Um corredor oculto de nove metros de comprimento foi descoberto perto da entrada principal da Grande Pirâmide de Gizé, de 4.500 anos, no Egito, o que pode levar a novas descobertas, disseram autoridades de antiguidades egípcias nesta quinta-feira (2).
A descoberta dentro da pirâmide, a última das Sete Maravilhas do Mundo Antigo ainda de pé, foi feita no âmbito do projeto Scan Pyramids, que desde 2015 usa tecnologia não invasiva, incluindo termografia infravermelha, simulações 3D e endoscópios para espiar dentro da estrutura.
A Grande Pirâmide foi construída como uma tumba monumental por volta de 2560 aC durante o reinado do faraó Khufu, ou Quéops. Construída com uma altura de 146 metros, foi a estrutura mais alta feita por humanos até a Torre Eiffel em Paris, em 1889.
O corredor inacabado foi provavelmente criado para redistribuir o peso da pirâmide em torno da entrada principal, a quase 7 metros de distância, ou em outra câmara, ou espaço ainda não descoberto, disse Mostafa Waziri, chefe do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.
“Vamos continuar nossa varredura para ver o que podemos fazer para descobrir abaixo dela, ou apenas no final deste corredor”, disse ele a repórteres em frente à pirâmide.
Os cientistas confirmaram a presença do corredor usando radar e ultrassom, antes de recuperar imagens dele ao enviar um endoscópio japonês de 6 mm de espessura através de uma pequena junta nas pedras da pirâmide.
Em 2017, os pesquisadores da Scan Pyramids anunciaram a descoberta de um vazio de pelo menos 30 metros de comprimento dentro da Grande Pirâmide, a primeira grande estrutura interna encontrada desde o século 19.
Monarca, pai de Harry, retirou do casal o Frogmore Cottage, única residência deles no Reino Unido. Segundo a imprensa britânica, castelo foi devolvido à monarquia e será usado por irmão de Charles III.
O rei Charles III, a rainha consorte Camilla e Harry e Meghan durante funeral da rainha Elizabeth II, em Londres, em setembro de 2022. — Foto: AP Photo/Martin Meissner, Pool
Um porta-voz do príncipe Harry e de Meghan Markle confirmou nesta sexta-feira (2) que o rei Charles III enviou uma ordem despejo para que o casal deixe o Frogmore Cottage, a única residência dos duques de Sussex o Reino Unido, segundo a rede britânica BBC.
O Frogmore Cottage havia sido concedido ao casal pela rainha Elizabeth II em 2018, como presente de casamento. A residência tem cinco quartos e fica perto do Castelo de Windsor, no oeste de Londres.
Na quinta-feira (1º), o jornal “The Sun” afirmou em reportagem ouvindo fontes da monarquia que o Palácio de Buckingh,am havia enviado “um aviso de expulsão” a Harry e Meghan, que deixaram o Reino Unido em 2020, quando abdicaram das obrigações e do salário da monarquia.
Desde então, os dois têm feito declarações acusando membros da família real de colaborarem para uma feroz perseguição da imprensa britânica a Meghan Markle.
Ainda segundo o “The Sun”, Charles III não propôs uma nova residência aos duques de Sussex no Reino Unido, o que significa que o casal não terá mais uma residência real durante suas poucas visitas ao Reino Unido.
Harry e Meghan vivem atualmente na Califórnia, nos Estados Unidos, com os dois filhos do casal.
Quando foram morar no Fromage Cottage, depois de casados, Harry e Meghan decidiram reformar a residência e fizeram uma obra calculada em cerca de US$ 2,4 milhões (de R$ 12,5 milhões), financiados com dinheiro público. O valor foi fortemente criticado pela opinião pública, e o príncipe Harry teve de devolver o valor.
A decisão acontece depois da publicação do livro de memórias do príncipe Harry, “Spare” (ou “O que sobra”, na versão em português). Nele, o filho caçula do monarca britânico aponta uma série de acusações contra seu irmão e seu pai e, principalmente, ao modus operandi da relação da monarquia britânica coma imprensa.
