As fortes chuvas que atingem o Sudeste deixaram ao menos 28 mortos e dezenas de desaparecidos em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. O cenário mais crítico foi registrado na Zona da Mata mineira, especialmente nos municípios de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa.
Em Minas Gerais, foram confirmadas 22 mortes, 16 em Juiz de Fora e seis em Ubá, além de pelo menos 45 pessoas desaparecidas. Em Juiz de Fora, a prefeitura decretou estado de calamidade pública após deslizamentos de terra, alagamentos e o registro de centenas de moradores fora de casa. Já em Matias Barbosa, o município também decretou calamidade para agilizar ações emergenciais e solicitar recursos.
No Rio de Janeiro, uma idosa de 85 anos morreu durante o temporal que atingiu a Região Metropolitana na segunda-feira (23). A vítima morava em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, onde cerca de 600 pessoas ficaram desalojadas.
O município decretou alerta máximo, o nível mais alto de uma escala de cinco estágios. Durante a chuva, a Rodovia Presidente Dutra chegou a ser totalmente interditada no sentido São Paulo, mas já foi liberada, embora o tráfego siga com retenções.
No estado de São Paulo, cinco pessoas morreram em decorrência das chuvas apenas neste mês, segundo a Defesa Civil. O caso mais recente foi registrado em Natividade da Serra, no Vale do Paraíba, onde um homem de 67 anos morreu após o desabamento da casa durante vendavais no domingo (22). Desde o início do período chuvoso, em dezembro de 2025, o estado já soma 19 mortes relacionadas aos temporais.
Os temporais recentes também provocaram alagamentos, deslizamentos e levaram cidades do litoral norte e do interior paulista a decretar estado de emergência.
Autoridades mantêm o alerta para a possibilidade de novos episódios de chuva intensa na região.
A Defesa Civil de Feira de Santana alerta para a possibilidade de chuvas intensas nos próximos dias, com acumulados que podem ultrapassar 10 milímetros. De acordo com o coordenador do órgão, Antônio José do Santos, o município está sob alerta laranja, indicando perigo potencial, situação que deve permanecer até o início de março.
Segundo ele, o boletim meteorológico foi recebido na manhã desta terça-feira (24) e aponta que, além de Feira, cerca de 95% dos municípios baianos também estão enquadrados no mesmo nível de alerta.
“Há possibilidade, sim, de chuvas nesses dias em Feira de Santana que podem passar de dez milímetros. Recebemos hoje pela manhã o boletim informativo e estamos em alerta laranja, que é o alerta de perigo para chuvas fortes”, explicou.
O coordenador ressaltou que esse período do ano é marcado por riscos associados às precipitações, como descargas elétricas, trovoadas e alagamentos.
“São vários os riscos associados a esse período, como descargas elétricas, trovoadas e alagamentos. Por isso, orientamos que as pessoas, ao receberem os alertas da Defesa Civil, procurem sempre locais seguros”, destacou.
A recomendação é evitar áreas abertas e não se abrigar debaixo de árvores durante tempestades. Também é preciso atenção com estruturas como marquises e placas que possam oferecer perigo em caso de ventos fortes.
“A gente aconselha que nunca se vá de encontro às chuvas ou tempestades, nem se abrigue debaixo de árvores. É preciso ter cuidado com marquises, placas e estruturas que possam representar risco”, reforçou Antônio José.
Em situações de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil por meio do aplicativo Fala Feira, pelo número 156. Em casos mais graves, a orientação é entrar em contato com o Corpo de Bombeiros, pelo 193, ou com a Polícia Militar, pelo 190.
“Nós estamos à disposição e em monitoramento constante da cidade. Em casos mais extremos, procurem o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar ou entrem em contato com a Defesa Civil através do Fala Feira”, concluiu o coordenador.
O Parque da Lagoa Radialista Erivaldo Cerqueira foi temporariamente fechado na manhã desta sexta-feira (21) para a realização de serviços de manutenção e limpeza, após as fortes chuvas que atingiram Feira de Santana desde a tarde de ontem (20). A informação foi confirmada pelo secretário de Serviços Públicos, Justiniano França.
Segundo o secretário, o volume significativo de chuva provocou o alagamento de toda a área do parque. Além do acúmulo de água, o transbordamento da lagoa — causado também pelo escoamento de águas das áreas externas — arrastou grande quantidade de resíduos para dentro do equipamento público, comprometendo as condições de uso do espaço.
“O Parque terá que passar por uma faxina completa. Como há previsão de continuidade das chuvas nos próximos dias, a situação pode se repetir, inviabilizando qualquer atividade no local”, explicou Justiniano França.
A Secretaria de Serviços Públicos (SESP) avalia que, caso o clima chuvoso persista, os serviços de limpeza só poderão ser executados na próxima segunda-feira (24). “Se as chuvas se confirmarem, só teremos condições de iniciar a faxina na segunda-feira, pois o alagamento e a sujeira se repetirão diariamente”, acrescentou o secretário.
A Prefeitura pede compreensão da população e reforça que o fechamento temporário é necessário para garantir a segurança dos frequentadores e preservar a estrutura do parque. Um novo comunicado será emitido assim que o espaço estiver apto para reabertura.
A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil de Feira de Santana segue acompanhando de perto os efeitos das chuvas registradas na cidade nos últimos dias. De acordo com o coordenador do órgão, Antônio José do Rosário, as equipes estão realizando o monitoramento in loco dos principais pontos críticos, mas até o momento não houve registro de ocorrências ou chamados por meio dos canais de contato da Defesa Civil.
As previsões indicam que o tempo deve permanecer nublado e com chuvas fracas nos próximos dias, estendendo-se até a próxima terça-feira (28). Somente até o meio-dia desta terça (22), o acumulado de chuva chegou a 16 milímetros.
Segundo Antônio José, o órgão segue em alerta, especialmente por conta do acúmulo de água em canais e áreas de escoamento. Ele destacou um ponto crítico na região da Vila Olímpica.
“Um dos principais canais da cidade, que passa ao fundo da Vila Olímpica, tem recebido muita água. Porém, a quantidade de lixo que a população joga dentro do canal tem dificultado o escoamento e impede que essa água flua com mais rapidez”, ressaltou o coordenador.
Ainda conforme as previsões meteorológicas, as chuvas mais intensas devem se concentrar na faixa leste do estado, com destaque para Salvador e regiões próximas a Sergipe. As temperaturas devem variar entre 18°C e 29°C durante o período.
A Defesa Civil reforça que a população pode acionar o órgão em casos de risco através do telefone 156.