Começou a contagem regressiva para a estação mais ensolarada do ano: o verão. Tempo de marcar os encontros de fim de ano e prever aquele descanso de férias na praia. Mas nem tudo é festa. Para aproveitar o clima quente, são necessários alguns cuidados básicos. Dá uma olhada nesse “manual de boas práticas para o verão” e veja como não impactar negativamente a sua pele.
1. Protetor solar: nem mais, nem menos Um dos principais erros é não reaplicar o protetor por longos períodos e negligenciar certas áreas do corpo. “Esquecer de costas, axilas, pescoço, orelhas, nuca, cotovelos e pés é um risco”, fala a dermatologista Marcella Alves, especialista em rejuvenescimento tridimensional da face, da Clínica Les Peaux (RJ).
Não passar protetor porque está embaixo do guarda-sol também é um vacilo porque a radiação reflete na areia ou na água e queima ainda mais. Outros pecados: não proteger o couro cabeludo, usar o mesmo produto no rosto e no corpo ou aplicar produtos fora de validade.
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2. Aplicação correta do protetor solar No dia a dia, principalmente no verão, é importante proteger as áreas que ficam mais expostas como as mãos, o colo e o pescoço, além do rosto. “No caso de praia ou piscina, o protetor solar deve ser aplicado pelo menos 15 minutos antes da exposição solar e reaplicado a cada duas horas”, fala Marcella. E na quantidade certa, para garantir a eficácia do produto. “Aplique de forma generosa e homogênea, entre duas e cinco vezes ao dia, dependendo da exposição ao sol, suor e umidade. O ideal é que a primeira aplicação seja sempre em casa, com a pele seca e se possível sem suor”, ensina a dermato Valéria Campos. A quantidade ideal é de 2 mg/cm², o equivalente a pouco mais de meia colher de chá para face, pescoço ou braços, e pouco mais de uma colher de chá para tronco, costas ou membros inferiores.
3. Fator de proteção para rosto e corpo “De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o Fator de Proteção solar (FPS) mais indicado para a população brasileira é de no mínimo 30, seja para o rosto ou para o corpo, quando se fala em prevenção de câncer. No caso de doenças dermatológicas, como lúpus e melasma, o fator de proteção deve ser acima de 50”, conta o dermatologista Alessandro Alarcão, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e sócio efetivo e conselheiro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). O que irá diferenciar é a cosmética do protetor solar: no corpo um pouco mais hidratante. Porém, em relação ao fator de proteção solar, pode ser o mesmo para rosto e corpo.
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4. Fotoproteção para a pele negra “Pela maior quantidade de melanina (composto responsável pela pigmentação), ela tem uma fotoproteção natural de 13.4. No entanto, a pele negra acaba manchando com mais facilidade, precisando, sim, de proteção solar!”, ensina Marcella. Já pessoas de pele clara têm tendência maior a queimaduras solares e desenvolvimento de câncer de pele. “Sendo assim, a recomendação para filtro solar é a mesma para pessoas de pele clara ou morena. Porém, o fator de proteção pode ser menor nas peles mais morenas”, diz Valéria.
5. Proteção durante a prática de atividades físicas ao ar livre Caminhada, corrida, beach tennis? Nesses casos, recomenda-se utilizar FPS no mínimo 30 e, de preferência, com proteção UVB e UVA. Deve-se reaplicar o produto a cada 2 ou 3 horas. “Já quando o esporte for aquático, a reposição deve ser feita sempre que sair da água. Em ambos os casos, vale também abusar da proteção física, com uso de chapéu, boné, camiseta e óculos”, diz Marcella.
6. Bronze express Está com pressa de perder a cor branco-escritório? Tem um jeito de combinar bronzeador e protetor solar. “A maneira correta de usar bronzeador e protetor solar é combinar o seu produto preferido para bronze com o FPS igual ou acima de 30. Desta forma, além da sua pele adquirir um tom dourado você vai bloquear os raios nocivos do sol. O protetor solar não vai impedir que você conquiste o seu bronze!”, orienta Marcella.
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O mais indicado mesmo é não ter pressa. A durabilidade do bronzeado é geralmente maior quando a pele está protegida e preparada para receber o sol. Se há exagero, ela queima, morre e descasca e daí adeus bronzeado uniforme. Portanto, a dica é se proteger nos primeiros dias com um bloqueador solar. “Para não fazer feio a recomendação é fazer uma sessão de auto bronzeamento (não confundir com bronzeamento artificial) na véspera de chegar na praia. Além de dar uma bela cor, o pigmento do auto bronzeador protege a pele contra os raios solares como um filtro solar FPS 6 – mas não deixe de aplicar o protetor solar”, diz Valéria.
7. Queimou… E agora? A primeira dica é talvez a mais importante na hora de cuidar de uma queimadura solar e consiste em resfriar a pele. Para isso, aposte em um banho frio, deixando a água correr no local afetado por 5 a 10 minutos, para garantir que todas as camadas da pele esfriem. Ainda assim, o desconforto provavelmente vai se manter. “Uma forma de aliviar o mal estar é aplicar compressas frias com chá de camomila, que tem propriedades calmantes e cicatrizantes”, ensina Marcella.
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Note que a queimadura de sol acontece a partir de um processo inflamatório, podendo levar ao surgimento de ressecamento e bolhas na pele. Mas o problema maior não é o estético. Surgimento de rugas e o aumento das chances de desenvolver câncer de pele podem vir dessa exposição excessiva e sem proteção”, alerta Marcella. A especialista sinaliza que o pico da queimadura solar ocorre no período de três dias. “Quando as pessoas sofrem uma descamação, em decorrência podem surgir manchas castanhas permanentes.”
