Javier Milei planeja demitir 70 mil funcionários públicos nos próximos meses, em uma das indicações mais claras até o momento de como o presidente argentino está disposto a adotar medidas agressivas para reduzir o tamanho do governo do país vizinho.Durante um evento de negócios na terça-feira à noite, Milei destacou que congelou obras públicas, cortou alguns financiamentos para as províncias e encerrou mais de 200 mil planos de seguridade social, os quais ele classificou como corruptos. Tudo isso faz parte de sua estratégia para atingir um equilíbrio fiscal a qualquer custo neste ano.”Há muito mais cortes pela frente,” disse Milei em seu discurso de uma hora no IEFA Latam Forum, em Buenos Aires.Embora representem apenas uma pequena parcela dos 3,5 milhões de trabalhadores do setor público da Argentina, os cortes propostos por Milei provavelmente enfrentarão resistência dos poderosos sindicatos do país e podem afetar seus altos índices de aprovação.
Um sindicato que representa alguns servidores entrou em greve na terça-feira, enquanto dados do mercado de trabalho mostraram que os trabalhadores do setor privado enfrentaram a pior perda salarial mensal em pelo menos três décadas desde que Milei assumiu o cargo em dezembro.Após os comentários do presidente, o líder de um sindicato de servidores rapidamente respondeu nas redes sociais, anunciando uma greve nacional, sem fornecer mais detalhes.Milei citou pesquisas que indicam que os argentinos estão mais otimistas em relação ao futuro da economia, e um indicador recente de confiança no governo aumentou apesar de suas medidas de austeridade.”As pessoas estão esperançosas, estão vendo a luz no fim do túnel”, concluiu Milei.Quanto ao câmbio, Milei afirmou que os contratos futuros do peso estão alinhados com o modelo de depreciação progressiva do banco central, conhecido como “crawling peg”, e criticou as chamadas por uma nova desvalorização drástica da moeda como “ridículas”.
Ele disse que o banco central argentino está caminhando para alcançar reservas líquidas neutras, em comparação com passivos de dívida que ultrapassavam o caixa em US$ 11,5 bilhões em dezembro.Milei afirmou que seus esforços para reformar a economia argentina serão intensificados após as eleições parlamentares de 2025, com mais de 3 mil reformas planejadas pelo governo. Ele descreveu a rejeição de seu decreto de emergência no Senado como “maravilhosa”, pois expôs “todos os dedos sujos” dos políticos que ele chama de “delinquentes”.Milei expressou sua expectativa de uma recuperação econômica em forma de “V”.
O governo argentino relatou uma interrupção no fornecimento de energia para sua embaixada em Caracas, onde estão abrigados pelo menos cinco opositores do regime de Nicolás Maduro, alvo de ordens de prisão. Esse incidente amplifica a crescente tensão entre Venezuela e o governo de Javier Milei, que frequentemente se refere ao líder venezuelano como ditador.
Em comunicado emitido nesta terça, o governo de Milei afirma que o corte ocorreu na segunda-feira, sem qualquer aviso prévio ou explicação, e “alerta o governo da Venezuela contra qualquer ação deliberada que ponha em perigo a segurança do pessoal diplomático argentino e dos cidadãos venezuelanos sob proteção”. O texto relembra a Caracas a “obrigação do Estado receptor de resguardar as instalações da missão diplomática contra intrusões ou danos, e de preservar a tranquilidade e a dignidade da mesma”. A nota não descreve se o fornecimento foi retomado, e o governo venezuelano não se pronunciou.
Segundo a imprensa argentina, citando fontes da Chancelaria e da Casa Rosada, os dirigentes oposicionistas Magallí Meda, Claudia Macero, Humberto Villalobos, Pedro Urruchurtu e Omar González estão na representação diplomática do país. Todos têm contra si ordens de prisão, emitidas pelo procurador-geral Tarek William Saab, ligado a Maduro, por “ações violentas”, “terrorismo” e “desestabilização” do país. Os nomes não são citados pela nota, que fala apenas em “cidadãos venezuelanos sob proteção”, e não se sabe desde quando os cinco estão na embaixada.