O “The Sun” afirmou também que o rei pediu ao príncipe Andrew, seu irmão, que se mudasse para Frogmore Cottage. A ideia é reduzir as despesas do irmão mais novo, que hoje vive em uma luxuosa propriedade em Windsor.
O Palácio de Buckingham ainda não havia se pronunciado sobre a ordem de despejo até a última atualização desta notícia.
A ativista sueca Greta Thunberg foi presa nesta quarta-feira, 1º, em Oslo, na Noruega, ao participar de um protesto contra a instalação de turbinas eólicas na região de Fosen, em áreas pertencentes a uma tribo indígena chamada Sami. É a segunda prisão da ativista por participar de obstruções em protestos ambientais.
Nesta quarta-feira, ela e outros ativistas foram detidos por bloquear uma das portas do Ministério das Finanças norueguês. A expectativa é de que ela seja liberada em breve, informou a imprensa internacional.
Um vídeo do momento da prisão foi compartilhado nas redes sociais.
Ativistas indígenas e ambientalistas pedem ao governo norueguês a remoção das turbinas eólicas da região. Em 2021, a Suprema Corte da Noruega decidiu que os dois parques eólicos construídos na área, no centro da Noruega, violaram os direitos do povo originário.
As turbinas, no entanto, permanecem em operação mais de 16 meses depois da decisão judicial. Por isso, nos últimos dias, manifestantes decidiram bloquear o acesso a vários prédios do governo em Oslo em protesto.
Os Sami habitam a região há milhares de anos, informou a imprensa. Segundo a Unesco, a população é de aproximadamente 80 indígenas, que vivem principalmente no norte da Noruega, da Finlândia, da Rússia e da Suécia.
Em 17 de janeiro, Greta foi detida durante manifestação contra a demolição de uma vila na Alemanha para a reativação de uma mina de carvão. O governo alemão pretende reativar a mineração na região para compensar a crise de energia causada pela guerra na Ucrânia.
Tremor, de magnitude 5,2 e pouca profundidade, ocorreu no leste do país, que ainda se recupera do terremoto de 6 de fevereiro, quando mais de 50 mil pessoas morreram na região central turca e no norte da Síria.
Equipes de resgate procuram pessoas enquanto guindastes removem escombros de edifícios destruídos na Turquia durante o terremoto de 6 de fevereiro de 2023. — Foto: Hussein Malla / AP Photo
Três semanas após o tremor que deixou mais de 50 mil mortos, um novo terremoto, de magnitude 5,7, atingiu a Turquia nesta segunda-feira (27), deixando uma pessoa morta e causando o desabamento de mais dezenas de prédios.
O epicentro do novo tremor aconteceu na cidade de Yesilyurt, na região de Malatya, no leste, também afetado pelo terremoto de 6 de fevereiro. De acordo com o prefeito da cidade, Mehmet Cinar, mais prédios desabaram. Cinar disse que a prefeitura ainda está contabilizando o número de edifícios afetados.
A magnitude do novo terremoto foi de 5,2, de acordo com o Centro de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos (USGS), que monitora terremotos em todo o mundo em tempo real. Já o Centro Sismológico Euromediterrâneo fala de magnitude 5,5.
Nos dois casos, a força do tremor é significantemente menor que a do terremoto do dia 6 de fevereiro, que alcançou magnitude 7,8 e é um dos piores da história da região e destruiu milhares de prédios e cidades na região central da Turquia e no norte da Síria.
Mas o epicentro novo terremoto ocorreu em uma profundidade considerada pequena e que pode elevar os efeitos do tremor. O centro europeu fala de 5 quilômetros, e o USGS, de 10 quilômetros.
Efeitos do primeiro terrremoto
Imagens de drone mostram Hatay, na Turquia, antes e depois do terremoto
O novo tremor acontece com a região central da Turquia ainda praticamente sob escombros e tentando achar um caminho para a reconstrução de cidades inteiras.
