A partir deste ano, caberá ao órgão comprovar situação do beneficiário
Foto: Divulgação / Agência Brasil
Anunciado há dois dias pelo ministro da Previdência, Carlos Lupi, o novo sistema de prova de vida de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passa a valer a partir de hoje (26), com a regulamentação da medida. Entre os procedimentos que podem ser usados para comprovar a situação do beneficiário, estão vacinação, emissão de passaporte e renovação de carteira de motorista.
Esses e outros documentos constam em portaria publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União. A partir deste ano, a prova de vida deixará de ser responsabilidade do beneficiário, sendo obtida por meio de cruzamento de bases de dados do governo e dos bancos.
A portaria estabelece uma escala de pontuação a cada procedimento de coleta de dados, conforme a integridade da informação. Os dados serão armazenados por tempo indeterminado e formarão um banco de pontuação.
Como anunciado pelo ministro Carlos Lupi, a partir do mês de aniversário do beneficiário, o INSS terá dez meses para comprovar que o titular está vivo, por meio do cruzamento de dados. Se o governo não obtiver informações suficientes, o segurado receberá uma notificação – pela rede bancária, pelo aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135 – para fazer a prova de vida.
Bloqueio A partir de então, o beneficiário terá mais 60 dias para comprovar que está vivo. Se, após esse prazo, o segurado não atingir a pontuação mínima, o INSS enviará um servidor ao local onde a pessoa mora. Para evitar transtornos, o aposentado ou pensionista deve manter o endereço atualizado no aplicativo Meu INSS.
Se o empregado do INSS não encontrar a pessoa no endereço que consta na base de dados, o benefício será bloqueado por 30 dias. Nesse período, o segurado ainda pode comprovar a vida fazendo biometria em um caixa eletrônico ou indo a uma agência bancária ou a uma unidade do INSS.
Após os 30 dias, se não houver manifestação por parte do segurado, o benefício será suspenso. Depois de mais seis meses, a aposentadoria ou pensão será definitivamente cancelada.
Neste ano, o INSS terá de comprovar que cerca de 17 milhões de beneficiários continuam vivos. No entanto, se o segurado quiser comprovar que está vivo pode ir a qualquer agência bancária ou usar o aplicativo Meu INSS nos dez meses posteriores ao aniversário. A diferença é que a ação do beneficiário passará a ser voluntária, não mais obrigatória.
A juíza Andrea Palma, da 2ª Vara de Competência Empresarial de São Paulo, acaba de determinar a busca e apreensão de “todas as caixas de e-mail institucionais” dos diretores, dos integrantes do conselho de administração e dos funcionários da área de contabilidade e de finanças da Americanas, “dos atuais e dos que ocuparam tais cargos pelos últimos dez anos”.
A juíza atendeu a um pedido do Bradesco, a quem a empresa deve R$ 4,7 bilhões.
O banco impetrou uma ação para a produção antecipada de provas contra a Americanas. O objetivo é o de promover “a realização de provas periciais na companhia com o objetivo de esclarecer a origem dos vícios observados na contabilidade e, sobretudo, verificar a participação de administradores e acionistas da ré (por ação ou omissão) na alegada fraude contábil”.
Na sentença, a juíza escreve que “diante da magnitude do fato e potencial responsabilização individual dos agentes envolvidos nas fraudes suspeitas, é razoável supor que provas relevantes e necessárias para verificar a ocorrência de fatos ilícitos correm risco de perecimento” .
A decisão de hoje é o avanço em relação aos problemas que a Americanas vem enfrentando na Justiça.
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) disse nesta terça-feira (24) que não há demanda para financiar obra no exterior.
O comunicado foi publicado um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmar que a estatal financiará parte da obra estatal do gasoduto Néstor Kirchner, Argentina.
