Os Estados Unidos vetou a proposta do Brasil para uma resolução sobre o conflito entre Israel e o Hamas em reunião no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (17/10).
A representação dos EUA na reunião justificou o veto por causa de uma mudança no texto da proposta, de incluir um pedido de cessar-fogo imediato. Essa alteração foi feita pela Rússia.
No placar geral, 12 países votaram a favor da proposta brasileira, Rússia e Reino Unido se abstiveram e apenas os EUA votou contra. A representação dos Estados Unidos argumenta sobre a necessidade de uma cláusula sobre o direito de Israel se defender. Membros permanentes do conselho têm poder de veto, independente do resultado da votação. Os EUA é membro permanente.
Países que votaram a favor do texto brasileiro: Albânia, Brasil, China, Emirados Árabes, Equador, França, Gabão, Gana, Japão, Malta, Moçambique e Suíça.
O presidente norte-americano Joe Biden se encontrou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nesta quarta.
Proposta brasileira na ONU
Entre as propostas do texto do Brasil estavam “pausas humanitárias para permitir o acesso humanitário rápido e seguro”.
A proposta da diplomacia brasileira também previa a revogação imediata da ordem de evacuação das áreas ao norte da Faixa de Gaza.
Também era enfatizada a necessidade de fornecer eletricidade, água, alimentos e medicamentos para a população civil de Gaza.
Outro ponto que estava na proposta brasileira era a libertação imediata e incondicional dos reféns civis, sequestrados por integrantes do Hamas no dia 7 de outubro.
“Preocupação humanitária”, diz chanceler
Em coletiva no Itamaraty, o ministro das Relações Internacionais, Mauro Vieira, comentou sobre o veto à proposta brasileira. Segundo ele, os membros do Conselho de Segurança da ONU pediram uma resolução que fosse mais “palatável para todos”. “Isso foi feito”, apontou o chanceler.
“Eu continuei em contato com a nossa equipe em Nova York e apresentamos, depois de intensas e múltiplas consultas, um texto que foi aceito por 12 dos 15 membros. E teve o voto positivo de 12 dos 15 membros”, continuou Vieira.
Segundo ele, o texto focava no fim das hostilidades para a abertura de um corredor humanitário e estabelecia possibilidade de envio de ajuda. “Infelizmente, não foi possível aprovar essa resolução. Ficou claro uma divisão de opiniões, mas acho que do nosso ponto de vista e do governo brasileiro fizemos todo o esforço possível para que cessassem todas as hostilidades e parassem o sacrifício humano”, afirmou Mauro Vieira.
“A nossa preocupação foi humanitária neste momento, e cada país tem a sua inspiração própria”, concluiu o chanceler.
A menos de uma semana das eleições presidenciais na Argentina, a população enfrenta uma nova alta no preço dos alimentos no país, que aumentaram de 25% a 30%, em alguns setores.
Segundo o jornal argentinoClarín, a semana passada foi marcada pela falta de produtos nas prateleiras dos estabelecimentos e, durante 72 horas, alguns locais ficaram sem preços expostos. “Agora, recebemos listas com aumentos entre 25 e 30% em frios, cervejas, chocolates, queijos, refrigerantes e pães lácteos”, disse a funcionária de um comércio de Buenos Aires.
Segunda a mulher, que não quis ser identificada, algumas mercadorias dobraram de preço neste mês. “O açúcar passou de 620 pesos argentinos (cerca de R$ 8,90) para 1.200 pesos (R$17,25), e as lentilhas, de 400 pesos (R$ 5,75) para mais de 1.000 pesos (R$ 14)”, disse.
O proprietário de outro estabelecimento afirmou que nos últimos dias tem recebido aumentos generalizados entre 10% e 15% “em quase todos os produtos de sua loja: tabaco, refrigerantes, cigarros e resmas de papel”.
Além dos consumidores, os donos de estabelecimentos relatam que também sofrem as consequências da escassez de muitos produtos de consumo básico, fruto do programa Preço Justo, criado pelo governo de Alberto Fernández para conter a inflação. A medida impede o aumento de preço superior a 5% ao mês, o que leva muitos comerciantes a retirarem mercadorias das prateleiras para não saírem no prejuízo.
De acordo com oClarín, alguns dos produtos que mais faltam nos mercados são refrigerantes, cervejas, leites, iogurtes, café e chás.
Os últimos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) apontam que o índice de preços ao consumidor (IPC) na Argentina chegou a 138,3% em 12 mesesna medição feita em setembro. Em nove meses, a inflação acumulada chegou a 103,2%.
Eleições presidenciais
No próximo dia 22, os eleitores argentinos participam das eleições presidenciais para definir a nova chefia da Casa Rosada.
