uma quantidade não letal do medicamento, os torne resistentes.
Alexander Fleming, inventor da penicilina

Informações UOL


Órgão foi geneticamente modificado para ser melhor aceito por corpo do paciente. Na primeira tentativa, paciente morreu dois meses depois de receber coração suíno.

Lawrence Faucette sentado com sua esposa, Ann, no hospital da escola em Baltimore, Maryland, em setembro de 2023, antes de receber um transplante de coração de porco. — Foto: University of Maryland School of Medicine

Pela segunda vez na história, cirurgiões transplantaram o coração de um porco para um homem, anunciaram os médicos da Universidade de Medicina de Maryland, nos Estados Unidos, na sexta-feira (22), dois dias após o procedimento. 

O paciente, Lawrence Faucette, é um veterano da Marinha de 58 anos e tinha outros problemas além de insuficiência cardíaca. Por isso, ele era inelegível para um transplante de coração tradicional. 

“Ninguém sabe deste ponto em diante. Pelo menos agora tenho esperança e uma chance”, disse Faucette, em um vídeo gravado pelo hospital antes da operação. “Vou lutar com unhas e dentes por cada respiração que puder respirar.” 

Embora as próximas semanas sejam críticas, os médicos ficaram entusiasmados com a resposta inicial do paciente ao órgão do porco, que foi geneticamente modificado. 

Lawrence Faucette sentado com sua esposa, Ann, no hospital da escola em Baltimore, Maryland, em setembro de 2023, antes de receber um transplante de coração de porco. — Foto: University of Maryland School of Medicine 

“Temos esperança de que ele volte para casa em breve para aproveitar mais tempo com sua esposa e o resto de sua amorosa família”, afirmou Bartley Griffith, que realizou o transplante, em comunicado. 

Em janeiro de 2022, a mesma equipe de médicos realizou o primeiro transplante do mundo de um coração de porco geneticamente modificado para um ser humano. O paciente, David Bennett, sobreviveu por dois meses. 

Para fazer esta nova tentativa num paciente vivo, os pesquisadores de Maryland precisaram de uma permissão especial do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (FDA). A equipe alegou que, embora o primeiro paciente tenha morrido por razões que não são totalmente compreendidas, os médicos aprenderam o suficiente desde então para tentar novamente. 

Faucette, que se aposentou como técnico de laboratório nos Institutos Nacionais de Saúde, teve que concordar que entendia os riscos do procedimento. 

“Não temos outras expectativas além de esperar mais tempo juntos. Isso poderia ser tão simples quanto sentar na varanda e tomar café juntos”, disse Ann Faucette, esposa do paciente. 

As tentativas de transplantes de órgãos de animais para humanos falharam durante décadas, pois o sistema imunológico das pessoas destrói imediatamente o tecido estranho. Para tornar os órgãos mais semelhantes aos humanos, os cientistas modificam os porcos geneticamente. 

No total, 10 alterações foram feitas: 

  • Três genes – responsáveis por uma rápida rejeição de órgãos de porcos por humanos, mediada por anticorpos – foram “eliminados” no porco doador.
  • Seis genes humanos responsáveis pela aceitação imunológica do coração de porco foram inseridos no genoma.
  • Um gene do porco foi eliminado para evitar que o tecido cardíaco transplantado crescesse demais.

Além disso, depois do primeiro transplante, os médicos descobriram a existência de um vírus presente no coração do porco. Isso os permitiu aperfeiçoar os testes no órgão antes de transplantá-lo. 

“É uma sensação incrível ver o coração deste porco funcionar em um ser humano”, disse o Dr. Muhammad Mohiuddin, especialista em xenotransplante da equipe de Maryland. Mas, advertiu ele, “não queremos prever nada. Tomaremos cada dia como uma vitória e seguiremos em frente.”

Informações G1


O mês de setembro assume um tom especial, tingindo-se de lilás, para iluminar um tema crucial de saúde pública: a doença de Alzheimer. O dia 21 de setembro, celebrado como o Dia Mundial e o Dia Nacional de Conscientização da doença, é uma oportunidade para ampliar o conhecimento e o apoio. Sobre este assunto, a médica neurologista, Dra. Patrícia Schettini, credenciada a rede União Médica, explica sobre a complexidade dessa condição debilitante, o papel vital do diagnóstico precoce e da disseminação de informações.  “A educação é nossa melhor ferramenta”, afirma Dra. Schettini. “Precisamos disseminar informações sobre o Alzheimer para que as pessoas compreendam a importância do diagnóstico precoce.”