“Não existe demanda ou previsão, por parte do BNDES, de financiar projeto de serviços de infraestrutura no exterior. Qualquer alteração nessa política passará necessariamente por um entendimento com o TCU [Tribunal de Contas da União], uma vez que o presidente do tribunal, Bruno Dantas, tem reforçado o papel de acompanhamento colaborativo das políticas públicas por parte da referida instituição”, disse o banco em comunicado.
A estatal não citou o projeto da Argentina na nota. O banco disse que os esforços do BNDES são no sentido de alavancar a exportação de produtos e bens produzidos no Brasil para criar empregos e renda, além de fortalecer a integração regional das cadeias produtivas com escala, competitividade e valor agregado.
A presidência do BNDES é ocupada de forma interina por Alexandre Corrêa Abreu, que foi presidente do Banco do Brasil de 2015 a 2016, durante o governo de Dilma Rousseff (PT). Ele foi convidado pelo ex-ministro Aloizio Mercadante para assumir a diretoria financeira do banco.
Lula já confirmou que Mercadante comandará a estatal, mas ele ainda não tomou posse. Por enquanto, o conselho de administração do BNDES nomeou 4 novos integrantes na sexta-feira (20): Carlos Nobre, Izabella Teixeira, Jean Keiji Uema e Robinson Barreirinhas, que é secretário da Receita Federal.
Em comunicado, o CEO da empresa fala em reestruturação e promete o pagamento de benefícios
Spotify Foto: Smartmockups
Nesta segunda-feira (23), o Spotify anunciou que demitirá cerca de 600 pessoas, o que representa aproximadamente 6% do quadro global de funcionários.
O comunicado da empresa fala em “reestruturação organizacional mais ampla” diante de um “ambiente econômico desafiador”.
– Em um ambiente econômico desafiador, a eficiência assume maior importância. Assim, em um esforço para gerar mais eficiência, controlar custos e agilizar a tomada de decisões, decidi reestruturar nossa organização – diz a nota assinada por Daniel Ek, CEO do Spotify.
A empresa anunciou algumas mudanças. Entre elas, a saída da diretora de conteúdo e publicidade, Dawn Ostroff, e a promoção de Gustav Söderström, que deixa de ser líder de produtos e tecnologia e passa a ser diretor de produtos. Já Alex Norström passa a ser diretor de negócios.
Sobre os demitidos, a plataforma de streaming garante que cada um será chamado para conversas individuais e que todos serão indenizados de acordo com as leis locais.
O Spotify fala no pagamento de aviso prévio, estabilidade do empregado e indenizações por cinco meses. Gastos com saúde também fazem parte do que é prometido pela empresa.
A empresa Alvarez & Marsal irá ajudar a coordenar o processo de recuperação judicial da varejista
Reprodução: Divulgação
A Americanas contratou a Alvarez & Marsal para ajudar a coordenar o processo de recuperação judicial da varejista. Segundo o G1, a empresa é a mesma responsável pela recuperação da construtora Odebrecht após a crise da empresa desencadeada com a Operação Lava Jato.
A Americanas afirmou que a Alvarez & Marsal “atuará em coordenação com o Rothschild como interlocutor da companhia na renegociação da dívida financeira”.
Recuperação judicial
A Americanas pediu recuperação judicial na semana passada, com uma dívida de R$ 43 bilhões, após ter detectado “inconsistências contábeis” de R$ 20 bilhões mais cedo neste mês.
Mesmo o total já quitado não foi pago por Cuba e Venezuela, que acabaram dando o calote.
Quem vai pagar essa conta? Venezuela e Cuba ainda devem US$ 529 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A quantia, se convertida, ultrapassa R$ 2,7 bilhões.
O valor representa cerca de 25% do total emprestado aos dois países durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. Os dados estão disponíveis no site do banco estatal.
Mesmo o total já quitado não foi pago por Cuba e Venezuela, que acabaram dando um verdadeiro calote no Brasil, de modo que o BNDES precisou acionar as garantias contratuais e o Tesouro Nacional cobriu o rombo.