Os principais nomes que disputam o cargo são o atual ministro da Economia, Sergio Massa, apoiado pelo governo de Alberto Fernández; o libertário Javier Milei, vencedor das primárias de agosto e líder nas principais pesquisas de opinião no país; e a ex-ministra da Segurança durante o governo de Mauricio Macri, Patricia Bullrich.
Duas pessoas foram mortas esta segunda-feira à noite em Bruxelas, na Bélgica, alvejadas à queima roupa por um atirador armado com uma aparente arma de guerra.
A notícia foi confirmada pelas autoridades belgas, que ativaram um centro de crise, ao qual se juntou o primeiro-ministro e os ministros do Interior e da Justiça, e ainda o presidente da câmara de Bruxelas.
O porta-voz do centro de gestão de crise anunciou que o Orgão de Coordenação para a Anlise de Ameaças (OCAM, na sigla original) aumentou o nível de alerta para “4”,o mais alto, na cidade de Bruxelas, deixando o resto da Bélgica no “3”.
A procuradoria federal belga está a investigar o caso como um ataque terrorista. O atirador colocou-se em fuga, informou a polícia.
Nas redes sociais circulam vários vídeos. Num deles, registado por um morador na zona, é possível ver um homem com um casaco laranja fluorescente, capacete branco e uma arma na mão a disparar no meio da rua.
Depois, o atirador no vídeo persegue duas pessoas que se refugiavam dentro de um prédio e alvejou-as à queima roupa, uma delas quando várias vezes quando já estava no chão.
O terrorista foi ainda filmado em fuga numascooter .
Os jornais belgas dizem que as duas vítimas serão de nacionalidade sueca porque vestiam camisolas da seleção sueca. Deveriam estar em Bruxelas para assistir ao jogo Bélgica-Suécia, marcado para as 20h45 (menos uma hora em Lisboa).
O jogo, a contar para a fase de qualificação do Euro2024, prosseguiu como programado, tendo sido antecedido por um minuto de silêncio pela Federação Belga em nome de “todos os inocentes vítimas da atual violência em Israel, nos territórios palestinianos e em todas as outras partes do mundo”.
Os meios de comunicação belgas noticiaram que o alegado autor dos disparosterá gravado um vídeo onde diz pertencer ao grupo terrorista autoproclamado Estado Islâmico e reivindica o ataque para “vingar os muçulmanos que vivem e morrem” pelo Islão.
Daniel Noboa: representante da centro-direita é eleito presidente do Equador | Foto: Reprodução/Instagram
O governo brasileiro parabenizou o povo do Equador e o vencedor da disputa presidencial, Daniel Noboa. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores destacou a realização do segundo turno equatoriano em um “ambiente de harmonia e congraçamento democrático”. Vale ressaltar que, em agosto, o candidato Fernando Villavicencio foi assassinado.
“O governo brasileiro faz votos de pleno êxito ao presidente eleito no desempenho de seu futuro mandato”, destacou o comunicado. “Expressa também a disposição de buscar o aprofundamento contínuo da relação bilateral, em prol do desenvolvimento das duas sociedades e de toda a região sul-americana.”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também parabenizou o presidente eleito no Equador por meio de uma publicação na rede social Twitter/X. “Expresso minha disposição de seguir trabalhando pelo bem-estar dos nossos povos, tradicionalmente amigos.”
Meus parabéns para @DanielNoboaOk pela vitória nas eleições presidenciais do Equador. Meus desejos de saúde e sucesso no seu futuro mandato. Expresso minha disposição de seguir trabalhando pelo bem-estar dos nossos povos, tradicionalmente amigos, de aprofundar as relações…
Noboa, um representante de centro-direita, tem 35 anos e saiu vitorioso na disputa do segundo turno, com 52% dos votos válidos. No segundo turno, ele superou Luisa González, candidata de esquerda, que obteve 48% dos votos.
“Hoje encerramos o capítulo da campanha e amanhã começaremos a trabalhar pelo novo Equador”, comemorou o vencedor.
Noboa vai substituir Guillermo Lasso, que se aliou a deputados de esquerda para obter governabilidade. Mesmo assim, Lasso foi alvo de dois processos de impeachment. Para evitar perder o cargo, dissolveu o Parlamento e convocou estas eleições antecipadas, organizadas às pressas. Com isso, Noboa terá um mandato de apenas um ano e meio, até 2025. Ele deve assumir na primeira semana de dezembro.
