Jornalista grava vídeo para explicar método de investigação e porque diminuiu o ritmo de revelações na imprensa
Gleen Greenwald garante que seguirá com a série da ‘Vaza Toga’: ‘As reportagens vão continuar’ | Foto: Reprodução/YouTube
Um mês depois de revelar que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) usou métodos fora dos padrões legais para investigar e tentar punir políticos e veículos de imprensa, entre eles, a Revista Oeste, o jornalista Glenn Greenwald publicou vídeo no YouTube para dizer que sofre ameaças, mas que não vai parar com as reportagens.
Em material de quase 30 minutos veiculado na última quinta-feira, 19, o norte-americano explica que tem sido pressionado a revelar todo o conteúdo a que teve acesso sobre o trabalho do TSE, então presidido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Glenn esclareceu, contudo, que se a questão fosse revelar todo o material, a própria fonte o teria feito. “A fonte procurou um jornalista não para despejar tudo na internet, mas, sim, para fazer jornalismo com este arquivo”.
Pressa ajudaria Alexandre de Moraes, adverte jornalista
O repórter explicou que se publicasse todo o material recebido, não ajudaria ninguém, exceto Alexandre de Moraes e o gabinete à época por ele chefiado. “Ninguém iria entender nada se eu jogasse todo esse arquivo na internet.”
Glenn explicou que, para organizar todas as informações contidas nos mais de 6 gigabytes de mensagens, é preciso ver, escutar e identificar o que é relevante. “Muitas vezes precisamos conectar as informações com outros dados e contextos para checar realmente a veracidade”.
No vídeo, ele destaca a importância de uma apuração detalhada para evitar erros e não gerar desconfiança. “A falta de credibilidade somente ajudaria os sujeitos envolvidos.”
Apuração deve descartar especulações
Um dos responsáveis pela divulgação dos documentos que resultaram na chamada “Vaza Jato”, Glenn disse que grande parte do material adquirido em reportagens como essa não tem relevância. “A maior parte não tem qualquer importância relacionada ao fato principal.”
Na opinião de Glenn, publicar todas as informações pode causar danos colaterais desnecessários. “Um profissional ético não pode simplesmente divulgar especulações sob o risco de destruir a reputação das pessoas.”
Glenn citou o exemplo da Vaza Jato, em que recebeu áudios de telefonemas do então procurador da República Deltan Dallagnol. “Ouvi coisas importantes sobre os trâmites na Justiça, mas havia ali, também, assuntos pessoais que o público não tem direito de saber.”
O ex-procurador Deltan Dallagnol: segundo Glenn, apuração na Vaza Jato continha muitos assuntos que não interessavam ao público | Foto: Reprodução/YouTube/Revista Oeste
“Jornalista que é jornalista não se sente intimidado“
O repórter afirmou que, embora esteja sendo cobrado por novas reportagens, a investigação atual apresenta um volume de artigos superior ao de denúncias como a da Vaza Jato ou do caso Edward Snowden, com a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos.
Acrescentou que o público não precisa se preocupar com eventuais pressões. “Estou sendo pressionado pelo ministro há muito tempo”, disse. “Eu e os veículos de imprensa. Mas jornalista que se sente intimidado não é jornalista.”
Na visão do repórter norte-americano, é compreensível a falta de paciência das pessoas. “Isso aqui não é como o Burger King, em que você entra, pede um sanduíche e pronto.” Glenn explica que muita coisa só pode ser realmente entendida na base da investigação.
Sobre Moraes: “Jamais esconderia o que ele fez”
“O pior a se fazer neste momento é publicar algo sem termos certeza. O material só será publicado quando realmente estiver pronto”, disse o jornalista, garantindo que, em breve, novos artigos serão publicados. “Tem muita gente competente trabalhando nisso”.
Glenn revela que o material em análise é tão extenso que ele e sua equipe vão convidar jornalistas de outros veículos para conhecerem o teor dos arquivos. “É importante abrir esses arquivos para outros jornalistas, outros sites, para ter a certeza de que não estamos deixando nada de lado.”
O repórter afirma ter muito claro o perigo que Alexandre de Moraes representa. “Jamais pararia essa série de reportagens sem ela estar completa”, afirmou. “Eu jamais esconderia o que ele fez e o que o público tem direito de saber. As reportagens vão continuar.”
