O ex-presidente Lula está de volta à cena do crime, de acordo com a descrição feita tempos atrás pelo próprio vice da sua chapa — eis ele aí de novo, aos 77 anos de idade, eleito presidente do Brasil pela terceira vez. Foi por pouco. Mas jogo que acaba em 5 a 0, ou 1 a 0, vale o mesmo número de pontos, e o que conta é o resultado marcado no placar do TSE. Após a campanha eleitoral mais desonesta que já se viu na história política deste país, com a imposição de uma ditadura judiciária que violou todo o tipo de lei para lhe devolver a presidência, o líder supremo da esquerda nacional volta a mandar no Brasil. Com ele não vêm “os pobres”, nem um “projeto de justiça social”, e nenhuma das coisas cheias de virtude de que falam as classes intelectuais, os parasitas que lhe dão apoio e a sua própria propaganda. Voltam a mandar os donos do Brasil do atraso — esses que querem manter os seus privilégios de 500 anos, não admitem nenhum governo capaz de atender aos interesses da maioria dos brasileiros que trabalha e exigem um “Estado” com poderes de Deus, e eternamente a seu serviço. São eles os que realmente ganharam. Conseguiram convencer a maior parte do eleitorado, segundo os números da autoridade que controla as eleições, que é uma boa ideia colocar de novo na presidência da República um cidadão condenado pelos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro. Começa agora o pagamento da conta — e quem vai pagar, como sempre acontece, são os brasileiros que têm menos.
Lula foi levado à presidência pelo colapso geral da Constituição e das leis brasileiras ao longo do processo eleitoral — resultado de uma inédita intromissão do alto Poder Judiciário, abertamente ilegal, em cada um dos passos da eleição. O fato objetivo é que a dupla STF-TSE, com o ministro Alexandre Moraes dando as ordens e Lula no papel de beneficiário único, fez tudo o que seria preciso para um observador neutro definir a disputa como uma eleição roubada — pode não ter sido, na contagem aritmética dos votos, mas com certeza fizeram o possível para dar a impressão de que foi. Basicamente, os ministros do Supremo Tribunal Federal e seu braço eleitoral, o TSE, montaram peça por peça um mecanismo desenhado para favorecer em tudo o candidato do PT. O primeiro passo foi a decisão de anular a lei, aprovada pelo Congresso Nacional, que permitia a prisão dos réus condenados em duas instâncias — como efeito imediato e direto dessa virada de mesa, Lula foi solto do xadrez de Curitiba onde cumpria há 20 meses a pena pelos crimes a que foi condenado na justiça. Em seguida veio o que deverá ficar na história como a sentença mais abjeta jamais dada nos 131 anos de existência do STF, do ponto de vista da moralidade comum e pelo princípio elementar que manda a justiça separar o certo do errado. Os ministros, simplesmente, anularam as quatro ações penais que havia contra Lula, incluindo as suas condenações — e, com isso, fizeram a mágica de desmanchar a ficha suja que impedia o ex-presidente de ser candidato. Não deram motivo nenhum para isso, não fizeram um novo julgamento em que ficasse provada a sua inocência, e nem o absolveram de coisa nenhuma — disseram apenas que o endereço do processo estava errado e, portanto, ficava tudo zerado. A partir daí, e até desfecho no dia 30 de outubro, o sistema STF-TSE passou a trabalhar sem qualquer disfarce para favorecer Lula e prejudicar o único adversário real de sua candidatura — o presidente Jair Bolsonaro.
A campanha eleitoral de 2022 foi uma fraude jurídica e política como jamais se viu neste país. O STF e os advogados de Lula, pagos com os bilhões do “Fundo Eleitoral” que foi extorquido do pagador de impostos, deram a si próprios o poder de violar as leis e a Constituição Federal para “defender a democracia” — e essa defesa, desde o primeiro minuto, foi fazer tudo para impedir que Bolsonaro ganhasse a eleição. A campanha se fez debaixo da pior censura imposta à imprensa desde o AI-5 do regime militar. A liberdade de expressão individual foi liquidada nas redes sociais. O TSE desviou para Lula, com desculpas de quinta categoria, tempo do horário eleitoral que pertencia legalmente a Bolsonaro. Houve trapaça direta, também — cerca 1.300 horas de mensagens devidas ao presidente em rádios do Nordeste simplesmente não foram levadas ao ar durante a campanha. O TSE não fez nada: a única providência que tomou foi ameaçar com processo criminal quem fez a queixa e demitir o funcionário que encaminhou a denúncia aos seus superiores. Inventaram, num momento especial de demência, multas de 150.000 por hora a quem não obedecesse aos decretos do sistema. O ex-ministro Marco Aurélio, até outro dia decano do STF, não teve permissão para dizer que Lula não foi absolvido de nada pela justiça brasileira; o homem é um jurista, mas não pode falar de uma questão puramente jurídica. Em outro momento extraordinário, Moraes proibiu que fossem mostrados vídeos em que ele próprio, Moraes, dizia que o PT fez um governo de ladrões — nos tempos em que não era o protetor de Lula, nem seu servidor. Proibiram uma foto em que Lula aparece com o boné usado por uma facção criminosa no Rio de Janeiro; na hora ele achou que era uma grande ideia, mas no fim os seus advogados decidiram que a coisa estava pegando mal e mandaram o TSE tirar. Uma ministra, para coroar este desfile de aberrações, anunciou em público que estava, muito a contragosto, violando a lei, mas só fazia isso de forma “excepcional” — porque tinham de impedir a reeleição de Bolsonaro e, com isso, salvar a “democracia”. Nunca se viu nada de parecido em nenhum país sério do mundo.
Mas é aí que está, justamente: o consórcio STF-TSE transformou o Brasil, do ponto de vista legal, numa ditadura de republiqueta bananeira em que eleição só é ganha por quem manda. Volta a vigorar, agora, o Brasil da senzala, com os donos do “Estado” no papel de senhores de engenho e com a população escalada de novo para trabalhar, pagar imposto e sustentar a casa-grande. Sabe-se, desde sempre, quem é essa gente. São as múltiplas modalidades de parasitas do Tesouro Nacional — dos que estão diretamente instalados dentro da máquina estatal até os que se servem dela para ganhar a vida sem risco, sem competição e sem trabalho. São as empreiteiras de obras públicas, que governaram o país nos quase 14 anos de Lula-Dilma e agora voltam ao Palácio do Planalto — a turma do “amigo do amigo do meu pai” e você sabe muito bem quem mais. São os eternos donos das estatais, que passaram esses últimos quatro anos longe delas — um desastre que jamais tinham experimentado antes. Foi um período em que as estatais deram lucro; o que poderia haver de pior para quem ganha bilhões com os seus prejuízos, como foi regra na era PT? São, obviamente, os ladrões do erário público — esses mesmos que confessaram livremente os seus crimes na Operação Lava Jato, devolveram fortunas em dinheiro roubado e fizeram do governo Lula, com base em provas materiais, o mais corrupto da história do Brasil. São os advogados criminalistas que defendem corruptos e o crime organizado. É a mídia, que voltará a receber verbas bilionárias em publicidade oficial pagas com dinheiro dos impostos; só a Globo, nos governos do PT, levou R$ 7 bilhões em valores corrigidos.
A vitória da associação Lula-STF é a vitória do Brasil da licença-prêmio, dos aumentos automáticos para o funcionalismo público e dos “penduricalhos” que fazem as castas mais elevadas do judiciário terem salários mensais de R$ 100.000 ou mais, sempre com uma explicação legal para isso. Ganham, com Lula, os 12 milhões de funcionários públicos de todos os níveis — é uma população inteira de eleitores, e a maioria vota no PT, por questões elementares de interesse pessoal. (No governo de Bolsonaro o número de servidores federais foi o menor desde 2011; alguma surpresa que Lula tenha aí um dos seus principais reservatórios de voto?) Ganham o “imposto sindical” e os proprietários de sindicatos, que enriquecem metendo esse dinheiro no próprio bolso. Ganha o “consórcio do Nordeste”, um bloco de governadores formalmente acusado de agir como organização criminosa durante a covid. Ganham os vendedores de navios-sonda para a Petrobras, que não extraíram uma gota de petróleo — mas embolsaram bilhões de reais até, convenientemente, suas empresas irem à falência. Ganham os artistas, ou quem se apresenta como tal, que em vez de público têm verbas do Estado, por força da infame “Lei Rouanet”. Ganha, em suma, o Brasil do antitrabalho — as classes que não admitem o mérito, o esforço e o talento individuais como a base da prosperidade pessoal, do crescimento econômico e da igualdade social. Em vez disso querem “políticas públicas” que sustentem o seu conforto e, como sempre, deixem a pobrada exatamente como está, com umas esmolas e a ficção de que “o governo” morre de preocupação com eles.
