A economia brasileira avançou 1,36% no terceiro trimestre de 2022, na comparação com os três meses anteriores, de acordo com dados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), conhecido por sinalizar o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto), publicados nesta segunda-feira (14).
O desempenho positivo da economia surge após alta de 0,05% registrada no mês de setembro. Em julho, houve crescimento de 1,17% da atividade econômica, seguido de uma queda de 1,13% apurada em agosto. Com a sequência de resultados, o indicador que prevê a soma de todos bens e serviços produzidos no país alcançou 144,01 pontos na série dessazonalizada (livre de influências), o maior nível desde julho (145,62 pontos). Na comparação anual, o resultado do indicador é 4% superior ao apurado em setembro do ano passado e 4,32% maior do que o do período compreendido entre os meses de julho e setembro de 2021, quando o IBC-Br fechou o trimestre aos 138,64 pontos.
O desempenho da atividade econômica nacional tem alta de 2,93% no acumulado dos nove primeiros meses deste ano e registra alta de 2,34% nos últimos 12 meses, de acordo com as informações apresentadas pelo BC nesta segunda-feira.
Os dados do IBC-Br são coletados de uma base similar à do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), responsável pelo indicador oficial sobre o crescimento econômico, que será divulgado no dia 1º de dezembro. No segundo trimestre, quando a economia brasileira avançou 1,2%, a prévia do BC sinalizou alta de 0,57% no mesmo período.
O preço médio do litro da gasolina vendido nos postos do país subiu pela quinta semana consecutiva, informou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta sexta-feira.
Segundo a ANP, a média nacional avançou para R$ 5,02 por litro nos postos de combustíveis no período entre 6 e 12 de novembro. O Amapá é o estado onde foi registrado o valor mais barato: R$ 4,67. Já a Bahia teve o combustível mais caro: R$ 5,57. A gasolina acumula aumento de 4,7% desde outubro.
Na última semana, o óleo diesel se manteve estável, sendo vendido a R$ 6,71, enquanto o etanol hidratado subiu 2,4% na semana, sendo vendido a R$ 3,79 na média nacional.
A extrema pobreza do Brasil caiu para o menor patamar da série histórica, iniciada em 1980. Relatório do Banco Mundial mostrou que a taxa do país foi a que mais recuou na América Latina no ano.
As pessoas que viviam abaixo da linha da pobreza eram 5,4% da população em 2019. A taxa caiu para 1,9% em 2020, o que corresponde a uma redução de 3,5 pontos percentuais. Em quantidade, o número passou de 11,37 milhões para 4,14 milhões de brasileiros no período. Ou seja, 7,23 milhões saíram desta situação.
O Banco Mundial considera em extrema pobreza as pessoas que recebem até US$ 2,15 por dia. Em 2020, um número maior de pessoas passou a receber o auxílio emergencial por causa da pandemia de covid-19. O valor médio do benefício aumentou em comparação com o Bolsa Família.
A porcentagem caiu ainda mais em 2021 e 2022, já que mais pessoas passaram a receber o Auxílio Brasil.
O país mais próximo de chegar a essa redução na América Latina foi o Paraguai, que diminuiu de 1% para 0,8% – uma queda de 0,2 ponto percentual.
O Brasil também foi o país da América Latina que mais reduziu a extrema pobreza de 2016 a 2020. Caiu 2,8 pontos percentuais, de 4,7% para 1,9%.
A 2ª maior queda foi da Bolívia, de 5,6% para 3,1%. Dentre os países selecionados – os mais relevantes economicamente –, a maior taxa de extrema pobreza é da Colômbia, com 10,8%. Peru (5,8%) e Bolívia (3,1%) completam o pódio. O percentual do Brasil é maior que o da Argentina (1,1%), do Paraguai (0,8%) e do Chile (0,7%).
Dada a forte inflação que só parece aumentar em todo o mundo, as diferentes moedas começam a sofrer os golpes e refletem a incerteza de uma economia com dois anos de pandemia, uma guerra russa na Ucrânia que impactou o mercado preços do petróleo e a desaceleração do crescimento de países tão importantes quanto a China.
