Reino Unido e países do leste asiático também conseguiram reduzir taxas
Donald Trump e Ursula von der Leyen fecharam acordo sobre tarifas – 27/07/2025 | Foto: Reprodução/Redes sociais
O presidente dos EUA, Donald Trump, já negociou tarifas — e aceitou reduzir os porcentuais — com China, Japão e União Europeia. O Brasil, no entanto, nem é recebido, conforme informou o próprio governo na semana passada. Luiz Inácio Lula da Silva disse que ninguém quer conversar com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, encarregado da negociação.
Europeus, chineses e japoneses, depois de receberem a carta com as novas tarifas comerciais de Trump, aguardaram as negociações. O Brasil voltou-se contra Trump. Lula fez uma série de declarações públicas consideradas afrontosas ao presidente norte-americano.
A tarifa sobre os produtos brasileiros — de 50% — foi a maior imposta pelos EUA. Aqui, além de fatores comerciais, Trump considerou a perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que ele chamou de “caça às bruxas”, e os avanços do Supremo Tribunal Federal (STF) contra a liberdade de expressão, ao censurar empresas e cidadãos norte-americanos.
Neste domingo, tanto Trump quanto o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, disseram que as tarifas começam a valer no dia 1º, sem exceções.
Países que já negociaram com Trump
Neste domingo, 27, Trump confirmou um entendimento com a União Europeia, depois de reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Edimburgo, Escócia.
“A UE vai concordar em comprar dos EUA US$ 750 bilhões em energia”, afirmou Trump. Ele acrescentou que o bloco também investirá US$ 600 bilhões a mais nos EUA. Von der Leyen destacou que o acordo visa a “reequilibrar, mas permitir o comércio de ambos os lados”.
Acordos recentes dos EUA com outros parceiros
Antes da UE, os EUA já tinham fechado acordos semelhantes com outros parceiros. O Japão firmou compromisso de investir US$ 550 bilhões nos Estados Unidos, sendo que a maior parte do lucro ficará no país norte-americano. Além disso, foi acordada redução nas tarifas sobre importações japonesas, que passaram de 25% para 15%.
O Reino Unido, por sua vez, garantiu cotas para exportação de automóveis e conseguiu diminuição das tarifas sobre aço, etanol e carne para 10%, além da retirada total das taxas no setor aeroespacial.
Outro entendimento ocorreu com a China, em 12 de maio, e as tarifas foram mutuamente suspensas por 90 dias. Durante esse período, Pequim diminuiu taxas sobre produtos norte-americanos de 125% para 10%, enquanto Washington reduziu de 145% para 30%. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou: “Podemos conseguir um grande e lindo reequilíbrio com a China”.
No sudeste asiático, as Filipinas celebraram acordo para estabelecer tarifas de 19% sobre produtos exportados, índice igual ao acordado com a Indonésia e 1 ponto porcentual abaixo do Vietnã, que ficou em 20%. No caso indonésio, apenas as exportações do país foram taxadas, sem contrapartidas para os produtos norte-americanos. O Vietnã aceitou abrir seu mercado aos EUA sem imposição de tarifas.
Investigação contra o Brasil
Além da maior tarifa entre todos os países, o governo norte-americano também anunciou uma investigação sobre práticas comerciais. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA já começou a apurar denúncias de práticas desleais.
Lula tem falado em reciprocidade e aumento de tarifas para os EUA | Foto: Ricardo Stuckert/PR/@LulaOficial
Fazem parte da investigação temas relacionados ao Pix, ao comércio na Rua 25 de Março e à atuação de redes sociais norte-americanas no país. A investigação, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, também aborda questões como o desmatamento ilegal, a demora na concessão de patentes e o acesso ao mercado de etanol.
Ministro afirmou estar estudando diferentes cenários
Fernando Haddad Foto: EFE/Sebastião Moreira
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou, nesta segunda-feira (21), que está buscando medidas para fazer frente ao impacto da tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos, patamar previsto para entrar em vigor no prazo de dez dias. Ele observou, contudo, que é possível que o país chegue em agosto sem resposta dos EUA.
As falas aconteceram em entrevista à Rádio CBN. O titular da Fazenda declarou ainda que o Executivo tem estudado diferentes cenários.
– O Brasil não vai sair da mesa de negociação, é determinação de Lula – argumentou o ministro.