Não há, a partir de agora, grandes notícias a esperar na economia. Lula, pelo que ele próprio vem dizendo aos gritos e há meses, é contra tudo o que foi posto em prática por este governo e deu certo — a começar pelo surgimento de estruturas produtivas que abriram a possibilidade de uma economia menos dependente do Estado. Quer mais estatal, mais ministério e mais funcionário público. Acha que desrespeitar o teto legal de gastos do governo é fazer “política social”. Acha que combater a inflação é coisa “de rico”; para ele, pobre precisa de aumento salarial e dinheiro no bolso, mesmo que esse dinheiro não valha nada. Acha que a Argentina é um modelo de administração econômica; só não está dando certo por culpa do capitalismo. Acha que os invasores de terra do MST devem fazer parte do governo — e por aí vai a procissão. Seu passado, em matéria de economia, é um pesadelo em formação. Ele passa o tempo todo dizendo que o Brasil vivia feliz, ninguém era pobre e todo mundo viajava de avião; na vida real, os 14 anos de governo petista deixaram o país com a maior recessão de sua história, inflação à beira do descontrole, taxas inéditas de desemprego, estatais à beira da bancarrota e a falência múltipla dos serviços prestados à população. Também não se pode contar com qualquer melhora no combate ao crime. As taxas de criminalidade ao fim dos governos petistas foram as piores da história; desde que saíram, todos os índices só tiveram melhoras. Qual a surpresa? Lula é contra a polícia; disse, para efeitos práticos, que os policiais não são seres humanos. Tirou foto com o tal boné de bandido numa favela governada pelo crime no Rio de Janeiro. Diz que é um absurdo prender “meninos” que roubam um mero celular — e mais uma porção de coisas do mesmo tipo. Pode-se contar com o pior, também, em matéria de transferência de dinheiro público brasileiro para a “América Latina”. Lula diz, o tempo todo, que os seus grandes modelos de sociedade são Cuba, Venezuela e Nicarágua. Proibiu, via TSE, que se dissesse que ele vive um caso de amor político com essas ditaduras, porque achou que isso não ficava bem na reta final da eleição, mas só provou a sua hipocrisia; é a favor, sim, e quis esconder que era até ser eleito. A partir de janeiro de 2023, esses três, mais Argentina, Chile, Colômbia e Bolívia, terão acesso de novo aos cofres do BNDES, à diretoria da Petrobras e aos US$ 400 bilhões que o Brasil mantém nas suas reservas internacionais. Por que não? Lula, o PT e o seu entorno acham que é bom juntar-se a países que são notórios perdedores; imaginam que vão ficar mais fortes, quando estão apenas somando os problemas dos outros a todos aqueles que o Brasil já tem.
Muito se falou, entre um turno e outro, no crescimento da direita e do “bolsonarismo” dentro do Congresso. As almas mais otimistas têm imaginado até que a nova composição da Câmara, e principalmente do Senado, poderia servir de freio para os desastres anunciados por Lula, pelo PT e pelo que passa por sua “equipe econômica”, sem contar o MST e outros componentes tóxicos. No Senado, em especial, os candidatos de Bolsonaro ficaram com a maioria das vagas em disputa nesta eleição — e isso poderia, quem sabe, abrir uma perspectiva de oposição à ditadura do STF, cujos ministros dependem dos senadores para continuar sentados nas suas cadeiras e nas suas canetas. Impossível não é. Mas também não parece provável, levando-se em conta o que mostra a experiência — deputado e senador brasileiro só fazem oposição de verdade a governo morto, como aconteceu com Dilma Rousseff. O Congresso não manda nada hoje; com Lula na presidência, promete mandar menos ainda. Obedece de olhos fechados, hoje, tudo o que o STF manda; no seu momento mais infame, concordou com a prisão ilegal de um deputado federal, por ordem e vontade de Alexandre Moraes, um caso sem precedentes na história da República. Por que iria enfrentar o STF com Lula, se não enfrenta nem com Bolsonaro?
Se o presidente tivesse ganhado, a história poderia ser diferente — seus senadores assumiriam com o dobro da força política, e os ministros poderiam se ver diante de um perigo real. Com Lula no governo, porém, o STF está com a vida ganha; não deve ser mais o que é hoje, quando manda em tudo, mas a lagosta fica garantida. O fato é que o grande objetivo do STF foi alcançado — tiraram Bolsonaro do Palácio do Planalto, depois de quatro anos inteiros de sabotagem e de oposição declarada a seu governo. Agora os ministros vão trocar o passo; em vez de dar ordens ao presidente, estarão a seu serviço. Foi assim durante toda a caminhada que levou Lula de novo à presidência. Por que ficariam contra, agora que ele ganhou? O Congresso, hoje, pode decidir o que quiser — é o STF quem diz se a decisão vale ou não vale. Vai continuar dizendo — só que, daqui para a frente, os ministros vão querer o que Lula quiser, e só vai valer aquilo que ele decidir que vale.
Lula tem desde já uma explicação pronta para todo e qualquer fracasso do seu governo — será culpa da “herança maldita” de Bolsonaro, assim como já foi com a “herança maldita” que recebeu de seu atual admirador Fernando Henrique Cardoso, como disse na época. É exatamente o contrário, num caso e no outro. Agora, em especial, ele vai receber uma casa em excelente situação — infinitamente melhor que as ruínas que sua sucessora Dilma deixou ao ser deposta da Presidência pelo Congresso Nacional. Mas e daí? Ele estará de volta ao que seu vice definiu como o local do crime. Pode começar tudo de novo.
É isso mesmo que você leu: eu vou votar no Bolsonaro não apesar de ser de esquerda, mas exatamente porque sou. Questões que para mim sempre foram sagradas –distribuição de renda, reforma agrária, esgoto, acesso dos pobres à cidadania financeira, redução do poder e lucro dos megabancos, publicidade governamental (ou o uso de dinheiro público para comprar apoio na mídia), legalização da cannabis medicinal, fim da corrupção aparelhada e sistemática, levar água ao Nordeste, homicídios, diminuição de juros, taxação de dividendos– todas essas questões melhoraram no governo de Bolsonaro, e ainda assim ele é alvo da unanimidade mais estapafúrdia entre os tipos mais repulsivos. Eu só vi multidão tão coesa e repelente uma vez antes –no impeachment da Dilma, um jogral bem conduzido do qual eu também desconfiei, e contra o qual me posicionei publicamente.
Já se sabe há tempos que a unanimidade é burra, mas ela só é burra na base que sustenta a pirâmide. No topo, entre as elites, a unanimidade é sempre muito astuta. Eu vou votar contra a chapa Lula-Alckmin porque ela não é apenas uma representante do establishment –ela é a materialização do maior conluio corporatocrata já visto numa campanha política.
A coisa é tão surreal que parece comédia. A elite toda está com Lula, em todos os níveis do Consenso Inc –o cartel não-oficial mas extremamente síncrono entre empresas, mídia, acadêmicos, especialistas, artistas e influencers que se manifestam a favor das mesmas coisas, frequentemente da mesma maneira, às vezes com as mesmas palavras, e sempre ao mesmo tempo, dominando o discurso político e a agenda midiática.
Muitos acreditam que esse é o crap-de-la-crap do establishment esquerdista, mas esse grupo não é de esquerda. E nem The Economist é esquerdista. Apesar do apelido dado por direitistas à revista (The Ecommunist), ela é um dos mais antigos representantes do grande capital.
O que estamos vendo não é esquerda nem direita, mas um aglutinado que conseguiu unir o pior dos 2 lados: de um lado, um capitalismo sem limite que permitiu a poucas empresas ter mais poder do que vários países e exércitos, eliminando a mera possibilidade de concorrência e assim interditando o livre mercado; do outro lado, um estatismo que sustenta esse monopólio e por ele é sustentado e mantido no poder.
A “esquerda” que tomou conta do Brasil é formada por formadores de opinião. Esses espalhadores de dogma, preconceito e condenação moral estão bem abaixo do topo da pirâmide, mas ganham“mucho dinero”, favores e pertencimento para convencer quem está ainda mais abaixo a prestar atenção apenas no que não ameaça quem está acima. Essas celebridades vendem convicção política como quem faz anúncio de presunto, e professam sua preferência com a mesma desfaçatez. Elas só conhecem a favela por clipes de música, e só veem a pobreza quando a gravação do programa é feita no local.