Mais de 173 mil prédios foram total ou parcialmente destruídos só na Turquia, segundo o governo.
O presidente turco, Recep Tayip Erdogan, muito criticado pela resposta lenta, tem tentado culpar construtoras de edifícios, que não seguiam os protocolos antiterremoto, pela destruição. Nesta segunda-feira, o governo afirmou que mais 184 pessoas suspeitas de não cumprir com os protocolos foram presas.
Embarcação lotada com mais de 100 iranianos, paquistaneses e afegãos bateu contra rochas em um mar agitado. 81 pessoas sobreviveram e 22 foram levadas ao hospital, até a última atualização da reportagem.
Barco com mais de 100 imigrantes naufraga na costa da Calábria, na Itália
Pelo menos 45 pessoas morreram após o naufrágio de um barco com imigrantes na costa leste da região da Calábria, na Itália, informam agências internacionais de notícias neste no domingo (26).
Alguns corpos foram achados nas margens de Steccato di Cutro, um balneário na província de Crotone, disse a ANSA, enquanto outras vítimas foram resgatadas na água.
O número de mortos ainda pode aumentar.
Equipes de resgate recuperam corpo depois que um barco de migrantes naufragou em mar agitado na costa da Itália — Foto: Giuseppe Pipita / AP Photo
A embarcação, trazendo imigrantes do Irã, Paquistão e Afeganistão, bateu contra rochas em um mar agitado, afirmou a agência de notícias Adnkronos.
Informações da polícia e da guarda costeira italiana dizem que ao menos 81 pessoas sobreviveram ao naufrágio, e 22 foram encaminhadas ao hospital.
De acordo com a Adnkronos, mais de 100 pessoas estavam a bordo do navio, enquanto a AGI, outra agência de notícias italiana, disse que um bebê e várias crianças estavam entre os mortos.
Equipes de resgate recuperam corpo depois que um barco de migrantes naufragou em mar agitado na costa da Itália — Foto: Giuseppe Pipita / AP Photo
A Itália é um dos principais pontos de desembarque de migrantes que tentam entrar na Europa por via marítima. Mas a rota do Mediterrâneo central é uma das mais perigosas do mundo.
De acordo com o Projeto de Migrantes Desaparecidos da Organização Internacional para as Migrações, 20.333 pessoas morreram ou desapareceram no Mediterrâneo central desde 2014.
O autocrata russo Vladimir Putin afirmou neste domingo (26) que o objetivo da Otan é “dissolver a antiga União Soviética e sua parte fundamental, a Federação Russa”.
“Nas condições de hoje, quando todos os principais países da Otan declararam que o seu principal objetivo é no infligir uma derrota estratégica, para que o nosso povo sofra, como eles dizem, como podemos ignorar as suas capacidades nucleares nessas condições?”, questionou durante declaração à televisão estatal Rossiya 1.
“Eles [Ocidente] estão enviando dezenas de biliões de dólares de armas para a Ucrânia. Isso é realmente participação”, afirmou, acrescentando que os países da Otan estão participando, “ainda que indiretamente, nos crimes do regime de Kiev”.
Na última terça-feira, Putin anunciou a suspensão da participação da Rússia no tratado Novo Start com os Estados Unidos, último acordo de controle de mísseis nucleares vigente. Válido até 2026, o acordo prevê que tanto EUA quanto Rússia, que detêm 90% do arsenal nuclear mundial, mantenham no máximo 1.600 ogivas em prontidão.
São 18 candidatos no primeiro turno, mas 3 deles estão mais bem colocados nas pesquisas.
Mural de protesto contra o atual presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, em Lagos, em 24 de fevereiro de 2023 — Foto: Ben Curtis/AP
Neste sábado (25), os eleitores da Nigéria, o país mais populoso e a maior economia da África, vão votar no primeiro turno das eleições presidenciais.
Há 18 candidatos no páreo para suceder o atual presidente, Muhammadu Buhari, que está terminando seu segundo mandato (o número máximo permitido).