Os indivíduos mencionados estão ligados à ex-candidata à Presidência, María Corina Machado, que foi desqualificada por 15 anos por uma decisão judicial no país. Recentemente, durante o processo eleitoral, Corina Yoris, que foi considerada sua “substituta”, teve dificuldades para se inscrever no sistema do Conselho Nacional Eleitoral. Ela alegou que isso foi deliberadamente causado pelos chavistas para impedi-la de concorrer. Como resultado, nas eleições de 28 de julho, Maduro enfrentará o governador do estado de Zulia, Manuel Rosales. Este é um candidato que não é do agrado do círculo próximo de María Corina Machado.
Na nota, o governo da Argentina, além de pontuar a “histórica vocação de fomento e defesa dos direitos humanos fundamentais”, demonstra sua “inquietação diante da deterioração da situação dos direitos humanos e dos atos de hostilidade e perseguição contra figuras políticas da Venezuela”. Por fim, o texto exorta Maduro a “assegurar a segurança e o bem estar do povo venezuelano”, e “convocar eleições livres, democráticas e competitivas, sem vetos de qualquer tipo”.
Desde a ascensão de Javier Milei ao poder, as relações entre Buenos Aires e Caracas têm se deteriorado rapidamente. Além das hostilidades públicas entre os líderes dos dois países, no mês passado os argentinos optaram por submeter à Justiça dos Estados Unidos um avião da Emtrasur, uma empresa venezuelana, que permaneceu retido por vários meses na capital argentina a pedido dos americanos.
De acordo com Washington, a Emtrasur adquiriu a aeronave da Mahan Air, uma empresa iraniana, em uma transação facilitada por uma triangulação envolvendo uma empresa dos Emirados Árabes Unidos, como uma forma de contornar as sanções dos Estados Unidos. Ambas Emtrasur e Mahan Air estão na lista de empresas sancionadas pelo Departamento do Tesouro.
Em retaliação, Maduro anunciou em 12 de março que as aeronaves argentinas não teriam mais permissão para sobrevoar o território venezuelano, uma medida que afetaria pelo menos duas rotas operadas por empresas argentinas. O governo de Milei afirmou que tomará as medidas adequadas através das instituições internacionais.
O cancelamento da visita de uma delegação israelense a Washington D.C., nos Estados Unidos, nesta segunda-feira (25 de março de 2024), foi anunciado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
A decisão foi motivada pela abstenção dos Estados Unidos durante a votação da resolução de cessar-fogo na Faixa de Gaza até 9 de abril, no Conselho de Segurança da ONU. A proposta foi aprovada, conforme relatado pelo Haaretz.
Segundo o jornal israelense, o gabinete de Netanyahu disse em comunicado que a decisão dos EUA de não vetar o texto “prejudica os esforços de guerra” e as tentativas “para libertar os reféns”.
Também afirmou que a aprovação da resolução “oferece ao Hamas a esperança de que a pressão internacional permitirá que” o grupo extremista aceite um cessar-fogo sem soltar os israelenses sequestrados.
A jornalistas, o porta-voz da Casa Branca, John Kirby, classificou o cancelamento da visita como “decepcionante”. As informações são da Reuters.
“Estamos muito desapontados que eles não virão a Washington D.C. para nos permitir ter uma conversa sobre as alternativas viáveis para que eles entrem em campo em Rafah”, afirmou.
A pedido do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, uma delegação de Israel estava programada para visitar o país. O propósito da viagem era se reunir com autoridades americanas e discutir as operações em Rafah, uma cidade localizada no sul da Faixa de Gaza.
Rafah tornou-se um local de refúgio para os palestinos deslocados de outras áreas desde o início dos conflitos. Em 15 de março, Netanyahu deu luz verde para as Forças de Defesa de Israel (FDI) realizarem operações na região.
Apesar do cancelamento da visita, altos funcionários dos Estados Unidos ainda planejam se encontrar com o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant. Durante essas conversas, é esperado que abordem questões como os reféns israelenses, assistência humanitária e a proteção dos civis em Rafah.