Essa esquerda é como uma fita de Möbius da lógica política, porque ela se faz de pobre por dinheiro. E ela foi sintetizada com perfeição nesse gráfico do TSE em que o jornal Nexo mostra “os maiores doadores das eleições de 2022”. Quem recebeu a maior “doação” dos grandes banqueiros foram PT e PSOL, mas não condeno esses bilionários. Se eu fosse eles, também “doaria” para quem tem mais probabilidade de retribuir a gentileza.
A criação do Pix por si só já seria razão para Bolsonaro merecer o ódio dos banqueiros. Como conta a CNN, só em 2021, o Pix retirou em receita R$ 1,5 bilhão dos maiores bancos do Brasil. Não suponho que esses bancos estejam sofrendo no governo Bolsonaro, mas certamente não ganharam tanto como na piada mais triste da tragicomédia brasileira: aquela em que o então presidente Lula “cancela” a dívida do Brasil com o FMI, e a transfere para bancos nacionais que cobram juros muito mais altos, aumentando nosso débito, em vez de diminuí-lo.
“A dívida que era externa passou a ser interna, com a diferença de que os juros passaram da casa dos 4% para a casa dos 19%”, diz Maria Lucia Fattorelli, economista e ex-auditora da Receita Federal que criou a ONG Auditoria Cidadã e é respeitada o suficiente para ser consultora oficial de governos de países endividados, como o Equador e a Grécia.
Foi fácil “repaginar” essa história para um povo que consome política como publicidade –em spots de no máximo 30 segundos. Em vez de ser reconhecido como alguém que renegociou a dívida do Brasil para cima, Lula virou oanti-imperialista que quitou a dívida com o FMI e libertou o Brasil das amarras dos banqueiros internacionais.
Não foi só o Pix de Bolsonaro que empoderou o pobre. Houve algo ainda mais transformador e sem precedente num dos países com a burocracia mais kafkiana do mundo: da noite para o dia, mais de 11 milhões de pessoas até então invisíveis se tornaram cidadãos com a regularização do seu CPF, feita para que recebessem o auxílio emergencial de R$ 600.
Não tenho esperança nenhuma que a esquerda gourmet entenda como a vida de pessoas pobres ficou infinitamente mais fácil depois que passaram a ter o poder de pagar e receber dinheiro de forma simples. A esquerda capaz de entender isso já morreu, ou trocou seus valores por 30 moedas. Poucos acadêmicos no Brasil têm a coragem –e a abnegação material– de tratar desse assunto, como faz o antropólogo Diogo Oliveira nesta entrevista.
Grande parte dos “intelectuais” é paga para não pensar, não ver, não falar. Mas existem aqueles que se abstêm dessas atividades de graça mesmo, sem qualquer benefício tangível. Por isso os influenciadores da pirâmide do consenso são tão importantes –porque essa minoria faz por dinheiro o que uma maioria vai repetir de graça, sem incentivo nenhum. Essas pessoas obedecem a ditames políticos da mesma forma que escolhem sua roupa –achando lindo o que seus superiores decretam ser bonito.
Em outras palavras, não exijo muito da pessoa que exige ser tratada por “elu” e “todes”. Acho quase impossível que ela consiga entender a magnitude do verdadeiro empoderamento de um zé ninguém que virou alguém ao ter documentos que comprovam sua existência. Claro que o Elu poderia se preocupar com o Zé Ninguém tanto como se preocupa com pronomes, mas isso nunca vai acontecer. Primeiro, porque a Atenção e o Tempo são recursos finitos, limitados –se você olha para um lado, deixa de estar olhando para outro.
Mas existe uma razão que aumenta ainda mais a distância entre Elu e Zé Ninguém: o Zé passou por uma reclassificação obrigatória, e foi compulsoriamente arrancado da categoria de “pobre” (o que lhe conferia alguma empatia), para ser rebaixado à condição de macho branco hétero (o que lhe garante o ódio). Zé é o intocável no novo sistema de castas da esquerda, e se votar para Bolsonaro passa também a ser fascista e ser finalmente eternizado como não-pessoa.
Como pobre, Zé carecia de culpa; como macho, branco e hétero, Zé já nasce com ela. Essa crença é poderosa, e virou uma religião tão tirânica quanto os cultos mais fanáticos. Só que o identitarismo é mais perigoso do que as religiões mais tirânicas, porque ele é uma religião de fato mas não em nome, e assim pode ser implantada por um Estado que deveria ser laico. A separação entre Estado e Igreja é crucial porque o governo –um poder físico, exercido sobre o corpo material– passa a ser uma potência avassaladora quando ultrapassa o mundo tangível e exerce controle sobre valores morais, éticos, filosóficos e espirituais, invadindo os recônditos mais interiores de um ser-humano outrora livre.
Esse fanatismo laico foi adotado no mundo inteiro pela nova esquerda, mas ele é financiado no mundo inteiro pelo velho capital. É fascinante observar como isso não é observado por pessoas que costumavam parecer inteligentes. O ceticismo que lhes estufa o peito é o mais crédulo de todos, porque jamais questiona o que é sancionado pela elite.
Desde adolescente eu já suspeitava que a confissão na Igreja Católica provavelmente existiu para acumular kompromat e ter poder sobre pessoas poderosas. E durante meu mestrado no Oriente Médio, discuti com pessoas de mente aberta a minha teoria de que as 5 orações muçulmanas provavelmente serviram como estratégia militar, assegurando ao invasor o conhecimento antecipado da localização da maioria dos homens da vila ou tribo, em horários específicos e sabendo com exatidão para que lado os adversários estariam voltados.
A religião do identitarismo tem o mesmo propósito de controle, mas não tem nenhum dos benefícios espirituais e metafísicos das crenças que dão alento e paz. Ao contrário. E ela é mais insidiosa porque funciona da forma mais econômica, remota e eficaz: ela comanda o indivíduo por dentro. Esse fanatismo identitário está causando estrago, e foi usado para humilhar duas jornalistas brasileiras, que aceitaram sua punição da forma mais vergonhosa possível: ajoelhando no milho em frente às câmeras e pedindo desculpas por pecar, numa cena reminiscente das sessões de autoenvergonhamento na China maoísta.
Para influenciadores que compram suas preocupações sociais nas melhores lojas, e para os influenciados que aspiram ao mesmo posto, empoderamento é tudo aquilo que não ameaça o poder de nenhum poderoso –mas ameaça de forma velada e permanente todas as outras pessoas. Todo mundo é inimigo de todo mundo, e as letrinhas vão ter razões infinitas para brigar eternamente: L contra G, B contra T e por aí vai até acabar o alfabeto. Isso não é um efeito colateral –o propósito do identitarismo é exatamente esse. Quem estuda história sabe que este é o truque mais antigo para garantir a segurança do rei: manter os súditos brigando entre si. E Lula sempre soube disso, e usou a técnica com primazia atiçando negro contra loiro de olho azul, nordestino contra sulista. Mas o identitarismo tem outras vantagens, e uma delas é enriquecer os mesmos de sempre.
A “pobreza menstrual” é um ótimo exemplo de como o Consenso Inc consegue criar um problema, e depois magicamente oferece uma solução que fortuitamente lhe garante milhões em dinheiro público. Não é por acaso que a compra estatal de absorventes foi defendida de forma tão imediata por “jornalistas”, “especialistas”, celebridades, políticos. Quando o maestro é Mamon, os músicos tocam afinados sem precisar de partitura.
Aqui, no artigo O sangramento coletivo e a pobreza mental, eu mostro como uma jornalista –alguém que deveria estar questionando o poder– cita pesquisa de uma ONG financiada pelos próprios fabricantes de absorventes como evidência de que a pobreza menstrual é um dos maiores problemas do país. Essa pessoa também tenta sugerir que eu sou uma decepção para as mulheres (snif snif) por não apoiar um projeto tão lindo. O identitarismo é assim: ele tem mil e uma utilidades, e o enriquecimento do topo da pirâmide é apenas uma delas.
A esquerda de Lula e a corporatocracia se tornaram inseparáveis no capitalismo de Estado, o sistema que une o pior do capitalismo com o pior do comunismo. Um exemplo que deixa esse esquema bem claro são os remédios que supostamente ajudam a prevenir a Aids, mas são tão ineficazes que obrigam o usuário a continuar se protegendo com camisinha. Parece até coisa de vacina que não previne o contágio, que quanto menos funciona, mais vende.