Trajeto da aeronave ocorreu em um aeroclube de Quadra, no Estado de São Paulo
Carro voador de modelo EH216, da empresa chinesa EHang | Foto: Reprodução/Redes sociais
A Gohobby realizou nesta sexta-feira, 20, o primeiro voo do carro voador EH216, da fabricante chinesa EHang, em território brasileiro. A empresa havia obtido, em setembro, autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para realizar voos-teste com o eVtol, veículo de decolagem e pouso vertical.
De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, a aeronave decolou às 11h30 no Aeroquadra, aeroclube em Quadra (SP), e voou a cerca de 40 metros de altitude por cinco minutos.
Segundo a Anac, até o momento, apenas as aeronaves da Eve, controlada pela Embraer, e da EHang receberam permissões para voos-teste no Brasil. A agência afirmou que o voo da Gohobby é o primeiro com eVtol em escala real no país.
A autorização da Anac é destinada a pesquisa e desenvolvimento, não permitindo ainda o transporte de passageiros. A agência diz que não há previsão a curto prazo para a certificação da aeronave, necessária para voos comerciais.
O carro voador da Gohobby mede 1,93 metros de altura e 5,73 metros de largura, com um compartimento que funciona como porta-malas. A velocidade máxima é de 130 km/h, e a distância máxima que pode percorrer é de 30 quilômetros.
Valor e modelos disponíveis
A aeronave é avaliada em cerca de US$ 600 mil (aproximadamente R$ 3,4 milhões). Em junho, havia 16 pessoas na lista de espera para compra, segundo a Gohobby. O modelo S é voltado para transporte de passageiros, enquanto o modelo F é destinado a uso por bombeiros.
A Gohobby já apresentou o modelo da EHang em eventos como a Expo eVTOL, realizada em São Paulo em maio, e o Catarina Aviation Show, em São Roque (SP) em junho. Sem regulamentação específica para eVtols no Brasil, o carro voador está enquadrado no regulamento de drones RBAC-E 94.
Outras empresas de ‘carro voador’ também receberam autorizações
Autorizações semelhantes já foram emitidas para outras empresas, como a Xmobots, especializada em drones.
“A aviação sempre foi glamorosa, mas não muito acessível”, disse o CEO da Gohobby, Adriano Buzaid. “O eVtol vem para democratizar a aviação para todos, para que você possa ir trabalhar voando. Com certeza vai ser a maneira pela qual nós vamos nos transportar em grandes cidades e entre cidades.”
Presente no evento, a COO para Europa e América Latina da EHang, Victoria Jing Xiang, afirmou que a fabricante está em diálogo com a CAAC e a Anac para obter a certificação no Brasil. As agências dos dois países colaboram no processo.
A Eve, concorrente brasileira da EHang, apresentou seu primeiro protótipo de eVtol em escala real em julho, durante uma feira no Reino Unido. A aeronave foi produzida na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto (SP) e passará por testes para avaliar operação e segurança. A empresa continua as conversas com a Anac para obter a certificação.
A advogada Rachel de Oliveira Villa Nova volta a desempenhar essa função na rede social
Na quinta-feira 19, Moraes deu 24 horas para que o Twitter/X indicasse uma representante legal no país. | Foto: Reprodução/Pexels
O Twitter/X indicou a advogada Rachel de Oliveira Villa Nova como representante legal da plataforma no Brasil, na noite desta sexta-feira, 20. Isso era um dos requisitos para que a rede social fosse liberada no país, depois do bloqueio imposto pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na quinta-feira 19, Moraes deu 24 horas para que o Twitter/X indicasse uma representante legal no país.
Os advogados Sérgio Rosenthal e André Zonaro Giacchetta assumiram a defesa do Twitter/X no processo que levou ao bloqueio da plataforma no Brasil. Contudo, a representação legal envolve poderes mais amplos. Para se ter ideia, o encarregado dessa função responde efetivamente pela empresa.
Por isso, Rosenthal e Giacchetta comunicaram ao STF sobre a nomeação de Rachel de Oliveira Villa Nova Conceição como representante legal do Twitter/X. No documento, sustentam que a indicação da advogada, que já esteve nesse cargo, demonstra a intenção da plataforma de atender às ordens do STF.