Ao anunciar tarifas adicionais de 50% sobre qualquer produto brasileiro, Donald Trump apontou motivos não somente econômicos, mas também políticos, especialmente o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Judiciário brasileiro.
Para Haddad, parte do que chama de “extrema-direita” no Brasil está “se colocando contra os interesses nacionais”, um argumento reforçado pelo governo.
– Tem uma família específica no Brasil que está concorrendo contra os interesses nacionais – afirmou.
O governo mandou outra carta para os EUA sobre negociação e, relatou o ministro, o Brasil vai continuar insistindo porque, para ele, “não há razão para as tarifas”.
A operação da Polícia Federal na última sexta (18), que envolveu Bolsonaro, foi autorizada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), gerando repercussão política nos EUA.
O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), relativo ao mês de junho de 2025, com dados sistematizados e analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), estima, para a safra 2025, uma produção de cereais, oleaginosas e leguminosas de 12,7 milhões de toneladas, o que representa um avanço de 11,3% na comparação com a safra de 2024.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por sua vez, também projeta expectativas positivas na produção, na área plantada e na produtividade dos grãos para o ciclo 2024/2025. Soja e algodão destacam-se na produção desse novo ciclo.
De acordo com o IBGE, a área plantada dos grãos para 2025 está estimada em 3,67 milhões de hectares (ha), com crescimento de 3,5% em relação à safra de 2024. Com isso, o rendimento médio (3,45 toneladas/ha) da lavoura de grãos no estado da Bahia será de 7,6% acima da safra anterior.
O volume de soja colhido está estimado em 8,61 milhões de toneladas, o que corresponde a um crescimento de 14,3% sobre o verificado em 2024. A área plantada com a oleaginosa no estado é de aproximadamente 2,14 milhões de ha. O rendimento médio de 4,01 toneladas/ha tem relevância nesse desempenho positivo, com aumento de 8,3% em relação à safra anterior.
As duas safras anuais do milho, estimadas pelo IBGE, devem alcançar 2,50 milhões de toneladas, o que representa aumento de 8,0% na comparação anual. Com relação à área plantada, houve queda de 0,7% em relação à estimativa da safra anterior, de 605 mil ha. A primeira safra do cereal está projetada em 1,74 milhão de toneladas, 12,2% acima do que foi observado em 2024. Já para a segunda safra, é esperado um recuo de 0,5% em relação à colheita anterior, com expectativa de 763 mil toneladas.
Outro importante produto da safra baiana, o algodão (caroço e pluma), tem produção estimada em 1,86 milhão de toneladas, o que representa aumento de 5,1% em relação ao ano de 2024. A estimativa evidencia que a Bahia se mantém como o maior produtor da Região Nordeste e o segundo maior do Brasil, responsável por 19,9% da safra nacional, atrás apenas do Mato Grosso (70,6% da safra nacional). A área plantada com a fibra aumentou 5,3%, alcançando 400 mil ha em relação à safra de 2024.
Para a lavoura do feijão, a estimativa é de uma safra menor em 4,2%, na comparação com a safra 2024, totalizando 213 mil toneladas. O levantamento tem estimativa de 375 mil ha plantados, 1,3% menor que a safra anterior. A primeira safra da leguminosa (122 mil toneladas) foi 11,0% inferior à de 2024, e a estimativa da segunda safra (91 mil toneladas) prevê uma variação positiva de 6,7% na mesma base de comparação.
Em relação ao café, está prevista a colheita de 281 mil toneladas em 2025, 12,9% acima do observado no ano anterior. A safra do tipo arábica foi de 110 mil toneladas, com variação anual de 5,9%. Por sua vez, a safra do tipo canéfora foi de 171 mil toneladas, 18,0% acima da colheita do ano anterior.
Para a lavoura da cana-de-açúcar, o IBGE estima produção de 5,49 milhões de toneladas, revelando decréscimo de 1,0% em relação à safra de 2024. A estimativa da produção do cacau, por sua vez, ficou em 119 mil toneladas, apontando um avanço de 7,0% na comparação com a do ano anterior.
Na fruticultura, destacam-se as estimativas das lavouras de banana (906 mil toneladas), laranja (632 mil toneladas) e uva (61 mil toneladas), que registraram, respectivamente, variações de 4,8%, 0,3% e 10,0% em relação à safra anterior.