Veja como a coisa acontece: nos Estados Unidos, suposta “meca do capitalismo” onde “não existe almoço grátis”, nos últimos anos o governo pagou cerca de US$ 2.000 por mês por todo usuário que quisesse tomar o PreP até o fim da vida sexual. Esse remédio –que coincidentemente também não promete evitar o contágio– pode ter tantos efeitos colaterais perigosos que criou uma outra indústria, porque usuários do PreP são obrigados a medir sua creatina e outros marcadores de saúde todos os meses, sem falta, até o fim da vida sexual. Eu falo sobre esse esquema no artigo “A Galinha dos Ovos de Aids”.
Nas palavras do próprio fabricante, o Truvada “pode ajudar a diminuir as chances de se infectar pelo HIV”. É frase para advogado nenhum botar defeito, porque a empresa não faz promessa nenhuma. Um remédio de eficácia tão dúbia só consegue fazer dinheiro desse jeito: sendo comprado no atacado pelo governo, o atravessador que pega o dinheiro de milhões de pagadores de impostos e o transfere para uma minoria bem pequena e amiga.
Por isso que o sociocapitalismo não quer distribuir dinheiro para os pobres –ele quer distribuir serviços, remédios, “vacinas”, absorventes higiênicos. Quando se dá dinheiro direto na mão do pobre, esse capital é redistribuído de forma orgânica, local, ajudando os pequenos negócios na rua do beneficiário, que vai comprar seus produtos na vendinha da esquina, na loja do bairro. Isso é a verdadeira distribuição de renda, e de fato favorece o verdadeiro livre mercado, sem favorecer os amigos do rei.
Mas os líderes da nova esquerda não querem isso. Eles preferem agir como representante comercial, porque assim ganham uma comissão, e em troca ajudam os monopólios que lhes ajudará a continuar no poder numa eterna escada de Escher, onde finalmente é legalizada a união civil de 2 inimigos que vêm dormindo na mesma cama desde sempre.
Eu levei muito tempo para descobrir que as maiores promessas do PT –exatamente aquelas que conquistaram meu voto– não passavam de um sanduíche de mortadela que o partido prometeu sabendo que não tinha nenhuma intenção de cumprir. Notem por exemplo o caso da reforma agrária. Como conta a revista Veja (link para assinantes), Bolsonaro entregou 400 mil títulos de propriedade rural a sem-terras em 4 anos, contra 265 mil títulos em todos os anos dos governos Lula e Dilma.
O desmatamento também foi “maior nos governos FHC e Lula”, segundo este artigo da Veja baseado em dados do Inpe. Mas outras traições de princípios foram particularmente chocantes para mim, como o fato de que foi no governo Lula que a Monsanto foi autorizada –por decreto presidencial– a finalmente entrar no Brasil. Como contou a revista The Economist em 2003, Lula por sorte estava viajando, e “sobrou para o pobre [vice-presidente José] Alencar a desagradável tarefa de assinar um decreto que pela primeira vez permitiu o plantio de culturas geneticamente modificadas no Brasil”.
Antes de eu continuar, permita-me deixar claro que eu não tenho o menor temor em ser odiada por agricultores bolsonaristas por criticar culturas geneticamente modificadas. Para mim, a Monsanto é a empresa mais putrefata da história, mais ainda que a própria Bayer, que a comprou. Full disclosure: eu menciono a Bayer (outrora parte da IG Farben, fabricante do Zyklon B) aqui neste artigo sobre como a empresa exportou para vários países (inclusive o Brasil) plasma sanguíneo que sabia estar contaminado com o HIV. Deixo aqui, para os curiosos, a resposta da Bayer ao meu artigo.
Entendo que o leitor que chegou até aqui talvez queira saber onde me localizo no espectro político para entender melhor meu voto. Mas não sou especialista em rótulos, e nunca tive qualquer compulsão em me definir. Jamais encontrei ideologia, filosofia ou religião com a qual eu concordasse totalmente, e ainda não foi inventado um grupo ao qual eu queira pertencer. Às vezes eu discordo até de mim, mas mesmo nos maiores duelos socráticos com o espelho, nunca fui capaz de me refutar nisso aqui: Mostre-me uma pessoa que concorda 100% com outra, e eu lhe mostro um idiota. Mas se servir de referência, o último teste ideológico que eu fiz (aqueles questionários na internet em que as respostas indicam a inclinação política), fui colocada no quadrante esquerdo da parte inferior: libertária de esquerda.
Sou a favor da legalização da maconha e da diminuição da responsabilidade penal; sou contra a saidinha dos presos e contra a retirada da câmera nos uniformes dos policiais; sou a favor do SUS e contra a obrigatoriedade de injeção de vacina que não imuniza; sou a favor da pena cumulativa (quanto mais crimes, maior a pena), mas sou contra a pena máxima, inclusive a pena de morte (jamais vou aceitar que o Estado tenha o poder de decidir quem morre e quem vive; e jamais vou aceitar que esse Estado –feito de seres-humanos falíveis– tenha o direito supra-humano de condenar de forma irreversível).
Por falar em segurança pública, tenho uma história que nos permite observar o vácuo cerebral necessário para a adoção de uma medida nas prisões com base puramente identitária. É sobre uma vez em que o Marcelo Freixo, do Psol, anunciou nas redes, com a costumeira fanfarronada, que iria acabar com a “revista íntima” das mulheres que visitavam os presos. Para Frouxo, era humilhante que as mulheres tivessem que se despir e agachar para que fosse verificado que não estavam entrando na prisão com celular, drogas ou armas. Freixo deve ter lido meu trabalho de fim de curso contando o que vi nos meus 2 dias no Carandiru. Tem uma passagem sobre a revista íntima.
Pois bem, se essa esquerda fosse inteligente, e praticasse a dialética mais básica, Freixo teria percebido a estupidez mastodôntica da sua ideia e daquele identitarismo performático. Aqui vai o que Freixo deixou passar batido, até eu avisa-lo no Twitter: com o fim da revista íntima, as maiores vítimas dessa ideia apalermada seriam as mulheres dos presos, que passariam a ser obrigadas a entrar com tudo que o presidiário lhe pedisse, já que elas já não teriam a revista íntima como justificativa para não cumprir a missão.
Com um raciocínio digno de um cérebro cimentado de supostas boas intenções, Freixo ia tirar de todas as mulheres a única desculpa aceitável para não entrar com objetos ilegais na prisão e não ser assim, punida pelo parceiro. (P.S meus tweets explicando isso pro Frouxo foram respondidos com um block. Curiosamente, também fui bloqueada exatamente pelo cara que, se isso fosse um filme, seria o irmão gêmeo do Freixo num universo paralelo, Flavio Bolsonaro.)
Voltando ao decreto que permitiu a entrada da Monsanto no Brasil, a própria Economist admite que o Brasil tinha em 2003 uma produção de soja invejável, com ótimas chances de competição no mercado europeu, onde grande parte dos países recusa produtos geneticamente modificados. Essa era uma vantagem da agricultura exportadora brasileira, já que nossos maiores concorrentes eram os EUA, onde “80% da soja é geneticamente modificada, e a Argentina, onde quase toda a produção é”. Agora, infelizmente, não temos mais essa vantagem competitiva.
Aqui a BBC também fala da decepção de ecologistas com a traição do PT em sua promessa de proteger o cultivo de plantas naturais, aquelas que Deus ou a natureza nos deu igualmente a todos, e que agora são patenteadas, propriedades de monopólios privados. Aliás, pausa para um comunicado importante: assistam o filme “Percy vs Goliath”.
Por falar em soja geneticamente modificada, vale lembrar que um dos maiores produtores do mundo, Blairo Maggi, declarou apoio à candidatura de Lula. Eu também apoiaria se tivesse sido levada a Cuba em visita oficial do então presidente do Brasil. E também apoiaria depois daquela liberação do geneticamente modificado. Lembra o que falei do capitalismo de Estado que favorece grandes monopólios e ajuda a eliminar os pequenos da competição? Pois é. Vale ler este artigo da Examesobre a produtiva viagem.
Eu poderia passar horas explicando por que me arrependo de ter votado algumas vezes no Lula e no PT. As razões são muitas. Neste artigo (link para assinantes) para a Folha, por exemplo, o jornalista Rubens Valente conta que o governo do PT “tornou secretos os documentos que tratam de financiamentos do Brasil aos governos de Cuba e Angola”. Nós, que pagamos por esses financiamentos, vamos ter que esperar até 2027 para saber como nosso dinheiro foi gasto.