É por isso que vale a pena perguntar, quais são as 10 moedas mais fortes do mundo? E antes de chegar ao primeiro lugar, avisamos antecipadamente que não é o dólar, embora ele seja a moeda mais utilizada para operações internacionais.
Uma moeda forte é determinada pela quantidade de bens e serviços que você pode comprar com ela e pela quantidade de outras moedas que você pode receber em troca de uma unidade da moeda inicial, de acordo com uma análise da Forex.com, uma plataforma de negociação de moedas estrangeiras.
Como o dólar é a moeda mais utilizada no mercado, ele funciona como referência para calcular o valor de outras moedas. Assim, quanto mais dólares você precisar para comprar uma única unidade de outra moeda, mais forte ela será. Se você precisar de menos dólares, então essa moeda é considerada mais fraca.
O dólar e o euro atingiram a paridade pela primeira vez em 20 anos em 12 de julho, depois que o primeiro se fortaleceu em relação ao segundo, que registrou queda de 12% em relação ao ano passado.
As 10 moedas mais fortes do mundo
Dinar do Kuwait
Dinar do Bahrein
Rial do Omã
Dinar da Jordânia
Libra esterlina (Reino Unido)
Dólar das Ilhas Cayman
Euro
Franco suíço
Dólar
Dólar canadense
Por que o dinar do Kuwait é tão forte?
Se você não está envolvido ao mercado de câmbio, provavelmente nunca antes ouviu falar do dinar do Kuwait. E não se preocupe: é porque ela não é tão amplamente disponível quanto o dólar e o euro. O Banco Central do Kuwait explica que, desde 2007, seu dinar estava atrelado a uma “cesta não divulgada de moedas internacionais dos principais parceiros comerciais e financeiros do Kuwait”.
A razão? Segundo o banco, a política cambial visa “manter e aumentar a relativa estabilidade” do dinar kuwaitiano em relação a outras moedas, “proteger também a economia doméstica contra os impactos da inflação importada”.
Isso decorre do fato de que entre 2003 e 2007 a moeda estava atrelada ao dólar. Mas o Kuwait mudou a política “depois de esgotar todas as tentativas de absorver os efeitos adversos da depreciação do dólar americano em relação às principais moedas durante um longo período”.
Agora, como um país tão pequeno como o Kuwait consegue ter a moeda mais forte? A resposta está no petróleo. O CIA Fact Book explica que a economia do país é muito rica devido à quantidade de reservas de petróleo bruto que possui: aproximadamente 102 bilhões de barris, ou 6% das reservas mundiais.
Segundo dados da CIA, o petróleo representa 92% das receitas de exportação do Kuwait e 90% das receitas do governo.
“Praticamente toda a riqueza do Kuwait é derivada direta ou indiretamente, por meio de investimentos estrangeiros, da extração e processamento de petróleo”, explica a Enciclopédia Britânica sobre a economia do país, que destaca que o elemento chave para o desenvolvimento do país tem sido a constante e rápida expansão da indústria petrolífera desde 1970.
Os lucros que o Kuwait obteve nos anos seguintes por conta do petróleo e dos investimentos lhe deram uma das maiores rendas per capita alto do mundo.
Em 1990, o país quase esgotou as receitas de investimentos estrangeiros devido à invasão que sofreu do Iraque sob o comando de Saddam Hussein. Mas se recuperou com a alta dos preços do petróleo nos anos 2000.
Mas com o petróleo sendo o grande centro da economia do Kuwait, outros setores como agricultura, manufatura e comércio são fracos, segundo a Enciclopédia Britânica.
O economista Paulo Rabello de Castro (ex-BNDES e Ex-IBGE), 73 anos, avalia que a retirada de despesas da regra fiscal pelo governo petista pode triplicar o deficit público previsto para 2023. O governo projeta rombo de R$ 64 bilhões para o ano que vem.
“Esse deficit pode duplicar. Dependendo da ousadia de atender a todos os compromissos de uma vez só –sem sacrificar outras contas–, pode levar a uma triplicação”, afirmou o economista ao PoderEntrevista.