O levantamento ainda indica uma produção de 907 mil toneladas de mandioca, 14,7% a mais que a de 2024. A produção de batata-inglesa, estimada em 340 mil toneladas, indica acréscimo de 1,7%; e a do tomate, estimada em 183 mil toneladas, aponta queda de 48,4% na comparação com a do ano anterior.
No décimo levantamento do ciclo 2024/2025, a Conab estima safra de 13,8 milhões de toneladas de grãos
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em seu décimo levantamento de 2024/2025, estimou uma produção de 13,8 milhões de toneladas de grãos – o que representa um avanço de 10,8% em relação ao ciclo 2023/2024.
Com relação à área plantada, observa-se uma ampliação de 6,1% na mesma base de comparação, o que alcança uma área de 4,0 milhões de ha. Destaca-se a expansão da área plantada de soja (+156 mil ha) e algodão (+67 mil ha). Assim, o rendimento médio do conjunto das lavouras pesquisadas deverá ficar em torno de 3,43 toneladas/ha, o que corresponde a um crescimento de 4,4% em relação ao ciclo anterior.
A soja, segundo dados da Conab, deve apresentar um novo ciclo de alta, com aumento da área plantada – crescimento de 7,9% em relação à temporada anterior –, alcançando um total de 2,14 milhões de ha. Por sua vez, a produção deve avançar em 16,5%, para 8,71 milhões de toneladas na atual temporada, em comparação com o ciclo anterior. Com isso, a produtividade estimada é de 4,08 toneladas/ha, representando aumento de 7,9% em relação à safra anterior.
A produção de algodão está estimada em 1,96 milhão de toneladas, sendo plantada em 413 mil ha, o que representa um crescimento de produção de 16,3% em relação ao ciclo 2023/2024. De acordo com a Conab, a expectativa de aumento de área (19,4%) em relação à safra anterior deve-se aos bons resultados alcançados em 2024. A expectativa é de aumento na produtividade graças à regularidade hídrica e ao manejo das culturas.
Uma das expectativas negativas está associada à produção de milho. A Conab estima que a safra atual totalize 2,74 milhões de toneladas. As principais contribuições provêm da primeira (1,28 milhão de toneladas) e da terceira (1,26 milhão de toneladas) safra do cereal. Em seu conjunto, a produção de milho, no estado, apresenta previsão de queda de 7,5% em relação ao período anterior, atribuída às adversidades climáticas. De acordo com análise da Conab, há uma expectativa da redução da área de cultivo (-2,6%) devido à baixa rentabilidade do cereal. Apenas no oeste baiano, o clima foi favorável, com chuvas regulares.
Também a safra de feijão tem estimativas negativas, pois a escassez e até a ausência de chuvas, principalmente nas áreas centrais do estado, não apenas limitaram a realização do plantio como prejudicaram a evolução fenológica das lavouras, reduzindo drasticamente o potencial produtivo. As áreas mais ao oeste do estado apresentaram melhores resultados, já que o regime pluviométrico ali foi mais favorável. O volume estimado é de 325 mil toneladas (plantado em 434 mil ha) e representa uma redução de 8,2% em relação ao ciclo 2023/2024. Esse recuo deve ser verificado na primeira safra de produção do grão, que tem estimativa de registrar queda de 42,2%, em relação à primeira safra do ciclo 2023/2024.
Ninguém acertou as seis dezenas do concurso 2.887 da Mega-Sena, sorteado neste sábado (12), e o prêmio principal acumulou. A estimativa da Caixa Econômica Federal é que o valor chegue a R$ 46 milhões no próximo sorteio, que será realizado na terça-feira (15).
Segundo a Caixa, 39 apostas acertaram a quina e receberão R$ 96.688,72 cada. Outras 3.189 apostas fizeram a quadra e levarão R$ 1.689,22 cada.
As apostas para o próximo concurso podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) da terça-feira, em qualquer casa lotérica credenciada ou pelo site e aplicativo da Caixa.
Ninguém acertou as seis dezenas do concurso 2.886 da Mega-Sena, realizado nesta quinta-feira (10). Os números sorteados foram: 02 – 13 – 19 – 20 – 55 – 59.