Aqui, o G1 diz em 2010 que dados oficiais do IBGE mostravam que 65,5 milhões de brasileiros não tinham alimento suficiente, o que correspondia na época a 34,2% da população. Eu até gosto da promessa de picanha com cerveja, mas se o PT não conseguiu garantir nem a comida essencial naquela época, por que garantiria agora, quando vai ter que pagar pelo apoio de tantos inimigos, recompensar tantos conchavos espúrios, premiar antigos adversários pelo recente juramento de amor?
Por falar em inimigos, aqui está mais outra razão pela qual vou votar no Bolsonaro: a associação de Lula com tantas pessoas que o odeiam e são odiadas por ele, gente que lhe chamou de ladrão, criminoso, canalha, bandido. Não tenho como acreditar que uma coalizão com tanto ódio e desprezo mútuo seja algo saudável, produtivo, conducente a um governo eficiente e honesto. Algumas declarações de antigos inimigos do Lula são tão duras e chocantes, que prefiro não imaginar o que causou transformação tão radical. Deixo aqui, em favor de uma história que vem sendo sistematicamente reescrita, editada ou simplesmente apagada, uma coletânea de frasesdo influenciador Felipe Neto sobre seu candidato.
O próprio vice de Lula, Geraldo Alckmin, do PSDB ao qual eu me filiei pelas mãos de Mario Covas, foi chamado pelo PT de “ladrão de merenda”, enquanto Alckmin disse que Lula seria candidato para poder “voltar à cena do crime”. Aqui, no site oficial do Partido dos Trabalhadores , ainda é possível ver o que o PT falava de Alckmin e da “máfia da merenda”. É impossível saber disso tudo e não imaginar que os 2 lados provavelmente sempre tiveram razão, e finalmente deixaram as desavenças de lado para aperfeiçoar suas técnicas e melhorar seus resultados.
A estranha mancomunação entre o “criminoso” e o “ladrão de merenda” é o tipo de problema que se resolve em si mesmo, porque isso é uma verdade auto evidente, um axioma inegável que contém em si a acusação e a admissão, e encerra todas as dúvidas na sua verificação mútua. Não é preciso qualquer elocubração –Lula já foi descrito por Alckmin, e Alckmin já foi definido por Lula, e ambos estão juntos, de mãos dadas, confirmando a veracidade um do outro.
Entre minhas infinitas razões para não votar no Lula, as mais relevantes são também aquelas que não precisam de verificação alguma, porque me foram dadas pelo candidato com suas próprias palavras. Não estou me referindo a quando Lula disse que Pelotas é “polo exportador de viado”, nem quando ele afirmou que a ideia de banheiro unissex “só pode ter saído da cabeça de Satanás”, muito menos quando Lula fez uma lista de coisasque considera fake news e “absurdas”, onde incluiu quem “nasceu mulher e depois virou homem” junto com as afirmações “vaca voa” e “cavalo tem chifre”.
Nada disso me interessa, nem para ser usado contra aquele que eu desprezo. Deixo esse tipo de arjumento para as pessoas de mente mais simplória, que precisam se ater à forma porque não têm profundidade para examinar a substância. Se fosse para competir na seara das palavras, mesmo no que trata de homossexualismo, até nesse quesito meu voto iria para Bolsonaro. Com convicção.
Este vídeo aqui, por exemplo, obliterado da realidade porque desmente a propaganda que hoje se traveste de jornalismo, mostra o “genocida fascista” pedindo permissão para fazer um aparte ao então integrante do Congresso Nacional assumidamente gay, Clodovil. Bolsonaro explica que está fazendo o aparte em sinal de respeito, porque muitos colegas de Clodovil no Congresso se recusariam a debater com ele por “preconceito”. Para Bolsonaro, o homossexual Clodovil merecia sim ser enaltecido por ser “honesto”, e porque sua “pureza se assemelha à de crianças”. Vale a pena ver o vídeo e entender como estamos vivendo numa câmara de privação sensorial construída por um consenso midiático homogêneo e extremamente desonesto.
Preciso terminar este calhamaço, então deixo aqui links que explicam as duas maiores razões para eu nunca mais cometer o erro de votar no Lula, ou no PT. No 1º vídeo, Lula diz: “Você não vai poder ir para lugares públicos”, “você não vai poder estar com gente”, “você não pode visitar parente”, “você não pode receber sua mãe, você não pode receber seu filho, você não pode receber seu neto”. Imagina um capitalismo de Estado em que o governo não só compra com meu dinheiro produtos que eu não preciso usar, mas ainda usa a sua força e a privação da minha liberdade para me obrigar a usá-los. O que aconteceu com “meu corpo, minhas regras?” Ora, o de sempre: isso nunca foi pra valer, era só um slogan. Para essa esquerda, o aborto é sobre o corpo da mulher– mesmo em se tratando de uma 2ª vida, individual, que não escolheu nascer e está ali por causa de quem a fez; mas quando se trata de obrigar uma vacina que não garante a proteção do vacinado nem o impede de contaminar, essa esquerda de obsequiosidade bovina acha que devemos conceder ao Estado o direito de privar nossa liberdade.
Esse povo passivo me dá mais medo do que um povo revolucionário, porque ele aceita coisas que ferem até princípios genuínos, aqueles que eles de fato possuem. Um exemplo é a escravidão. Não conheço uma só pessoa que a defenda, creio que nem no seu íntimo. Ainda assim, um povo inteiro foi feito cúmplice no que é para mim o maior ato de escravidão já cometido em solo brasileiro desde a abolição –o envio pelo governo de Cuba de médicos sob sua tutela e controle, proibidos do livre ir e vir, e tendo que dar a maior parte do seu salário (pago pelo cidadão brasileiro) para a ditadura Cubana, como faria com um cafetão.
A engenharia financeira aí é obviamente negativa para o pagador de imposto brasileiro, mas acima de tudo ela é sórdida. O povo brasileiro pagou um salário alto por cada médico, mas recebeu em troca um médico “que vale menos”, coagido a fazer muito por pouco, e dar a maior parte do seu salário para seu dono, uma ditadura, que por tabela, portanto, passa a ser financiada pelo pagador de impostos brasileiro. Raramente vi uma história tão funesta, e uma imoralidade tão injustificada.
O outro vídeo mostra Lula prometendo que vai regular a mídia, com ameaças ao whatsapp e várias menções ao controle da internet. É fascinante ver essa promessa vinda de quem foi tão eficiente em controlar a mídia com o meu dinheiro, pagando milhões pela parcialidade da imprensa, digo, pela publicidade na imprensa. Veja a diferença gigantesca entre o que Lula e Bolsonaro gastaram (investiram) com a mídia, e entendam como é construído o consenso a favor, e o consenso contra: “De 2000 a 2016, o grupo Globo recebeu R$10,2 bilhões em publicidade federal”. Até ler este artigo, eu não fazia ideia que meus impostos estavam sendo tão cruciais no pagamento dos condomínios daquelas lindas coberturas na Lagoa ocupadas por atores globais. Esse total em 17 anos dá um gasto médio de R$ 600 milhões por ano.
Compare isso com Bolsonaro. Na reportagem em que a revista Veja conta que em 2021 a Globo“voltou a ser a número um em propaganda oficial,”, o governo Bolsonaro pagou à emissora um total de R$ 65 milhões.
Para finalmente terminar, existe uma razão maior, uma causa suprema contra a qual não existe argumento que possa me dissuadir de votar em Bolsonaro. É este aqui: eu só voto em presidente que eu possa criticar.
O Brasil caminha para o segundo turno das eleições, aquele que vai decidir quem será o presidente do país nos próximos quatro anos, sob o controle de uma ditadura. É algo inédito na história nacional — uma ditadura exercida não por um ditador com o apoio do Exército, mas pelo Supremo Tribunal Federal, o TSE, sua principal ferramenta nesta eleição, e os fungos que se espalham à sua volta nos palácios de paxá onde se hospedam os “tribunais superiores” de Brasília. O fato de não ter existido uma coisa dessas até agora, naturalmente, não muda em nada sua essência de tumor maligno; é ditadura nova, mas destrói a democracia como qualquer ditadura velha. STF e TSE fazem hoje o que bem entendem com o cidadão brasileiro, sem controle de ninguém — e isso inclui acima de tudo, neste momento, colocar Lula de novo na presidência da República. Está valendo qualquer coisa, aí. Os atuais proprietários da cúpula do Poder Judiciário decidiram que Lula tem de ser declarado vencedor da eleição do dia 30 de outubro, de qualquer jeito. É a única conclusão que aceitam para as atividades de militância política que têm exercido nos últimos anos. Os ministros e as forças que giram em volta deles, na verdade, vêm dando o seu golpe de estado desde 2018 — quando decidiram não aceitar a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais e passaram a destruir as leis para expulsar o seu inimigo da política brasileira. Chegaram, agora, ao momento decisivo do seu projeto.