Apesar de ser um dos maiores produtores de petróleo da África, a Nigéria atravessa uma crise econômica. O governo está alterando a moeda do país, e muitas famílias não estão conseguindo sacar dinheiro.
Uma parte significativa dos nigerianos mais jovens deixa o país para tentar a vida em algum outro lugar.
População do tamanho da brasileira
As filas para o cadastro de eleitor estavam muito longas, e a comissão eleitoral do país aumentou o prazo.
A Nigéria tem mais de 210 milhões de pessoas (uma população de um tamanho semelhante ao da população brasileira), e há 93 milhões de eleitores registrados.
Cerca de 40% dos eleitores têm menos de 35.
Candidatos à presidência da Nigéria
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No total, são 18 candidatos, mas três deles são os favoritos no primeiro turno
Candidatos mais relevantes
Alguns candidatos são considerados mais competitivos:
Bola Tinubo, de 70 anos, do All Progressives Congress (APC), foi um aliado do atual presidente e governador da região de Lagos;
Atiku Abubakar, de 76, do People’s Democratic Party, já foi vice-presidente e é um dos homens mais ricos do país;
Peter Obi, de 61 anos, um ex-governador, se apresenta como o candidato da mudança.
As pesquisas mais recentes apontam que Obi deve ser o candidato mais votado. No entanto, uma parte dos entrevistados se recusou a dizer em quem vai votar ou afirmou que está indecisa.
No começo da campanha, Obi parecia não ter muitas chances. No entanto, ele avançou nas pesquisas de intenção de voto.
Obi é o candidato de um partido com pouca estrutura, o Partido Trabalhista, que teve menos de 1% dos votos nas eleições presidenciais de 2019.
Na campanha, ele falou principalmente para os nigerianos mais jovens. Ele disse que vai tentar estabelecer políticas econômicas que aumentem os emprego.
O norte da Nigéria concentra mais muçulmanos, que são a maioria no país. O sul do país é dominado por cristãos.
Os candidatos presidenciais geralmente equilibram suas chapas, escolhendo um companheiro de chapa que seja de uma religião diferente da sua.
Tinubu, um dos outros candidatos, não fez isso: ele é muçulmano e escolheu um vice muçulmano.
Essa estratégia pode aprofundar as divisões religiosas do país, disse Hassan Idayat, que lidera o Centro para Democracia e Desenvolvimento, o maior grupo focado na democracia da Nigéria.
Comparecimento pode definir 1º turno
Uma das questões mais importantes do primeiro turno é o comparecimento.
Nas eleições mais recentes, a participação dos eleitores foi baixa. Em 2019, por exemplo, 34% dos eleitores registrados votaram.
No entanto, há indicações que desta vez isso pode ser diferente. Nas redes sociais e nos comícios há um entusiasmo com a votação, e nos pontos de registro da Justiça eleitoral houve filas.
A participação dos jovens pode ser ainda mais impulsionada pela decisão de fechar as universidades do país por duas semanas antes da eleição. As autoridades citaram preocupações de segurança como o principal motivo da mudança, mas também significa que muitos jovens estarão em casa para votar.
No dia 24 de fevereiro de 2022 o mundo acompanhava atônito a invasão da Rússia à Ucrânia, desencadeando um conflito militar que persiste até hoje, sem sinais de paz à vista. Na época, as previsões para a economia eram bastante pessimistas após a Rússia sofrer sanções rigorosas do Ocidente. Consequentemente, o rublo atingiu uma baixa recorde em relação ao dólar americano, o banco central russo aumentou significativamente as taxas de juros e a bolsa de valores de Moscou foi fechada por vários dias. Os economistas calculavam uma contração acima de 10% no PIB do país, mas a realidade é diferente das projeções.