8. Skincare pós-sol Capriche na hidratação, todos os dias, logo após o banho e várias vezes ao dia, aplicando um bom creme hidratante para combater o ressecamento. “O uso de pós-sol ajuda no processo de recuperação da pele aos danos causados pelo excesso de exposição ao sol, protege também o bronzeado e garante uma sensação de frescor de forma mais potente que um hidratante comum.
Esses produtos possuem ação calmante e/ou anti-inflamatória, essenciais em caso de vermelhidão ou ardência; revertem o ressecamento e desconforto causado pela queimadura e impedem a escamação precoce da pele”, fala Alessandro. Cremes pós-sol geralmente são elaborados com ingredientes naturais em sua composição, como aloe vera (que suavizam inflamações e irritações, nutrindo a pele) e extrato de camomila (calmante natural que suaviza a vermelhidão).
Quanto mais intensa a hidratação da pele após a exposição solar, mais uniforme, duradouro e bonito será o bronzeado. Isso porque a hidratação promove a renovação celular sem que ocorra a descamação decorrente do ressecamento. “Para o rosto, hidratantes específicos para essa região e um sérum com vitamina C são imprescindíveis pela ação antioxidante”, finaliza Valéria.
“Ao longo da primeira década de vida, eu só usava calça de moletom” Imagem: Monika Kozub on Unsplash
Fui uma criança gorda o suficiente para que as outras crianças notassem. Antes ainda: fui uma criança gorda o suficiente para que minha mãe notasse
Nossa casa era dietética: horários, verduras, restrições. O armário de guloseimas da casa de uma amiga era o paraíso proibido; eu salivava de vontade e inveja. Apesar dos esforços em sentido contrário, a largura do meu corpo só aumentava. Espelho era sinônimo de angústia.
Ao longo da primeira década de vida, eu só usava calça de moletom. Na entrada da adolescência, comecei a entender que havia um código de vestuário ao qual eu precisava me adequar. Emagreci pela primeira vez, a primeira de muitas. Mas não durava muito. Nunca durou. Em poucos meses, a calça jeans voltava a emperrar nas minhas coxas: eu estava errada, o meu corpo estava errado, o tecido apertando a carne me dizia. Jamais cogitei que o problema pudesse ser o número da roupa.
Problema que não se resumia ao fato de eu ser mulher, ainda que, claro, ser mulher piorasse a situação. Meu pai era gordo. Eu não conseguia entender como minha mãe era casada com ele; como minhas tias eram casadas com meus tios. Segundo o mapa do mundo que me chegava por todos os lados, ser gordo significava ser indigno de amor, como se só um corpo magro pudesse ser amado. Como se bastasse que eu fosse magra para que o amor, enfim, chegasse. Eu me surpreendia, nos períodos que se seguiam a quaisquer das dietas que fiz, com a dolorosa constatação de que não, as coisas não eram bem assim.
Esta não é uma história de superação. Ainda que meu corpo funcione tão bem, que me leve para caminhar, para correr, que me dê prazer, me sacie; ainda que seja através de seus sentidos que o mundo me chegue a cada instante; ainda que ele receba a beleza com arrepios, ainda que ele saiba abraçar e gozar; ainda que ele seja, o meu corpo, a concretude cotidiana da minha vida, é muitas vezes difícil aceitar, entranhadamente difícil, a sua especificidade, as suas marcas, até sua beleza própria.
Para os que atribuem saúde exclusivamente à magreza, meu pai morreu magro porque teve câncer.
Termino com uma cena: a minha cama, no puerpério do meu segundo filho, o corpo flácido, imenso, azedo de leite, com as dobras vazias que o gestar deixou. O enlace desejante e incompreensível do meu companheiro. O amor, que se sente no corpo, com o corpo, pelo corpo, apesar do corpo.
A presença da tecnologia no cotidiano da população traz uma série de benefícios, como a maior facilidade na comunicação e no acesso à informação, porém leva a impactos na saúde que já se tornam perceptíveis. Problemas para dormir e na visão, por exemplo, têm crescido nos últimos anos como reflexo do tempo excessivo de telas.
Porém, considerando a evolução do ser humano, essa adesão massiva aos dispositivos é relativamente recente, e os impactos a longo prazo para as próximas gerações que habitarão o planeta ainda são desconhecidos.
Para criar uma ideia do que pode estar pela frente, e ao mesmo tempo fazer um alerta sobre os hábitos atuais, uma empresa de telecomunicações chamada Toll Free Forwarding conversou com cientistas sobre as suas expectativas e desenvolveu uma simulação 3D do que pode se tornar o ser humano dos anos 3000.
Chamada de Mindy, a representação chama atenção pela corcunda, o pescoço largo, as mãos em formato de garra e uma segunda pálpebra. Confira os principais pontos destacados pelos cientistas e o que leva às possibilidades no futuro.
Costas curvadas
Foto: Reprodução/Toll Free Forwarding
Segundo os responsáveis pelo projeto, o hábito de estar sempre olhando para baixo para a tela de smartphones e computadores impacta diretamente a postura. No comunicado de divulgação da Mindy, o especialista em saúde e bem-estar Caleb Backe explica que a prática “cansa o pescoço e desequilibra a coluna”.