No caso de Cuba, um documento da Câmara de Comércio Exterior (Camex) divulgado no mandato de Jair Bolsonaro (PL) mostra que o governo federal aceitou charutos cubanos como garantia para o empréstimo que ajudou a construir o Porto de Mariel.
Os dados do BNDES revelam que, dos US$ 656 milhões emprestados a Cuba, US$ 407 milhões ainda estão por vencer. São 214 prestações em atraso indenizadas pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE), que é custeado pelo Tesouro, e 13 ainda a pagar.
No caso da Venezuela, o débito em aberto é menor: US$ 122 milhões de um total de US$ 1,5 bilhão. Já foram 641 prestações indenizadas ao BNDES pelo FGE, ou seja, pelo pagador de impostos brasileiro, e 41 ainda a indenizar.
Esses empréstimos haviam sido interrompidos após os escândalos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato, mas devem retornar agora em 2023 com a chegada de Lula ao Palácio do Planalto para seu terceiro mandato.
Itaú é um “banco de papel”, distribui dividendos e irresponsavelmente não paga o que deve na praça
Quando você deve mais do que possui de patrimônio a luz vermelha acende nas finanças. E no mercado isso é catastrófico. Foi o que, simplificando, ocorreu no caso das Lojas Americanas, a maior fraude financeira da história recente que ainda está em andamento, agora com pedido de ‘recuperação judicial’, em outras palavras, ganhar tempo para pagar os credores que vão entrar em uma longa lista de espera.
Os bancos já estão se movimentando para receberem primeiro. O BTG conseguiu liminar e o Itaú, um dos maiores caloteiros do país, também só quer liberar os recursos que tem em caixa com ordem judicial.
O Itaú está sendo afetado pelo golpe das Americanas.
No caso do Itaú a situação também é suspeita, e se o Brasil fosse um país sério, a CVM já teria feito uma auditoria profunda nas contas do banco.
O Itaú deve milhares de ações a um investidor, que ganhou em todas as instâncias do judiciário o direito de reaver pouco mais de R$ 6 bilhões em papéis preferenciais do banco, as ações ITUB4.
Ocorre que o banco não tem ações em estoque, tampouco dinheiro em suas contas para pagar o que deve. Abaixo o balanço atual do banco, que também pode ser visto CLICANDO AQUI
O Itaú foi condenado por vender, sem autorização, lotes de ações que eram do investidor e embolsou o dinheiro.
Em setembro de 2020, a juíza Rosana Lúcia de Canelas Bastos, determinou o bloqueio de R$ 2,09 bilhões nas contas do banco, e não encontrou nada. Zero. O Itaú numa manobra típica de caloteiro, alegou ‘falha no sistema’ e não cumpriu a ordem judicial. E para ganhar tempo, acusou a juíza ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de ter sido ‘parcial’ por não ter comunicado o banco sobre o bloqueio.
https://www.youtube.com/watch?v=_pG8tztUStM
E a defesa do Itaú, contratada após a ordem de bloqueio, está sendo feita pela BFBM Advogados, que pertence a família do ministro do Supremo, Luís Roberto Barroso, que magicamente conseguiu com que o CNJ acatasse uma reclamação tão absurda. Na época, o colegiado era comandado por Luiz Fux. No fim do ano passado, sob novo comando, o CNJ arquivou a absurda denúncia.
Veja abaixo a decisão da corregedoria do TJPA sobre a mesma reclamação:
O processo, que já transitou em julgado, cujos valores foram confirmados pelo Superior Tribunal de Justiça, segue parado aguardando o julgamento de um agravo, que não tem efeito suspensivo, tampouco vai modificar a sentença, trata-se apenas de enrolação. E é esse agravo que o banco alega a seus acionistas que está ‘aguardando o desfecho’, mesmo sabendo que trata-se de decisão definitiva.