De acordo com a Economic Expert Group, agência oficial de estatísticas da Rússia, a economia contraiu 2,1% em 2022, contrariando a previsão de queda de 12%. Na estimativa do banco central russo, a queda no PIB deve ser menor em 2023, de 1,5%. Se essa projeção se concretizar, o tombo seria de 3,6% no biênio, um número relevante, mas pequeno comparado a contrações registradas em outros países fora do contexto de guerra, como o Brasil, que chegou a cair mais de 6% entre 2015 e 2016. Segundo especialistas, existem várias razões pelas quais a economia russa superou as expectativas, mas a principal é o petróleo e o gás.
Apesar de a União Europeia ter sancionado as importações russas, o bloco continuou a comprar petróleo e gás russos durante grande parte do ano de 2022 devido à alta dependência energética. Além disso, os russos encontraram novos parceiros comerciais na China, Índia e Turquia, aumentando exportações para esses aliados e também se beneficiando com as chamadas importações paralelas, nas quais os produtos ocidentais chegam ao país por meio desses parceiros.
O banco central russo registrou um superávit comercial recorde de 227 bilhões de dólares em 2022, impulsionado em grande parte pelas exportações de energia do país. Segundo o Wilson Center, think tank de pesquisa independente, as receitas de petróleo e gás da Rússia em 2022 foram excepcionalmente altas, alcançando 164,2 bilhões de dólares de janeiro a novembro, um aumento de quase 30% em relação ao ano anterior. O número é relevante, mas ainda está abaixo da média de 60% registrado com receita de exportação antes da guerra. Mesmo com perda na exportação em volume, os altos preços do barril estão beneficiando o país.
A experiência russa em lidar com sanções há quase dez anos, desde a anexação da Crimeia em 2014, também tornou a economia resiliente. O banco central russo, que possui conhecimento em gerenciamento de crises, agiu rapidamente com elevação na taxa de juros para evitar fuga de capitais dos bancos e controlar a inflação. A inflação passou de 8,4% para 11,9% em 2022, enquanto a taxa de juros subiu de 9,5% para 20% assim que a guerra estourou. Atualmente, a taxa está em 7,5% com uma projeção de inflação de 6% para 2023, acima, porém, não muito distante, da meta estabelecida pelo banco central de 4%.
Em entrevista para a o jornal alemão Deutsche Welle, Christopher Weafer, sócio-fundador da Macro-Advisory Ltd Weafer, consultoria independente para investidores alocados na Rússia, diz que a década de sanções que o país enfrentou testou fortemente seus bancos, e o país se tornou relativamente autossuficiente em indústrias cruciais, especialmente na produção de alimentos.
Mas especialistas da Wilson Center calculam que, se o preço da mistura dos Urais, o principal tipo de petróleo exportado pela Rússia, se mantiver em 50 dólares ao longo de 2023, o orçamento russo terá uma perda de cerca de 7,7% de suas receitas. Com o mundo se encaminhando para uma recessão, a demanda por petróleo deve frear e a Rússia pode começar a sentir o declínio na sua economia.
Joe Biden e Zelensky em Kiev, na segunda-feira (20); dias seguintes a visita foram de agitação política entre Estados Unidos e Rússia Imagem: Evan Vucci/Pool via REUTERS/File Photo
A guerra na Ucrânia completou um ano hoje — com ao menos 210 mil mortos — 30 mil deles, civis. Mas apesar da perda humana e material, o conflito parece não ter data para acabar, com o presidente russo Vladimir Putin, responsável pela invasão, afirmando que pretende seguir com os ataques ao país vizinho para se proteger de uma “derrota estratégica” apoiada por países estrangeiros.
Às vésperas do aniversário, Putin colocou a culpa da guerra no “Ocidente”, enquanto os Estados Unidos anunciaram um apoio de US$ 500 milhões às tropas ucranianas, durante uma visita secreta do presidente Joe Biden à capital do país, Kiev.
Em seu tradicional discurso sobre o estado da nação, transmitido na terça-feira (21), o presidente russo afirmou que “fez tudo o que podia para evitar” o conflito, mas que decidiu invadir a Ucrânia para evitar um suposto ataque à Crimeia, anexada por Moscou em 2014 — uma decisão não reconhecida internacionalmente.