A nova indicação do Twitter/X no Brasil
A decisão ocorre depois de a advogada brasileira Vanessa Souza, atualmente morando na Inglaterra, ter declinado do convite do Twitter/X por motivos “estritamente pessoais”.
Uma procuração a que a agência de notícias Reuters teve acesso, assinada em 13 de setembro, dava a Vanessa Souza poderes para representar a empresa de Elon Musk perante a Justiça brasileira, inclusive no STF, onde uma decisão do ministro Alexandre de Moraes bloqueou a plataforma no país.
A Reuters informou que a desistência também foi motivada por notícias de que a plataforma teria descumprido deliberadamente uma decisão do STF ao mudar os provedores de rede da empresa, de modo a burlar o bloqueio determinado por Moraes no fim de agosto.
Depois da atualização de rede do Twitter/X, que restaurou o acesso aos usuários brasileiros, a empresa divulgou uma nota afirmando que a mudança não visava a trazer a plataforma de volta ao Brasil em descumprimento da lei, mas, sim, garantir a qualidade dos serviços em outros países da região.
Na quinta-feira (19/9), a Polícia Civil de São Paulo divulgou a identidade e a imagem do homem conhecido como “maníaco do carro”, acusado de tentativa de abuso sexual contra pelo menos sete mulheres no bairro da Mooca, na zona leste de São Paulo.
Identificado como Solirano de Araujo Sousa, de 48 anos, o homem é procurado pela polícia após ser vinculado a uma série de ataques. A Polícia Civil solicita que qualquer informação sobre o paradeiro de Solirano seja comunicada ao Disque-Denúncia (181), ressaltando que as ligações são sigilosas.
Reprodução-Polícia Civil
Solirano é acusado de atacar cinco mulheres adultas, uma adolescente e uma criança em 13 de setembro. Conforme revelado pelas denúncias e os registros de câmeras de segurança, ele tentou forçar essas mulheres a entrarem em um carro com a intenção de cometer abusos sexuais. Felizmente, todas as vítimas conseguiram fugir.
Como Ocorreram os Ataques?
1º Ataque: Solirano tentou arrastar uma adolescente para dentro de um carro na zona leste.
2º Ataque: O “maníaco do carro” se preparava para atacar uma mulher na Vila Prudente.
3º Ataque: Outro incidente ocorreu na zona leste, onde ele tentou arrastar uma adolescente para dentro do carro.
4º Ataque: Uma adolescente reagiu e conseguiu escapar do ataque.
5º Ataque: Tentou atacar uma mulher no Parque São Lucas, também na zona leste.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou que a polícia foi notificada sobre seis casos relatando sete vítimas. A prisão temporária de Solirano foi decretada pela Justiça na quinta-feira (19/9), mas ele ainda não foi localizado.
Depoimentos das Vítimas
Em entrevista ao portal G1, uma das vítimas detalhou a sua experiência e como conseguiu escapar. A jovem de 26 anos, que preferiu não se identificar, contou que foi abordada em um ponto de ônibus na Rua Manoel Onha, na Vila Oratório. Segundo ela, o suspeito queria colocá-la dentro do carro para estuprá-la. “No que ele falou, eu corri. Minhas pernas tremiam, eu passei mal. Ele quer colocar as meninas dentro do carro”, declarou.
Investigação e Ações Policiais
As investigações estão sendo conduzidas pelo 57° Distrito Policial, localizado no Parque da Mooca. “Diligências prosseguem para esclarecer os fatos. Em paralelo, o policiamento foi reforçado pela Polícia Militar e as equipes da região estão em posse das informações do suspeito para auxiliar em sua localização”, informou a pasta.
Além das investigações, é crucial oferecer apoio psicológico e emocional às vítimas desses ataques. Elas passaram por uma experiência traumatizante e precisam de suporte para superar o trauma.
Se você tiver qualquer informação sobre o paradeiro de Solirano de Araujo Sousa, entre em contato com o Disque-Denúncia pelo número 181. Sua colaboração é fundamental para garantir a segurança da comunidade.
O prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB), aparece na primeira colocação em intenções de voto para a Prefeitura de São Paulo, conforme o mais recente levantamento do Paraná Pesquisas. O instituto divulgou um novo material na manhã desta sexta-feira, 20.
Na nova pesquisa, o emedebista lidera, com 26,8% das intenções de voto.