O Itaú deve na praça mais de R$ 40 bilhões, e seu patrimônio líquido é de pouco mais de R$ 20 bilhões. Se apenas a União resolvesse cobrar uma multa de mais de R$ 30 bilhões que foi aplicada ainda em 2008,‘perdoada’ pelo CARF de Michel Temer em 2017 e judicializada pela Receita Federal, o banco teria sérios problemas para se manter.
O banco deve ainda mais de R$ 6 bilhões (corrigidos) à prefeitura de São Paulo por multa aplicada em um caso de fraude fiscal.
Beto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles, sócios da 3G Capital Imagem: Divulgação
A descoberta de “inconsistências contábeis” da ordem dos bilhões e o subsequente pedido de recuperação judicial das Lojas Americanas, aceito pela Justiça do Rio na quinta-feira (19), abriram um novo capítulo na história de Jorge Paulo Lemann. Entretanto, quem acompanha de perto a trajetória do empresário e filantropo brasileiro não se surpreendeu.
Credores fizeram questão de lembrar que o rombo na rede varejista não é a estreia de Lemann e seus sócios, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, na área das escorregadas e escândalos corporativos.
1998: o banco Garantia, criado por eles nos anos 1970 com uma “gestão ousada”, esteve perto da falência. Antes do fracasso, foi vendido ao Credit Suisse First Boston
2014: a Cosan, que adquiriu a ALL (América Latina Logística), afirmou ter encontrado a malha ferroviária da companhia em frangalhos e práticas fraudulentas para inflar resultados. A percepção era que o grupo, que havia deixado o controle da ALL havia 10 anos, mantivera um estilo de gestão ao qual são atribuídos muitos desses escândalos
2021: o trio teve de fazer um acordo com a SEC, equivalente americana à CVM (Comissão de Valores Imobiliários), para encerrar uma investigação sobre má-conduta contábil na Kraft Heinz entre 2015 e 2018. A multa paga foi de US$ 62 milhões
Ainda em 2021, a Stone, “unicórnio” (startup que vale mais de US$ 1 bilhão) da qual o grupo detém 4% das ações, teve problemas enormes de concessão de crédito, por “erros de experiência com recebíveis”, segundo o CEO da empresa. Naquele ano, a fintech perdeu 80% de valor de mercado.
Na noite de domingo (22), o trio de acionistas divulgou nota em que afirmam que, “assim como todos os demais acionistas, credores, clientes e empregados da companhia, acreditávamos firmemente que tudo estava absolutamente correto”. Para boa parte das fontes, contudo, é improvável que o trio não soubesse o que estava acontecendo nas Americanas. O estrago na imagem de “empresário do bem”, cultivada por Lemann ao longo de décadas, parece ser irreversível.
Imagem: Reuters
‘Semideuses do capitalismo’
Lemann, Telles e Sicupira controlaram as Americanas por quase 40 anos (de 1982 a 2021) e detêm juntos pouco mais de 30% das ações da empresa — são seus maiores acionistas. Por isso, são chamados de “acionistas de referência”, com grande poder de negociação no conselho administrativo.
No final de 2022, logo após o anúncio da contratação de Sérgio Rial, ex-Santander, como novo CEO das Americanas, o BTG Pactual estava otimista com a companhia. A recomendação do banco era de compra de ações da varejista, com perspectiva de alta. O preço-alvo, para o BTG, era R$ 29. Na época, os papéis das Americanas oscilavam abaixo dos R$ 10.
Mas, diante do pedido de demissão de Rial em 12 de janeiro, alegando que R$ 20 bilhões em dívidas não apareciam no balanço da empresa, advogados do BTG passaram a tratar os empresários como ardilosos fraudadores. Na petição enviada à Justiça para tentar reter R$ 1,2 bilhão em dívidas da varejista, as inconsistências no balanço foram classificadas como “fraudes”, feitas de “má-fé” e de forma premeditada por “semideuses do capitalismo” “dando uma de malucos”.