Candidato foi assassinado durante a campanha eleitoral no Equador
Villavicencio saia de um comício na capital do Equador quando foi assassinado | Foto: Reprodução/Redes sociais
A redução da criminalidade e a geração de empregos foram os principais temas da campanha entre os presidenciáveis.
Os suspeitos de terem matado Villavicencio, sete colombianos, foram mortos na prisão, o que aumentou a tensão no país. No entanto, ainda não se sabe quem mandou matar o presidenciável.
Nos últimos anos, o narcotráfico dominou o Equador, antes considerado seguro. A taxa de homicídios triplicou.
Com esses problemas em vista, Noboa prometeu abrir “prisões-barco” para isolar os criminosos mais perigosos e criar um centro de inteligência para prevenir crimes. Ele também falou, durante a campanha, na criação de empregos e vagas universitárias para os jovens. Na economia, o presidente eleito diz que vai proteger a dolarização, facilitar o crédito para pequenas e médias empresas, dar incentivos fiscais e atrair investimentos estrangeiros.
Com quase 91% das urnas apuradas, o empresário de centro-direita Daniel Noboa, de 35 anos, foi eleito neste domingo (15.out.2023) presidente do Equador. Ele venceu a disputa no 2º turno contra a candidata de esquerda Luisa González, herdeira do movimento político do ex-presidente Rafael Correa (2007-2017).
Até às 22h54 deste domingo, o Conselho Nacional Eleitoral equatoriano registrava 52,2% dos votos válidos para Noboa e 47,8% para González. A disputa presidencial ficou marcada por assassinatos políticos às vésperas da eleição (leia mais abaixo). Com o temor por sua segurança, os candidatos votaram usando coletes à prova de balas.
O pleito deveria ser realizado somente em 2025, mas foi antecipado depois que o atual presidente do Equador, Guillermo Lasso, usou a cláusula constitucional conhecida como “morte cruzada” para dissolver a Assembleia Nacional depois de passar por um processo de impeachment. Lasso não disputou as eleições.
Com isso, o “mandato tampão” de Noboa deve durar só 1 ano e meio, até o final da presidência de Lasso. Ele deve assumir o cargo em dezembro.
No 1º turno, González terminou à frente com 33,61% dos votos, enquanto Daniel Noboa teve 23,47%.
QUEM É DANIEL NOBOA
Daniel Roy-Gilchrist Noboa Azin, de 35 anos, é filho do magnata Álvaro Noboa, dono da Noboa Trading, uma das principais exportadoras de banana do Equador. Aos 18 anos, fundou a sua própria empresa, a DNA Entertainment Group. Em 2010, começou a trabalhar na empresa do pai, que também disputou a presidência equatoriana em 2006.
A carreira política de Daniel Noboa teve início em 2021, quando foi eleito para a Assembleia Nacional. No Legislativo, foi presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Produtivo e da Microempresa.
O empresário é do partido Ação Democrática Nacional (Acción Democrática Nacional). Leia os princípios da legenda aqui.
Sua plataforma política têm como foco principal a reforma do sistema prisional e judicial do Equador. Ele defende a formação de policiais em técnicas de resolução pacífica de conflitos e o desenvolvimento de programas de reabilitação para presos a fim de reduzir as taxas de reincidência.
Noboa também propõe acelerar procedimentos judiciais em prol do direito a um julgamento rápido e justo. Defende ainda a revisão das políticas de prisão preventiva e a melhora no treinamento de funcionários penitenciários.
VIOLÊNCIA E MORTES
Faltando 11 dias para o 1º turno, o candidato à Presidência equatoriana, Fernando Villavicencio, do Movimiento Construye, foi assassinado com 3 tiros no momento em que saía de um comício rumo a seu carro.
Houve ainda a morte de Pedro Briones, líder do movimento político fundado pelo ex-presidente Rafael Correa, e um atentado contra Estefany Puente –candidata à Assembleia Nacional do Equador, que teve seu carro baleado e foi atingida de raspão no braço esquerdo.
Em 17 de agosto, tiros foram ouvidos durante um comício da campanha de Noboa na cidade de Durán, região oeste do país. No X (antigo Twitter), o candidato informou o ataque e disse que não houve feridos. “Intimidação e medo não têm lugar no país que amamos e pelo qual estamos empenhados em mudar de vez”, escreveu.
Especialistas afirmaram que a crise na segurança do Equador é causada pelo fortalecimento de facções criminosas e do narcotráfico no país. Leia a reportagem completa aqui.
Israel Katz, Ministro da Energia israelense Imagem: Reprodução X (antigo Twitter) @Israel_katz
O Ministro da Energia, Israel Katz, disse na madrugada desta quinta-feira (12) que não será fornecida electricidade ou água a Gaza até que as pessoas sequestradas durante o ataque do Hamas regressem a suas casas.