O deputado federal Guilherme Boulos (Psol) aparece na sequência, com 23,7%. O empresário e influenciador digital Pablo Marçal (PRTB) surge em terceiro, com 21%.
Com margem de erro de 2,6 pontos porcentuais para mais ou para menos, Nunes, apesar de numericamente à frente, aparece em condição de empate técnico com Boulos. O psolista, por sua vez, também está tecnicamente empatado com o integrante do PRTB.
Boulos aparece numericamente na segunda colocação, mas em condição de empate técnico tanto com Nunes quanto com Marçal | Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados
Mais empates técnicos
O empate técnico também se dá entre a deputada federal Tabata Amaral (PSB) e o apresentador de TV José Luiz Datena (PSDB). Enquanto a socialista registra 8,3% das intenções de voto para a Prefeitura de São Paulo, o tucano contabiliza 7%.
Há, além disso, empate técnico entre os últimos cinco colocados no levantamento do Paraná Pesquisas. Marina Helena (Novo) tem 1,9%. Já Altino Prazeres (PSTU) e Bebeto Haddad (DC) contabilizam 0,1% cada um deles. Por fim, dois não chegaram a pontuar e aparecem com 0%: João Pimenta (PCO) e Ricardo Senese (UP).
A equipe responsável pelo Paraná Pesquisas informa que 6,2% dos entrevistados aparecem no bloco de nenhum/branco/nulo. Enquanto isso, 4,8% não souberam responder ou não quiseram participar do levantamento.
A deputada Tabata Amaral está na quarta colocação em intenções de voto para a Prefeitura de São Paulo. Ela, no entanto, está tecnicamente empatada com Datena | Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados
Dados da pesquisa em que Ricardo Nunes aparece na 1ª colocação
Para apresentar nesta sexta-feira mais um levantamento de intenções de voto para a Prefeitura de São Paulo, no qual Ricardo Nunes consta numericamente na liderança, o Paraná Pesquisas entrevistou 1,5 mil eleitores em potencial na capital paulista. O trabalho ocorreu de 16 a 19 de setembro.
Com SP-03057/2024 como número de registro no Tribunal Superior Eleitoral, a pesquisa conta com nível de confiança em 95%, além da já mencionada margem de erro de 2,6 pontos porcentuais.
Com decisão do Supremo, Moisés Feltrin vai voltar a receber o benefício; ele ganhará R$ 33 mil por mês
Moisés Feltrin: governador de MT por apenas um mês, mas com direito a pensão vitalícia | Foto: Reprodução/MidiaNews
Por quatro votos a um, os ministros da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) mandaram restabelecer a pensão vitalícia do ex-governador de Mato Grosso Moisés Feltrin, que ficou no cargo por 33 dias em 1991. A decisão da Corte se deu nesta semana.
Os magistrados ainda determinaram o pagamento retroativo de parcelas que Feltrin não recebe desde novembro de 2018. À época, o governo de Mato Grosso havia cortado os repasses ao acatar decisão da própria Corte.
O salário atual do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), é de R$ 30,8 mil. Feltrin, no entanto, vai receber R$ 33 mil.
À época em que ocupou a cadeira no Palácio Paiaguás, sede do Executivo estadual, Feltrin, então no PFL, exercia mandato de deputado estadual e presidia a Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Feltrin assumiu o governo porque o governador Carlos Bezerra renunciou. Ao mesmo tempo, o vice Edison Freitas de Oliveira se afastou por problemas de saúde. Depois de breve período no poder, Feltrin transmitiu o cargo para o novo governador eleito, Jayme Campos.
A concessão da pensão vitalícia
Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), instância superior do Poder Judiciário do Brasil | Foto: Pedro França/Agência Senado
A partir de 1999, Feltrin passou a receber a pensão vitalícia. Em 2018, contudo, o STF cortou o privilégio a ex-chefes de Executivo no bojo de uma ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) 15 anos antes, em 2003.
Ao acionar o STF, a OAB citou especificamente o caso de Feltrin. Há 21 anos, o político recebia R$ 12,5 mil mensais por ter sido governador de Mato Grosso durante 33 dias.
No julgamento que agora restabelece a pensão vitalícia a Feltrin, os ministros Dias Toffoli, André Mendonça e Kassio Nunes Marques seguiram o posicionamento do decano Gilmar Mendes. Ele destacou as “peculiaridades fáticas” do caso — apesar de o próprio STF ter declarado inconstitucional o pagamento de pensão a ex-governadores.