O último surto de violência da ditadura STF-TSE foi rasgar da forma mais primitiva que se possa imaginar a Constituição Federal do Brasil: censuraram, sem a mínima tentativa de disfarçar o que estavam fazendo, e sem o mínimo apoio em qualquer tipo de lei, o diário Gazeta do Povo, que circula há mais de 100 anos e comete o crime, hoje, de ser um veículo independente, afastado da esquerda, do “consórcio nacional de veículos” e dos seus sonhos de impor ao Brasil a imprensa de um jornal só. A Gazeta publicou no Twitter, como haviam feito outras postagens, notícias sobre a expulsão da rede CNN da Nicarágua, e registrou as maciças ações de repressão feitas pela ditadura local contra a religião e os religiosos. Lula não gostou: vive há anos uma paixão tórrida com o ditador Daniel Ortega, e ficou com medo de que a tirania do companheiro pudesse lhe tirar algum voto no segundo turno, este mesmo que ele diz que já ganhou. Não gostou e correu ao TSE para pedir censura contra a Gazeta do Povo — alguém poderia achar que ele, sendo um admirador tão declarado do ditador, seja também um admirador dos atos da sua ditadura. Foi atendido na hora, é claro, como em tudo o que exige dos ministros do alto judiciário. Tem sido assim desde o primeiro dia da campanha eleitoral; Lula manda, o TSE obedece. Vai ser assim até o último. Isso é democracia ou é ditadura?
Uma coisa é certa: depois que começa um processo de destruição das liberdades, as tiranias nunca devolvem o que tiraram
É da essência das ditaduras fazer coisas exatamente como essa; ao mesmo tempo em que agridem grosseiramente as leis, colocam de pé, peça por peça, um absurdo em estado puro: proibiram a Gazeta do Povo de divulgar fatos absolutamente públicos, no mundo inteiro, e já apresentados em toda a mídia mundial. Como transformar em coisa secreta algo que milhões de pessoas já estão sabendo? É como Dilma com a sua pasta de dente — depois que saiu do tubo, não há como pôr de novo para dentro. Nada mais natural, nesta mesma falsificação desesperada das realidades, do que o delírio judicial de negar o encanto mútuo Lula-Ortega. O ministro que obedeceu à ordem de Lula, neste caso da Nicarágua, sustentou que a publicação das informações e opiniões censuradas podia dar a impressão — imaginem só, “dar a impressão” — que Lula apoiaria o ditador; isso seria “inverídico”. Como assim — “inverídico”? Há vídeos gravados com os elogios de Lula a Ortega. O PT soltou, até mesmo, uma nota oficial de apoio ao tirano e à sua tirania. O que mais o TSE e os seus ministros querem? O fato é que Lula dá as ordens, com uma arrogância que o regime militar nunca chegou a ter, e o TSE obedece — o resto é pura invenção.
É preciso um esforço sobrenatural para se ter confiança na limpeza de uma eleição feita desse jeito — e, de qualquer modo, como se podem esperar eleições democráticas numa ditadura? O STF, a esquerda e o vasto consórcio que vai da mídia aos empreiteiros de obras e aos banqueiros socialistas montaram um embuste para retomar o poder que haviam perdido. Começaram, desde a eleição de 2018, a dizer que Bolsonaro iria “destruir a democracia”; para salvar o Brasil deste horror, então, os ministros do STF passaram a violar de forma sistemática as leis, para perseguir o governo e seus adeptos, e a dar cada vez mais poderes a si próprios. Disso resultou a ditadura que temos hoje aí. Ainda não tem tudo aquilo que uma ditadura precisa, como nas Nicaráguas e Cubas que as supremas cortes colocaram sob sua proteção por determinação de Lula. Mas uma coisa é certa: depois que começa um processo de destruição das liberdades, as tiranias nunca devolvem o que tiraram — ao contrário, vão tirando cada vez mais. Lula, mesmo sem ter o seu precioso “controle social sobre os meios de comunicação”, já pratica a censura agora; proíbe notícias sobre a Nicarágua e é obedecido no ato. E depois que for presidente — por acaso vai de parar de censurar? Vai ouvir democraticamente as críticas e as informações que o desagradam? E os seus parceiros dos tribunais superiores? Eles violam a lei e a Constituição agora. Vão parar de fazer isso depois do dia 30 de outubro? Todos aí — Lula, STF e quem mais está do seu lado — se convenceram, da maneira mais conveniente para eles todos, que para salvar a democracia é preciso destruir a democracia todos os dias. É uma fraude, mas está dando certo — parar por que, então?
A ditadura pode não estar completa, mas já tem o seu currículo de obras. Fazem censura, como no caso da Gazeta do Povo. Pressionam, exatamente pelos mesmos motivos, o programa Os Pingos nos Is, da Rádio Jovem Pan. Mandam a polícia às 6 horas da manhã invadir residências e escritórios de cidadãos cujo delito foi conversar entre si num grupo particular de WhatsApp.
“Desmonetizam” quem apoia o governo nas redes sociais, ou fala mal do complexo Lula-PT. Prendem pessoas que não têm ninguém a quem recorrer — só ao próprio STF, o que transforma os seus direitos numa piada. Bloqueiam contas no banco para punir gente de “direita” — ser de “direita” passou, na prática do STF, a configurar infração penal. Prendeu durante nove meses um deputado federal em pleno exercício do mandato — por delito de opinião, o que é proibido de forma absoluta na lei, sem que ele tivesse cometido crime inafiançável e sem que fosse preso em flagrante na prática deste crime. Foi um triplo zero em matéria de legalidade. A ditadura do judiciário, a propósito, ignora até hoje o perdão legal que o deputado recebeu do presidente da República — proibiu a sua candidatura nessas eleições, é claro, e o impede de exercer os seus direitos de cidadão. Por que não poderia acontecer de novo, no minuto que Alexandre Moraes ou outro resolva? Ele tem a polícia debaixo das suas ordens diretas; num país em que as forças armadas têm armas, mas não têm autoridade para fazer nada, é mais do que suficiente para qualquer violência.
No Brasil fica na cadeia quem os ministros STF querem, e por quanto tempo quiserem
Fala-se muito, desde o dia da eleição, em crescimento do número de adeptos do presidente Bolsonaro no Senado — e a ”nova situação” que isso poderia trazer para o STF. Mas o que vale na vida real o mandato de um senador, ou de qualquer parlamentar eleito pela população brasileira? Não vale nada. Alexandre Moraes, ou algum barroso, fachin, etc. que anda por aí pode mandar a Polícia Federal prender qualquer senador, e na hora que lhe der na telha. A PF vai obedecer — hoje ela não cumpre mais as leis do país, cumpre apenas as ordens de Moraes, como numa capatazia de senzala. O presidente do Senado vai perguntar se o Supremo quer mais alguma coisa; querendo é só pedir, Excelência. O infeliz do senador pode ficar trancado numa cela por quanto tempo o STF quiser — até o resto da vida, em tese, pois a vítima não poderá recorrer à justiça para fazer valer seus direitos. Só pode recorrer a quem ordenou a sua prisão. Que tal? É verdade que prisão de senador é coisa que não aconteceu até hoje. Não aconteceu porque não foi preciso. O Senado, o único poder da República que pode tomar medidas para deter o STF, vive de quatro diante dos ministros, que julgam as causas dos escritórios de advocacia ligados aos senadores, sem falar dos enroscos de muitos deles com o Código Penal. Esperar o que disso aí? Nem um abaixo-assinado com 3 milhões de assinaturas pedindo o julgamento de ministros do STF por violação das leis foi aceito pelo presidente do Senado: o que mais seria preciso, para mostrar a vontade da população nesse caso? Quem decide se os pedidos são examinados ou não é o presidente do Senado, e o cidadão que está atualmente nesta cadeira é possivelmente o senador mais obediente do mundo; trata os membros do STF não como pares de um outro poder, mas como senhores a quem deve vassalagem. Ele é um beneficiário direto da ditadura do Judiciário. Por que iria mudar?
