Senador afirma que decisão foi tomada em comum acordo com Lula e diz que prioridade agora será provar inocência no caso Master

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA)
Wagner afirmou que a decisão foi tomada de forma conjunta com o presidente | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado 

Jaques Wagner (PT-BA) deixou a liderança do governo no Senado, nesta quarta-feira, 24. A saída ocorreu depois de uma reunião com o presidenteLuiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada.

Em publicação nas redes sociais, Wagner afirmou que a decisão foi tomada de forma conjunta com o chefe do Executivo. Ele aproveitou para destacar a amizade com o presidente da República.

“Acabei de ter uma ótima reunião com o presidente Lula, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do governo no Senado Federal”, escreveu Wanger.

A saída ocorre em meio à pressão de integrantes do Palácio do Planalto e do próprio Partido dos Trabalhadores (PT) para que o senador deixasse a função.

Nos bastidores, aliados do governo avaliavam que a permanência de Wagner no posto ampliava o desgaste político provocado pelas investigações envolvendo o Banco Master. Até a reunião de hoje, o parlamentar resistia à possibilidade de deixar o cargo de liderança.

Interlocutores do PT afirmavam que ele considerava uma saída imediata uma espécie de admissão de culpa e defendia permanecer na função pelo menos até o recesso parlamentar, previsto para 19 de julho.

Wagner diz que foco será provar inocência

Na manifestação divulgada após o encontro com Lula, Wagner afirmou que pretende concentrar seus esforços na própria defesa e nas eleições de 2026.

“Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado”, declarou o senador.

Jerônimo Rodrigues é o atual governador da Bahia e deverá buscar a reeleição de outubro. Ex-ministro-chefe da Casa Civil e ex-governador da Bahia, o também petista Rui Costa deverá sair em busca de uma das cadeiras para o Senado pelo Estado nordestino. Assim como Costa, Wagner é pré-candidato a senador.

Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que apura esquema de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça ligado ao Master.

Segundo a Polícia Federal (PF), Wagner atuou em favor dos interesses da instituição financeira no Congresso Nacional em troca de vantagens indevidas. A defesa dele, entretanto, nega as acusações e sustenta que a investigação se baseia em premissas equivocadas.

No começo da semana, o petista apresentou recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular a decisão que autorizou buscas em endereços ligados a ele.

Ao anunciar a saída da liderança, Wagner também procurou reforçar o compromisso com o grupo político liderado por Lula. “Juntos, com humildade e muito trabalho, renovaremos nosso compromisso com o projeto coletivo que vem mudando a Bahia e o Brasil”, afirmou o parlamentar.

A definição sobre o substituto na liderança do governo no Senado ainda não foi anunciada pelo Palácio do Planalto. A coluna apurou, no entanto, que o senador Camilo Santana (PT-CE) é o principal cotado para suceder Wagner.

STF

Oeste apurou que a saída de Wagner agradou a uma ala do STF, que tinha restrições ao nome dele desde a votação no Senado, em 2023, que aprovou um projeto que limita decisões monocráticas de ministros.

Na ocasião, juízes do STF passaram a defender a saída do congressista do cargo. Lula, porém, decidiu bancar a manutenção do amigo de longa data na posição.

Informações Revista Oeste

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