Restou vencido o ministro Edson Fachin, relator, que argumentou a impossibilidade de o colegiado rediscutir uma decisão já tomada pelo plenário.
Decano do STF na defesa da volta do benefício
O ministro Gilmar Mendes. Decano do STF foi favorável à volta da pensão vitalícia a político que governou Mato Grosso por somente 33 dias | Foto: Reprodução/Nelson Jr./SCO/STF
Mendes frisou que, quando pediu ao STF o restabelecimento de sua pensão, Feltrin estava com 81 anos e já recebia o benefício, suspenso pelo governo de Mato Grosso, havia mais de 20 anos.
“Não há cruzada moral que justifique, à luz das garantias constitucionais, a abrupta supressão do benefício recebido de boa-fé durante décadas por pessoa idosa, sem condições de reinserção no mercado de trabalho”, justificou o decano do Supremo.
Na avaliação do ministro, a pensão paga ao ex-governador não é um “privilégio odioso”. De acordo com Mendes, trata-se de “benefício de caráter alimentar recebido há anos por indivíduo que, tendo confiado na legislação e na administração, já não mais tem condições de suprir, em razão da avançada idade, suas necessidades no mercado de trabalho”.
Mendes invocou, nesse sentido, outros casos em que o STF determinou o restabelecimento de pensões de ex-governadores. Além disso, ponderou que, considerando a garantia constitucional da segurança jurídica e do princípio da proteção legítima, não é mais possível rever o benefício a Feltrin.
Para o decano do Supremo, o fato de o ex-governador Moisés Feltrin ser idoso, sem possibilidade de reinserção no mercado de trabalho e ter recebido a pensão por longo período justifica a manutenção dos repasses mensais.
A decisão foi tomada depois de uma agressão física durante debate na TV Cultura
Pablo Marçal e José Luiz Datena são candidatos à Prefeitura de São Paulo | Foto: Reprodução/TV Cultura
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou a remoção de vídeos nas redes sociais em que o empresário Pablo Marçal (PRTB) chama o apresentador José Luiz Datena (PSDB) de “criminoso” e “estuprador”. Ambos são candidatos à Prefeitura de São Paulo.
A campanha do empresário cortou os vídeos do debate na TV Cultura, realizado em 15 setembro. Na ocasião, Datena agrediu Marçal com uma cadeira. A decisão judicial foi tomada em quatro liminares publicadas na última terça-feira, 17, e nesta quarta-feira, 18. A campanha de Datena à Prefeitura de São Paulo entrou com os pedidos.
As ordens exigiram que Marçal e a Meta, que administra o Instagram, retirassem ao menos nove publicações em 24 horas. Na manhã desta quinta-feira, 19, a plataforma já havia removido os vídeos.
Nos vídeos, Marçal lembrava uma acusação de assédio sexual contra Datena e o chamava de “criminoso”, “assediador sexual”, “estuprador” e “Jack” — gíria usada em presídios para se referir a estupradores.
Pablo Marçal acusa Datena
O empresário também afirmou que Datena pagou milhões “pelo silêncio dessa mulher” e perguntou: “Quero saber se tocou na vagina dela”. Essas provocações motivaram a agressão física no debate da TV Cultura, segundo Datena.
O juiz eleitoral Murillo Cotrim, autor de uma das liminares, afirmou que os vídeos continham “conteúdo ofensivo” e uma “alegação descontextualizada”. De acordo com o jurista, Pablo Marçal imputava a Datena uma conduta não comprovada nos documentos oficiais.
A juíza Claudia Barrichello considerou as falas de Marçal “extremamente agressivas” e destinadas a “difamar e macular a imagem” de Datena.
“Ainda que tenha havido uma investigação criminal para apurar um suposto crime de assédio sexual em tese praticado pelo autor, é certo que não houve condenação e não se pode admitir que o requerente seja chamado de estuprador”, afirmou Claudia.
Ministro do STF deu prazo de 24 horas para o envio das informações
Ministro Alexandre de Moraes durante sessão | Foto: Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), intimou nesta quinta-feira, 19, os advogados que afirmaram representar a plataforma Twitter/X a comprovarem a representação da empresa no Brasil. O prazo estabelecido é de 24 horas.