O centro da infecção está intacto, e, como em geral acontece nestes casos, a infecção se espalha pelo organismo todo; é difícil haver ditadura de um lado e democracia de outro. O ex-presidente de um partido político de direita, para acrescentar um último exemplo, está preso, em prisão domiciliar. Não existe a mais remota indicação de que possa sair de lá um dia, porque Moraes não quer que ele saia, os outros ministros vão atrás, e acabou a conversa. Em democracia de verdade cadeia é só para quem está condenado legalmente ou aguardando o julgamento, que tem de ser feito dentro de prazos fixados em lei; no Brasil fica na cadeia quem os ministros STF querem, e por quanto tempo quiserem. Dizem que “não é assim”. Mentira; é exatamente assim. Também dizem que estão salvando a democracia com censura à imprensa, polícia na casa das pessoas às 6 da manhã e a autoridade eleitoral posta a serviço de um dos candidatos. É golpe, apenas isso — um golpe que está a caminho de sua conclusão!
Foi como um boxeador encostado nas cordas, que mesmo golpeado insistentemente pelo adversário, seguia se defendendo e aguardando a hora certa para revidar, alvejando o oponente com uma combinação de socos capaz de virar a luta. Só que esse momento mágico chegou com o sinal trocado, na forma de um potente golpe que lhe acertou o queixo e fez com que o chão lhe faltasse.
Desde que foi jogado no meio do ringue da disputa pelo governo da Bahia, por obra e graça do governador Rui Costa e da ala esquerdista do PT (que havia negado apoio ao arranjo pelo qual o candidato seria Otto Alencar, do PSD), o agrônomo Jerônimo Rodrigues foi encostado às cordas por persistentes ataques dos adversários.
O motivo: as péssimas colocações da Bahia no ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (o Ideb, que mede a qualidade do ensino no Brasil) referentes ao ensino médio, que é de responsabilidade do Governo do Estado, conforme dispositivo constitucional. Jerônimo, como se sabe, foi secretário da Educação do Estado de 1º de fevereiro de 2019 até 31 de março deste ano, quando deixou o cargo, desincompatibilizando-se para poder disputar a eleição.
É bem verdade que não se pode atribuir tão somente a ele a responsabilidade por um problema que vem se arrastando há vários anos (em 2017 e 2019 a rede estadual de ensino médio da Bahia ficou em último lugar no ranking). Mas não há como desvencilhá-lo do governo que ele representa, como candidato, e que vinha tentando inutilmente defender, quando questionado em entrevistas, sabatinas e debates com outros candidatos.
Sempre buscando culpados ali e acolá para a situação vexatória, Jerônimo primeiro atribuiu a baixa qualidade do ensino público estadual à má gestão de governos anteriores – aparentemente esquecido que seu partido, o PT, está a menos de quatro meses para completar 16 anos no poder. Depois alegou que são problemas estruturais que exigem de 25 a 30 anos para serem superados. Finalmente atribuiu a culpa aos prefeitos, com o falso argumento de que o ensino na fase inicial do fundamental, a cargo das prefeituras, é ruim e os alunos chegam ao ensino médio despreparados e não conseguem avançar.
Defendendo-se, explicava que havia melhoras, sim, senhor, e que isso ficaria evidente quando novos dados do Ideb fossem divulgados. Ou seja, preso nas cordas, atacado incessantemente pela oposição, aguardava o momento de reagir, de mostrar que seu trabalho à frente da Secretaria da Educação rendera bons frutos, de modo a virar o jogo a seu favor.
Na última sexta-feira, o Ideb divulgou o relatório referente a 2021. Não deu para Jerônimo reagir e virar o jogo. Pelo contrário, recebeu um golpe mais forte. Os dados mostram que a Bahia continua nos últimos lugares entre as 27 unidades da federação. Recebeu a nota 3,5 e ficou na quarta pior posição, à frente apenas de Amapá (3,1), Pará (3,0) e Rio Grande do Norte (2,8).
Mas quando se avalia a proficiência em matemática e português, ou seja, o grau de aprendizagem dessas duas disciplinas pelos alunos, a Bahia, que tinha nota 4,1 e ocupava a 22ª posição em 2019, caiu para a 26ª posição no ano passado, com a nota 3,96, à frente apenas do Maranhão.
O curioso é que apesar da queda no nível de aprendizagem dessas duas importantes disciplinas em 2021, o índice de aprovação nas escolas da rede estadual do ensino média saltou de 77,5% para 87,4% no ano passado. Ou seja, os alunos aprenderam menos, mas, mesmo assim, maior número deles foi aprovado.
Não dá para entender. A não ser que tenha havido orientação para vitaminar a aprovação, de modo a aumentar, artificialmente, a nota do Ideb, que é calculada a partir de dois componentes: a taxa de rendimento escolar (aprovação) e as médias de desempenho nos exames padronizados aplicados pelo Inep. Vá-se lá saber.
*José Carlos Teixeira é jornalista, graduado em comunicação social pela Universidade Federal da Bahia e pós-graduado em marketing político, mídia, comportamento eleitoral e opinião pública pela Universidade Católica do Salvador.
Lula: ex-presidente não transfere seus votos aos candidatos do partido no Nordeste, segundo as pesquisas Miguel Schincariol/AFP
Líder absoluto nas pesquisas eleitorais no Nordeste, Lula não consegue transferir para candidatos do seu partido a popularidade que parece ter junto ao eleitorado da região. Se os levantamentos estiverem corretos, terminadas as eleições, o PT terá perdido influência e poder em diferentes estados nordestinos.
Na Bahia, ACM Neto, do União Brasil, lidera e pode vencer o candidato petista Jerônimo Rodrigues já no primeiro turno.
No Piauí, Sílvio Mendes, do mesmo partido de ACM, tem 43% das intenções de voto contra 29% do petista Rafael Fonteles.
No Ceará, Capitão Wagner, também do União Brasil, tem 36% contra 26% do petista Elmano de Freitas.
Em Pernambuco, onde atuou para matar a candidatura de Marília Arraes, o partido deve ser duramente castigado por ter optado pelo projeto do PSB. Marília lidera com 36% das intenções de voto. Ela trocou o PT pelo Solidariedade para escapar das negociatas dos antigos companheiros que tentaram sufocar sua candidatura.
Em todo o país, o drama petista se repete. Uma coisa, na cabeça do eleitor simpático a Lula, é votar no ex-presidente. Outra coisa é o PT.
Em tempo, o petismo fez quatro governadores no Nordeste na eleição de 2018: Rui Costa (Bahia), Wellington Dias (Piauí), Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte) e Camilo Santana (Ceará).
De desvario em desvario, transformaram a campanha eleitoral de 2022 numa eleição de ditadura
(Artigo de J. R. Guzzo publicado no jornal Gazeta do Povo em 12 de setembro de 2022)
A justiça eleitoral brasileira se transformou num monstro. Deveria ser uma repartição pública que cuida da organização das eleições e garante a honestidade das apurações, unicamente isso — como em qualquer democracia séria do mundo. Aqui, por força da invasão da vida política por parte do STF, e da vassalagem que o judiciário impôs aos dois outros poderes, passou a mandar na eleição. É uma deformação — os brasileiros foram expulsos do processo eleitoral. Quem decide tudo, hoje, são o TSE, os 27 TREs e o resto do brontossauro burocrático que passou a dar ordens aos partidos, aos candidatos e aos eleitores. De desvario em desvario, transformaram a campanha eleitoral de 2022 numa eleição de ditadura. Seu golpe mais recente foi proibir que o presidente da República mostre em seu programa de televisão as imagens das manifestações-gigante do dia Sete de Setembro em que foram comemorados os 200 anos de independência do Brasil — e nas quais possivelmente mais de 1 milhão de pessoas, em todo o país, foram às ruas prestar apoio à sua candidatura à reeleição.
É a pior agressão imposta até agora pelo TSE à liberdade, à igualdade e à limpeza das eleições de outubro; não há sinais de que seja a última. Os novos comissários-gerais da ordem política brasileira, simplesmente, decidiram que o presidente não tem o direito de mostrar, nos programas do horário político, os vídeos de manifestações públicas feitas em seu próprio favor — em atenção, mais uma vez, às exigências feitas pelo candidato adversário. A alegação é demente: a população foi para a praça pública festejar a independência do Brasil, e as imagens de sua maciça presença nas ruas não podem ser usadas para se fazer “propaganda eleitoral”. Mas as pessoas que saíram de casa no Sete de Setembro, com bandeiras do Brasil e vestidas de verde-amarelo, foram às comemorações com a expressa e óbvia intenção de dizer que vão votar em Jair Bolsonaro para um novo mandato. Como, agora, proibir que se mostre isso — algo perfeitamente legal e já visto por milhões de pessoas? É direito constitucional dos cidadãos brasileiros votarem em quem quiserem e expressarem publicamente a sua preferência — por que, então, o TSE proíbe a exibição de imagens que comprovam a existência de multidões dispostas a votar no presidente?