“O povo da Ucrânia se tornou refém do regime em Kiev e seus senhores ocidentais, que ocuparam o país no sentido político, militar e econômico”, disse Putin no discurso. “As elites ocidentais estão tentando esconder seus objetivos de infligir uma derrota estratégica à Rússia. Eles pretendem transformar o conflito local numa confrontação global. É assim que entendemos e vamos reagir de acordo”, prosseguiu.
Visita de Biden à Ucrânia
O presidente dos Estados Unidos chegou “de surpresa” em Kiev, capital da Ucrânia, na segunda-feira (20). Uma visita à Polônia, país vizinho, estava agendada para o mesmo dia, mas a visita ao território em guerra não tinha sido confirmada pela Casa Branca.
Biden foi recebido por Volodymyr Zelensky, líder ucraniano, e caminhou com ele pelas ruas da capital, apesar do alarme aéreo em vigor em todo o país diante dos ataques das forças russas. Ele ainda anunciou um apoio de US$ 500 milhões de dólares — incluindo equipamento militar — ao país em guerra.
Horas depois, já em Varsóvia, o líder norte-americano reafirmou o apoio à Ucrânia, dizendo que “Kiev permanece em pé” e “livre” apesar da guerra. Ele declarou ainda que o país “nunca será uma vitória da Rússia”.
O discurso ousado foi compartilhado por sites oficiais do governo dos Estados Unidos na terça-feira (21).
Putin suspende tratado nuclear
Horas antes da fala de Biden em Varsóvia, ainda no discurso à nação, Putin anunciou a suspensão da participação da Rússia no tratado Novo Smart, um acordo bilateral de desarmamento nuclear com os Estados Unidos.
O documento foi assinado em 2010 pelos presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev e representava o último tratado de controle de armas entre os dois países, limitando o número de ogivas nucleares que cada um possui.
A suspensão aconteceu depois de os Estados Unidos reclamarem que Putin não permitia que seus inspetores visitassem o arsenal russo, um direito garantido pelo tratado para garantir seu cumprimento. Em resposta, o governo russo defendeu que não era apropriado autorizar inspeções enquanto os países enfrentam tensões relacionadas à guerra na Ucrânia.
Autoridades russas afirmam que o país continuará prestando contas sobre seu arsenal, acabando apenas com as visitas, mas Putin já insinuou que tem planos de testes nucleares.
Vladimir Putin em discurso à nação, que aconteceu na Assembleia Federal em Moscou, na terça (21) Imagem: Sputnik/Sergei Savostyanov/Pool Reuters
Biden minimiza situação, mas fala em “grande erro” russo
Em resposta à suspensão do tratado, Joe Biden disse ontem à ABC News que não interpreta a decisão de Vladimir Putin como um sinal de que ele considera usar armas nucleares, apesar de considerá-la “não muito responsável”.
Questionado se a situação tornava o mundo menos seguro, Biden disse: “Eu acho que estamos menos seguros quando abandonamos acordos de controle de armas que são de muito interesse de ambas as partes e do mundo. Mas a ideia de que isso significa que eles estão pensando em usar armas nucleares, mísseis balísticos intercontinentais…não há evidência disso.”
Putin vai contra tom diplomático e fala em míssil ‘ultrapotente’
Indo contra o tom de Biden, o presidente russo afirmou em novo discurso, na manhã de hoje, que deseja colocar em serviço o modelo mais recente do Sarmat, um míssil intercontinental anunciado em 2022.
Ele já foi descrito por Putin como um míssil capaz de “burlar todos os sistemas antiaéreos” e que “fará aqueles que tentam ameaçar a Rússia refletirem duas vezes”.
O presidente afirmou que o Sarmat, chamado de Satã II pelos ocidentais, tem um alcance quase ilimitado, mas de acordo com o canal CNN, que citou fontes americanas que pediram anonimato, o teste mais recente dele fracassou ainda esta semana.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, se recusou a comentar a afirmação.
Retirada de embaixadores
Além dos Estados Unidos, a Rússia também entrou em conflitos recentes com outros membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte que apoiaram o financiamento das tropas ucranianas.
