Dívida pública em alta, recorde de inadimplência e crescimento das recuperações judiciais formam cenário de preocupação para a economia do país

PERIGO À FRENTE Lula: no terceiro mandato, a dívida pública saltou de 72% para 82% do PIB (Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

A economia brasileira apresenta sinais que exigem atenção e podem indicar a aproximação de um novo período de estresse econômico. A avaliação é da economista Jucelia Lisboa, da consultoria Siegen, especializada em reestruturação de empresas.

A análise foi divulgada nesta quarta-feira (26) pela revista VEJA, em reportagem assinada pelo jornalista Márcio Juliboni, que destaca três indicadores considerados particularmente preocupantes: o avanço da dívida pública, o aumento da inadimplência de consumidores e empresas e a expansão dos pedidos de recuperação judicial.

Segundo Jucelia Lisboa, embora a economia brasileira ainda demonstre capacidade de resistência, os fatores que sustentam o crescimento apresentam fragilidades cada vez maiores.

Dívida pública preocupa

Um dos principais pontos de atenção é o crescimento da dívida pública. De acordo com dados do Banco Central citados pela VEJA, a dívida bruta do governo passou de aproximadamente 72% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2023, para 82% do PIB no mês passado.

O percentual representa um dos maiores níveis registrados fora de períodos excepcionais, ficando abaixo apenas do patamar observado durante a pandemia de Covid-19.

A preocupação aumenta diante da ausência de uma sinalização mais firme em relação a um ajuste fiscal capaz de estabilizar a trajetória da dívida. A própria equipe econômica admite a possibilidade de que a relação entre dívida e PIB continue aumentando nos próximos anos.

O impacto já começa a aparecer no funcionamento da máquina pública, com contingenciamentos e bloqueios de despesas discricionárias. A redução de recursos pode afetar órgãos responsáveis por fiscalização e pela concessão de autorizações e licenças, criando obstáculos para investimentos e para a atividade econômica.

Inadimplência bate recorde

Outro sinal de alerta é o elevado nível de inadimplência.

Dados da Serasa Experian citados na análise apontam que quase 84 milhões de consumidores estavam inadimplentes em julho, o maior número registrado desde o início da série histórica.

O problema também alcança as empresas. Cerca de 9,1 milhões de companhias apresentavam dificuldades para honrar seus compromissos financeiros, igualmente um recorde.

Para Jucelia Lisboa, o cenário chama atenção porque ocorre mesmo em um ambiente de geração de empregos e crescimento da renda. Ou seja, a melhora de alguns indicadores da economia não tem sido suficiente para eliminar a pressão financeira sobre famílias e empresas.

Recuperações judiciais aumentam

O terceiro indicador destacado pela economista é o crescimento das recuperações judiciais.

Segundo dados da consultoria RGF mencionados pela VEJA, o Brasil contabilizava 6.341 empresas em recuperação judicial em junho, número 21% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

O aumento demonstra que um número crescente de empresas enfrenta dificuldades para manter suas operações e cumprir compromissos financeiros.

A combinação de endividamento elevado, juros altos e maior dificuldade de acesso ao capital pode aumentar a pressão sobre empresas que já operam com margens reduzidas.

Cenário exige atenção

Apesar dos sinais negativos, a análise não significa que uma nova crise econômica seja inevitável. O alerta está relacionado à necessidade de acompanhar a evolução dos indicadores e adotar medidas capazes de reduzir os fatores de vulnerabilidade.

Entre os pontos considerados fundamentais estão o equilíbrio das contas públicas, a evolução do crédito, o comportamento das taxas de juros e a capacidade das empresas de se adaptarem a um cenário de capital mais caro.

A avaliação de Jucelia Lisboa é que o crescimento atual da economia brasileira não deve ser confundido com uma expansão estruturalmente sustentável.

A situação, portanto, exige cautela. Caso os indicadores continuem se deteriorando sem uma resposta capaz de fortalecer as bases da economia, o país poderá enfrentar dificuldades maiores nos próximos anos.

Fonte: informações baseadas em reportagem de Márcio Juliboni, publicada pela revista VEJA em 26 de agosto de 2026, a partir de análise da economista Jucelia Lisboa, da Siegen.

Texto reescrito e adaptado para publicação jornalística, sem reprodução literal da matéria original.

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