Podcast Rotativo News: Enem 2025
10 de Novembro de 2025


O tema da redação do Enem 2025 surpreendeu muita gente e trouxe uma discussão urgente para o centro do debate nacional: “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira.”
O assunto não poderia ser mais atual. O Brasil está envelhecendo — e, ao mesmo tempo, precisa repensar como enxerga, acolhe e valoriza seus idosos. Neste ano, o Enem registrou um aumento expressivo no número de participantes com mais de 60 anos: 17.192 inscritos, o que representa 191% a mais que em 2022.
Mas o que esse dado revela sobre as transformações sociais que estamos vivendo? Como a educação, a comunicação e a ciência podem contribuir para um envelhecimento mais ativo, digno e conectado aos novos tempos?
Para refletir sobre essas questões, o Rotativo News recebe hoje Jotta Junior, especialista em Neurocomunicação e cofundador do canal Longidade, que vai nos ajudar a entender o que está por trás desse movimento e o que ele diz sobre o futuro da longevidade no Brasil.


Com estrutura totalmente reformada e modernizada, o antigo prédio da Escola Municipal Antônio Eloy da Costa, na Avenida Riachuelo, no bairro Baraúnas, passa a funcionar como Escola Municipal Coriolano Carvalho. A transferência das atividades escolares foi acompanhada pelo prefeito José Ronaldo de Carvalho, na manhã desta segunda-feira (10), que reafirmou o compromisso de continuar investindo em melhorias nas estruturas das escolas da rede pública municipal.

A transferência da Escola Municipal Coriolano Carvalho da Rua Humaitá, ao lado da Feira Livre do bairro Sobradinho, para o bairro Baraúnas, conforme ressalta o prefeito José Ronaldo, vai possibilitar a reconstrução desse prédio escolar. “Praticamente vamos construir um prédio novo, com instalações mais modernas”, revelou, ao observar que as antigas instalações já não apresentavam condições para a escola continuar funcionando.

O vice-prefeito e secretário de Educação, Pablo Roberto, destacou os investimentos que o Governo Municipal vem promovendo desde o início do ano, reformando, recuperando, modernizando e construindo novas unidades escolares. “Somente neste prédio da antiga Escola Municipal Antônio Eloy, o Governo Municipal investiu cerca de R$ 500 mil em sua recuperação e modernização”, revelou.

As novas instalações da Escola Municipal Coriolano Carvalho possuem área para estacionamento, ampla área de lazer, varanda, baterias de sanitários masculino e feminino, auditório com ar-condicionado, copa, cozinha, sete salas de aula com ventilador, diretoria e coordenação.

*Secom
Foto: Jorge Magalhães


A aplicação do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) 2025 ocorrerá nos dias 9 e 16 de novembro, em todo o país. O estado da Bahia teve 428.019 inscrições confirmadas. Sendo que 103.317 são de estudantes concluintes do ensino médio da rede pública. Os dados são do Painel do Enem, disponibilizado no portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC).

Perfil – De acordo com o levantamento do Inep, 319.518 inscritos na Bahia são isentos e 108.501, pagantes. Do total de inscritos confirmados no estado, 269.948 (63,07%) são mulheres e 158.071 (36,93%) são homens. Com relação à etnia, a maioria das inscrições confirmadas são de participantes que se autodeclararam pardos (217.066), seguidos de 113.349 participantes autodeclarados pretos, 82.861 brancos, 5.958 amarelos e 3.450 indígenas.

A faixa etária com mais inscrições confirmadas é de 21 a 30 anos, com 89.458 inscritos confirmados. Os participantes com mais de 60 anos totalizam 1.546. Confira a tabela de inscrições confirmadas por faixa etária na Bahia.

Brasil – Em todo o Brasil, o Enem 2025 conta com mais de 4,8 milhões de inscritos confirmados, um aumento de 38% em relação a 2022. Em comparação com 2024, o aumento no número das inscrições foi de 11,22%.