O que aconteceu
“Ajuda humanitária a Gaza? Nenhum interruptor elétrico será ligado, nenhuma bomba de água será aberta e nenhum caminhão de combustível entrará até que os raptados regressem”, publicou ele no X (antigo Twitter).
“Humanitarismo pelo humanitarismo. E ninguém pode nos pregar moralidade”, concluiu ele. De acordo com Israel, o grupo palestino ainda mantém cerca de 150 prisioneiros, mas não há detalhes sobre a localização e o estado de saúde deles.
סיוע הומניטרי לעזה? אף מתג חשמל לא יורם, שיבר מים לא יפתח ומשאית דלק לא תיכנס עד להשבת החטופים הישראלים הביתה. הומניטרי תמורת הומניטרי. ושאף אחד לא יטיף לנו מוסר.
Segundo autoridades dos dois lados, cerca de 2.600 pessoas morreram na guerra até o momento. O Ministério da Saúde da Palestina fala em 1.300 mortos em Gaza, enquanto Israel cita mais de 1.300 vítimas.
Na última terça (10), Israel afirmou ter encontrado 1.500 corpos de membros do Hamas, mas não deu detalhes. Os cadáveres, segundo o governo israelense, estavam no sul do país.
A ONU afirma que os bombardeios israelenses danificaram 12.600 prédios e deixaram 263 mil palestinos sem casa. Brasileiros no país relatam que a situação é cada vez mais dramática, porque as fronteiras seguem fechadas e itens como água e comida estão acabando.
Brasileiros podem estar entre reféns do Hamas
O Ministério da Defesa de Israel chegou a afirmar, em vídeo, que haveria brasileiros entre os reféns do Hamas. Segundo Israel, o grupo palestino ainda mantém cerca de 150 prisioneiros, mas não há detalhes sobre a localização e o estado de saúde deles.
A informação de que há brasileiros entre os sequestrados é incerta. Ao jornal Folha de S. Paulo, o porta-voz do exército de Israel, Jonathan Conricus, afirmou que isso “não está completamente confirmado”.
Pelo menos 26 brasileiros ainda tentam sair de Gaza. O Egito, país que faz fronteira com o território palestino, se comprometeu com o governo brasileiro a ajudar na retirada do grupo, mas ainda não se sabe quando eles poderão sair.
Passageiros do 2º voo da FAB que buscou brasileiros em Israel desembarcam no aeroporto do Galeão, no Rio Imagem: Beto Catharino Jr./Ato Press/Estadão Conteúdo
O segundo avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que buscou brasileiros em Israel, após o recomeço da guerra com o Hamas, pousou às 2h41 de hoje no aeroporto do Galeão, no Rio. Ontem, 211 pessoas chegaram ao Brasil no primeiro voo da FAB.
O que aconteceu
Neste segundo voo embarcaram 214 passageiros, um cachorro e três gatos. Essa é a primeira vez que está ocorrendo o resgate de animais. O avião decolou às 12h30 de ontem de Tel Aviv.
O avião que traz os brasileiros é um KC-30 (Airbus A330) — que tem capacidade para 238 pessoas. Os brasileiros foram transportados ontem para o aeroporto Ben-Gurion, em Tel Aviv, em cinco ônibus.
O governo do Brasil está montando uma lista de brasileiros que estão em Israel. Foram 2.723 cadastrados até o momento. Mas o secretário de África e de Oriente Médio, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, ressaltou que existem casos de registros duplos e até triplos, o que complica esse detalhamento.
Um trabalho de verificação está em curso para definir a quantia exata de brasileiros que estão em Israel e que desejam ser resgatados. A maioria deles é de pessoas que viajavam a turismo. Nem todas os nomes da lista montada pelo Itamaraty têm interesse em deixar Israel.
Estão planejados voos até o final de semana para repatriar brasileiros. A prioridade são pessoas que moram no Brasil e não têm passagem comprada. Aqueles que têm tíquetes aéreos ou condição de adquiri-los estão orientados a usar companhias comerciais.
De acordo com o Itamaraty, existem 14 mil brasileiros residentes em Israel. Os dados oficiais indicam 6.000 brasileiros vivendo na Palestina.
Reféns brasileiros
O governo brasileiro tenta confirmar a informação de que brasileiros estão entre as dezenas de reféns que o Hamas mantém na Faixa de Gaza. As declarações foram dadas na manhã de ontem em entrevista no Itamaraty, em Brasília.Continua após a publicidade
Mais cedo, um porta-voz do Exército de Israel havia declarado que brasileiros e argentinos estão no grupo de pessoas sequestradas e levadas para o interior da Faixa de Gaza.