O BTG foi o banco que se posicionou de forma mais agressiva, mas não foi o único que se sentiu traído. Segundo reportagem do Valor Econômico, sete instituições financeiras credoras das Americanas tentaram reverter a decisão da Justiça, que suspendeu a cobrança de dívidas, antes da recuperação judicial.
Executivos de bancos ouvidos pelo Valor classificaram a postura do trio como “arrogante” e chegaram a afirmar que não fariam mais negócios com nenhum dos três empresários. A dívida atual da companhia está na casa dos R$ 43 bilhões. As consequências do rombo para 16,3 mil credores e os cerca de 40 mil empregados ainda são incertas.
Sede da AB Inbev em Leuven, na BélgicaImagem: Jasper Juinen/Bloomberg
Culto à ambição
A fama de Lemann foi construída sobre um modelo de gestão inovador para os padrões brasileiros e também por ações ousadas e grandiosas, com ampla repercussão nos mercados brasileiro e internacional.
Na década de 1970, o Garantia foi um dos pioneiros na adoção de remuneração segundo desempenho. A estratégia permitia à empresa atrair gente competente e com gana de enriquecer. Era o início de um culto à ambição e à meritocracia que influenciaria mais de uma geração de empresas brasileiras.
Em 1982, com Sicupira e Telles já como sócios, Lemann entrou nas Lojas Americanas. A companhia passava por dificuldades, mas tinha imóveis próprios. O trio comprou o controle da empresa (70%) e iniciou uma série de ajustes. As ações subiram e eles recuperaram o investimento vendendo uma fração das ações.
Foi com a fusão entre as rivais Brahma e Antártica, no final dos anos 1990, que Lemann ganhou fama fora do mundo corporativo. O negócio daria origem à Ambev, que nos anos seguintes fundiu-se a outras até se tornar a maior do mundo (AB Inbev), a partir da compra da Anheuser-Busch, dona da Budweiser.
Foi de Lemann a iniciativa de criação da primeira empresa de “private equity” do país, a GP Investimentos. Com ela, o trio entrou no capital de empresas como Telemar, Gafisa e ALL, nos anos 2000. Depois de vender a GP a um grupo de empregados, os três empresários criaram a 3G Capital, com foco no mercado internacional. Adquiriram o Burger King, em 2010, e o fundiram com a Tim Hortons, dando origem à Restaurant Brands International. Também se associaram ao megainvestidor Warren Buffett para comprar a marca de ketchup Heinz. Em 2015, em um de seus últimos grandes movimentos, a 3G fundiu a Heinz à Kraft, criando a Kraft Heinz.
Envolvidos em negócios cada vez maiores, Lemann, Telles e Sicupira passaram a frequentar as listas dos mais ricos do Brasil. Na edição de 2022 do ranking brasileiro da Forbes, os três ocupavam o primeiro, o terceiro e o quarto lugares, com fortunas estimadas em R$ 72 bilhões, R$ 48 bilhões e R$ 39,85 bilhões, respectivamente.
Mas o estilo de administração do grupo, baseado em uma rígida gestão de custos e ganhos de escala, tem perdido apelo com a economia digital. Para se alinhar à nova realidade, Lemann tem se aproximado de startups e investido em fundos de “venture capital” — a compra de ações da Stone foi um deles.
Efeito dominó
Com o escândalo das Americanas, a expectativa é que acionistas de outras empresas controladas pelo trio peçam auditorias para saber se o problema não é maior do que parece.
Embora se especulasse, na semana passada, que Lemann e seus sócios colocariam recursos próprios na companhia para que ela continue a operar normalmente, nada foi dito a respeito. Na nota, dizem que, como acionistas, também foram “alcançados por prejuízos”.