A ideia aventada pela equipe de transição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é colocar despesas vistas como “emergenciais” fora do teto de gastos.
Para Paulo Rabello, a manobra é esperta. Mas disse que as coisas devem ser chamadas pelo nome: “Casuísmo”.
O economista tem críticas à fórmula como o teto de gastos foi elaborado. Pela norma, as despesas primárias do governo (excluindo juros, entre outras) devem ser reajustadas pela inflação. Com isso, avalia que a norma não evita a expansão dos principais gastos do governo.
Sugere um novo indexador: o crescimento nominal da economia (PIB nominal) para dar uma melhor dinâmica à regra.
Paulo Rabello é mestre e doutor em Economia pela Universidade de Chicago. Foi presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES. É fundador e sócio da RC Consultores.
A Petrobras (PETR3/PETR4) acumulou perda de R$ 54 bilhões em valor de mercado nesta semana, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais. A estatal terminou a semana valendo R$ 395 bilhões, após suas ações ordinárias e preferenciais terem caído 11,4% e 13,5%, respectivamente.
No mercado, investidores temem que a política de paridade internacional de preços da Petrobras seja ameaçada sob o futuro governo petista — o que poderia reduzir o potencial de lucro da companha e, consequentemente, os dividendos pagos aos acionistas, inclusive ao governo.
A desvalorização da Petrobras ocorreu na contramão da bolsa brasileira, que subiu 3,16% no período, puxada pela entrada de investidores estrangeiros. Mas a grande diferença de desempenho da semana foi dentro do setor de petróleo, onde o mercado migrou suas apostas para petrolíferas privadas, blindadas do ambiente político.
Quem mais se beneficiou foi a 3R (RRRP3), com cerca de 2,5% do tamanho da Petrobras, que disparou 17,8% na semana. A maior entre as petrolíferas privadas, a PetroRio (PRIO3) saltou 9,5% no período e a PetroRecôncavo (RECV3), 16,4%. O petróleo também subiu na semana, com alta de mais de 5%, embalado pela expectativa de maior demanda em meio a rumores de queda de restrições à covid-19 na China.
Mas incertezas associadas ao que será da companhia no futuro governo têm mantido investidores cautelosos já há algum tempo. Somadas às perdas da semana anterior, quando pesquisas mantiveram Lula na liderança pela corrida eleitoral, as ações da Petrobras desabaram 25%.
Nem mesmo o forte resultado do terceiro trimestre da Petrobras, apresentando na noite de quinta-feira, 3, salvou as ações da estatal, que sofreram uma nova baixa nesta sexta-feira, 4. No terceiro trimestre, a companhia apresentou lucro líquido de R$ 46 bilhões, 48% acima do registrado no mesmo período do ano passado, com alta anual de 40% da receita para R$ 170 bilhões.
A queda do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – foi revisada, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para 3,3%. Anteriormente, foi divulgado que a economia brasileira recuou 3,9% no primeiro ano da pandemia. De acordo com o IBGE, em 2019, o PIB brasileiro havia avançado 1,2%. As informações são da Agência Brasil.
A revisão foi divulgada nesta sexta-feira (4) pela pesquisa 2020 Sistema de Contas Nacionais Brasil, que traz um detalhamento maior da economia do que aquele apresentado pelas Contas Nacionais Trimestrais, que traz dados preliminares.
A revisão foi feita, principalmente, pela incorporação de novas informações sobre os serviços, que passaram de uma queda de 4,3% nos dados preliminares para um recuo de 3,7% nos dados consolidados divulgados hoje.
A principal revisão ocorreu em outras atividades de serviços, que passou -12,3% nos dados para -9,3%.
A queda da Indústria foi revisada de -3,4% para -3%, enquanto o crescimento da agropecuária foi revisado de 3,8% para 4,2%.
Demanda
Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias caiu 4,5% enquanto o consumo dos governos recuou 3,7%. A formação bruta de capital fixo, isto é, os investimentos, teve queda de 1,7% em 2020.
Entre os investimentos, houve quedas em máquinas e equipamentos (-4,3%) e produtos de propriedade intelectual também teve retração (-2,3%). Por outro lado, apresentaram crescimento os grupos construção (0,6%) e outros ativos fixos (1,9%).