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS)  o Alzheimer é uma forma de demência responsável por 60 a 70% dos casos no mundo. No Brasil, a Associação Brasileira de Alzheimer estima que 1,2 milhão de pessoas vivem com alguma forma de demência, e preocupantemente, 100 mil novos casos surgem anualmente. Esse aumento é impulsionado pelo envelhecimento da população e fatores de risco, como doenças cardiovasculares, hipertensão arterial e diabetes.

Segundo Dra. Patrícia Schettini, “a demência neurodegenerativa é progressiva, irreversível, de causa desconhecida e com maior frequência entre os idosos. A doença instala-se quando o processamento de certas proteínas do sistema nervoso central começa a dar errado.” É um desafio grande, mas identificar o Alzheimer no início é a chave para enfrentá-lo.
Os primeiros sintomas são frequentemente sutis, mas merecem atenção. Entre eles, a perda de memória se destaca. Dra. Schettini adverte: “Todo esquecimento deve ser investigado.” Além disso, os pacientes podem enfrentar dificuldade em resolver problemas, desorientação no tempo e espaço, tarefas cotidianas tornam-se desafios, problemas de linguagem, desorganização e alterações comportamentais. Reconhecer esses sinais iniciais é o primeiro passo”.

A médica afirma ainda que cuidar de um ente querido com Alzheimer é uma jornada emocionalmente desgastante. A Dra. Schettini ressalta que “muitas vezes, o núcleo familiar precisa de apoio psicológico.” A doença não afeta apenas o paciente, mas todo o ambiente familiar, e é fundamental buscar auxílio especializado para enfrentar os desafios que surgem ao longo do caminho.

Existem diversos fatores de risco relacionados ao desenvolvimento da demência e um deles é o aumento da idade. Embora a idade tenha influência no risco de surgimento da doença, a demência não é considerada parte normal do envelhecimento.

Alguns fatores de risco podem ser modificados e outros não. A redução da pressão arterial, por exemplo, diminui o risco de acidente vascular cerebral. Já a idade ou histórico familiar não podem ser alterados.

Embora não seja possível alterar genes, existem mudanças que podem ser feitas e que ajudam a reduzir o risco de desenvolvimento da doença.

*Entenda quais são os 12 principais fatores de risco modificáveis*

A Alzheimer’s Disease Internacional (ADI) listou 12 fatores de risco potencialmente modificáveis que podem prevenir ou retardar até 40% dos casos de demência caso haja uma mudança, como a prevenção primária do Alzheimer.

Sedentarismo
A atividade física regular é uma das melhores maneiras de reduzir o risco de demência. Praticar exercício é bom para o seu coração, circulação, peso e bem-estar mental.

Fumar
Fumar aumenta muito o risco de desenvolver demência. Com este hábito, você também está aumentando o risco de outras condições, incluindo diabetes tipo 2, acidente vascular cerebral, câncer de pulmão e outros.

Álcool em excesso
A ingestão de álcool em excesso aumenta o risco de demência. O consumo nocivo de álcool é fator causal em mais de 200 condições de doenças e lesões.

Poluição do ar
Uma quantidade crescente de evidências e pesquisas mostram que a poluição do ar aumenta o risco de demência.

Ferimento na cabeça
As lesões na cabeça são mais comumente causadas por acidentes de carro, motocicleta e bicicleta; exposições militares; boxe, futebol, hóquei e outros esportes; armas de fogo e agressões violentas e quedas.
Contato social pouco frequente
Está bem estabelecido que a conexão social reduz o risco de demência. O contato social aumenta a reserva cognitiva e encoraja comportamentos benéficos.

Menos educação
Um baixo nível de escolaridade no início da vida afeta a reserva cognitiva e é um dos fatores de risco mais significativos para demência.

Obesidade
Particularmente na meia-idade, a obesidade está associada a um risco aumentado de demência.

Hipertensão
A hipertensão (pressão alta) na meia-idade aumenta o risco de demência de uma pessoa, além de causar outros problemas de saúde. A medicação para hipertensão é a única preventiva e eficaz conhecida para a demência.

Diabetes
O diabetes tipo 2 é um fator de risco para o desenvolvimento de demência futura. Não está claro se algum medicamento específico contribuí para isso, mas o tratamento do diabetes é importante por outros motivos de saúde.

Depressão
A depressão está associada à incidência de demência. A depressão faz parte do pródromo da demência (um sintoma que ocorre antes dos sintomas verificados ​​para o diagnóstico).
Não está claro até que ponto a demência pode ser causada por depressão ou o inverso.

Deficiência auditiva
Pessoas com perda auditiva têm um risco significativamente maior de demência. O uso de aparelhos auditivos parece reduzir o risco.
Essa é a primeira publicação de uma série que será divulgada no decorrer do mês de setembro abordando temas importantes relacionados à demência.

*Fonte: ASCOM/União Médica*