Até aqui, o fascínio gerado por grandes transações, investimentos em filantropia e livros exaltando a trajetória do trio vinham sendo suficientes para eclipsar os tropeços. Daqui para frente, será preciso mais que isso para retomar a confiança do mercado. Lemann, aos 83 anos, ocupa agora o centro de um dos maiores escândalos corporativos do país.
Brasil e Argentina devem analisar a criação de uma moeda comum do Mercosul (Mercado Comum do Sul) durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao país, de acordo com o jornal britânico Financial Times.
O plano seria impulsionar o comércio e reduzir a dependência do dólar. No entanto, os países continuariam usando paralelamente suas moedas locais: o peso e o real.
Segundo a reportagem, a ideia será discutida em uma cúpula em Buenos Aires neste semana e outros líderes da América Latina também foram convidados a participar. A sugestão brasileira é que a moeda se chame “sur”.
O ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa, disse ao jornal britânico que se trata de um projeto bilateral entre as maiores economias da América do Sul e seria apresentado aos outros países da América do Sul como um “convite”.
Massa afirmou ainda que Brasil e Argentina devem discutir possíveis estudos sobre a viabilidade do projeto.
“Haverá uma decisão de começar a estudar os parâmetros necessários para uma moeda comum, que inclui desde questões fiscais até o tamanho da economia e o papel dos bancos centrais”, disse.
“Não quero criar falsas expectativas. É o 1º passo de um longo caminho que a América Latina deve percorrer”, afirmou Massa.
A ideia, mesmo que confirmada, pode demorar anos para se concretizar. O ministro lembrou que a UE (União Europeia) levou 35 anos para criar o euro.
Pessoas envolvidas na negociação afirmaram ao Financial Times que a medida já foi discutida nos últimos anos, mas fracassou diante da oposição brasileira a ideia. O assunto voltou a ser cogitado depois da ascensão de 2 líderes de esquerda nos países.
No 3º dia de governo Lula, o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, já havia afirmado que os países iriam trabalhar juntos pela “moeda comum” do Mercosul. A declaração foi dada logo depois de uma reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
No entanto, Haddad negou a proposta 2 dias depois. Segundo a Agência Estado, o petista disse que “não existe uma moeda única, não existe essa proposta”.
De acordo com a reportagem divulgada pelo jornal britânico, um comunicado oficial sobre o assunto deve ser realizado durante a visita de Lula à Argentina. O presidente desembarca neste domingo (22.jan.2023) em Buenos Aires, para uma série de encontros bilaterais com países da América do Sul e para o retorno do Brasil à Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos).
Essa é a 1ª viagem internacional do chefe do Executivo depois de ter tomado posse, em 1º de janeiro. Desde que foi eleito, em outubro do ano passado, Lula já havia indicado que priorizaria uma visita à Argentina. Ele chegou a prometer a viagem para antes da posse, mas postergou a ida para janeiro devido às articulações para montar seu governo.
A Argentina foi estratégica nos 2 primeiros governos do petista (2003 a 2010) e um dos países mais visitados por Lula. Em 2002, ele escolheu o país vizinho para sua 1ª viagem como presidente eleito. O petista foi ao país em 2 dezembro daquele ano. Em janeiro de 2003, o então presidente argentino, Eduardo Duhalde, visitou o Brasil.
A reputação da economia brasileira foi negativa em todos os meses de 2022 na mídia estrangeira. O resultado foi impulsionado pelo cenário político/eleitoral e também pelas incertezas sobre a condução da política monetária e fiscal.
Depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a mídia internacional abordou com preocupação declarações contra privatizações e pela ampliação de gastos públicos. Como mostra o infográfico a seguir, os piores meses de 2022 foram outubro (quando Lula venceu a eleição presidencial), novembro e dezembro.
Os dados são de levantamento realizado pelo Radar +55, hub de inovação do Grupo BCW. Foram analisadas 1.117 notícias ao longo de todo o ano de 2022 dos principais veículos de mídia de 8 países: Alemanha, Argentina, Chile, China, Estados Unidos, França, Inglaterra e México.