Ele também declarou que a decisão do país de se abster na votação na ONU não representa uma mudança na posição política norte-americana. “Não há razão para que isso seja visto como algum tipo de escalada… O motivo de nossa abstenção é que o texto da resolução não condena o Hamas”, disse.
RESOLUÇÃO
Nesta 2ª feira (25.mar), o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução que determina um cessar-fogo “imediato” na Faixa de Gaza durante o Ramadã, período sagrado para os muçulmanos que começou em 10 de março e termina em 9 de abril. O documento também pede a libertação “imediata e incondicional de todos os reféns” mantidos pelo Hamas.
Ele recebeu 14 votos a favor, nenhum contrário e uma abstenção dos EUA. Em declaração depois da votação, a embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, agradeceu aos integrantes do conselho por aceitarem algumas das sugestões norte-americanas para o texto.
Mas ponderou afirmando que “algumas edições importantes foram ignoradas”, inclusive a solicitação dos EUA “para acrescentar uma condenação ao Hamas”.
“Não concordamos com tudo na resolução. Por esse motivo, infelizmente, não pudemos votar a favor”, afirmou a diplomata.
Coalizão de oposição afirmou que enfrentou restrições na plataforma para o registro da candidatura. Prazo terminou no último minuto de segunda-feira (25).
Na Venezuela, candidata da oposição denuncia que não consegue registro para eleição
A principal frente de oposição da Venezuelaafirmou que não conseguiu inscrever a sua candidata Corina Yoris no site do Conselho Nacional Eleitoral, o órgão responsável pelas eleições no país. O prazo terminou às 23h59 de segunda-feira (25).
As eleições serão disputadas em 28 de julho. Nicolás Maduro buscará o terceiro mandato, que pode levá-lo a 18 anos no poder.
Um dos chefes da coalizão da oposição, Omar Barboza, afirmou que o grupo enfrentou restrições no sistema online do Conselho Nacional Eleitoral, não conseguindo registrar a candidatura de Corina Yoris.
Na manhã da segunda-feira, Corina afirmou que a frente de oposição havia feito todas as tentativas, mas que o sistema estava totalmente fechado.
“Tentamos ir pessoalmente ao Conselho Nacional Eleitoral para entregar uma carta solicitando uma prorrogação e nem mesmo fisicamente pudemos fazê-lo”.
Analistas afirmam que o bloqueio tem motivação política. O cientista político Jorge Morán afirmou à agência de notícias AFP que o chavismo busca repetir o cenário de 2018, quando a oposição boicotou as eleições presidenciais vencidas por Maduro.
Filósofa e professora universitária, Yoris, 80 anos, nunca trabalhou na administração pública, e seu nome aparece limpo na base de dados do Conselho Nacional Eleitoral.
Ela foi indicada para a candidatura da oposição pelo Vente Venezuela, o partido de uma venezuelana de nome parecido, Maria Corina Machado, que venceu prévias entre todos os partidos de oposição do país.
Desde a última quinta-feira (21), já se inscreveram nove candidatos que se apresentam como opositores, mas alguns deles são acusados de colaborar com o governo chavista.
Corina Yoris durante coletiva de imprensa em Caracas, em 22 de março — Foto: REUTERS/Gaby Oraa
Maduro formalizou sua candidatura
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, não teve os mesmos problemas e formalizou nesta segunda-feira (25) sua candidatura à reeleição.
Ele chegou ao Conselho Nacional Eleitoral acompanhado de milhares de militantes convocados pelo partido governista, o PSUV.
O presidente venezuelano afirmou que dois homens armados, que ele vinculou ao partido de María Corina Machado, foram detidos após se infiltrarem no comício do chavismo com o plano de assassiná-lo.
Um grupo de sete países latino-americanos (Argentina, Costa Rica, Equador, Guatemala, Paraguai, Peru e Uruguai) publicaram um comunicado em conjunto no qual afirmam estar preocupados “com o impedimento da inscrição” de Corina Yoris.
Analistas descartam a sua candidatura e falam em buscar um outro candidato, com menos ligações com María Corina Machado. O consenso, no entanto, é de que qualquer nome inscrito pela oposição deve ser apoiado pela opositora.