“Consequentemente, os músculos do pescoço precisam fazer um esforço extra para sustentar a cabeça. Sentar-se em frente ao computador no escritório por horas a fio também significa que seu torso é puxado na frente de seus quadris”, destaca Backe.
Mãos de garra e cotovelo em 90 graus
Foto: Reprodução/Toll Free Forwarding
Nos braços e nas mãos há duas mudanças anatômicas que chamam atenção na Mindy. Pelo uso excessivo de smartphones, especialmente para digitar mensagens, comentários e outros textos, os dedos do ser humano de 3000 são curvados como uma garra.
Os criadores do projeto destacam que os celulares são muito mais utilizados hoje que os computadores, elevando esse risco. Já no braço, o cotovelo em 90 graus é também uma consequência de estar constantemente com ele na posição dobrada para acessar os dispositivos.
‘Pescoço tecnológico’
Outra característica da Mindy é o chamado “pescoço tecnológico”. Os criadores citam um artigo publicado pelo médico Daniel Riew, do Hospital Prespiteriano de Coluna Och, em Nova York, em que explica o problema. “Quando você está trabalhando em um computador ou olhando para o telefone, os músculos da nuca precisam se contrair para manter a cabeça erguida”, escreve o especialista.
“Quanto mais você olha para baixo, mais os músculos precisam trabalhar para manter a cabeça erguida”, acrescenta Riew. Com isso, o pescoço torna-se mais grosso e podem ficar excessivamente cansados e doloridos pelo esforço contínuo.
Segunda pálpebra
Foto: Reprodução/Toll Free Forwarding
Por fim, os responsáveis pela simulação estimam ainda que os problemas de visão provocados pelas telas podem levar a uma evolução humana que provoque o desenvolvimento de uma segunda pálpebra que protegeria os olhos da iluminação dos dispositivos tecnológicos.
É o que sugere o cientista Kasun Ratnayake, da Universidade de Toledo, nos Estados Unidos. “Os seres humanos podem desenvolver uma pálpebra interna maior para evitar a exposição à luz excessiva, ou a lente do olho pode ser desenvolvida evolutivamente de modo a bloquear a entrada de luz azul, mas não outras luzes de alto comprimento de onda, como verde, amarelo ou vermelho”, diz o especialista.
Papa Francisco deu novos sentidos às ideias de Santo Agostinho Imagem: Sean Gallup/Getty Images
“Você não tem medo de ir para o inferno?”. A pergunta da então candidata Soraya Thronicke para Padre Kelmon no debate presidencial da Globo, que foi ao ar na quinta-feira (29), virou assunto na internet. Mas essa é uma questão presente em diversas conversas de quem tenta virar voto dos religiosos.
Kelmon alegou não ter motivos para ter medo do inferno, já que dedica a vida à igreja. Mas, para o cristianismo, basta dedicar a vida ao sacerdócio para ser salvo? Quem pode ir para o inferno?
De onde surgiu a ideia de inferno?
Uma fornalha de fogo onde o castigo é constante, a destruição é eterna — e que, ainda por cima, fede a enxofre. É assim que a Bíblia descreve o inferno. Chamado também de Geena, Hades, abismo ou tormento eterno, o lugar é citado mais de 150 vezes no livro sagrado do cristianismo.
“O céu e o inferno são explicados a partir de imagens. Numa visão católica, o inferno é o oposto ao céu. É uma situação que, em vez de vida eterna, o que se tem é a morte eterna”, explica Dayvid da Silva, coordenador do curso de Teologia da PUC-SP.
O conceito de um lugar para onde vão as almas dos mortos surgiu muito antes do nascimento de Jesus e está presente em diferentes religiões, filosofias e mitologias. Já a ideia de castigo eterno destinado aos pecadores se popularizou com a Bíblia.
Mas a ideia de castigo eterno destinado aos pecadores foi popularizada por Santo Agostinho, no século 6. O mesmo também defendia que crianças mortas antes de serem batizadas iriam para o inferno.
Numa revisão mais recente, feita em 2015, o papa Francisco foi na contramão da crença e afirmou que o castigo eterno que atormenta os fiéis da igreja “não é eterno”.
A crença de que crianças pagãs estariam condenadas ao inferno caiu por terra ainda antes, com a criação da ideia de “limbo”, onde não há alegria, nem sofrimento.
Quem estaria condenado ao inferno?
A lista é ampla. De acordo com a Bíblia, aqueles que adoram a outros deuses, que falam o nome de Deus em vão e que não guardam um dia para adorar ao Senhor estariam condenados ao sofrimento eterno após a morte. Os assassinos, adúlteros, ladrões, mentirosos e os invejosos também têm seu lugar garantido nas profundezas.
Atitudes como não honrar e respeitar os pais, injustiça, impiedade e agressividade também são atos condenáveis no livro sagrado. Até chamar o outro de “louco” e olhar para o próximo desejando-o sexualmente pode garantir uns pontos a menos na hora do juízo final.
“Sempre que caímos no egoísmo, pensamos apenas em nós mesmos ou no nosso grupo e deixamos de agir pelo bem do próximo, nós, de certa forma, estamos agindo contra os valores do evangelho”, explica Dayvid. E, na visão cristã, são esses valores que nos fazem — ou não — chegar mais perto do céu.