“Os gastos públicos tornaram a ser o centro das discussões durante a fase de transição de governos, com as negociações para aprovação da PEC da transição que garantiu recursos para programas sociais e serviços públicos essenciais. Apesar do caráter assistencial e emergencial, a imprensa questionou a viabilidade e sustentabilidade desses gastos sob o ponto de vista da responsabilidade fiscal, estabelecendo essa meta como o principal desafio para Lula em seu mandato e ressaltando as desconfianças de investidores externos“, diz um trecho do levantamento.
A avaliação mais negativa nos últimos 3 meses do ano também é explicada pela análise da mídia estrangeira sobre o legado do governo de Jair Bolsonaro (PL).
“A mudança de governo levou a uma série de avaliações críticas do mandato de Jair Bolsonaro, que causou menções sobre sua atuação na pandemia, no controle da inflação e, sobretudo, na política ambiental”, diz o estudo.
A inflação, que chegou a 12% no acumulado de 12 meses em abril, foi alvo de críticas ao longo do ano. A condução da política fiscal do governo, com medidas visando às eleições, também. A troca no comando da Petrobras foi vista como interferência de Bolsonaro.
O índice mais alto de confiabilidade na economia do Brasil foi registrado nos meses de julho, agosto e setembro. “O melhor desempenho desse quesito se deu no 3º trimestre, com 39% das citações mostrando otimismo diante da recuperação dos índices de inflação, desemprego e atividade comercial e industrial“, informou o estudo.
O Radar +55 destacou que os eventos que marcaram a política do país no ano passado geraram insegurança internacionalmente. “Na avaliação da mídia estrangeira, o governo se mostrava inerte ao não promover ciclos de correção – sobretudo na Política Monetária – e não dava sinais de que entendia e iria responder às demandas globais de boas práticas econômicas a partir de ações planejadas e com efeitos a longo prazo. Vislumbrava-se um ano marcado por iniciativas eleitoreiras.”
No início de 2022, as questões políticas/eleitorais foram mencionadas em 19% dos textos que falavam sobre a economia. O número subiu para 41% no 4º trimestre.
O ex-presidente Jair Bolsonaro também passou a ser considerado pela mídia estrangeira como o maior responsável pelos problemas econômicos. No 1º trimestre, 18% das citações em reportagens atribuíam ao então presidente a responsabilidade direta dos problemas econômicos. Essa proporção subiu para 41% no último trimestre. As duas principais críticas foram:
iniciativas consideradas eleitoreiras;
discursos e posturas consideradas antidemocráticas.
A única temática que ficou o ano todo positiva para o Brasil foi a balança comercial, que registrou crescimento das exportações agrícolas. “Essa foi a única temática com saldo positivo durante todo o ano, representando uma válvula de escape para a imagem do Brasil e até mesmo indicando por onde uma possível retomada deve partir no próximo período“, disse o levantamento.
METODOLOGIA
O Radar +55 utiliza a metodologia do IDM, desenvolvido pelo Grupo BCW Brasil, para avaliar a reputação da economia brasileira na imprensa de 8 países. O algoritmo do IDM considera mais de 20 variáveis na análise de cada resultado de mídia espontânea. Os critérios são quantitativos e, principalmente, qualitativo. Referem-se ao veículo de mídia em que o resultado foi publicado e ao próprio conteúdo da matéria, permitindo a criação de insights e inteligência de dados com o cruzamento de informações e recortes temáticos ou cronológicos.
Para medir a pontuação, há uma classificação de reportagens. O Poder360 destaca os seguintes critérios analisados: 1) se o texto tem teor positivo ou negativo; 2) qual o destaque dado à economia brasileira; 3) se há emprego de foto e em qual veículo foi publicado. Essas informações são incluídas em um sistema automatizado. Somam-se as pontuações de cada reportagem e, assim, chega-se ao saldo final.