Por Redação Rotativo News

Foto; arquivo pessoal
As redes sociais se tornaram parte da rotina de milhões de crianças e adolescentes. Entre vídeos de exercícios, dietas e transformações físicas, os chamados perfis fitness conquistam cada vez mais seguidores. No entanto, a exposição constante a padrões de beleza considerados ideais tem levantado preocupações sobre os impactos na saúde mental dos jovens.
Em entrevista ao Rotativo News, a psicóloga clínica Laynara Paiva explicou que as redes sociais são ambientes altamente visuais e que a repetição de imagens de corpos considerados perfeitos pode influenciar diretamente a forma como crianças e adolescentes enxergam a si mesmos.
Segundo a especialista, a adolescência é uma das fases mais vulneráveis a esse tipo de influência. Nesse período, os jovens estão construindo sua identidade, desenvolvendo a autoestima e buscando aceitação social. Por isso, tendem a ser mais sensíveis às comparações e às expectativas criadas a partir dos conteúdos consumidos nas plataformas digitais.
Laynara destaca ainda que o cérebro de crianças e adolescentes está em processo de desenvolvimento, especialmente em áreas relacionadas ao pensamento crítico e ao controle emocional. Essa característica pode tornar mais difícil a percepção de que muitas das imagens publicadas nas redes sociais são editadas, filtradas ou representam uma realidade distante da maioria das pessoas.
A comparação constante com influenciadores e criadores de conteúdo fitness pode gerar uma série de consequências emocionais. Entre elas estão a insatisfação com a própria aparência, a sensação de inadequação e a diminuição da autoestima. Em muitos casos, os jovens passam a acreditar que precisam atingir determinado padrão físico para serem aceitos ou valorizados socialmente.
A psicóloga alerta que esse cenário também pode contribuir para o aumento dos níveis de ansiedade e para o surgimento de sintomas depressivos. A pressão para alcançar resultados rápidos e corpos considerados ideais pode levar adolescentes a adotarem comportamentos prejudiciais, como dietas restritivas, excesso de exercícios físicos e hábitos pouco saudáveis.
Outro ponto de preocupação é a possível relação entre o consumo excessivo desse tipo de conteúdo e o desenvolvimento de transtornos alimentares. Embora doenças como anorexia nervosa e bulimia tenham causas multifatoriais, a exposição frequente a padrões estéticos rígidos pode representar um fator de risco importante, especialmente para jovens que já apresentam vulnerabilidades emocionais.
Para a especialista, a conscientização é fundamental. O acompanhamento familiar, o diálogo sobre o uso das redes sociais e a promoção de uma visão mais realista e diversa dos corpos podem ajudar a reduzir os impactos negativos desse conteúdo sobre a saúde mental dos adolescentes.
Em um cenário cada vez mais conectado, especialistas reforçam a necessidade de incentivar o uso crítico das redes sociais, lembrando que a busca pelo bem-estar deve estar acima da pressão por padrões estéticos muitas vezes inalcançáveis.
Da Redação do Rotativo News
