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Relatório do Banco Central mostra que o endividamento alcançou 79,2% do PIB

Conforme projeção, dívida bruta no governo Lula deve superar todas as gestões anteriores, antes mesmo de completar o mandato de quatro anos | Foto: Reprodução/Twitter/X
Conforme projeção, dívida bruta no governo Lula deve superar todas as gestões anteriores, antes mesmo de completar o mandato de quatro anos | Foto: Reprodução/Twitter/X

O passivo total do Estado brasileiro encerrou o segundo mês de 2026 em trajetória ascendente. De acordo com o balanço de “Estatísticas Fiscais” apresentado pela autoridade monetária nesta terça-feira, 31, o endividamento bruto — que engloba a esfera federal, autarquias previdenciárias e administrações regionais — subiu para 79,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Em termos nominais, a fatura pública alcança a marca de R$ 10,2 trilhões.

Essa movimentação representa uma expansão de 0,5 ponto percentual na comparação com o mês imediatamente anterior. O principal motor desse crescimento foi a apropriação de encargos financeiros nominais, que adicionaram 0,7 ponto percentual ao estoque da dívida. No acumulado do ano, a alta já atinge 0,6 ponto percentual da produção nacional, impulsionada majoritariamente pela incorporação de juros.

Rombo no setor público consolidado

O desempenho financeiro das instituições estatais também permaneceu no vermelho. O conjunto formado pela União, estados, prefeituras e companhias públicas registrou um saldo negativo de R$ 16,4 bilhões em fevereiro. O resultado foi puxado pelo desembolso excedente do Governo Central, que amargou um deficit isolado de R$ 29,5 bilhões, somado ao prejuízo de R$ 568 milhões nas empresas estatais.

Embora o saldo negativo de 2026 seja inferior aos rombos registrados no mesmo período em 2023 e 2024, o cenário contrasta com fevereiro de 2022, quando o país ainda ostentava um superávit superior a R$ 3,4 bilhões. Na contramão do Poder Executivo federal, as gestões estaduais e municipais conseguiram entregar um respiro financeiro de R$ 13,7 bilhões no mês.

Pressão nos indicadores de dívida líquida

O balanço do Banco Central detalha ainda a situação da Dívida Líquida do Setor Público, que atingiu R$ 8,4 trilhões, o equivalente a 65,5% da riqueza produzida pelo país. Houve um acréscimo de 0,6 ponto percentual no mês, refletindo não apenas os juros e o deficit primário, mas também o impacto de 1,5% da valorização da moeda estrangeira sobre as contas.

Com a conclusão do relatório bimestral, nota-se que a dinâmica fiscal brasileira segue dependente de ajustes para mitigar a alta dos juros internos. Enquanto a valorização cambial e o crescimento nominal da economia tentam amortecer o indicador, a velocidade da emissão de novos títulos e o custo para rolar o estoque existente mantêm o endividamento em níveis elevados.

Informações Revista Oeste

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