Em outras palavras, a condição de inferno, como explica o coordenador, estaria em não realizar a vontade de Deus, conceito que, ao longo da história da igreja, recebeu uma série de interpretações — inclusive preconceituosas. “Muitas vezes, as imagens utilizadas para explicar essa situação de inferno falaram muito mais alto do que o próprio sentido de inferno”, conclui.
Um padre pode ir para o inferno?
De acordo com o cristianismo, sim, todos nós podemos.
Para Dayvid, uma pessoa cristã vive a realidade “de inferno” no momento em que ela se fecha para o relacionamento com Deus e com o outro.
“Às vezes, temos pessoas muito piedosas na igreja, mas que maltratam os outros, agem em vista da divisão e não da unidade, são mesquinhas e egoístas. O contrário também existe: pessoas que não frequentam a igreja, mas agem sempre a favor do outro. No final, todos nós podemos viver essa realidade de céu e de inferno”, conclui.
Estima-se que, ao redor do mundo, haja 6 milhões de pessoas ligadas à maçonaria.
Sìmbolo maçônico; estima-se que haja 6 milhões de maçons pelo mundo — Foto: kelly2/Creative Commons
De vez em quando voltam às manchetes de jornais mistérios envolvendo os maçons e a suposta influência das elites dirigentes da maçonaria sobre a sociedade.
Entre os motivos para isso estão a antiguidade e a tradição de discrição em torno do grupo e, claro, o poder e influência de alguns de seus integrantes, como o ex-premiê britânico Winston Churchill e o escritor Oscar Wilde.
Estima-se que, ao redor do mundo, haja 6 milhões de pessoas ligadas à maçonaria.
Ainda que originalmente a maçonaria tenha se constituído como uma sociedade secreta, hoje, ao menos no Reino Unido, tem optado por se defender publicamente das acusações.
A Grande Loja Unida da Inglaterra publicou anúncios publicitários de página inteira em diversos jornais britânicos, pedindo o fim da “discriminação” sofrida por seus membros, os quais se queixam da representação “tergiversada” feita deles.
Quando o jornal The Guardian noticiou, por exemplo, a existência de duas lojas maçônicas que operariam em segredo no Parlamento do Reino Unido, compostas por políticos ou jornalistas. Em outra denúncia no Reino Unido, o presidente do principal sindicato das polícias da Inglaterra e do País de Gales disse que círculos maçons dentro da corporação estariam impedindo reformas voltadas à promoção de minorias, como mulheres e negros.
David Staples, líder dos maçons ingleses e galeses, negou as acusações apresentadas no Guardian e disse que nenhum de seus membros era parlamentar ou político.
“Não somos uma sociedade secreta”, afirmou ele à BBC, agregando ser “ridícula” a notícia sobre o veto de policiais maçons a reformas corporativas.
Staples também falou que a maçonaria inglesa levaria a cabo uma série de eventos a portas abertas para responder a perguntas da população sobre a natureza e o funcionamento da organização.
Assim, dizem querer combater o hermetismo tradicionalmente associado a maçons.
Peter, um jovem maçom de Londres, disse ao Guardian: “Meus colegas de trabalho sabem que sou membro de uma loja, e nunca me encontrei com nenhum irmão maçom que se negasse a tornar pública sua filiação ou que escondesse o que fazemos”.
Cada loja se reúne oficialmente quatro vezes ao ano, em cerimônias de acolhida a novos membros que podem ter uma hora de duração.
Mas o que ocorre nesses eventos sempre foi um segredo bem guardado.
“A melhor maneira de explicar é que é como se fosse uma peça de teatro, em que todo o mundo tem um papel”, disse à BBC um integrante da maçonaria britânica, pedindo anonimato.
“O venerável mestre (um dos mais altos cargos nas lojas) é o ator principal, com a maioria das falas. À medida que você vai às cerimônias, tem de aprender coisas – há perguntas para as quais precisa aprender as respostas.”
Mas o que é dito nessas cerimônias nunca é revelado ao mundo exterior.
De um lado, as maçonarias não veem com bons olhos que seus membros discutam política ou religião; de outro, porém, um dos requisitos para entrar para as lojas é, historicamente, a crença em um poder superior.
“(A tradição maçônica) é baseada no Templo de Salomão”, diz à BBC Anna, integrante de uma das poucas lojas maçônicas femininas britânicas. “É uma alegoria, levemente baseada na religião.”
Dados sobre os maçons:
Estima-se que haja 6 milhões de maçons no mundo;
Eles se reúnem em templos que chamam de lojas (em inglês, lodge, ou alojamento, que é onde antigamente se agrupavam os pedreiros responsáveis pela construção de igrejas ou catedrais);
As lojas são organizadas por região;
Os maçons geralmente usam uma espécie de avental, por conta de seu aparente elo com os antigos pedreiros das catedrais (stonemasons, em inglês);
Entre personagens históricos com elos com a maçonaria estão o político Winston Churchill e os escritores Oscar Wilde, Rudyard Kipling e Arthur Conan Doyle.
A maçonaria segrega homens e mulheres em lojas distintas.
Na Inglaterra, por exemplo, a primeira loja feminina foi criada em 1908, com um venerável mestre do sexo masculino. Depois, passou a ser integrada apenas por mulheres, com um veto à presença masculina. Elas também são proibidas nas cerimônias masculinas.
Segundo a maçom Anna, porém, “fazemos os mesmos rituais (que os homens), as mesmas cerimônias, ainda que estejamos completamente separados”.
Mas essa separação por gênero é comumente alvo de críticas, inclusive entre os próprios maçons.