O embaixador da Estônia foi expulso de Moscou depois que seu país foi acusado de “russofobia”. O Ministério de Relações Exteriores russo afirmou em 23 de janeiro que as autoridades estonianas “destruíram de propósito” as relações com o Kremlin ao reduzir o tamanho da embaixada russa em Talinn, capital estoniana.
Membro da OTAN, a Estônia apoiou que a Alemanha cedesse tanques de guerra para a Ucrânia. Margus Laidre, funcionário diplomático que trabalhava em Moscou, foi informado que tinha até 7 de fevereiro para sair do país.
Ele foi o primeiro embaixador expulso pela Rússia após a invasão. Em resposta, a Estônia também expulsou o representante russo que estava em seu país, dando o mesmo prazo para sua saída.
Solidária, a Letônia também expulsou o embaixador russo em seu país, dando a ele até 27 de fevereiro para ir embora. Pioneira, a Lituânia já tinha feito o mesmo em abril do ano passado, depois que o governo ucraniano acusou as forças russas de matarem civis na cidade de Bucha. Seu embaixador na Rússia foi convocado a voltar pelo próprio governo, e não expulso.
A relação diplomática entre os países se mantém, mas com status “rebaixado”. Agora, os assuntos entre as nações são comandados por um chargé d’affaires — ou encarregado de negócios — que assume as responsabilidades diplomáticas na ausência de um embaixador.
A embaixadora dos Estados Unidos na Rússia, Lynne Tracy, permanece em Moscou. Ela foi convocada para uma reunião com o Ministério das Relações Exteriores na terça (21) para responder às reclamações russas sobre o envolvimento “agressivo” do governo Biden na guerra da Ucrânia, afirmando que o auxílio bélico ao país prova que os Estados Unidos são “falsos” ao dizer que não são parte do conflito.
Imagem foi feita por piloto de caça norte-americano
Na quarta-feira 22, o Pentágono divulgou uma foto aproximada do balão espião chinês que sobrevoou o país por dias, antes de ser abatido pelo governo norte-americano na Carolina do Norte. A imagem foi feita em 3 de fevereiro.
As autoridades suspeitam que o equipamento tenha feito registros importantes do território, como o de um dos três centros de comando do arsenal de mísseis balísticos intercontinentais do país, localizado no Estado de Montana.
Depois de revelada a origem do balão, os Estados Unidos intimaram a China. O Partido Comunista (PCC) alegou tratar-se de um objeto para fins meteorológicos que perdeu o rumo e acabou indo em direção aos EUA. A Casa Branca, contudo, não acreditou na versão do PCC e mandou derrubar o balão.
Partes dos detritos, incluindo sua carga útil, foram recuperados e estão sendo analisados, conforme informou a vice-secretária de imprensa do Pentágono, Sabrina Singh.
O balão espião chinês e sua trajetória
O Departamento de Estado dos EUA informou que o balão tinha diversas antenas em um arranjo que “provavelmente conseguia coletar e geo-localizar comunicações”. Os painéis solares da máquina eram grandes o suficiente para produzir energia para operar “vários sensores ativos de coleta de inteligência”.
Algumas características do balão foram reveladas:
É um equipamento que voa em altitudes elevadas;
Pode ser equipado com sensores de alta tecnologia capazes de captar transmissões de rádio, celular e outras que não podem ser captadas por satélites, por exemplo;
Opera de 24 km a 37 km de altitude, muito acima de rotas comerciais (no máximo 12 km de altitude);
Geralmente movido por correntes de vento;
Pode funcionar com energia solar;
Também pode ser guiado à distância;
Muito usado pelos EUA e pela União Soviética durante a Guerra Fria;
Considerado uma alternativa e em relação a satélites.
A máquina iniciou sua viagem controlada em território norte-americano em 28 de janeiro. O balão foi rastreado sobre Montana no início de fevereiro, logo depois de viajar pelas Ilhas Aleutas e pelo Canadá.