Há americanos, britânicos, franceses, alemães, italianos, brasileiros, pessoas da Argentina, Ucrânia e vários outros países. Não me lembro a lista toda porque é tão grande. Jonathan Conricus, porta-voz das Forças de Defesa de Israel
Horas mais tarde, Conricus disse à Folha de S.Paulo que pode haver brasileiros, mas que isso não está completamente confirmado. Ele declarou que informações sobre a possível presença de brasileiros são fruto de relatos de fontes anônimas e do trabalho em campo dos militares.
Brasileiros na Faixa de Gaza
Além dos brasileiros em Israel, há 30 pessoas na Faixa de Gaza que desejam resgate por parte do governo brasileiro. O problema é que a região está sob ataque e já foi bombardeada, o que torna a repatriação mais difícil.
De acordo com o Itamaraty, este grupo é composto por 27 brasileiros e três estrangeiros. O resgate está dependendo de tratativas diplomáticas.Continua após a publicidade
O plano é fazer um trajeto terrestre pelo Egito e repatriar os brasileiros e estrangeiros a partir deste país. Mas o plano precisa de autorização do Cairo.
Durante a coletiva da manhã de ontem, o secretário de África e Oriente Médio do Itamaraty afirmou que o governo brasileiro está buscando o aval.
Essa repatriação envolve a saída dessas pessoas por terra da Faixa de Gaza por uma passagem no sul, a passagem de Rafah, e pressupõe naturalmente a autorização das autoridades egípicias para ingresso naquele país e, em seguida, repatriação para o Brasil. Embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte
Representante do Ministério da Defesa disse que há várias pessoas de outras nacionalidades sob domínio do grupo terrorista.
Porta-voz do Ministério da Defesa de Israel diz há brasileiros reféns em Gaza
O Ministério da Defesa de Israel disse que há brasileiros entre as pessoas feitas de reféns pelo Hamas em Gaza.
“Há (entre os reféns) norte-americanos, britânicos, franceses, alemães, italianos, brasileiros, argentinos e ucranianos”, disse o porta-voz Jonathan Conricus.
Karla Stelzer Mendes, uma brasileira que estava no festival de música eletrônica Universo Paralello, está entre as pessoas desaparecidas, mas não há confirmação de que seja ela a pessoa que esteja feita de refém pelo Hamas.
Outros dois brasileiros desaparecidos, Bruna Valeanu e Ranani Glazer foram encontrados mortos em Israel.
Segundo o governo israelense, cerca de 150 pessoas foram feitas de reféns durante a invasão do Hamas neste sábado (7). Entre as pessoas sequestradas e levadas para Gaza estão idosos, crianças, professoras, além da DJ Shani Loukque participava do festival de música Universo Paralello.
Um menino palestino sentado em uma casa danificada vista através dos escombros, após os ataques israelenses, em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, 11 de outubro de 2023 — Foto: REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa
Ao todo, 2.255 pessoas morreram, segundo os dois lados.
Após a ofensiva do Hamas, Israel contra-atacou bombardeando Gaza. A região que é uma estreita faixa de terra com cerca de 40 quilômetros de comprimento, situada entre Israel, o Egito e o Mar Mediterrâneo sofreu com ataques e um bloqueio total.
Israel bloqueou a passagem de alimentos, água, combustível e medicamentos na Faixa de Gaza.
Nesta quarta-feira (11), o Hamas disse que a única usina de energia da região não estava mais operando.
As Forças de Defesa de Israel afirmaram ter feitos novos bombardeios contra a Faixa de Gaza, destruindo alvos ligados ao grupo terrorista, no entanto, autoridades locais alegam que diversos alvos civis também foram atingidos. Foram mais de 400 ataques nas últimas 24 horas, sendo ao menos 200 só nesta quarta.
A agência da ONU para refugiados palestinos informou que nove de seus funcionários foram mortos com os ataques aéreos.
Juliette Touma, diretora de comunicações, disse que os ataques mataram os funcionários da ONU dentro de suas casas.
Em outro desses ataques israelenses, segundo autoridades do Hamas, atingiu a casa da família de Mohammad Deif, um dos dois líderes militares do grupo terrorista. O bombardeio matou o pai e o irmão de Deif, além de outros dois parentes. O paradeiro de Deif segue desconhecido.
O que aconteceu até agora?
G1 Explica: o conflito violento entre Israel e Palestina que dura mais de 70 anos
▶️ Como foi o ataque? As ações se concentraram perto da fronteira da Faixa Gaza, de onde Hamas lançou 5 mil foguetes.