Do total de inscritos, 3.049.710 são isentos e 1.761.628, pagantes. Além disso, 98.558 participantes utilizarão o exame para a certificação de conclusão do ensino médio, iniciativa retomada nesta edição. Para obter a certificação, é necessário atingir o mínimo de 450 pontos em cada uma das áreas de conhecimento e o mínimo de 500 pontos na redação.

Pará – Em Belém, Ananindeua e Marituba (PA), o Enem 2025 será aplicado nos dias 30 de novembro e 7 de dezembro. As datas foram definidas em razão da realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontecerá em Belém no período da aplicação regular do exame.

Aplicativo – Na reta final da preparação, os participantes podem contar com o apoio do aplicativo MEC Enem – o Simuladão do Enem, lançado pelo Ministério da Educação. A ferramenta disponibiliza simulados com questões alternativas por campo do conhecimento, correção automatizada de redação, materiais de reforço (vídeos e apostilas) e assistente virtual. 

Série de videoaulas – Além disso, o MEC também fez uma parceria com o YouTube para lançar uma série de videoaulas sobre redação voltadas ao Enem. O conteúdo publicado aborda desde a interpretação de textos até a construção da redação em si, enfatizando o domínio das competências avaliadas no Enem. A série está disponível no canal do MEC e do YouTube Edu.

Cartilha – Para os participantes que desejam aprimorar a escrita e compreender os critérios de avaliação adotados na correção da prova, também foi disponibilizada a cartilha: A Redação do Enem 2025 – Cartilha do(a) Participante. O material reúne informações sobre a Matriz de Referência da redação, além de apresentar amostras comentadas de textos que obtiveram nota alta no Enem 2024. 

Enem – O Exame Nacional do Ensino Médio avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica. Ao longo de mais de duas décadas de existência, o Enem tornou-se a principal porta de entrada para a educação superior no Brasil, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Instituições de ensino públicas e privadas também utilizam o Enem para selecionar estudantes como critério único ou complementar aos processos seletivos. Os resultados individuais do Enem podem ainda ser aproveitados nos processos seletivos de instituições portuguesas que possuem convênio com o Inep para aceitar as notas do exame. Os acordos garantem acesso facilitado às notas dos estudantes brasileiros interessados em cursar a educação superior em Portugal.

*Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações do Inep
Foto: José Cruz/Agência Brasi


O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta terça-feira (4) a lista de espera para vagas remanescentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) referentes ao segundo semestre de 2025. Os candidatos já podem consultar a classificação no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, na seção do Fies.

As vagas remanescentes correspondem aos financiamentos que não foram preenchidos durante as etapas regulares do programa.

Nesta edição, o Fies ofereceu mais de 58 mil vagas distribuídas em 10.319 cursos/turnos de graduação, presentes em 690 instituições privadas de ensino superior em todo o país.

*Metro1
Foto: Jose Cruz/Agência Brasil


A programação da 1ª edição da Copa EDU começa nesta segunda-feira (3) e promete movimentar as escolas da rede pública municipal de Feira de Santana. Promovido pela Secretaria Municipal de Educação (SEDUC), o projeto busca incentivar a prática esportiva e fortalecer os laços de convivência entre os estudantes por meio do esporte.

A cerimônia de abertura será realizada às 14h, no Ginásio da Escola Castro Alves, com o desfile das delegações das escolas participantes, solenidade com representantes da SEDUC e apresentações culturais.

Os jogos terão início nesta terça-feira (4) e seguem até o dia 13 de novembro, em diferentes espaços esportivos da cidade — entre eles, as quadras das escolas municipais, o Ginásio Péricles Valadares (Centro Municipal de Educação Inclusiva), o Ginásio Municipal Joselito Amorim e o Complexo Esportivo Oyama Pinto.

Voltada a estudantes de 11 a 16 anos, divididos em duas categorias, a Copa EDU contará com disputas nas modalidades futsal, baleado e basquete, tanto no masculino quanto no feminino. A cerimônia de premiação está prevista para o dia 14 de novembro.