Tribunal de Barcelona aceitou pedido da defesa para que ex-jogador aguarde em liberdade a decisão final. Alves recorreu da sentença que recebeu em fevereiro pelo crime de agressão sexual.
O líder da oposição venezuelana, Leopoldo López, criticou duramente o processo eleitoral que está ocorrendo na Venezuela, afirmando que não pode ser chamado de “eleição” devido à falta de transparência e justiça. López, que vive exilado entre Madri e Washington, destacou que as recentes ações do regime de Nicolás Maduro, incluindo a inabilitação de candidatos opositores, comprometem gravemente a legitimidade do processo.
Em uma conversa com a Folha por telefone, López ressaltou que as violações dos acordos estabelecidos em Barbados, que visavam a realização de eleições livres, colocam em evidência a manipulação do regime para manter o controle do poder. Ele enfatizou que as restrições impostas aos principais candidatos opositores são uma clara violação desses acordos e minam qualquer possibilidade de um processo eleitoral justo.
Além disso, López criticou as declarações do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a situação na Venezuela, argumentando que minimizam o sofrimento do povo venezuelano e ignoram a gravidade da crise humanitária no país. Ele também condenou o tratamento desrespeitoso dado por Lula à líder opositora María Corina Machado.
López enfatizou a importância de a comunidade internacional estar atenta à situação na Venezuela e de não permitir que as instituições democráticas sejam subvertidas pelo regime autoritário de Maduro. Ele destacou a necessidade de apoio internacional para garantir a restauração da democracia no país e expressou confiança na capacidade do povo venezuelano de resistir e lutar por mudanças.
A fusão de uma empresa de mídia foi aprovada na sexta-feira, injetando quase R$ 15 bilhões na fortuna de Donald Trump e fornecendo-lhe uma potencial nova fonte de dinheiro para enfrentar seus problemas legais.
Após a conclusão da fusão, os acionistas da Digital World Acquisition Corporation terão participação no Grupo Trump Media & Technology, que será negociado no mercado de ações como DJT. O acordo trará mais de US$ 300 milhões para a Trump Media, praticamente esgotando seu caixa disponível, e garantirá a continuidade da Truth Social, sua principal plataforma de mídia digital.
Com base no preço das ações da Digital World (US$ 44 por papel, pouco antes do anúncio da votação), a Trump Media estreará com um valor de mercado de mais de US$ 5 bilhões. Isso eleva a participação pessoal de Trump para mais de US$ 3 bilhões, equivalente a R$ 14,9 bilhões na cotação atual.
As ações da Trump Media podem começar a ser negociadas sob o novo símbolo na próxima semana.
A aprovação da fusão chega em um momento crucial para Trump, que enfrenta um prazo para cobrir o valor de uma fiança num caso de fraude civil em Nova York. Ele está temporariamente proibido de vender suas ações ou usá-las como garantia para empréstimos. No entanto, ele pode solicitar ao conselho da empresa resultante da fusão uma renúncia a essa restrição.
A Trump Media afirmou, em comunicado prévio à votação, que a fusão possibilitará à Truth Social “melhorar e expandir a plataforma”.
Reeleito, o presidente russo advertiu sobre a Terceira Guerra Mundial caso a OTAN entre na Ucrânia
Putin falou pela primeira vez sobre a morte de seu principal crítico, Alexei Navalny, chamando-a de ‘evento triste’, ao divulgar que ia trocar o ativista por prisioneiros russos no Ocidente | Foto: Reprodução/@DailyLoud
Em seu discurso de vitória neste domingo, 18, depois de reeleito presidente da Rússia com 88% dos votos, Vladimir Putin disse que o país não será “intimidado”. Em tom ameaçador em relação ao Ocidente, o mandatário advertiu sobre a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial caso a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) entre na Ucrânia.
Ao garantir seu lugar na história como um dos líderes russos com mais tempo de serviço em mais de 200 anos, Putin agradeceu ao povo pelo “apoio e confiança” e reiterou a defesa da Rússia diante de ameaças de outros países, afirmando que suas principais tarefas como presidente seriam a guerra na Ucrânia e o fortalecimento militar.