Por terra, ar e mar, com motos e parapentes, homens armados invadiram o território israelense pelo sul do país.
Houve relatos de que os invasores atiraram em pessoas que estavam nas ruas e sequestraram dezenas de israelenses (incluindo mulheres e crianças), levados como reféns para Gaza.
▶️ Como foi a resposta de Israel? Diante da ofensiva do Hamas, o governo israelense iniciou uma retaliação.
“Estamos em guerra e vamos ganhar”, disse o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, logo após o ataque.
“O nosso inimigo pagará um preço que nunca conheceu.”
Ainda em 7 de outubro, Israel lançou bombas em direção à Faixa de Gaza.
▶️ Quantas pessoas morreram? O balanço mais recente das autoridades locais indicava, na manhã desta terça-feira, que mais de 2.255 pessoas morreram. Mais de 1.200 foram em Israel. O Ministério da Saúde de Gaza informou ter registrado 1055 mortes de palestinos.
▶️ O que é e onde fica Faixa de Gaza? É o território palestino localizado em um estreito pedaço de terra na costa oeste de Israel, na fronteira com o Egito.
Marcado por pobreza e superpopulação, tem 2 milhões de habitantes morando em um território de 360 km².
Para se ter uma ideia desse tamanho em comparação com cidades brasileiras, o território é um pouco maior que o da cidade de Fortaleza (312,4 km²) e menor que o de Curitiba (434,8 km²).
Tomada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e entregue aos palestinos em 2005, Gaza vive um bloqueio de bens e serviços imposto por seus vizinhos de fronteira.
▶️ Qual é o histórico do conflito na região? A disputa entre Israel e Palestina se estende há décadas e já resultou em inúmeros enfrentamentos armados e mortes.
Em sua forma moderna, remonta a 1947, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) propôs a criação de dois Estados, um judeu e um árabe, na Palestina, sob mandato britânico.
Criminosos do Hamas invadiram território israelense, além de realizar sequestros e lançar mísseis contra civis
Registro de um dos ataques no Oriente Médio | Foto: Reprodução/Twitter/X
O conflito deflagrado a partir do ataque organizado pelo grupo terrorista Hamas contra Israel já contabiliza 1,2 mil mortos, informam autoridades internacionais.
Até o início desta segunda-feira, 9, cerca de 700 pessoas foram assassinadas em Israel desde sábado 7. Muitas delas eram civis. O número de feridos, a saber, é de 2,1 mil. Na ocasião, terroristas do Hamas invadiram o território israelense em área próxima à Faixa de Gaza. Além disso, os criminosos do grupo extremista realizaram sequestros e lançaram mísseis contra o país judaico.
De acordo com as forças militares israelense, 260 corpos foram encontrados somente no local onde ocorria um festival musical — e que acabou como alvo de terroristas. Nesta segunda, o Hamas afirma que, além de ser responsável por dezenas de assassinatos, mantém mais de 100 reféns.
Com o ataque terrorista, o governo israelense declarou “estado de guerra”. Em carta, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que deixará em ruínas as localidades onde os militantes do Hamas estiverem.
Alvo de ataque terrorista, Israel age contra Hamas
Na carta, Netanyahu disse que as cenas de terror deste sábado não mais se repetirão | Foto: Reprodução/Facebook
O governo de Israel não ficou, contudo, parado. Diante do ataque terrorista, as forças militares do país partiram para cima do Hamas. Nesse sentido, Israel informou que a Faixa de Gaza está fechada. Além disso, as autoridades israelenses realizaram ataques contra 653 bases do grupo extremista, que conta com apoio público do Irã.
Conforme informações de agências internacionais, 493 pessoas morreram na Faixa de Gaza desde o ataque terrorista de autoria do Hamas. Ainda de acordo com a imprensa estrangeira, o número de mortos na Cisjordânia, área ao leste de Israel e que é controlada por autoridades palestinas, está em sete.
No segundo e último debate oficial de candidatos à presidência da Argentina antes das eleições, realizado neste domingo (8), o atual ministro da Economia e candidato, Sergio Massa, disse que incluirá o movimento palestino Hamas na lista argentina de organizações terroristas e prometeu criar um “FBI argentino” para combater a criminalidade.
O candidato de ultradireita Javier Milei, do partido A Liberdade Avança, disse que, se chegar à presidência, não vai aderir à agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que estabelece metas globais para o desenvolvimento sustentável, que qualificou como “marxismo cultural” e “decadência”.
O ataque do Hamas a Israel ganhou protagonismo logo na abertura dos discursos de quatro dos cinco candidatos. Milei manifestou “solidariedade com Israel e seu pleno direito de proteger seu território dos terroristas”.
