Presidente declarou que ‘o mundo é do caminho do meio’ durante diálogo com o chanceler alemão Friedrich Merz

Lula G7
Lula durante reunião ampliada do G7 | Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 17, que “nunca” foi esquerdista. Ele deu a declaração na cúpula do G7, em Évian, na França. Uma gravação registrou a fala durante conversa privada do petista com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.

“Nos Estados Unidos, os republicanos ficaram mais no governo do que os democratas”, disse Lula, na ocasião. “Na França, os socialistas também ficaram bem menos tempo governando. Ou seja, o que isso prova? Que o mundo não é de esquerda. O mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade.”

HOT MIC: a voz do presidente Lula vazou na reunião do G7 durante uma conversa do petista com o chanceler Alemão e Kristalina Georgieva, da União Europeia.

Lula diz que “o mundo não é de esquerda”, e que ele nunca foi um esquerdista pic.twitter.com/flTYz5zK8b— Sam Pancher (@SamPancher) June 17, 2026

Em seguida, Kristalina Georgieva comentou a percepção internacional sobre o primeiro mandato de Lula, que começou em 2003. “Quando você foi presidente pela primeira vez, todos esperavam que você fosse um esquerdista, mas você não foi”, disse. 

“Mas eu nunca fui esquerdista”, respondeu Lula. A diretora-geral do FMI, porém, rebateu: “Mas essa era a imagem na época”.

A cúpula do G7 reúne líderes das principais economias do mundo e países convidados.

Lula diz que era próximo de sindicatos, mas não de esquerda

Na conversa, o presidente associou a imagem de sua trajetória política ao movimento sindical. Ele relembrou as relações que manteve com entidades trabalhistas do Brasil e da Europa.

“Eu era um dirigente sindical com uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, tinha uma relação boa com o sindicalismo italiano, uma relação boa com a UGT, da Espanha”, contou. Depois, ele afirmou que o trataram como “anticomunista” na Europa por negar participação de um congresso da então União Soviética em 1980.

“Em 1980, tinha um congresso na Rússia que eu fui convidado”, afirmou. “E eu não fui na Rússia, porque fui condenado pela Lei de Segurança Nacional. Eu fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade, e aí eu passei a ser tratado como anticomunista.”

Não é a primeira vez que Lula nega a ideologia de esquerda, sobretudo em períodos eleitorais. Ao longo da trajetória política, o petista já afirmou diversas vezes que não é comunista. Durante a campanha de 2002, adotou um discurso de moderação para afastar temores sobre um eventual governo de perfil radical.

Nos anos seguintes, Lula voltou a rejeitar o rótulo de socialista em entrevistas e discursos. Na campanha presidencial de 2022, também rebateu acusações de adversários e afirmou que seus governos “conciliaram” trabalhadores e empresários.

Em 2023, porém, durante a abertura do 26º Encontro do Foro de São Paulo, em Brasília, ele afirmou que é motivo de “orgulho” que o chamem de comunista. “Nós ficaríamos ofendidos se nos chamasse de nazista, neofascista, de terrorista”, disse. “Mas, de comunista, de socialista, nunca. Isso não nos ofende. Isso nos orgulha muitas vezes. E, muitas vezes, nós sabemos que merecemos isso”, prossegue.

Informações Revista Oeste

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