Em sua decisão, Moraes afirmou que os advogados André Zonaro Giacchetta e Sérgio Rosenthal submeteram ao STF um documento em que informam que atuarão na defesa judicial da plataforma.
No entanto, segundo o ministro, não houve comprovação do retorno das atividades da X Brasil nem da regularidade na constituição de seus novos representantes legais ou dos próprios advogados.
“Não há, portanto, qualquer prova da regularidade da representação da X BRASIL INTERNET LTDA. (CNPJ 16.954.565.0001-48) em território brasileiro, bem como na licitude da constituição de novos advogados”, afirmou o ministro.
De acordo com informações da emissora CNN Brasil, houve uma mudança na equipe de defesa do X no Brasil. O escritório Pinheiro Neto, um dos maiores do país e que representava a empresa, abandonou o caso na semana passada.
A causa foi transferida para uma nova advogada e, em seguida, voltou ao escritório Pinheiro Neto. A CNN também informou que advogados envolvidos nas negociações entre Twitter/X e STF disseram que o novo representante legal da empresa no Brasil será anunciado em breve.
Moraes aplica nova multa ao Twitter/X
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a suspensão do Twitter/X no Brasil | Foto: Suamy Beydoun/Agif – Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo
Moraes determinou novamente uma multa ao Twitter/X na quarta-feira 18, no valor de R$ 5 milhões, devido à atualização que permitiu o acesso à plataforma para parte dos usuários no Brasil nos últimos dias.
O ministro Alexandre de Moraes aplicou nesta quarta-feira, 18, uma multa diária de R$ 5 milhões ao Twitter/X pelo “drible” que permitiu o acesso de usuários brasileiros à plataforma, mesmo com o bloqueio judicial em vigor.
A multa já está em vigência e se estende também à empresa de tecnologia Starlink. Recentemente, recursos da companhia foram bloqueados para custear multas aplicadas ao Twitter/X.
A decisão foi publicada como um “edital de intimação”, já que a rede social não possui mais representante legal no Brasil.
No documento, Moraes intima o Twitter/X no Brasil “para que, imediatamente, suspenda a utilização de seus novos acessos pelos servidores CDN Cloudflare, Fastly e Edgeuno e outros semelhantes, criados para burlar a decisão judicial de bloqueio da plataforma em território nacional, sob pena de multa diária de R$ 5 milhões”.
A plataforma Twitter/X está suspensa no Brasil desde 30 de agosto. A decisão foi confirmada por unanimidade pela primeira turma do STF. O bloqueio ocorreu depois de a plataforma retirar seu representante legal no país sem nomear um substituto e descumprir ordens de Moraes para suspensão de contas e conteúdos.
Boato de soltura foi publicado em diversos blogs por todo o Brasil
Solange Bezerra é mãe da influenciadora Deolane Bezerra | Foto: Reprodução/Instagram
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) publicou uma nota negando que tenha emitido um habeas corpus em favor de Solange Bezerra, mãe da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra.
O texto, publicado nesta quinta-feira, 19, desmente o boato publicado em diversos blogs e sites especializados em cobertura policial e de famosos.
De acordo com a nota do STJ, o desembargador Otávio de Almeida Toledo atendeu ao pedido da defesa de Solange de colocar o processo em segredo de Justiça. No entanto, o magistrado negou o habeas corpus.
“Em decisão tomada ontem [quarta-feira 18], o ministro Otávio de Almeida Toledo (desembargador convocado), atendendo a pedido da defesa, apenas determinou o sigilo nos autos”, apontou trecho da nota.
Leia a nota na íntegra
“NOTA À IMPRENSA
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) esclarece que é falsa a informação que circula em alguns sites de que foi concedido habeas corpus a Solange Bezerra, mãe da influenciadora Deolane Bezerra.
Em decisão tomada ontem (18), o ministro Otávio de Almeida Toledo (desembargador convocado), atendendo a pedido da defesa, apenas determinou o sigilo nos autos.
O habeas corpus segue em tramitação no STJ.
STJ / Secretaria de Comunicação Social“
Relembre o caso Deolane
Deolane e sua mãe foram presas durante a Operação Integration, deflagrada pela Policia Civil de Pernambuco na semana passada. Os oficiais investigam uma organização criminosa dedicada à lavagem de dinheiro e aos jogos ilegais.