Patricia Bullrich, da coalizão de centro-direita Juntos pela Mudança, que foi com uma fitinha preta simbolizando luto no terninho, sob um broche com a bandeira argentina, manifestou solidariedade “neste momento triste do ataque, do terrorismo do Hamas”.
O candidato peronista não alinhado ao kirchnerismo Juan Schiaretti se restringiu a reiterar sua “solidariedade com o povo de Israel pelo ataque sofrido”. Já Massa, também com uma fitinha no peito, expressou “solidariedade com todas as vítimas de um ataque terrorista brutal, que hoje deixa o mundo de luto”.
A candidata da sigla Frente da Esquerda e dos Trabalhadores, Myriam Bregman, fez a menção somente ao fim do discurso inicial, afirmando sentir dor “pelas vítimas civis”, mas ressaltando que “ocorrem em um conflito que tem como base a política do Estado de Israel de ocupação e apartheid contra o povo palestino”.
O assunto voltou à tona quando Milei perguntou a Massa como ele avançaria na política internacional se dentro da coalizão governista “tem gente que apoia os terroristas e é amigo dos países delinquentes”.
O ministro respondeu que há anos defende a possibilidade de julgamento na Argentina com a ausência do réu, o que permitiria que terroristas suspeitos pelos atentados terroristas contra a Embaixada de Israel e contra a Associação Mutual Israelita da Argentina, cujas explosões nos anos 1990 deixaram mais de 100 mortos em Buenos Aires, possam ser condenados.
E afirmou que, se for presidente, incluirá o Hamas entre as organizações listadas como terroristas pelo país, que tem a maior comunidade judaica da América Latina.
No debate deste domingo, dedicado aos temas “segurança”, “trabalho e produção”, “desenvolvimento humano, moradia e proteção do meio ambiente”, houve mais trocas de acusações do que no anterior, há uma semana.
Aumento da criminalidade
Bullrich, que foi ministra de Segurança do ex-presidente Mauricio Macri, acusou o kirchnerismo de “defender delinquentes” e questionou a proposta de Milei de desregular o mercado legal de armas.
“Se liberarem [o comércio de armas], vão terminar massacrando crianças nas escolas”, disse ela, que também questionou a defesa que ele fez de “gerar mecanismos de mercado” para o transplante de órgãos.
Segundo ela, “a venda de órgãos” – que Milei nega propor – geraria “sequestros de crianças e tráfico de pessoas”.
Bullrich manteve o discurso mão dura e disse que entrará em territórios dominados pelo tráfico de drogas “com as forças provinciais, nacionais e se for necessário, com as Forças Armadas”.
Disse também que, se eleita, reduzirá a maioridade penal de 16 para 14 anos, ao que foi questionada por Bregman: “Gostaria que nos conte até que idade [quer baixar], até os 12, até os 10, até o Jardim da Infância?”.
Já Massa afirmou que lutará contra a insegurança com prevenção, fazendo com que juízes “tenham que prestar contas para a sociedade” e com a criação de um FBI argentino – uma agência federal integrada pelos melhores integrantes das forças de segurança do país para atuar contra a corrupção, o narcotráfico e o tráfico de pessoas.
Milei, por sua vez, disse que “por culpa da casta política”, o Estado falha e o país vive um “banho de sangue”. Ele pediu que os castigos sejam efetivos, e que “saia caro ser delinquente”, mediante uma reforma do sistema prisional, do código penal e do sistema judiciário do país.
“Na Argentina liberal, quem terá medo serão os delinquentes”, garantiu.
Casos de corrupção
Esse foi um dos diversos momentos em que Bullrich mencionou o ex-chefe de gabinete da província de Buenos Aires, o kirchnerista Martín Insaurralde, que protagonizou um escândalo pela divulgação de fotos suas passando férias em um iate de luxo em Marbella, no Mediterrâneo, ao sul da Espanha.
As fotos vieram à luz na semana passada, dias após a publicação do índice de pobreza do primeiro semestre, que revelou que 1,2 milhão de argentinos passaram a ser pobres no último ano, e geraram indignação. O peronista acabou renunciando ao cargo.
“Não dá para fazer uma boa segurança se os seus sócios são delinquentes”, disse a candidata do Juntos pela Mudança para Massa, que mencionou diversas denúncias de corrupção contra o kirchnerismo.
Críticas a Massa
Quando o assunto foi trabalho e produção, o alvo foi Massa, que há um ano assumiu o ministério da Economia.
Ele defendeu suas medidas recentes para amenizar o impacto da disparada dos preços após as eleições primárias, como a devolução do imposto sobre os produtos da cesta básica e o fim do imposto de renda para trabalhadores que ganham até R$ 25 mil mensais.