Mais do que um campeonato esportivo, a Copa EDU representa uma oportunidade de integração física, cognitiva e socioemocional, promovendo valores como autonomia, autoestima e trabalho em equipe. O projeto está alinhado às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica (2013), que reconhecem o esporte como parte essencial da formação ética e cidadã dos estudantes.

Segundo o vice-prefeito e secretário municipal de Educação, Pablo Roberto, a iniciativa reforça o papel da escola como espaço de formação integral.

“A Copa EDU vai muito além da competição. Ela simboliza o fortalecimento do espírito de equipe, da solidariedade e da convivência saudável entre os nossos alunos. É um momento de aprendizado, celebração e valorização do esporte como ferramenta de transformação social”, destaca.

Fases dos jogos

As partidas, em cada categoria, acontecerão em quatro etapas:

1ª Fase – Classificatória: jogos entre grupos ou chaves, classificando uma equipe de cada grupo para a fase seguinte;
2ª Fase – Eliminatória: disputas diretas classificando quatro equipes;
3ª Fase – Semifinal: definição das duas equipes finalistas;
4ª Fase – Final: confronto entre as vencedoras da semifinal.
Premiação

As equipes campeãs e vice-campeãs receberão medalhas e troféus, com homenagens especiais às escolas vencedoras. Após o encerramento das competições, a SEDUC realizará um encontro com professores da rede municipal para avaliar os resultados do projeto e planejar melhorias para as próximas edições.

*Secom


A Secretaria Municipal de Educação (Seduc) de Feira de Santana lançou, nesta terça-feira (29), o sistema de cadastro de novos alunos para o ano letivo de 2026. O cadastro pode ser realizado entre os dias 29 de outubro e 15 de novembro, por meio do site oficial da Prefeitura: feiradesantana.ba.gov.br/seduc/cadastro/index.asp.

O processo é o primeiro passo para garantir a participação na lista de espera das escolas da rede municipal e tem como objetivo contribuir para o levantamento e a organização das vagas disponíveis. A iniciativa facilita para os pais e responsáveis demonstrarem interesse em escolas específicas, próximas de casa ou do trabalho, tornando o processo de matrícula mais ágil e acessível.

Importante: o cadastramento não assegura a matrícula imediata.

De acordo com o secretário de Educação e vice-prefeito Pablo Roberto, o sistema de cadastro de novos alunos reforça o compromisso da gestão com a ampliação do acesso à educação e a melhoria na organização das vagas.

“Nosso objetivo é tornar o processo de matrícula mais transparente e acessível. Com o cadastro online, conseguimos mapear a demanda de cada região e planejar melhor a oferta de vagas, garantindo que nenhuma criança, jovem ou adulto fique fora da escola”, destacou Pablo Roberto.

QUEM DEVE SE CADASTRAR

O cadastro de novos alunos está aberto para todas as etapas da Rede Municipal: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos (EJA).

EDUCAÇÃO INFANTIL

Podem ser cadastradas crianças nascidas entre 1º de abril de 2020 e 31 de março de 2025. Famílias que desejam solicitar transferência de alunos já matriculados na rede também devem preencher o formulário.

ENSINO FUNDAMENTAL

O cadastro é destinado a estudantes que irão cursar do 1º ao 9º ano e que tenham nascido até 31 de março de 2020. Assim como na Educação Infantil, alunos que já fazem parte da rede e desejam transferência para outra escola municipal precisam realizar o cadastro.

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA)

Jovens, adultos e idosos que desejam iniciar ou retomar os estudos também podem participar, realizando o cadastro de novos alunos para concorrer a uma vaga no turno noturno da rede municipal.

INFORMAÇÕES OBRIGATÓRIAS

Durante o preenchimento, é necessário informar dois números de telefone válidos, pois a Secretaria Municipal de Educação poderá realizar contato por ligação telefônica para ofertar vagas. O endereço informado deve ser o de interesse da matrícula, podendo ser o residencial ou o comercial do estudante.