Outros destaques da pesquisa foram a queda da necessidade de financiamento da economia em 66,6% em relação a 2019 e o crescimento de 29,4% nos benefícios sociais recebidas pelas famílias também na comparação com 2019.
A venda de veículos automotores novos acumula alta de 3,3% de janeiro a outubro de 2022 ante o mesmo período do ano passado, aponta balanço da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Na comparação mensal, houve crescimento de 14,8% em outubro em relação ao mesmo mês de 2021. Houve recuo, no entanto, de 5,51% em outubro ante setembro.
O presidente da Fenabrave, Andreta Jr, aponta que a retração pode ser explicada por um menor número de dias úteis em outubro (20). Em setembro foram 21 dias. “Boa parte dos segmentos teve números similares em relação ao mês anterior nas vendas diárias, o que indica que o movimento de recuperação se mantém”, disse em nota.
O volume total de veículos emplacados em outubro foi 316.819. Em setembro, esse número ultrapassou 335 mil unidades. Em outubro de 2021, foram negociados cerca de 275 mil veículos. De janeiro a outubro deste ano, a soma chega a 2.957.600. No mesmo período do ano passado, foram aproximadamente 2,8 milhões de unidades.
Segmentos
No segmento automóveis e comerciais leves, foram emplacadas 168.474 unidades em outubro. Em setembro, foram pouco mais de 180 mil, uma queda de 6,62%. No acumulado do ano, de janeiro a outubro, esse grupo registra queda de 3,47%. Foram emplacados cerca de 1,56 milhão ante 1,61 milhão no mesmo período do ano passado.
A Fenabrave também levantou o número de automóveis e comerciais leves eletrificados. O emplacamento desses modelos somaram 4.460 unidades em outubro. No ano, o total é de 38.704 emplacamentos. “Isso representa um resultado 43,6% maior que o acumulado no mesmo período de 2021, quando cerca de 27 mil veículos eletrificados foram emplacados”, destacou o presidente.
O grupo ônibus e caminhões, por sua vez, teve 12.410 unidades emplacadas. No mês anterior foram mais de 13,5 mil, uma queda de 8,26%. Em relação a outubro de 2021, no entanto, o resultado é melhor, com acréscimo de 1,19% nos emplacamentos. O comparativo do acumulado é menos expressivo, com alta de 0,04%. Foram negociadas pouco mais de 119,6 mil unidades.
Ao longo de todo este mês, pessoas endividadas terão a oportunidade de limpar o nome. De hoje (1º) até o dia 30, ocorre o segundo mutirão nacional de negociação de dívidas e orientação financeira deste ano.
Ação conjunta do Banco Central (BC), da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e dos Procons de todo o país, o mutirão oferece oportunidade de renegociação de dívidas com desconto e parcelamentos que caibam no bolso.
Podem participar do mutirão pessoas físicas com débitos em atraso com bancos e demais tipos de instituições financeiras, desde que a dívida não esteja atrelada a bens dados em garantia. As negociações podem ser pedidas por meio da plataforma Consumidor.gov.br ou pelos canais diretos das instituições participantes, disponíveis na página do mutirão.
No site do mutirão, o interessado também terá acesso ao link do Registrato, sistema do Banco Central que informa todos os relacionamentos do cidadão com o sistema financeiro. A página permite a consultas sobre informações de dívidas com bancos e órgãos públicos, cheques devolvidos, contas, chaves Pix e operações de câmbio. A página da ação conjunta também dará acesso à plataforma de educação financeira Meu Bolso em Dia, da Febraban.
Campanha
Neste ano, o mutirão alertará os cidadãos sobre o superendividamento e a possibilidade de pedir renegociação, conforme previsto na Lei 14.181/21 . Pela lei, os cidadãos superendividados têm direito a renegociar o valor global do débito, simultaneamente com todos os credores. Segundo o BC, isso permite acordos mais vantajosos do que negociar uma dívida com cada banco.