“Quero perguntar para o ministro: é possível viver com 124 mil pesos [cerca de 800 reais no mercado paralelo de câmbio] por mês como vivem os aposentados?”, questionou Bregman.
O peronista Schiaretti acusou Massa de ter levado, desde que assumiu, a inflação acumulada de 12 meses de 65% para 124% e o dólar de 250 para 800 pesos no mercado paralelo.
Já Milei disse que Massa somente faz propostas para os trabalhadores, mas “se esquece do capital” e que por isso, 30% dos trabalhadores formais da Argentina estão abaixo da linha de pobreza.
Bullrich, por sua vez, mencionou a disparada do dólar, o aumento da pobreza e o bloqueio do governo às importações. “A Argentina está na destruição total e profunda do seu aparato produtivo, e em vez de arrumar a emergência, você cava o poço mais fundo”, disse para o ministro.
Massa se defendeu, afirmando que os outros candidatos parecem “paraquedistas suecos”, por esquecerem que o último governo contraiu a maior dívida da história do Fundo Monetário Internacional, com o empréstimo para Macri em 2018, de 45 bilhões de dólares, a que o candidato governista atribui os graves problemas econômicos do país.
Em seu discurso sobre trabalho e produção, Milei criticou a emissão monetária e defendeu a “modernização do sistema trabalhista” com “redução das punições para que haja crescimento com acumulação de capital e crescimento do salário real”.
Logo, foi acusado por Bregman de querer eliminar licenças e décimo-terceiros. “A única liberdade que o Javier Milei defende é a de te explorarem sem limites”, criticou ela.
Como resposta, Milei disse a Bregman que socialistas não entendem de economia e ironizou a proposta da candidata de reduzir a jornada de trabalho para seus horas diárias para que haja mais contratações: “Isso é maravilhoso.
Por que então não deixamos só em uma hora por dia? Vai ter emprego para todos. É como dizer que dá para modificar a lei da gravidade com um decreto”, respondeu, em tom jocoso.
Neste momento, Massa disse que Milei desrespeita as mulheres, o que “mostra seu traço autoritário”.
“Quero deixar bem claro o que o Milei está propondo: um mercado de trabalho onde as mulheres não têm possibilidade de se desenvolver, onde os mais jovens têm que ir a um mercado precário de salários, onde trabalhadores perdem direito a férias remuneradas e indenização e, principalmente, onde voltamos a um regime de escravidão”, acusou.
Acusações e insultos
A troca de acusações continuou intensa quando os candidatos podiam fazer perguntas sem temas definidos. Bullrich acusou Milei de fazer acordos com o partido de Massa para fechar suas listas de candidaturas municipais e provinciais.
Já Milei disse que ela pretende “lavar seu passado de montonera assassina”. Os Montoneros eram uma organização armada dos anos 1960 e 1970, vinculada à juventude peronista, da qual Bullrich era integrante. Ela nega ter apelado para a violência na época.
Quando Massa questionou Milei por ter votado contra uma lei para diagnosticar e prevenir doenças cardíacas no primeiro ano de vida dos bebês, o ultradireitista respondeu que a saúde pública deveria funcionar para isso sem uma legislação e acusou a atual administração de ser responsável por “um desastre” pandemia.
“Temos 130 mil mortos por culpa deste governo ‘genocida’”, acusou.
Negacionismo climático
Perguntado por Schiaretti sobre se vai aderir à Agenda 2030 da ONU, o economista ultraliberal respondeu: “Não, porque não aderimos ao marxismo cultural, não aderimos à decadência”. E alegou que seu programa de governo tem uma “agenda energética com restrições aplicáveis na Europa”.
Mas quando Bregman mencionou o negacionismo do candidato sobre a mudança climática, Milei disse os ciclos de aquecimento global sempre ocorreram e que “todas as políticas que culpam o ser humano” pelo fenômeno “são falsas e a única coisa que querem é arrecadar fundos para financiar socialistas preguiçosos que escrevem papers de quarta categoria”.
Na maioria das pesquisas, Milei lidera as intenções de voto com cerca de 35%, diante de Massa, que aparece em segundo lugar, e de Patricia Bullrich, que aparenta ter menores possibilidades de disputar um eventual segundo turno.
Para ganhar no primeiro turno, o candidato precisa obter 45% dos votos ou 40% com uma diferença de 10 pontos percentuais em relação ao segundo colocado.
As eleições presidenciais da Argentina acontecem em 22 de outubro. Se necessário, o segundo turno será em 19 de novembro.