MATRÍCULA EFETIVA E PERDA DE VAGA

Após ser contemplado com uma vaga, o responsável deverá efetivar a matrícula presencialmente, apresentando a documentação pessoal e escolar do estudante na unidade de ensino. Caso o procedimento não seja feito dentro do prazo estipulado, o candidato perderá a vaga.

*Secom


Durante duas semanas, estudantes terão a oportunidade de viver uma experiência completa de preparação e inspiração com dois eventos promovidos pelo Colégio Anísio Teixeira (CAT) e pelo Centro Universitário Anísio Teixeira (UniFat): a Revisão ENEM e os Painéis de Carreiras. A programação acontece de 3 a 14 de novembro, das 8h às 12h, no Auditório Ernestina Silva Lima, e é gratuita e aberta ao público.

O evento vai reunir professores renomados, que farão a revisão dos principais conteúdos cobrados no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), e também oferecerá momentos de orientação profissional por meio dos Painéis de Carreiras, em que coordenadores e alunos da UniFat compartilharão suas experiências e trajetórias em diferentes áreas do conhecimento.

A proposta é unir preparo acadêmico e descoberta vocacional, auxiliando os participantes a se sentirem mais confiantes tanto para as provas quanto para as futuras escolhas profissionais.
O evento é uma realização conjunta do Colégio Anísio Teixeira (CAT) e do Centro Universitário Anísio Teixeira (UniFat), reafirmando o compromisso das instituições com a educação de qualidade e o incentivo à formação integral dos jovens.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas gratuitamente pelo Sympla, no link: https://www.sympla.com.br/evento/revisao-enem-paineis-de-carreiras/3184142


A regra não vale para quem fez a prova como treineiro

Sisu 2026 aceitará notas do Enem de anos anteriores

Foto: Shutterstock

Por: Metro1 no dia 27 de outubro de 2025 às 09:30

O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) permitirá o uso das notas do  Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2023, 2024 e 2025 na seleção dos candidatos em universidades públicas. 

É a primeira vez que o estudante que fez um das 3 edições mais recentes e não se inscreveu na atual poderá concorrer a vagas por meio do programa.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), será considerada a nota que gerar a melhor média ponderada no curso escolhido. A nova regra não vale para quem participou como treineiro.

Informações Metro1


Agência Brasil conversou com profissionais sobre esses desafios

 Marcos Nunes/Arquivo Pessoal

O ritmo é de Halo, música da cantora norte-americana Beyoncé – acompanhada por uma batucada de funk improvisada com as mãos batendo nas mesas e cadeiras. Mas a letra ensina uma das fórmulas matemáticas mais marcantes que se aprende na escola: x é igual a menos b mais ou menos raiz de b ao quadrado menos quatro ac dividido por dois a. Uma sopa de letrinhas criada pelo matemático e astrônomo indiano Bhaskara para resolver equações de segundo grau.

Seria bem mais difícil sem Beyoncé e o professor de matemática Marcos Nunes, do Ginásio Educacional Olímpico Isabel Salgado, na zona oeste do Rio de Janeiro, sabe disso.

O professor Marcos Nunes, do Ginásio Educacional Olímpico Isabel Salgado, no Rio, mostra formas que encontra para despertar o interesse dos alunos – Foto Marcos Nunes/Arquivo Pessoal

“Eu vou dando a aula normal, aí coloco a música da Beyoncé para tocar, mas não falo nada. Depois, vou cantando a música junto com a fórmula. Eles se motivam, ficam rindo e aprendem. Assim, conseguem gravar algumas coisas. Eu procuro tornar a aula mais dinâmica possível”, diz.

Nunes não está sozinho nesse desafio de chamar a atenção dos estudantes e fazer com que se motivem com os conteúdos ensinados. No Brasil, os professores gastam, em média, 21% do tempo de aula para manter a ordem em sala. Ou seja, a cada cinco horas de aula, uma hora inteira é dedicada apenas a pedir a concentração dos alunos.