Segundo reportagem do Fantástico, da Rede Globo, Solange declarou que o dinheiro vinha de publicidade. Entretanto, a mãe de Deolane admitiu “que não se recorda ou que desconhece” alguns valores.
Em sua defesa, a influenciadora disse que ganhou dinheiro, que ostenta nas redes sociais, com publicidade. Em uma carta publicada no Instagram, Deolane Bezerra afirma ser vítima de uma “grande injustiça” e nega ter cometido qualquer crime nesse sentido.
A advogada é acusada de falsidade ideológica e associação criminosa.
Nova ordem de suspensão vem depois da volta do funcionamento da rede social, na última quarta-feira, 18
Notificação foi enviada a 20 mil operadoras do país | Foto: Starline/Freepik
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) enviou notificação a 20 mil provedores e operadoras de internet na noite da quarta-feira 18 com uma ordem para bloquearem o Twitter/X no Brasil novamente.
A decisão veio depois que a rede social voltou a funcionar na manhã de quarta-feira para muitos usuários em várias partes do país.
O portal UOL informa que a Cloudflare teria dado apoio à Anatel e “isolado” o tráfego usado pela rede social de Musk de forma que o novo bloqueio seja possível sem afetar instituições e empresas que utilizam a mesma rede. A informação foi dada por um dirigente da Anatel de forma anônima, comunica o UOL.
Especialistas dizem que, na rede da Cloudflare, é impossível bloquear o Twitter sem afetar outras instituições.
Anatel teria o apoio da Cloudflare para bloquear Twitter/X sem suspender outros serviços | Foto: Reprodução/Twitter/X/@TeletimeNews
Desbloqueio ocorreu depois que Musk migrou rede social para Cloudflare
O Twitter/X passou a utilizar um serviço que age como “escudo” para proteger seus servidores. Conforme os provedores de internet, uma das empresas contratadas para essa proteção é a Cloudflare, que também oferece serviços para grandes empresas brasileiras, incluindo bancos.
Ao redirecionar o tráfego do Twitter/X por novas rotas, o serviço cria barreiras para o bloqueio do acesso à rede social, mesmo com a ordem judicial, dizem representantes da Associação Brasileira dos Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint).
“O X passou a funcionar com um novo software, que não está mais usando os IPs da rede social, mas da Cloudflare”, disse Basílio Rodríguez Perez, conselheiro da Abrint, ao jornal O Globo. “Não é uma coisa simples de bloquear. Eles fizeram uma modificação para tornar o bloqueio muito mais difícil.”
Basílio Rodríguez Perez ressalta que é “quase impossível” bloquear o Cloudflare sem restringir “uma série de serviços legítimos e necessários” que utilizam o sistema.
Desde que a mudança no registro do Twitter/X ocorreu, os provedores estão em contato com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para entender como realizar o bloqueio da rede, porque o IP registrado passou a ser o da Cloudflare.
Twitter/X voltou a funcionar na quarta-feira 18, depois de bloqueio feito pela Anatel em 30 de agosto
Ao longo da quarta-feira 18, usuários conseguiram acessar normalmente a plataforma por celulares. A Anatel disse que não houve alteração na decisão e mantinha a fiscalização. Já o STF, cujos funcionários disseram que era possível acessar a plataforma pelo servidor da Corte, alegou que a liberação era resultado de uma “instabilidade”.
O acesso ao Twitter/X está bloqueado no Brasil desde 30 de agosto por ordem de Moraes. Ele alegou que Musk descumpriu ordens de bloquear perfis e de manter um representante legal no Brasil, da qual foi “intimado” pela rede social, um procedimento anômalo no Direito brasileiro. Musk afirma que as ordens são ilegais e, portanto, não podem ser cumpridas.
No último dia 13, Moraes determinou a transferência direta de R$ 18,35 milhões das contas da Starlink e do Twitter/X no Brasil para os cofres da União. Os valores foram destinados para o pagamento das multas aplicadas à rede social e à empresa de internet via satélite do bilionário sul-africano. Mas isso não foi suficiente para Moraes desbloquear o Twitter/X.
As contas da Starlink estavam bloqueadas desde 29 de agosto, um dia antes de o Twitter/X ter suas atividades suspensas no Brasil. Na ocasião do bloqueio das contas, a empresa de internet divulgou um comunicado classificando a decisão como “inconstitucional”.