O prêmio acumulou e está estimado em R$ 38 milhões. O próximo sorteio vai acontecer neste sábado (12), às 20h no horário de Brasília, com transmissão ao vivo pelo canal da Caixa no YouTube e na página das Loterias Caixa no Facebook..
Apesar de ninguém ter acertado o prêmio principal, 61 apostadores acertaram a quina e vão receber R$ 43.588,00 cada. Já outras 4.268 apostas cravaram quatro números e embolsarão R$ 889,96 cada.
As apostas para o próximo sorteio podem ser feitas até as 19h, em casas lotéricas credenciadas pela Caixa, espalhadas por todo o país, ou através da internet.
O jogo simples, com seis números marcados, custa R$ 6.
Governo Lula enfrenta queda na popularidade | Foto: Mateus Bonomi/Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 9, que o Brasil responderá com base na legislação de reciprocidade econômica à tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre todas as exportações brasileiras. Mais cedo, o presidente norte-americano Donald Trump informou a adoção da medida a partir de 1º de agosto.
Lula enfatizou a soberania do país diante da iniciativa norte-americana. “O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”, escreveu o presidente.
A resposta ocorreu horas depois de Trump justificar a tarifa com críticas ao Supremo Tribunal Federal e à condução do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de acusações de censura a plataformas digitais.
Em sua nota, Lula avaliou que as taxas visam a interferir no caso. “O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de Estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais.”
O presidente brasileiro também comentou as alegações de Trump sobre a atuação de empresas digitais norte-americanas no Brasil. “No contexto das plataformas digitais, a sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a liberdade democrática”, afirmou.
Sobre o argumento econômico utilizado na carta norte-americana, que cita o déficit comercial com o Brasil, Lula rebateu: “É falsa a informação, no caso da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, sobre o alegado déficit norte-americano.”
Em seguida, citou dados do governo dos EUA: “As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de US$ 410 bilhões ao longo dos últimos 15 anos.”
Por fim, Lula anunciou que o país não deixará sem resposta a medida tarifária: “Qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica.”
A norma autoriza o Poder Executivo a suspender concessões comerciais, investimentos ou obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual sempre que for identificado impacto negativo decorrente de medidas comerciais, financeiras ou ambientais aplicadas unilateralmente contra o Brasil.
Segundo o artigo 1º, a lei busca reagir a práticas externas que afetem “a competitividade internacional brasileira”. O artigo 2º detalha os tipos de ações que justificam a aplicação da lei, inclusive interferência em decisões soberanas, violações de acordos internacionais e medidas ambientais mais rigorosas que aquelas já adotadas pelo Brasil.
O artigo 3º reforça que essas ações poderão ser implementadas em coordenação com o setor privado, e que o Executivo deverá estabelecer mecanismos de monitoramento e revisão periódica das medidas adotadas. Já o artigo 6º prevê a possibilidade de adoção provisória de contramedidas em situações excepcionais.
A Lei nº 15.122 foi aprovada por unanimidade no Senado Federal e assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, pelo ministro da Fazenda Fernando Haddad e pela secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha.
A entrada em vigor da norma, anteriormente aplicada ao caso das tarifas norte-americanas sobre aço e alumínio, agora serve de base para a resposta brasileira à nova tarifa de 50% anunciada pelo presidente Donald Trump. Lula declarou que “qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica”.
Levantamento da Febraban apura percepção sobre economia e vida familiar dos entrevistados
Apesar da preocupação com a economia, 70% dos entrevistados declararam-se satisfeitos com a vida familiar | Foto: Montagem/Revista Oeste
A inflação e o aumento do custo de vida estão entre as principais preocupações dos brasileiros durante os primeiros seis meses do ano, aponta o último levantamento da Federação Brasileira de Bancos(Febraban). No entanto, houve uma leve melhora nas expectativas em comparação à pesquisa anterior, de março.
A percepção de que os preços estão subindo, que havia atingido 89% em março, recuou para 83% em junho. Essa sensação de alta nos preços é ampla entre todos os segmentos, porém é mais acentuada entre as mulheres (85%) do que entre os homens (80%).
Apesar da preocupação com os preços, sete de cada dez brasileiros afirmam estar satisfeitos com a vida pessoal, índice que se mantém estável em relação às edições anteriores da pesquisa Radar Febraban, realizada entre 12 e 20 de junho. O levantamento ouviu 2 mil pessoas, de todas as regiões do país.