“Não importa quem ou quanto eles queiram nos intimidar”, disse, “não importa quem ou quanto eles queiram nos suprimir, nossa vontade, nossa consciência – ninguém nunca conseguiu nada parecido na história. Não funcionou agora e não funcionará no futuro. Nunca”.
Sobre a perspectiva de um conflito em larga escala entre Moscou, a Otan e a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, Putin alertou que isso significaria colocar o mundo a um passo da Terceira Guerra Mundial e rapidamente destacou que ninguém gostaria de tal cenário.
Além de Putin, três candidatos brigavam pela vaga no Kremlin | Foto: Reprodução/Agência de notícias Sputnik
Putin fala sobre Navalny
Pela primeira vez, Putin falou sobre a morte de seu principal opositor, Alexei Navalny, divulgando que já tinha aprovado a troca do seu principal crítico por prisioneiros russos no Ocidente pouco antes da morte do ativista na prisão.
“Infelizmente, aconteceu o que aconteceu”, disse Putin. “Eu concordei sob uma condição: nós o trocamos, e ele não volta. Mas é a vida. Um evento triste.”
Ocidente critica eleições
A votação na Rússia desencadeou críticas em todo o mundo. Os Estados Unidos denunciaram o pleito como “obviamente não livre nem justo”.
Alegando que as críticas já eram “esperadas”, as reprovações ocidentais às eleições foram minimizadas por Putin durante seu discurso de vitória.
“O que vocês queriam, que eles nos aplaudissem?”, perguntou a seus apoiadores. “Eles estão lutando conosco em um conflito armado, o objetivo deles é conter nosso desenvolvimento. Claro que eles estão prontos para dizer qualquer coisa”.
O presidente russo, Vladimir Putin, está prestes a garantir seu quinto mandato e permanecer no comando do país até 2030, apesar do cenário desafiador que a Rússia enfrenta, especialmente devido ao conflito em curso com a Ucrânia desde 2022. No entanto, seu domínio contínuo pode ser marcado por um governo mais complexo devido ao enfraquecimento de sua liderança e às adversidades que o país enfrenta.
Desde que assumiu o poder em 2000, Putin tem sido uma figura central na política russa, levando parte da população a não conhecer outro presidente além dele. No entanto, essa familiaridade não se traduz necessariamente em apoio entusiástico, com uma parcela considerável da população russa expressando descontentamento com seu governo.
As eleições em andamento, iniciadas em 15 de março, visam garantir a permanência de Putin até 2030. Com uma reforma constitucional, ele poderá até mesmo concorrer novamente e estender seu mandato até 2036, quando terá 84 anos de idade. No entanto, alguns analistas argumentam que Putin está enfrentando desafios significativos, tanto em termos físicos – ele tem atualmente 71 anos – quanto em relação à opinião pública desfavorável.
Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper, destaca que Putin está liderando um governo que enfrenta não apenas desafios físicos, mas também uma crescente insatisfação pública devido à sua longa permanência no poder e às dificuldades enfrentadas pelo país, especialmente relacionadas à guerra com a Ucrânia.
Valdir Bezerra, mestre em relações internacionais, ressalta que estas eleições acontecem em um contexto sem precedentes, já que é a primeira vez que Putin inicia um novo mandato enquanto o país está em guerra. Isso cria incertezas sobre o futuro da Rússia, especialmente em relação ao término do conflito, o impacto na economia russa e as relações com outros países, incluindo a Europa e a Ucrânia.
Impactos na Rússia
A Rússia tem enfrentado desafios significativos devido às sanções ocidentais, embora não tão graves quanto inicialmente previsto. A guerra com a Ucrânia tem contribuído para prolongar o impasse e criar instabilidade na região. As promessas feitas por Putin durante a campanha eleitoral visam, em parte, minimizar as consequências desses desafios, mas também podem agravar o impasse no conflito.
A economia russa tem sido afetada pelas sanções, com problemas como a dificuldade de acesso ao país e a fuga de cérebros, levando à perda de mão de obra qualificada. A queda na venda de energia para a Europa também impactou negativamente o país. Além disso, a Rússia busca fortalecer suas relações com países do BRICS para evitar um isolamento diplomático por parte dos países ocidentais.