O maçom Peter, por exemplo, disse desejar que “a Grande Loja (britânica) se modernize completamente algum dia e permita que ambos os sexos se misturem”.
“Seria magnífico para a organização”, opina.
Outro maçom que pediu anonimato afirmou que “a maçonaria está impregnada de tradições, e seus rituais são peculiares, mas não mais do que na Igreja Católica”.
Questionados sobre os motivos que os levaram a ingressar nessa irmandade, os entrevistados citaram a “veia social” das lojas, que contribuem com ações beneficentes comunitárias, e com o sentimento de lealdade e pertencimento fomentado pela maçonaria.
“Gosto de confiar nas pessoas, sou muito leal, então esse tipo de coisa (ser parte da comunidade) me atraiu”, disse um deles à BBC. “Ao longo dos anos, você constrói relacionamentos, faz amigos e forma uma rede. (Mas) uso essa expressão com cuidado, porque essa rede não está lá para ser usada em seu benefício pessoal.”
De fato, uma das características que se costumam atribuir aos maçons é a de que eles se valem de suas posições sociais e profissionais para favorecer outros membros e a própria organização. Os maçons, porém, afirmam que isso é um “mito”.
Maçons denunciam golpe milionário cometido por golpista
“Acho que no passado provavelmente houve casos (de nepotismo e favorecimento), mas nunca soube de nenhum entre as maçons”, afirmou Anna à BBC.
Além disso, em diferentes momentos da história, a maçonaria foi acusada de conspirar e influenciar nos bastidores da política.
Staples, o líder da Grande Loja britânica, afirmou que uma investigação de um comitê especial do Parlamento concluiu não haver “nada sinistro” na atividade da maçonaria do país.
O relatório desse comitê, porém, recomendou que seja exigido que maçons com cargos na polícia e demais órgãos públicos declarem publicamente seu pertencimento à irmandade.
Steve White, que acaba de deixar a presidência do sindicato policial britânico e que denunciou o suposto bloqueio de reformas por parte de maçons, opinou, em entrevista ao Guardian, que “o que as pessoas fazem em sua vida privada é assunto apenas delas. (Mas) se torna um problema quando afeta seu trabalho”.
“Houve ocasiões em que colegas meus suspeitaram que maçons foram um obstáculo para reformas. Temos que nos assegurar que as pessoas estão tomando as decisões pelos motivos certos”, disse.
Neste setembro amarelo, é fundamental falar sobre a depressão infantil, quadro clínico cada vez mais comum em todo o mundo. Assim como os adultos, as crianças enfrentam adversidades e carecem de ajuda profissional, familiar e solidária.
De acordo com uma estimativa da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), em todo o mundo, mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofrem com a depressão.
Conforme o médico Alanderson Melo, o uso precoce das redes sociais está atrelado ao crescimento no índice de jovens com o quadro depressivo.
“Cada vez mais é possível ver o uso das redes sociais mais cedo pelas crianças. Com isso, eles t acesso aos influencers e acreditam que existem a vida perfeita. Quando acabam não conseguindo algo, seja por seguir o padrão de beleza ou financeiro, as dificuldades acabam acarretando em problemas psicológicos”, contou ao Terra Brasil Notícias.
Apenas no Brasil, segundo um estudo realizado pela FMUSP (Faculdade de Medicina da USP), em setembro de 2021, 36% dos jovens apresentaram sintomas de depressão e ansiedade. O levantamento foi realizado on-line com cerca de 6.000 voluntários na faixa etária de 5 a 17 anos.
A universitária Maria Nogueira Maia Imagem: Arquivo pessoal
A escolha da universitária Maria Nogueira Maia, 22, parece distante de muitas mulheres, principalmente na faixa etária dela. Há um ano, a carioca decidiu por não ter relações sexuais. A opção pelo celibato foi motivada por um relacionamento tóxico, que durou cinco anos, e por questões espirituais, já que a jovem pratica o budismo.
A falta de sexo foi comunicada nas redes sociais de Maria, que só no TikTok conta com 154 mil seguidores e 65 mil no Instagram. O anúncio do celibato trouxe surpresas, curiosidades e interesse de algumas jovens em também ficar por um tempo sem relações sexuais.
Maria conta a Universa que se envolveu com algumas pessoas durante esse período, mas sem sexo. Para ela, a fase é de aprendizado e de compartilhar experiências. “Se ainda não saí do celibato é justamente porque não achei uma pessoa que valesse a pena”, afirma. Leia seu relato abaixo.
“Depois de término difícil, percebi que só caía em ‘golpe'”
“Sou praticante do budismo e desde os meus 16 anos comecei a levar o assunto a sério. Alguns escritos falam muito sobre o contato sexual com o outro e como isso afeta a nossa energia. Estava vindo de uma fase de término muito difícil e de tentar encontrar outra pessoa. Mas só caia em ‘golpe’, não tinha ninguém querendo uma conexão mais duradoura, apesar de no início aparentarem o contrário.
As pessoas realmente procuram muito essa questão carnal, sexual, que é muito comum, principalmente em homens de 20 e poucos anos. Eu não estava me identificando com isso e, depois de cada pessoa que passava por minha vida, me sentia pior e sozinha. Aí cheguei nessa conclusão do celibato, em que prefiro encontrar minha solitude e estar verdadeiramente comigo mesmo do que ter solidão ao lado de outra pessoa.
