
com César Oliveira

Por Manu Pilger, Mestra em Comunicação UFRB
Outro dia me peguei reclamando das dores causadas pelo excesso de atividade física. Aquele incômodo muscular que tira a mobilidade, que encurta o passo e a paciência. Para alguém como eu, que é ativa e dinâmica, ficar limitada assim é quase um convite à irritação.
Mas, nesse tempo de dor, veio também o tempo de pensar. Pensei nas dores que não têm cura e nas tantas pessoas que, espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, vivem com elas e seguem suas rotinas, porque não existe outra opção. Cada um carrega a sua própria dor: a dor física de um músculo lesionado, a dor invisível de um coração partido, a dor profunda de perder alguém.
Eu, aos 44 anos, conheço bem essa última. Perder minha mãe foi e continua sendo a maior dor da minha vida. É uma ausência que não se resolve com remédio nem terapia, apenas se aprende a conviver. Ela não diminui, não passa. Ela se transforma em companheira silenciosa, lembrando, dia após dia, que certas feridas não cicatrizam.
E então percebo: há dores que se resolvem com analgésicos, fisioterapia, bandagens, ozonioterapia. Há outras que nenhum tratamento ameniza: a dor da mãe que enterra o filho, a de quem perde um ente querido de forma abrupta, a de quem vê alguém amado se afundar na dependência química e não consegue resgatar. São dores que não cabem num diagnóstico.
Quando olho para a minha dor muscular passageira, simples e pequena entendo o quanto, muitas vezes, a gente reclama demais e age de menos. Não é que as dores curáveis não doam. Elas doem, e doem de verdade. Mas é naquelas que não passam que aprendemos o significado de resiliência.
Resiliência, palavra emprestada da engenharia, usada para falar de nós: a capacidade de voltar, de se refazer, mesmo depois de tudo. Às vezes, é na dor que descobrimos que somos muito mais fortes do que imaginávamos.
Com Frei Jorge Rocha
Tema: A origem da palavra babaca
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Manu Pilger, Mestra em Comunicação pela UFRB
Outro dia, estava no salão esse santuário de espelhos, escovas e confidências involuntárias quando duas mulheres engataram uma conversa animada sobre a separação de uma influenciadora digital. Sim, aquela que coleciona milhões de seguidores, filtros e likes. Eu, ali sentada, esperando minha vez, fui ouvindo. Primeiro, achei curioso. Depois, engraçado. Em seguida, irônico. E, por fim, francamente preocupante.
Elas debatiam, com uma intensidade digna de debate político, o valor da pensão dos filhos da influenciadora, a disputa pela guarda, os rumores sobre um possível novo affair… Era como se fossem tias íntimas da moça, confidentes de longas datas, embora jamais tivessem cruzado com ela nem na fila do supermercado.
A cena me fez pensar nesse fenômeno que a cultura digital vem promovendo: uma aproximação que, ao invés de aproximar pessoas, parece nos afastar de nós mesmos. Estamos nos tornando especialistas em vidas que não são nossas, torcedores fervorosos de casais que nem sabem da nossa existência, estudiosos da dor alheia, enquanto a nossa própria vida segue, às vezes, à deriva. É como se estivéssemos trocando o protagonismo pela plateia. Vivendo não a nossa história, mas capítulos aleatórios da novela dos outros. A separação da influenciadora vira pauta quente, e nossa própria solitude, nossos silêncios, nossa rotina isso tudo é varrido para debaixo do tapete emocional.
Mais assustador ainda é perceber que muita gente consome essa vitrine digital como se fosse realidade pura, quando, na verdade, grande parte é roteiro bem ensaiado. A influenciadora sofre, chora, mas entre um stories e outro, está vendendo aquele colágeno milagroso, aquele suplemento que promete energia e aquele livro de autoajuda que ela mal teve tempo de folhear.
É tudo um grande espetáculo. E nós, na plateia, pagamos ingresso com nossa atenção, nosso tempo, e por vezes, com nossa própria sanidade. Porque quanto mais nos envolvemos com a vida do outro, mais desatentos ficamos com a nossa.
A pergunta que fica é: até onde vamos com tudo isso? Vamos continuar vivendo a novela digital da semana ou teremos coragem de assumir o roteiro da nossa própria história? Essa obsessão cibernética, que começa como distração e termina como vício, é o novo vício silencioso do século.Não sei se isso vai passar ou se veio para ficar. Só sei que talvez seja hora de, ao menos, sair do salão com algo mais do que um novo corte de cabelo. Quem sabe com um novo olhar sobre nós mesmos.