Entre os entrevistados, 75% afirmam que os preços elevados afetam diretamente o poder de compra de alimentos e produtos essenciais para o lar. Esses itens lideram as preocupações, seguidos pelos combustíveis (30%) e pelos gastos com saúde e medicamentos (28%).
A percepção sobre a vida pessoal e familiar permanece estável: 70% declararam-se satisfeitos ou muito satisfeitos. Ao avaliar o primeiro semestre, 78% disseram que a vida pessoal e familiar melhorou (40%) ou permaneceu igual (38%). Já o porcentual dos que relataram piora subiu de 19% em março para 22% em junho.
Isaac Sidney, presidente da Febraban | Foto: Reprodução/Youtube/Febraban
Inflação abala humor das pessoas, diz pesquisador
Segundo o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), o humor da população ainda é impactado por uma série de notícias negativas recentes.
“Neste segundo trimestre tivemos aumento da taxa básica de juros para 15%, os descontos indevidos nas contas dos aposentados, o crédito ficou mais caro, houve alta na energia elétrica e nos custos de habitação”, destaca.
Realizada trimestralmente pelo Ipespe, a Pesquisa Radar Febraban acompanha a percepção e as expectativas da sociedade sobre a vida cotidiana, a economia e as prioridades para o país.
Alta nas alíquotas fortalece indústria nacional e acelera planos de fábricas no país
Na prática, a nova taxação já acelera os planos de instalação de fábricas no Brasil | Foto: Divulgação/BYD
O governo federal aumentou nesta terça-feira, 1º de julho, o imposto de importação sobre carros elétricos. A nova rodada de elevação faz parte de um cronograma iniciado em janeiro. A agenda deve culminar, até julho de 2026, em uma alíquota de 35% para todos os modelos.
Como resultado, as tarifas agora variam entre 25% e 30%, dependendo da categoria do veículo. No caso dos híbridos plug-in, por exemplo, a taxa subiu de 20% para 28%.
Apesar da medida, o impacto imediato nos preços ainda é incerto. Fabricantes e revendas podem optar por manter os valores atuais, absorvendo os custos para não perder competitividade no mercado.
A justificativa oficial para o aumento é estimular a produção nacional de veículos elétricos. A Câmara de Comércio Exterior já havia aprovado o escalonamento no fim de 2023. A intenção do governo é favorecer as montadoras instaladas no Brasil.
De janeiro a maio de 2025, o país recebeu 186.181 veículos importados, sendo quase metade, 49,8%, composta de modelos elétricos, híbridos e híbridos plug-in. Os dados são da Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa).
No mesmo período, o total de veículos emplacados no Brasil chegou a 929 mil unidades. Ou seja: os carros elétricos importados responderam por 9,98% do total vendido no país.
Representantes da indústria nacional defendem antecipar a alíquota final de 35% para frear a entrada de modelos estrangeiros. A Abeifa, no entanto, é contrária à ideia e defende previsibilidade.
Indústria aposta em fábricas de elétricos para fugir das novas tarifas
Na prática, a nova taxação já acelera os planos de instalação de fábricas no Brasil. Montadoras como BYD e GWM, ambas chinesas, anunciaram operações locais para escapar das alíquotas maiores.
A BYD comprou a antiga planta da Ford em Camaçari (BA), mas atrasou o cronograma inicial. Problemas trabalhistas que envolvem operários chineses e troca de empreiteira responsável pelas obras contribuíram para o atraso.
Também a GWM está instalada em Iracemápolis (SP), onde a Mercedes-Benz já atuou. A expectativa é iniciar a pré-produção ainda neste mês. Outras marcas também se preparam.
A Caoa Chery segue com operações em Anápolis (GO) e deve ampliar sua presença com uma unidade em Jacareí (SP), onde pretende montar novos modelos das marcas Omoda e Jaecoo.
Já a GAC Motors negocia uma planta em Catalão (GO). Por sua vez, a Geely, que trouxe o SUV EX5 pelo Porto de Paranaguá (PR), avalia uma fábrica em São José dos Pinhais (PR), em parceria com a Renault.