“Sem sexo, eles desistem muito rápido”
Eu buscava muito a validação masculina, como é comum em meninas da minha idade e até em mulheres mais velhas. Quando eles descobriam que não ia para cama, que não ia ter sexo, desistiam muito rápido, e eu sofria com isso. Pensava: ‘Poxa, preciso mesmo disso? Olha tudo que eu faço, olha minha vida. Eu tenho muito orgulho de mim’. Foi um processo que veio com muita terapia. É você gostar de alguém, mas saber que não vale a pena. No começo eu gostava da pessoa e queria investir, mas sabia que ela estava ficando com um monte de gente, que não ia querer um relacionamento. Tive que ter autocontrole e seguir o que sempre acreditei. Muitos seguidores acham isso incrível. Várias meninas falaram que vão ingressar nesse processo, inclusive depois de terem assistido o meu vídeo.
Sempre falo que os resultados nunca vão ser iguais porque é uma experiência espiritual e muito individual. Algumas amigas me acham maluca e com certeza teve um estranhamento. A primeira mensagem que recebi quando falei do celibato no vídeo foi de uma amigona minha. Ela disse: ‘Você ficou um ano sem transar? Não acredito que não me contou!’ Foi um choque. Eu não tinha falado para ninguém e esperei dar um ano para contar. É um instrumento para o autoconhecimento e não é ele que vai fazer pessoas boas chegarem até você. É o processo de investir tanto em si que você não aceita menos do que uma pessoa muito boa ao seu lado.
Celibato com data de validade
“Eu não fazia questão de comunicar as pessoas que estava fazendo o celibato e quando me relacionava com alguém fugia falando que não estava afim. Mas claro que em alguns momentos deu muita vontade. Nossa Senhora, tenho só 22 anos, né? Me concentrava e pensava num bem maior. A partir do momento que você se coloca como prioridade fica muito fácil de estabelecer seus limites, de ver até onde você consegue ir e também ser muito flexível. Se ainda não saí do celibato é justamente porque ainda não achei uma pessoa que valesse a pena. Se chegasse uma pessoa que realmente gostasse e tivesse vontade de investir, eu faria. Mas até agora não chegou, mais uma vez”.
Três universidades, TikTok e livros
Estou cursando o nono semestre na faculdade de psicologia, o quinto na de economia e o primeiro na de marketing. Depois de me formar, quero me especializar em economia comportamental e focar na criação de políticas públicas para reformar a educação brasileira no futuro. Esse é o meu grande objetivo.
Enquanto isso, a rotina é agitada. Acordo por volta das cinco horas da manhã, medito, tomo café, vou gravar vídeos e planejar as minhas postagens do dia. Vou para a academia, para a faculdade, para o estágio de psicologia e para outra faculdade à noite. No fim de semana me dedico a escrever livros.
No começo de setembro lancei meu primeiro livro, que fala da questão do relacionamento abusivo. São poesias que venho escrevendo desde os 16 anos até hoje, histórias e trechos de diários. É um livro curto que mostra a minha história desde o meu término do meu primeiro relacionamento até as experiências durante a pandemia. Também tenho livros anônimos que escrevo para duas empresas e não posso passar mais detalhes.
Eu não queria trabalhar com coisas da internet. Meus amigos me incentivaram e ficavam falando, ‘você tem muito o que falar; você deveria expor as suas opiniões’. Com esse apoio, comecei com o Instagram, focando em estudos em psicologia, já que me sentia mais segura em falar sobre o assunto. As postagens viraram uma bola de neve e os vídeos estouraram. Hoje falo um pouco de tudo. Recebo mensagens todos os dias de pessoas falando que incentivei a buscarem ajuda terapêutica ou que saíram de relacionamentos tóxicos.”
Descontentamento, desânimo, falta de energia para realizar atividades do dia a dia, alterações no sono, no apetite e baixa autoestima: todos esses sintomas são comuns em momentos de tristeza, mas também podem ser indicativos de depressão. Enquanto a primeira condição é temporária e não requer tratamento medicamentoso, a depressão necessita de cuidados especiais.
De acordo com a psicóloga clínica Ana Café, a tristeza e a depressão muitas vezes se confundem, mas é possível diferenciar os sintomas de acordo com a intensidade, duração e características específicas de cada uma das condições.
Porém, mesmo com a presença de vários sinais, somente um médico psiquiatra poderá realizar o diagnóstico de depressão. Em alguns casos, o problema é identificado em apenas uma consulta, enquanto em outros, são necessários mais atendimentos para descartar a existência de condições como depressão bipolar ou transtorno de ansiedade generalizada.
“A tristeza é um sentimento normal e que faz parte do nosso dia a dia, assim como a raiva e a alegria. Ela dura algumas horas ou dias, mas quando se prolonga para além de semanas, já podemos pensar em uma depressão endógena ou exógena”, explica a especialista.
A depressão endógena não tem uma causa externa causadora, estando relacionada a uma alteração estrutural na bioquímica do cérebro. Já a depressão exógena é desencadeada por fatores externos, como uma demissão, bullying na infância ou um aborto. Para Ana, existe uma tendência em pacientes depressivos de negarem os sintomas, enquanto pessoas tristes conseguem identificar os motivos por trás do sentimento.