Além disso, quase metade dos professores brasileiros (44%) relata que é bastante interrompida pelos estudantes. Os dados foram divulgados na semana passada, na Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) 2024, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 

Neste Dia Nacional do Professor, 15 de outubro, a Agência Brasil conversou com professores sobre as dificuldades e as estratégias que encontram para tornar as aulas mais interessantes.

Depois de 20 anos de magistério, Nunes conta que já sabe identificar os estudantes que têm mais dificuldade. Eles são, por vezes, os que mais atrapalham a aula. “Eu tive muita dificuldade para aprender as coisas também. Então, sei o ponto que a matemática chega para o aluno que tem muita dificuldade. Para mim, o desafio hoje é o aluno que tem dificuldade e fazer com que ele aprenda”, diz. Isso implica, muitas vezes, revisar conteúdos de anos anteriores, o que o professor faz constantemente, para não deixar ninguém para trás.

“Fui aluno de escola pública. O que eu falo para eles diariamente é que não aceito isso de que o público tem que ser ruim. Eu falo para todos os meus alunos, eu vou para lá de manhã para fazer diferença na vida deles e explico o quanto as aulas são importantes”, diz. As estratégias têm gerado resultados. Os estudantes melhoraram o desempenho e, com isso, vão percebendo que podem acertar e dominar o conteúdo, também se engajam mais na aula. “Quando aquele aluno passa a entender e a conseguir resolver as questões, ele se motiva mais”, defende o professor.

IA na sala de aula

A tecnologia é objeto de estudo nas aulas da professora de inteligência artificial (IA) no Centro Educacional de Tempo Integral (Ceti) Paulo Freire, em Guaribas (PI), Amanda de Sousa. Desde o ano passado, ela faz parte do programa Piauí Inteligência Artificial, do governo do estado que, por meio da Secretaria da Educação (Seduc), leva a disciplina de IA às escolas da rede.

A professora Amanda Sousa leva a disciplina de IA a escola de Guaribas, no Piauí – Foto Ascom Seduc Piauí/Divulgação

Guaribas (PI) já foi considerada uma das cidades mais pobres do Brasil e a primeira a receber o Programa Fome Zero em 2003. O cenário foi mudando, de 2002 a 2013, a desnutrição caiu 82%. Sousa faz questão de explicar o contexto da cidade e a importância que o município dá para políticas públicas.

Por isso, quando teve a oportunidade de participar da formação para dar aulas de IA, a professora formada em biologia não pensou duas vezes. Além de ver uma possibilidade de melhorar a renda aumentando a jornada na escola, ela tinha muita curiosidade sobre o assunto, que conhecia pouco. No começo estava insegura, mas foi aprendendo cada vez mais e fez até pós-graduação no assunto. Descobriu que por mais que sejam nativos digitais, os próprios estudantes não dominam plenamente as ferramentas de IA e que a escola pode ajudá-los a ter mais autonomia. 

“Eu percebia que eles, às vezes, não prestavam tanta atenção nas aulas, mas, mais ou menos um mês depois, eles começaram a despertar interesse e vejo um avanço hoje em relação, por exemplo, à maturidade deles de utilizar a IA de forma coerente para ajudar nas pesquisas, nos trabalhos. A gente sempre foca também no uso ético da IA na sala de aula”, afirma.

Em uma escola com apenas 25 computadores para 200 alunos, Amanda criou estratégias para ensinar o modo de funcionamento da IA para os estudantes e passou a conseguir dar aulas também offline.  

“Tem uma aula que desenvolvi com alguns alunos que é a construção de árvores de decisão – um exemplo de algoritmo, utilizando imagens de animais típicos da caatinga, que é o bioma predominante aqui na nossa região. Quando eles começam a identificar ali os padrões, as características dos animais, eles vão classificando: o animal que tem pelo, o animal que é terrestre e vão construindo essa árvore de decisão. Quando eles veem o resultado, aí eu mostro: vocês construíram um algoritmo. Isso é inteligência artificial desplugada”, explica.

Um algoritmo é conjunto de instruções finitas e bem definidas para realizar uma tarefa ou resolver um problema. Os algoritmos são a base de funcionamento da IA. Entender a base e como operá-la é uma forma de aprender a usar melhor a ferramenta.