O BC orienta as pessoas com suspeita de superendividamento a não renegociar os débitos pelo mutirão. Segundo o órgão, as pessoas devem buscar ajuda especializada nos órgãos de proteção e defesa do consumidor, cujos links estão disponíveis na página da ação conjunta.
No último mutirão, realizado em março, foram negociados 1,7 milhão de contratos em atraso durante 25 dias. De acordo com o BC, o endividamento das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) alcançou 52,9% da renda familiar disponível em agosto. Definido como o valor atual da dívida e os rendimentos em 12 meses, o indicador caiu 0,4 ponto percentual em relação ao mês anterior, mas subiu 3,5 pontos no acumulado em 12 meses.
O comprometimento de renda, que equivale às parcelas mensais divididas pela renda mensal da família, atingiu 29,4% em agosto, no maior nível desde o início da série, em 2005. O indicador subiu 0,8 ponto percentual na comparação com julho e de 3,9 pontos em 12 meses.
Perspectivas para 2023 apontam para inflação global em alta e pouco espaço no Orçamento, segundo economistas Imagem: Isaac Fontana/CJPress/Estadão Conteúdo
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu muitas melhorias na economia, mas deve enfrentar um cenário adverso, dizem especialistas ouvidos pelo UOL. As perspectivas para o próximo ano apontam para inflação global em alta e pouco espaço no Orçamento para o Poder Executivo investir em políticas públicas que estimulem a criação de empregos e o aumento da renda das famílias, afirmam.
Durante a campanha, Lula se comprometeu a manter o valor de R$ 600 do Auxílio Brasil e a promover outras ações de transferência de renda que foram reduzidas ao longo da gestão de Jair Bolsonaro (PL). Também falou em retomar a política de valorização do salário mínimo. O problema, dizem os economistas, é o quanto essas promessas vão custar e os desafios que vão gerar em termos orçamentários.
Segundo Maílson da Nóbrega, economista e ministro da Fazenda durante o governo de José Sarney (1985-1990), não há espaço no Orçamento, e insistir nos compromissos pode agravar o “já delicado” quadro fiscal do Brasil.
Marcelo Paixão, professor associado de Desigualdades Sociais e Raciais e Afroempreendedorismo da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, diz que o Brasil não vai ficar de fora do impacto da inflação internacional, com efeitos da guerra na Ucrânia e dos preços globais de combustíveis.
Renan Pieri, professor de economia da FGV-SP (Fundação Getúlio Vargas), destaca que o programa de governo de Lula, assim como o de Bolsonaro, não detalhava seus planos econômicos “para a gente diferenciar os impactos da eleição de cada um”.
Veja a seguir uma análise dos principais pontos da economia para o próximo ano:
Pobreza: Os economistas ouvidos pelo UOLafirmam que o combate à pobreza, que aumentou na pandemia, será prioridade do governo Lula. Grande parte do investimento deve ser feito em programas de transferência de renda, como o Auxílio Brasil, que vai voltar a se chamar Bolsa Família.
O desafio, diz Pieri, é “criar políticas públicas para além de transferência de renda, especialmente aquelas com foco em educação, para que as pessoas saiam da armadilha da pobreza estrutural, que passa pelas gerações e limita o potencial de ganho econômico das famílias”.
Para especialistas, Lula deve manter a rede de cobertura, sem mexer tanto no número de beneficiários, mas sim em quem está sendo beneficiado. O valor mais alto, porém, é um “desafio orçamentário”, segundo Paixão.
Inflação: Para os economistas, pode haver uma aceleração na alta dos preços no início do novo governo. Essa inflação seria puxada pelo fim do teto do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) que incide sobre combustíveis e energia, medida adotada em junho e válida até dezembro, para conter a escalada dos preços.
Paixão afirma que uma mudança na política de preços da Petrobras, hoje atrelada ao mercado internacional, “pode fazer os combustíveis ficarem mais baratos no curto prazo e, por consequência, reduzir a inflação”.
Petrobras: A expectativa é de que a política de preços da Petrobras seja “abrasileirada” — isto é, deixe de ser atrelada às variações do petróleo no mercado internacional e à cotação do dólar.
