Interlocutores falaram em “altura do vão é de 2,5m” para apartamento que custava R$ 2,5 milhões

Jaques Wagner Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Detalhes da investigação da Polícia Federal sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA) revelaram que uma mensagem considerada comum pelos interlocutores pode ter sido usada para tratar da negociação de um apartamento de luxo em Salvador. A suspeita faz parte das apurações da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes ligadas ao Banco Master.

De acordo com a PF, a conversa ocorreu entre Daniel Lopes Monteiro e Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Tio Guiga. Os investigadores apontam que ambos atuavam em funções relevantes nas tratativas envolvendo o imóvel localizado no condomínio Poème Horto.

Em uma das mensagens analisadas, Daniel escreveu:

– A altura do vão é 2,45m.

A resposta foi imediata:

– Perfeito.

Para a Polícia Federal, a medida citada não se encaixava em uma discussão técnica. A suspeita é que o número fosse uma referência ao valor do imóvel, estimado em R$ 2,45 milhões.

Segundo a investigação, os envolvidos evitavam registrar informações consideradas sensíveis por escrito. A PF afirma que eles priorizavam contatos por telefone, reuniões presenciais e outros meios de comunicação mais difíceis de serem monitorados.

As apurações indicam que o apartamento passou a fazer parte das negociações após Jaques Wagner encaminhar a Augusto Ferreira Lima informações sobre o empreendimento, incluindo dados do corretor responsável e da unidade 1702.

Na sequência, Augusto Ferreira Lima teria acionado Valério Marega Júnior, conhecido como Valério Fundos, para viabilizar a compra do imóvel. Os investigadores afirmam que os irmãos Daniel e David Lopes Monteiro também participaram da operacionalização da aquisição.

De acordo com documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a compra foi formalizada pela empresa Epítome S.A., representada por Luiz Antônio Lombardi, com recursos oriundos de estruturas de fundos ligadas ao grupo econômico investigado.

Para a PF, a forma como a operação foi conduzida pode indicar uma tentativa de ocultar o verdadeiro beneficiário do imóvel. Essa é uma das principais linhas de investigação do caso.

A decisão do ministro André Mendonça destaca ainda que as movimentações envolvendo o apartamento continuaram mesmo após a primeira fase da Operação Compliance Zero, com reuniões presenciais, chamadas de voz, videoconferências e trocas de documentos relacionados à situação jurídica da propriedade.

Os investigadores atribuem a Daniel Lopes Monteiro a elaboração de documentos e o suporte jurídico da operação. Já Guilherme Sodré teria atuado como intermediário entre pessoas próximas ao senador e representantes do grupo empresarial investigado.

Informações Pleno News

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