“Vejo que hoje eles estão bem mais engajados e maduros em relação a usar de forma consciente e utilizar para estudo mesmo, a fim de potencializar o que eles têm de dificuldade para melhorar e inclusive ajudar os colegas que ainda não têm tanta habilidade”.

O programa do estado foi um dos vencedores do Prêmio Rei Hamad Bin Isa Al-Khalifa, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em parceria com o governo do Bahrein.  

Mais atenção e respeito

Nas escolas indígenas Paiter Surui, em Cacoal (RO), o desafio é manter o interesse dos estudantes do ensino médio, de acordo com a coordenadora das escolas, Elisângela Dell-Armelina Surui. “Os alunos do 1º ao 6º ano do ensino fundamental adoram aula. Não precisa nem pedir para vir. Eles já chegam primeiro que o professor na escola. Mas ali, na fase da adolescência, já começa a ter que incentivar mais as aulas”, diz.

Surui conta que muitos jovens querem continuar os estudos em escolas rurais fora das aldeias. O que é uma preocupação para os pais e uma preocupação também da comunidade com a manutenção da língua indígena e a cultura.

“Quando ele está na escola, os conteúdos, mesmo sendo de língua portuguesa ou de outras disciplinas que não são a língua materna, são transmitidos na língua materna. Especificamente do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Os conceitos e conteúdos ficam melhores para eles entenderem. Quando eles saem, perdem muito”, afirma a coordenadora.

A tecnologia é ali, muitas vezes, motivo de distração. Quando há o uso excessivo de celulares nas salas de aulas, a escola aciona as famílias que, nas comunidades indígenas, tendem a participar bastante da vida escolar dos filhos. Por lei nacional, o uso dos aparelhos apenas é permitido na escola quando autorizado pelos professores para fazer tarefas educativas.

É, no entanto, da tecnologia que vem também o estímulo para seguir os estudos.

“Alguns professores conseguem fazer aulas com bastante tecnologia”, diz Surui. “Tem professores que passam vídeos, que gravam vídeos com os alunos explicando as aulas”. As escolas usam também ferramentas de IA para algumas tarefas, embora, a coordenadora reconheça que falta capacitação aos professores. 

Aprender no cotidiano

Outra estratégia usada para manter o interesse dos estudantes é aproximar a escola do cotidiano e estimular tarefas mais parecidas com aquelas já desempenhadas nas aldeias, como explica a educadora indigenista Maria do Carmo Barcellos, que há mais de 50 anos trabalha com povos indígenas, entre eles os Paiter Surui.

Maria do Carmo trabalhou com a elaboração de materiais para serem usados em aldeias que tratam de governança territorial e educação climática, além de promover a formação dos professores. Os materiais e jogos foram produzidos junto com os educadores das escolas indígenas.

“A gente trabalhou muito essa questão da importância das aulas mais práticas. É comum você chegar numa escola indígena e ver a criança copiando coisa que o professor está passando no quadro ou então copiando de um livro. A maioria dos materiais das escolas indígenas é completamente inadequada”, comenta.

Os materiais foram produzidos pensando nas próprias histórias locais e no modo de vida. Estimulam, por exemplo, o aprendizado ao fazer a comida, ao verificar na produção da roça os impactos das mudanças climáticas, entre outros.

“Tradicionalmente, a transmissão de conhecimentos era pela oralidade ou pelo fazer. As crianças muito pequenas, tanto os meninos quanto as meninas, já estão acostumadas a estarem numa escola, digamos assim. Porque, por exemplo, se a mãe vai fazer a cerâmica, vai no mato buscar o barro e tal, a criança acompanha todo o processo e faz, não só vê, como também fica ali tentando fazer”, diz.

Disciplinar é educar?

Para a educadora e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Luana Tolentino, os dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) chamam atenção, mas é preciso ter cuidado ao focar apenas na disciplina dos estudantes.