Mas os especialistas dizem que a mudança pode resultar em queda no lucro e, consequentemente, uma distribuição menor de dividendos para os acionistas, o que impactaria nas ações da Petrobras na Bolsa.
“Acho que é uma maluquice”, diz Maílson da Nóbrega.
Lula também é contra a privatização da empresa e, por isso, deve fazer uma revisão no plano de venda das refinarias e subsidiárias. A medida foi apontada em seu programa de governo.
Ainda assim, Lula deve ter um olhar favorável às concessões, afirma Paixão: “É um modelo que tem a participação do setor privado por um tempo e ajuda a manter a taxa de investimentos mais alta”.
Combustíveis: Com o fim do teto do ICMS em dezembro, o preço dos combustíveis —já defasado— pode voltar a subir no início do governo Lula. Os economistas dizem que não há espaço no Orçamento para manter o imposto em patamar mais baixo. Além disso, é provável que a medida não tenha o mesmo apoio do Congresso, já que os estados dependem muito da receita que arrecadam com o ICMS.
Mudar a política de preços da Petrobras pode fazer o preço dos combustíveis cair no curto prazo, mas pode gerar “problemas de caixa” no médio e no longo prazo, diz Pieri, da FGV.
Os analistas dizem que não está claro de onde sairá o dinheiro para bancar esse aumento, exceto pelo fim da regra do teto de gastos.
Aposentadorias: Lula prometeu recriar o Ministério da Previdência e reajustar o salário mínimo acima da inflação, o que impacta diretamente nas aposentadorias e pensões. Assim, os economistas dizem que o tema depende da política definida para a nova regra fiscal e para o salário mínimo, que afeta os valores e pressiona o Orçamento.
Empregos: Espera-se que as políticas do governo Lula sejam focadas no emprego formal. Em paralelo, os economistas afirmam que a taxa de desemprego pode ser reduzida por meio de outras ações indiretas, como o controle das contas públicas e da inflação, que farão com que o país volte a crescer como um todo.
Funcionários públicos: Especialistas dizem que não haverá mudanças nas regras de remuneração do funcionalismo público ou na quantidade de vagas ofertadas, apesar de eventuais pressões da categoria. Na campanha, Lula prometeu “recomposição gradual” dos salários dos servidores públicos, atrelada ao crescimento da economia a partir de 2023.
Teto de gastos: Lula defende o fim do teto de gastos e, ao longo da campanha, foi muito cobrado a apresentar detalhes sobre a regra fiscal que vai substituí-lo. Até agora não se sabe o que o governo eleito deve fazer, mas é consenso entre os economistas que o modelo atual é inviável.
“[Lula] vai ser obrigado a recriar a âncora fiscal que foi destruída pelas seguidas violações do teto de gastos pelo governo Bolsonaro. É um dos grandes desafios do período. O novo presidente tem que ter consciência do tamanho do pepino que ele tem para resolver no ano que vem”, diz Maílson da Nóbrega.
Banco Central: Por ter autonomia, ao menos em tese, o Banco Central não deve sofrer influência do governo na política monetária.
Juros: O desafio, segundo especialistas, será reduzir os juros básicos da economia (Selic), hoje em 13,75% ao ano, a níveis pré-pandemia.
Economistas afirmam que será necessário um conjunto de ações para que os juros caiam. Além do controle da inflação, será importante adotar uma nova regra fiscal que diminua o tamanho da dívida, permitindo ao BC reduzir a Selic gradualmente. A campanha de Lula não adiantou detalhes sobre esses tópicos.
Dólar e Bolsa. É impossível prever como o mercado financeiro se comportará. Mas é consenso entre especialistas que a cotação do dólar e o desempenho da B3, a Bolsa de Valoresbrasileira, estará relacionado à capacidade de o presidente eleito resolver ou ao menos minimizar os problemas que vai herdar.
Adotar medidas “irresponsáveis”, diz Maílson da Nóbrega, pode levar a insegurança jurídica e queda da confiança, fazendo com que investidores deixem o Brasil. Essa fuga de capitais pressionaria o câmbio, fazendo o dólar disparar, o que também teria impacto na inflação.