A psicóloga explica que, independente da situação, investir e tratar a mente é uma necessidade básica da atualidade. Ela indica que uma pessoa deve procurar ajuda quando perceber os seguintes sintomas:
Humor triste, ansioso ou sensação de “vazio” persistente;
Sentimentos de desesperança, luto ou pessimismo;
Irritabilidade;
Sentimentos de culpa, inutilidade ou desamparo;
Perda de interesse ou prazer pela vida, hobbies e atividades;
Mover ou falar mais devagar;
Dificuldade de concentração, lembrança ou tomada de decisões;
Dificuldade para dormir, despertar de manhã cedo ou dormir demais;
Dores, dores de cabeça, cólicas ou problemas digestivos sem uma causa física clara ou que não se aliviam mesmo com tratamentos.
A profissional ainda ressalta que pensamentos suicidas e tentativas contra a própria vida são alertas vermelhos que exigem urgência na consulta de um especialista. Durante o mês de setembro, a conscientização a respeito do suicídio marca a importância da ajuda profissional quando surgem ideações suicidas, visto que a depressão é um dos principais fatores que levam à realização do ato.
Tratamento
De acordo com a especialista, a tristeza e a depressão exógena podem ser tratadas, muitas vezes, apenas com psicoterapia. Já o tratamento da depressão endógena pode exigir o uso de medicamentos específicos associados ao acompanhamento terapêutico, oferecendo melhores resultados. Em ambos os casos, a intervenção precoce contribui para diminuição dos episódios depressivos e melhoria na qualidade de vida do paciente, evitando agravamento dos sintomas.
Dados fazem parte da pesquisa TIC Kids Online Brasil
O número de crianças e adolescentes do país com acesso à internet cresceu em 2021, apontou a pesquisa TIC Kids Online Brasil, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que foi divulgada hoje (16), em São Paulo.
O estudo, conduzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), apontou que 93% das crianças e adolescentes do país entre 9 e 17 anos são usuárias de internet, o que corresponde a cerca de 22,3 milhões de pessoas conectadas nessa faixa etária. No entanto, esse acesso ainda revela desigualdades.
Em 2019, antes da pandemia de covid-19, 89% dessas crianças e adolescentes tinham acesso à internet. Dois anos depois, houve avanços, que foram principalmente percebidos entre as crianças e adolescentes da Região Nordeste: em 2019, 79% delas tinham acesso à internet e esse número passou para 92% no ano passado. Também houve avanço nas áreas rurais, cujo acesso à internet passou de 75% para 90% nessa mesma comparação, e entre crianças de 9 a 10 anos, que saiu de 79% para 92%.
“Esse é um dado [93%] que a gente tem que comemorar, é uma população inserida em um ambiente, mas não podemos desconsiderar os 7% que não foram inseridos, o que representa quase 2 milhões de pessoas nessa faixa etária que não utilizam a internet. Os que não utilizam a internet sofrem muito a consequência desse avanço porque ficam ainda mais à margem. Além disso, temos que pensar que, entre os que são usuários, esse uso não é igual”, disse a coordenadora do estudo, Luísa Adib, durante a apresentação dos dados.
O celular é o dispositivo predominante entre as crianças e adolescentes para acesso à internet (93%), mas o estudo de 2021 também mostrou um crescimento significativo da televisão para essa utilidade (58%). Apesar disso, o uso de dispositivos como televisão, computador (44%) e videogame (19%) para acesso à internet ainda é pequeno e demonstra a desigualdade entre as classes sociais.
“Esse crescimento [na televisão como dispositivo para acessar a internet] foi maior entre as classes D e E mas, ainda assim, a diferença que a gente observa tanto para a televisão quanto para os demais dispositivos – com exceção do celular que é mais equilibrado – é que as classes A e B acessam a internet de uma variedade maior de dispositivos”, destacou Luisa.
“Mais de 50% dessa população [crianças e adolescentes] acessa a internet exclusivamente pelo telefone celular. E, nesse caso, a diferença de classes é bastante marcada. As classes D e E acessam exclusivamente pelo celular em proporções que são maiores do que as classes A e B, que também acessam pelos computadores”, disse Luísa.
Segundo o estudo, os celulares são a única ferramenta de conexão para 78% de crianças e adolescentes das classes D e E. Nas classes A e B, apenas 18% desse público faz uso exclusivo do celular para uso da internet.
Apoio emocional
O TIC Kids Online Brasil realizado no ano passado revelou ainda que um terço dos adolescentes entre 11 e 17 anos (cerca de 32% do total deles) já usou a internet para buscar apoio emocional. Esse hábito foi maior entre as meninas: 36% delas afirmam já ter recorrido a esse tipo de apoio online. No caso dos meninos, isso correspondeu a 29%.
“É importante destacar que a busca emocional nesse caso está associada tanto a um canal de ajuda como a busca por um amigo ou um adulto, para dividir ou falar sobre alguma situação triste”, explicou Luísa.
O uso da rede para a procura de apoio emocional foi reportado por 46% dos que tinham entre 15 e 17 anos, 28% entre os com 13 e 14 anos e 15% por aqueles com idades de 11 a 12 anos.
Redes sociais
Entre crianças e adolescentes no país, o uso de redes sociais é uma das atividades online que mais cresceram. Em 2021, 78% dos usuários de internet com idades de 9 a 17 anos acessaram alguma rede social, um aumento de 10 pontos percentuais em relação a 2019 (68%).