“Uma coisa que sempre questionei é essa exigência da escola pela disciplina, como se fosse a coisa mais importante. Não que a sala tenha que ser o caos. Mas pensar a disciplina como pilar, como aquilo que faz uma sala de aula ser boa, que faz o professor ser bom, eu entendo que também dificulta pensar em uma escola, em uma aula que atenda de fato os anseios, os desejos dos estudantes”, diz.

Luana conta que, em muitas as escolas onde lecionou, a disciplina dos estudantes era prioridade e que isso não funcionava de forma efetiva para melhorar o aprendizado dos alunos. “Eu acho que isso dificulta também pensar em práticas pedagógicas que envolvam de fato os estudantes, porque se se mantém o foco só na disciplina, automaticamente eu entendo que os estudantes vão, enquanto jovens mesmo, focar em maneiras de indisciplinar”, defende.

Luana Tolentino, da UFMG, diz que é preciso ter cuidado ao focar apenas na disciplina – Foto Fernando Rabelo/Divulgação

Segundo a pesquisadora, a escola precisa estar atenta à vida, ao território, às vivências dos estudantes e ao que se passa no mundo.

“Eu defendo práticas pedagógicas em constante diálogo com as vivências, com os saberes dos estudantes. Acredito que os estudantes têm sede, têm o desejo de falar, de contar aquilo que também sabem. O conhecimento não nasce só nos livros, só na sala de aula, só na escola”, diz.

Ela ressalta que a profissão docente tem muitos desafios. Os dados da OCDE reforçam as dificuldades. No Brasil, apenas 14% dos professores acreditam que a própria profissão é valorizada na sociedade. Um a cada cinco, 21%, afirma que o trabalho é muito estressante, índice que aumentou 7 pontos percentuais em relação à última edição do estudo, de 2018.

Quanto aos impactos na saúde mental e física, o Brasil supera a média dos demais países pesquisados. Entre os professores brasileiros, 16% dizem que a docência impacta negativamente na saúde mental, enquanto entre os países da OCDE, a média é 10%. Já a saúde física é muito impactada pela profissão de acordo com 12% dos professores brasileiros, enquanto a média da OCDE é 8%.

“E eu não estou falando que tem sido fácil ser professor neste país, de jeito nenhum. Tem a questão do adoecimento, da desvalorização. Mas entendo que o diálogo, essa troca, na qual todo mundo fala, todo mundo ensina, acho que pode ser um caminho. A minha experiência mostrou que foi um caminho assim que deu certo”, diz Tolentino.

Dia do Professor: conheça a história

No dia 15 de outubro é comemorado o Dia Nacional do Professor, data instituída pelo imperador D. Pedro I que, em 15 de outubro de 1827, por lei, criou o Ensino Elementar no Brasil, levando escolas de primeiras letras a todas as cidades, vilas e lugares mais populosos do Império. 

O Brasil ainda era escravagista – o fim da escravidão seria conquistado apenas em 1888 – e a educação chegava apenas a uma parcela da população.  A estimativa é que em torno de 12% das crianças brasileiras em idade escolar estudavam. A primeira homenagem aos docentes realizada na data ocorreu em 1947, em São Paulo. Em 1963, por meio de decreto, a data é oficializada no país.

Com informações da agência Brasil


Por Júlia do Monte

Foto: reprodução

No período de 20 a 24 de outubro ocorrerá na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) um evento que integra a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca. Cursos, exibição de filmes, oficinas, visitas guiadas e contação de histórias são as atividades que farão parte da programação.

A Semana é uma realização do Sistema Integrado de Bibliotecas da Uefs e acontecerá tanto na Biblioteca Central Julieta Carteado, quanto nas Bibliotecas Setoriais. Destacar e celebrar a importância da biblioteca na disseminação do livro e no incentivo ao hábito da leitura é o objetivo do evento que este ano tem como tema: “Breve história dos suportes do saber: da oralidade à nuvem de dados”.

Mais detalhes sobre a programação podem ser acessados pelo site http://www.sisbi.uefs.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=143