Em suma, o futuro da Rússia sob o próximo mandato de Putin permanece incerto, com desafios internos e externos que exigirão uma liderança forte e estratégica para enfrentá-los.
No sábado (16.mar.2024), o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma declaração incisiva, alertando que sua derrota nas eleições presidenciais de novembro poderia sinalizar o fim da democracia norte-americana. As informações foram divulgadas pela Reuters.
Durante um encontro com apoiadores em Dayton, no Estado de Ohio, Trump reiterou sua crença de que a vitória do atual líder do país, Joe Biden, foi resultado de fraude eleitoral, uma alegação que não foi corroborada por evidências. Ele enfatizou a importância de vencer as eleições deste ano, marcadas para 5 de novembro.
“Se não vencermos essa eleição, não creio que haverá outra neste país”, afirmou Trump durante o evento. Além disso, ele fez uma previsão sombria, sugerindo que uma derrota sua resultaria em um “banho de sangue” em todo o país.
Apesar de Biden e Trump ainda precisarem ser oficialmente confirmados por seus partidos como candidatos à Presidência, ambos já conquistaram o número mínimo de delegados necessário para vencer as prévias partidárias. Trump aproveitou o discurso para pedir o apoio de negros e hispânicos, destacando que essas comunidades desempenham um papel crucial no resultado das eleições.
O ex-presidente também criticou a política migratória de Biden, alegando, sem apresentar evidências, que imigrantes ilegais estavam prejudicando as comunidades afro-americanas e hispânicas ao “roubarem” empregos desses grupos populacionais nos Estados Unidos.
Sem presença de opositores, eleição presidencial do país está programada para 28 de julho
O ditador Nicolás Maduro confirmou: vai seguir no poder do regime socialista venezuelano | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
O ditador Nicolás Maduro confirmou, na tarde deste sábado, 16, que vai se candidatar para mais um mandato como presidente da Venezuela. O anúncio se deu por meio do Twitter/X oficial da Presidência do país sul-americano.
Por meio da rede social, afirmou-se que o ditador “aceitou” a indicação para ser novamente o representante do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) na disputa. Criticada por organismos internacionais pela ausência de lisura do processo e pela falta de candidatos de oposição, a eleição presidencial venezuelana está programada para 28 de julho.
“Tenho andado pelas ruas num lindo reencontro com o povo, viajando de ponta a ponta do nosso país”, disse Maduro, em trecho de seu discurso — já como candidato oficial à reeleição — que teve transmissão por parte do órgão de comunicação governamental. “Aonde quer que você vá, o que você encontra é um povo patriótico, cheio de heroísmo, mas, acima de tudo, cheio de esperança.”
Sucessor de Hugo Chávez (1954-2013) na ditadura socialista na qual a Venezuela se transformou nas últimas décadas, Maduro está no poder de forma ininterrupta desde 2013.
Eleição na Venezuela: com Nicolás Maduro, mas sem principais opositores
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e Lula em imagem de fevereiro de 2024 | Foto: Ricardo Stuckert/PR
A convenção do PSUV para confirmar a candidatura do ditador Nicolás Maduro ocorre no momento em que a ausência de opositores na eleição é alvo de críticas por parte da comunidade internacional. Há, além disso, denúncias de perseguição política contra quem se posiciona de forma contrária ao regime socialista.
Depois de prometer realizar eleições livres, a ditadura venezuelana barrou a candidatura de María Corina Machado, principal nome de oposição. A União Europeia criticou a decisão, que foi tomada em fevereiro pelo Poder Judiciário local, que está sob controle dos socialistas.
Também no mês passado, o regime prendeu a militante opositora Rocío San Miguel. Advogada, ela recebeu acusações de “traição” e “terrorismo”. Situação que incomodou cinco países da América Latina, que assinaram nota em conjunto cobrando a libertação da ativista.
O Brasil, a saber, não fez parte dos signatários que criticaram a prisão de Rocío. Pelo contrário, aliás. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já recebeu Maduro no Brasil com direito a honras militares, ironizou a situação venezuelana. De acordo com o petista, os contrários ao ditador socialista precisariam “parar de chorar”.