A mesma justiça eleitoral, no tempo do regime militar, não deixava os candidatos dizerem nada no programa político da televisão; só podiam mostrar um retratinho de si próprios, dentro dos exatos centímetros e milímetros fixados pelas autoridades, mais o seu número e partido, e fim de conversa. O povo não tinha nada de ficar sabendo o que o candidato tinha a dizer — como TSE de hoje acha que o povo não tem nada de ficar olhando para imagens que os comissários não gostam. No regime militar, ao menos, havia mais igualdade — o retratinho era igual para todo mundo. Hoje só o presidente é proibido de fazer isso e aquilo, e mais isso e mais aquilo; a cada cinco minutos os advogados do seu principal, ou único competidor, exigem que Bolsonaro se cale, enquanto ele próprio continua dizendo e mostrando tudo o que quer, com a plena aprovação do TSE. Neste último episódio, lembram os métodos da antiga ditadura comunista da Rússia, que mandava apagar todas as imagens que não aprovava – apagar fisicamente, raspando fotografias e filmes. Agora, estão apagando imagens que todo mundo já viu.
O ex-presidente Lula, num dos mais rancorosos insultos que já dirigiu à toda a população brasileira que não vota nele, disse que as manifestações do Sete de Setembro pareciam uma reunião da Ku Klux Klan, a sociedade secreta que se tornou símbolo mundial do racismo. O ministro Luís Roberto Barroso, por sua vez, disse que a presença do povo na rua serviria para se calcular quantos fascistas existem no Brasil; o apoio ao presidente, para ele, é um crime político. Das ofensas, agora, passa-se à pior das hipocrisias. Se tudo não passou de uma reunião racista de fascistas da KKK, porque toda a ânsia enraivecida, então, em proibir que esse fracasso da candidatura Bolsonaro apareça no programa eleitoral? Porque esconder algo que, segundo a candidatura Lula, deu errado para o adversário? Se deu errado, e é coisa do mal, a manifestação em seu favor teria de ser exibida ao máximo, não é mesmo? É claro que não se trata de nada disso. Lula, que não consegue juntar ninguém a seu favor para uma demonstração de massas, quer esconder o sucesso do presidente no Sete de Setembro — e o TSE, ao aceitar essa nova imposição, parece fazer mais um esforço para dar a impressão de que não vai agir com limpeza na eleição de outubro.
Nada é normal quando o STF funciona como um escritório de despachantes a serviço de senadores “de esquerda”
(J.R. Guzzo, publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 4 de setembro de 2022)
Todo mundo finge que está tudo bem, e que as coisas são assim mesmo. Mas não está tudo bem, e as coisas não são assim mesmo. Não pode estar tudo bem, de jeito nenhum, quando um ministro do Supremo Tribunal Federal conduz há três anos um inquérito criminal para investigar “atos antidemocráticos” que a lei, muito simplesmente, lhe proíbe de conduzir — só o Ministério Público, segundo a Constituição Federal, está legalmente autorizado a fazer investigações deste tipo. Ninguém mais — o diretor da Receita Federal, por exemplo, não pode, nem o comandante dos Fuzileiros Navais, e nem mesmo um juiz de Direito ou um desembargador. Mas o ministro Alexandre de Moraes está fazendo exatamente isso. Temos aí uma aberração inédita. O magistrado se transformou em parte do processo — e deixou de ser, como manda a lei, um julgador neutro, que ouve acusação e defesa e julga quem dos dois tem razão. Não existe isso em nenhuma democracia do mundo.
A partir deste vício sem solução, tudo o que sai do inquérito de Moraes é 100% ilegal. Os advogados não têm direito a ler o que está no processo. Nenhuma solicitação do MP é atendida — nem mesmo seus pedidos de encerramento da investigação, pela pura e simples inexistência de provas contra os investigados. O inquérito é perpétuo. Só quem tem foro privilegiado pode ser julgado no STF — mas a lei está sendo violada e cidadãos comuns são arrastados para lá. Moraes já prendeu por nove meses, e depois condenou a quase nove anos de prisão, um deputado federal em exercício do seu mandado — sem que ele tivesse sido preso em flagrante por cometer crime inafiançável, única hipótese legal para se punir um parlamentar brasileiro. Acaba de mandar a Polícia Federal invadir casas e escritórios de empresários que conversavam de política num grupo privado de WhatsApp. Chamou a isso, um grupo que conversa no celular, de “organização”. Falou em “alta periculosidade”.
Nada pode ser normal quando o TSE, sob o comando do mesmo ministro, cria uma polícia secreta para reprimir “ameaças à normalidade das eleições”— justo o TSE, que é hoje o principal causador de perturbação e de desordem no processo eleitoral. Nada é normal quando o STF funciona como um escritório de despachantes a serviço de senadores “de esquerda” — são eles que determinam, como no caso dos “empresários golpistas”, as medidas a serem tomadas. É tudo uma deformidade de circo — como o bezerro de duas cabeças, o gato-que-fuma ou Monga, a mulher-gorila. Nos tempos do AI-5, nenhum ato do governo militar estava sujeito à apreciação da justiça. Hoje, nenhum ato do STF está sujeito à apreciação de ninguém.
O ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (UB), retirou-se de cena após não ter sido indicado por ACM Neto (UB), à condição de vice, na chapa majoritária. O líder político continua em Salvador, e não tem dado entrevista. O silêncio chega a incomodar.
Mas quem conhece Zé Ronaldo sabe que ele sempre foi de falar pouco e agir muito. Me enviaram uma foto. Nela, Ronaldo aparece na região do Itaigara, tomando café, no dia seguinte após o anúncio do carlista. Segundo a fonte, Zé tem conversado com alguns políticos.
Foto: Reprodução
Chega, também, ao meu conhecimento, que o prefeito de Riachão do Jacuipe, Carlinhos Matos, têm mantido diálogo constante, com ele.
A pergunta que não quer calar: o que fará Ronaldo depois disso?
A região de Feira de Santana, que tem mais de um milhão de eleitores, e onde a influência dele é muito grande, espera pelo seu posicionamento. Aguardemos.
Há exatos 16 anos, foi idealizado pelo jornalista e radialista Joilton Freitas, o programa Rotativo News, transmitido pela Rádio Sociedade News FM 102.1. O jornalístico vai ao ar de segunda à sexta, das 15 às 16h, com quadros dinâmicos e a participação do ouvinte que opina, elogia ou critica através do quadro “Fala Bocão”.
O Rotativo aborda de maneira leve as notícias factuais de Feira de Santana, Bahia, Brasil e do mundo, com ética, seriedade, credibilidade, imparcialidade e respeito.
Aos parceiros, clientes e amigos, os nossos sinceros votos de gratidão, pois sem vocês o programa não chegaria aos milhares de lares do estado baiano. Muito obrigado, Deus, Frei Jorge Rocha – superintendente da emissora, e ao Frei Monteiro, que nos ajudou desde o princípio deste projeto que hoje é sinônimo de sucesso e reconhecimento no jornalismo feirense.
Na mesma semana, dois brasileiros nos Estados Unidos da América, protaganizaram cenas muito diferentes com a bandeira do Brasil.
No Oregon, o atleta Alison dos Santos, paulista de São Joaquim da Barra, logo depois de vencer o Ouro inédito para o país no Mundial de atletismo, na prova dos 400m com barreiras, pegou a nossa bandeira e a enalteceu como símbolo da sua vitória. De origem humilde, batalhador, enfrentou corajosamente tragédias pessoais desde criança. Venceu por mérito pessoal, e demonstrou seu orgulho em ser brasileiro. Uma imagem muito bonita de se ver.
Em um show em São Francisco, a cantora Bebel Gilberto, filha de João Gilberto e sobrinha de Chico Buarque, nascida em Nova Iorque, de origem abastada, com uma carreira medíocre calcada no sobrenome familiar, depois de receber uma bandeira do país no palco, cheia de frustração e ressentimento, a pisoteia sambando por cima dela com vontade e completa: “Acham que estou orgulhosa?”. Uma cena lamentável e triste, ainda mais tratando-se de uma artista que canta música brasileira.
Duas atitudes, dois valores, duas visões e sentimentos completamente diferentes a respeito dos símbolos que nos unem como pátria.
Eu espero, torço e trabalho para que nas próximas eleições vença o Brasil de Alison dos Santos!