A proporção de usuários de internet de 9 a 17 anos que têm perfil no Instagram avançou de 45% em 2018 para 62% em 2021. E, pela primeira vez, o perfil no Tik Tok apareceu na pesquisa: 58% do público pesquisado declarou ter um perfil nessa rede compartilhamento de vídeos curtíssimos, ficando à frente do Facebook, com 51%
Para a pesquisa, foram ouvidas 2.651 crianças e adolescentes de todo o país, com idades entre 9 e 17 anos. O estudo foi realizado entre outubro do ano passado e março deste ano. O TIC Kids Online Brasil é uma pesquisa feita anualmente desde 2012 e só não foi realizada em 2020 por causa da pandemia de covid-19.
Os casamentos no Brasil duram 3 anos a menos do que na última década Imagem: Mofles/iStock
O tempo médio de duração de um casamento no Brasil diminuiu 18,7% em uma década. Enquanto em 2010 as relações conjugais costumavam durar 16 anos, em 2020 a média caiu para 13 anos, de acordo com um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em fevereiro deste ano e que analisou as estatísticas do Registro Civil (Divórcios 2020).
Para especialistas ouvidas por Universa, o empoderamento feminino e o questionamento da fidelidade são alguns dos fatores que contribuíram para relações mais curtas. “Um dos grandes dilemas modernos é se comprometer quando temos mais autonomia e liberdade sexual. Por que ficar em um relacionamento, que me demanda tanta energia, se posso ficar sozinha, pagar minhas contas e transar com quem quiser? As pessoas estão menos afetadas pelas regras sociais”, diz a terapeuta de casais Ana Canosa, colunista de Universa.
Avanço do feminismo
É comum vermos histórias dos nossos avós que ficaram cerca de 50 ou 60 anos dentro de um casamento. Mas todos esses relacionamentos foram felizes mesmo? Com o julgamento da sociedade e a falta de recursos financeiros das mulheres, muitas vezes nossas ancestrais se mantinham em relacionamentos ruins por não terem escolha.
“Antes, a mulher não tinha independência financeira, tinha um compromisso muito maior com sociedade e com a família. Aguentavam muito, porque as pessoas comemoravam mais o casamento do que o amor”, diz a psicóloga Ivana Cabral, especialista em casais.
Se as mulheres se vêem em condições de se bancarem sozinhas, já que estão ganhando cada vez mais espaço no mercado de trabalho, não têm mais motivos para viverem infelizes em um casamento. “Mulheres não estão dispostas a manterem um casamento a qualquer custo, estão quebrando essa ideia de que o feminino tem que estar atrelado ao amor e à maternidade”, afirma Ana Canosa.
Não é mais o casamento que define a mulher e sua felicidade. “Quanto mais elas destroem esse estigma, a tendência é de realmente não ficarem presas a relações ruins e dissolverem rapidamente casamentos não satisfatórios”, completa Ana.
Mudança no conceito de família
Por outro lado, a sociedade tem valorizado mais suas jornadas e a liberdade individual em detrimento da família. “Da data em que eu decidi me separar até de fato a separação se passaram cinco anos. Estava insegura com a questão religiosa e também financeira — apesar de independente, nós dividimos um negócio, minha carreira e meus filhos”, diz Camila Amaral, 37, advogada, de São Paulo. Esse receio fez com que Camila ficasse mais tempo em um relacionamento no qual ela não estava feliz. “Fiquei casada para preservar a família. Até que meu filho, na época com 11 anos, disse que não aguentava mais me ver infeliz”. Foi quando decidiu focar na sua felicidade.
Camila ficou casada por 13 anos e concluíu seu divórcio há poucos dias Imagem: Acervo pessoal
Semana passada, Camila finalmente engordou as estatísticas cravadas pelo IBGE: após 13 anos de casamento, assinou os papéis finais do divórcio no começo de agosto. “Foi libertador. Às vezes, eu olho para fotos minhas da época e nem me reconheço, quase como se eu tivesse completamente anulada na relação em prol da instituição família”, diz Camila, que completa: “Hoje sei que eu e meus filhos somos uma família”.
Terapia de casais pode ajudar
Por mais que o casal se ame e esteja conectado, passamos por muitas fases em nossas vidas que podem gerar atritos. “Cada vez que mudamos um ciclo de vida, precisamos fazer uma avaliação sobre o que queremos e qual o projeto de convivência”, diz Ana Canosa, colunista de Universa. Um novo emprego, entrar novamente na faculdade e a chegada de um filho, por exemplo, balançam o barco – e podem levar alguns a afundar.
Na geração do imediatismo, segundo Ivana, não há paciência para lidar e superar os problemas que todos os casamentos terão e a expectativa que se coloca no outro pode ser determinante para os fins mais rápidos do relacionamento. “Espera-se muito das parcerias e, quando a pessoa não recebe o que deseja, não há resiliência para lidar com o problema”, diz. Camila tentou, por cinco anos, mas mesmo assim decidiu seguir um caminho diferente do companheiro.
Muitos casais buscam aconselhamento terapêutico antes de decidirem colocar um ponto final definitivo na relação. “Elas buscam ajuda porque veem algum tipo de prazer ou benefício na relação. Também porque gostam um do outro e tem uma história da qual têm dificuldade de abrir mão”, afirma Ana Canosa. Esse envolvimento emocional é um dos fatores determinantes para que o fim, às vezes, seja postergado.
O importante é entender que, mesmo buscando ajuda profissional, ninguém muda a personalidade de ninguém. “Tem muita fantasia sobre isso. Preciso analisar o quanto eu consigo aceitar o outro como ele verdadeiramente é e o quanto estamos comprometidos em um relacionamento em comum”, diz Ana Canosa.