Com César Oliveira
Tema: As violências que atingem o Brasil
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Com Frei Jorge Rocha
Tema: Asterisco
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A morte de Preta Gil nos faz refletir sobre o que é viver diante de uma doença como o câncer. Mesmo com acesso ao melhor tratamento, mesmo tentando tudo, chegou o momento da partida. E isso mexe com a gente.
A gente se pergunta: será que estamos adoecendo mais ou só diagnosticando melhor? Será a alimentação, o estresse, a vida corrida? Ou será que não temos mesmo todas as respostas?
Minha mãe costumava dizer que, na juventude dela, mal se ouvia falar de câncer. Hoje, parece que todo mundo conhece alguém que passou por isso. E mesmo com a medicina avançando tanto, ainda há coisas que não conseguimos entender e nem evitar.
O caso de Preta lembra o de Paulo Gustavo: pessoas com todos os recursos, mas que não resistiram. Então a pergunta é: vale a pena se privar tanto, se restringir tanto, achando que estamos comprando mais tempo de vida?
Não há garantias. Tem gente que faz tudo “certo” e adoece. E tem quem viva sem regras, e continua firme. Talvez o segredo esteja em viver bem. Com amor, com presença, com afeto.
Porque no fim, o que fica é isso: o quanto a gente amou, foi amado e viveu com verdade. E quando chega o momento, às vezes a partida é descanso. Para quem vai. E para quem fica também.

Com César Oliveira
Tema: O tarifaço e o STF
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Em entrevista ao Rotativo News, a advogada especialista em Direito de Família, Ruane Brás, falou sobre os principais aspectos da guarda compartilhada e tutela pelos avós, temas que ainda geram muitas dúvidas entre pais, mães e responsáveis legais. Segundo a especialista, o foco dessas medidas sempre deve ser o melhor interesse da criança.
O que é guarda compartilhada?
A guarda compartilhada é o modelo previsto como regra no Brasil desde a Lei nº 13.058/2014. Ela garante que ambos os pais participem ativamente das decisões importantes na vida dos filhos, mesmo após o fim da relação conjugal. “Trata-se do compartilhamento de responsabilidades, como matrícula escolar, saúde, educação e lazer. Não se trata apenas de dividir o tempo de convivência”, esclarece Ruane.
Diferente da guarda unilateral quando apenas um dos pais toma decisões e o outro apenas visita, na guarda compartilhada o poder de decisão é conjunto, independentemente de a criança residir com um dos genitores.
A criança precisa dividir o tempo igualmente entre os pais?
Essa é uma dúvida comum, mas, segundo Ruane, não há obrigatoriedade de alternância igualitária de tempo entre os pais. “A criança pode morar com um deles e visitar o outro, ainda assim mantendo-se a guarda compartilhada”, destaca a advogada. A prioridade do Judiciário é garantir a estabilidade e o bem-estar da criança, evitando mudanças bruscas de ambiente ou rotina.
E quando os pais não entram em acordo?
Nesses casos, a Justiça atua como mediadora. “O juiz avalia a situação de forma individualizada, com base nas condições emocionais, sociais e familiares de cada parte, buscando sempre o melhor para o menor”, explica.
Avós também podem ser responsáveis legais?
Sim. A tutela pelos avós ocorre, geralmente, quando há falecimento dos pais ou comprovação de que os genitores não têm condições de exercer o poder familiar. Nesses casos, os avós podem requerer judicialmente a tutela.
Mas há também situações em que os próprios pais, por necessidade, transferem a guarda temporária para os avós especialmente quando precisam trabalhar em outras cidades ou estados. “Essa prática é comum, mas deve ser formalizada judicialmente para que os avós possam, por exemplo, matricular a criança na escola ou levá-la a atendimentos médicos”, alerta a advogada.
Guarda e tutela: qual a diferença?
A guarda é uma medida provisória, que não retira o poder familiar dos pais. Já a tutela é mais abrangente e, em geral, pressupõe a perda do poder familiar, sendo aplicada em casos mais extremos, como abandono, negligência ou risco comprovado à integridade da criança.
Há apoio legal ou benefícios para avós tutores?
Segundo a advogada, sim. Avós que assumem a criação dos netos podem, por exemplo, pleitear pensão alimentícia paga pelos pais da criança, além de acessar benefícios como o BPC/LOAS, conforme critérios da seguridade social. “A lei oferece mecanismos de proteção à criança e também aos avós que assumem esse papel tão importante”, afirma a advogada Ruane Braz.
*Redação Rotativo News
Com Frei Jorge Rocha
Tema: Origem das palavras aquário e piscina
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