Paraná Pesquisas divulgou levantamento sobre a perspectiva econômica no país nesta segunda-feira, 30
Lula, durante cerimônia no Tocantins – 27/06/2025 | Foto: Cláudio Kbene/PR
Levantamento divulgado nesta segunda-feira, 30, pelo Instituto Paraná Pesquisas mostra que 71,4% dos brasileiros acham que os preços dos produtos no supermercado aumentaram depois que Luiz Inácio Lula da Silva voltou a governar o Brasil.
Apenas 9,4% acham que os preços diminuíram; e 17,2% acham que os preços dos produtos permanecem como estavam. Não opinaram 2,1% dos entrevistados.
O resultado não é o pior da série histórica do governo Lula 3. O maior porcentual de pessoas que acham que os preços aumentaram foi registrado em abril deste ano — 73,7% dos entrevistados tinham essa percepção.
Pesquisa sobre percepção econômica do brasileiro – comparativo | Foto: Reprodução/Paraná Pesquisas
Percepção sobre o preço da picanha no governo Lula
O Paraná Pesquisas também perguntou sobre a percepção da variação do preço da picanha no governo Lula e na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para 50%, o preço está mais alto, e para 17,9%, mais baixo.
Pesquisa sobre percepção econômica do brasileiro – preço da picanha | Foto: Reprodução/Paraná Pesquisas
Por fim, a maioria dos entrevistados demonstrou pessimismo sobre a possibilidade de voltar a comprar picanha e cerveja, produtos que, na campanha, Lula prometeu que todos voltariam a ter acesso. Para 67,1%, a situação econômica não permitirá que o brasileiro volte a comprar picanha e cerveja.
Pesquisa sobre percepção econômica do brasileiro – picanha e cerveja | Foto: Reprodução/Paraná Pesquisas
A pesquisa foi feita entre 18 e 22 de junho. Foram ouvidos 2.020 eleitores no Distrito Federal e em 162 municípios dos 26 Estados. A amostra atinge um grau de confiança de 95% para uma margem estimada de erro de 2,2 pontos porcentuais para os resultados gerais.
‘Estamos pegando os setores que ganham muito dinheiro e que pagam muito pouco’, alega o presidente
Lula tem se dedicado mais à agenda internacional e acumulou mais de 100 dias fora do país desde o início do mandatos | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o aumento do IOF e elogiou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante entrevista ao podcast Mano a Mano, divulgada na madrugada desta quinta-feira, 19. Em meio às críticas do Congresso e do mercado financeiro, o chefe do Executivo classificou a medida como justa.
“Estamos pegando os setores que ganham muito dinheiro e que pagam muito pouco”, afirmou Lula. “As bets ganham bilhões e não querem pagar. As fintechs hoje são quase bancos e também não querem pagar. Essas brigas temos de fazer.”
O presidente destacou que a proposta de Haddad visa a aumentar a carga tributária sobre plataformas de apostas on-line, fintechs e outros segmentos. O objetivo é equilibrar as contas públicas sem reduzir despesas. “O IOF do Haddad não tem nada demais”, resumiu.
Apesar das alternativas sugeridas pelo governo, como uma alta mais moderada no IOF e o fim de isenções no Imposto de Renda sobre LCIs e LCAs, a proposta sofreu revés na Câmara. Por 346 votos a 97, os deputados aprovaram a tramitação acelerada de um projeto que anula as alterações feitas no imposto.
Durante a conversa com o rapper Mano Brown, aliado declarado do petista, Lula voltou a dizer que herdou um país em ruínas. Comparou a situação encontrada ao assumir o Planalto com o cenário de destruição na Faixa de Gaza. “De vez em quando, olho para a destruição na Faixa de Gaza e fico imaginando o Brasil que encontramos”, observou. “Foi uma destruição proposital.”
Números: governo Lula versus governo Bolsonaro
📈 PIB: Bolsonaro entregou um crescimento acumulado de 8,7%, com recuperação em 2021 (+5%). Lula mantém ritmo mais lento, com 2,9% em 2023 e projeções próximas de 2% até 2025.
💸 Dívida pública: caiu de 87% para 73,5% do PIB no fim do governo Bolsonaro. Com Lula, voltou a subir e já passa dos 77%.
💵 Câmbio: o dólar fechou 2022 em queda e abaixo de R$ 5. Sob Lula, voltou a subir com incertezas fiscais (R$ 5,49).